Deixei uma sólida carreira acadêmica e o conforto do serviço público para realizar sonhos. Hoje sou Founder/CEO do Saldo Coletivo e Mentor na Amazon Startup.
Da Ideia a Execução - Tirando as pedras no meio do caminho
(...)Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.
(...) Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração (...)
(Carlos Drummond de Andrade)
É muito comum ver empreendedores ou potenciais empreendedores se queixarem pela dificuldade de por suas Grandes Ideias de negócio em prática. Alguns, inclusive, não compartilham suas ideias por terem medo de serem "roubados". Mas as principais justificativas por não conseguirem avançar são a formação de uma equipe e a falta de investimento.
Posso estar enganado, mas provavelmente todas essas pedras no meio do caminho foram postas pelo próprio empreendedor e se ele não estiver disposto a tirá-las do caminho, só terá desilusão, porque nesse vasto mundo não basta ser "Raimundo", tem que ser a solução.
Vamos identificar aqui quatro pedras no meio do caminho:
Você teve uma ideia de negócio, isso é ótimo! E depois de longos 10 minutos pensando sobre ela, você concluiu que a solução que você encontrou para um determinado problema irá gerar milhões, que ela é única e que dará certo.
Vá com calma, na verdade há uma grande chance de mais umas 10 pessoas terem tido essa mesma ideia, há chance dela já ser um negócio bem estabelecido. Há ainda a chance de alguém tê-la posto em prática e visto que não deu certo. Você deve desistir por causa disso? Não se você achar que faz todo sentido dedicar suas energias nela. Então, se você acredita que pode executá-la melhor do que os outros, siga em frente.
Mas e se for realmente única? Bem, sua ideia então pode ser absurda, por isso ninguém tinha pensado nisso antes. Mas e se for realmente única e promissora? Parabéns, você acabou de concluir os seus 1% de inspiração, é hora dos 99% transpiração, em outras palavras, o que vai garantir o sucesso de sua "ideia" realmente será a execução.
Portanto, estude o mercado, levante hipóteses sobre o problema, estude seus clientes em potencial, converse com eles, com seus amigos e com empreendedores mais experientes do que você, vá a eventos, mande e-mails... Esses são cuidados para não tropeçar na próxima Pedra!
"Minha ideia pode ser roubada e eu devo guardar segredo absoluto"
É simples: se você não falar com as pessoas, seu aprendizado vai ser muito mais lento e não se esqueça de que você pode ter tido uma ideia absurda, por isso você precisa passar pelo crivo de seus pares - os demais empreendedores.
Geralmente empreendedores mais experientes já passaram pelo que você está passando e poderão lhe ajudar a não cometer erros básicos ou ainda poderão lhe indicar leituras, lhe dar feedbacks, lhe indicar ferramentas, lhe apresentar para parceiros e até mesmo clientes em potencial. Se rolar uma sintonia, você pode ainda conquistar mentores - esses caras vão fazer toda diferença em sua caminhada, alguns, inclusive, podem vir a serem até mesmo seus investidores no futuro.
Portanto, avalie o custo/benefício entre correr o "risco" de ter sua ideia roubada e crescer mais rápido e com mais qualidade. Aí você já estará a um passo da execução e também das Pedras seguintes que costumam ficar lado a lado. Vejamos a primeira:
"Eu preciso de uma equipe para iniciar meu MVP"
Se você sobreviveu ao estudo do mercado, do problema e aos feedbacks de empreendedores mais experientes, meus parabéns é hora realmente de meter a mão na massa.
Finalmente seu negócio está nascendo, você irá começar a desenvolver seus Produtos Míninos Viáveis (MVPs), ou seja, você irá desenvolver meios para que clientes (em potencial) interajam com a solução que você está desenvolvemndo para um problema que esse cliente possui (para mais informações sobre MVP acesse AQUI).
Nesse momento você vai encontrar uma grande pedra: você vai jurar que precisará de alguém para lhe ajudar, principalmente se você não for programador.
Na maioria das vezes não é fácil encontrar alguém disposto a compartilhar de sua "ideia", então não coloque isso como condição para validar suas hipóteses. Um MVP pode ser feito com processos "manuais" simulando aquilo que deverá ser automatizado em escala no futuro.
Um bom exemplo disso foi o que Nick Swinmurn fez para validar a hipótese inicial da ZAPPOS (os clientes estavam dipostos a comprar sapatos on-line). Para testar isso, ele tirou fotos dos sapatos em sapatarias locais. com a condição de que os sapatos seriam comprados nestas sapatarias a preço de varejo se os clientes comprassem on-line.
Por um processo simples ele validou sua hipotese inicial e também outras que foram surgindo, tais como os clientes seriam fidelizados se tivessem descontos nas compras e se tivessem a opção de devolver ou trocar os sapatos.
Perceba que por um processo simples, com quase zero tecnologia e automação, Nick aprendeu sobre seu negócio não por suposições, mas por aquilo que seus usuários fizeram - ele acabou criando uma empresa Inovadora e Bilonária.
É possível você fazer o(s) primeiro(s) MVP(s) sem uma equipe. Claro que num segundo momento, formar uma equipe, ter sócios, será fundamental para o desenvolvimento de seu negócio.
Bom, se você não conseguir uma equipe no começo para desenvolver seu MVP, pelo menos tem que ter um investidor, é ou não é? Não!
"Eu preciso de um investidor para iniciar meu MVP"
Se você encontrar um maluco afim de arriscar seu dinheiro numa "ideia", parabéns! Você acaba de ganhar alguém que vai lhe cobrar para fazer algo que nem você mesmo testou pra saber se dará certo. Você perdará liberdade para o erro e perderá sua autonomia, provavelmente isso influenciará na sua criativiade, na sua auto-estima e por aí vai. Tudo porque pegou dinheiro na hora errada. Sem falar que, apesar de maluco, esse investidor não deve ser burro e irá pedir em troca do dinheiro uma fatia bem gorda do seu "negócio". Ou seja, até se der certo você perde.
Na prática, é melhor buscar um meio de reduzir os custos e financiá-los você mesmo. Existem diversas ferramentas, algumas gratuitas, que podem lhe ajudar no começo a validar suas hipóteses. Certamente esse é o melhor caminho para você aprender e errar mais rápido.
Imagine como seria você ter uma ideia de negócio, invesitr alto em um softwarer, com diversas funcionalidades e seus consumidores não curtirem seu produto? Seria terrível, né verdade?!
Caro empreendedor, existem diversas pedras em seu caminho postas por você mesmo. Retire-as daí e siga em frente, arrisque, "sue a camisa", não espere que as coisas aconteçam, não espere que os outros façam por você, seja a solução para si e para esse vasto mundo que tanto precisa de Joãos e Marias inovadoras - nada contra os Raimundos, mas aqui ele seriam apenas rimas e nesse momento precisamos de soluções.
"Dizem que a vida é para quem sabe viver, mas ninguém nasce pronto. A vida é para quem é corajoso o suficiente para se arriscar e humilde o bastante para aprender" (Clarisse Lispector)
O que é um empreendedor de sucesso? Há tantas respostas para essa questão que só podemos respondê-la com bastante atenção à relatividade. E você, é um empreendedor de sucesso?
Acho que esse ponto de vista combina muito com o nosso dia-a-dia, quando temos que "matar nossos leões e nos desviarmos das antas". Estamos diariamente nos provando e nos avaliando, sempre na busca pelo melhor - o melhor sócio, a melhor equipe, os melhores clientes, parcerias, etc, etc. E isso é bom? Bem, eu diria que é necessário.
Então, a cada ação, a cada meta, podemos definir se tivemos sucesso ou não, precisamos considerar o resultado e também o PROCESSO. Se não consideramos o processo, nos frustraremos com frequência quando o resultado não for positivo. Por isso, é bom pensar que o sucesso está no agir.
Em minha história recente recebi muitos 'não' como resultado, porém, aprendi e cresci demais com o processo. O "agir" fez toda diferença. Esse é o case do Saldo Coletivo.
Sou de Belém do Pará, tenho esposa e dois filhos e em outubro de 2012 deixei pra trás uma carreira acadêmica e o serviço público. Era professor da área da linguagem no ensino superior e na educação básica. Minha família não entendeu, meus amigos não compreenderam, mas eu sabia o que estava fazendo, havia encontrado uma oportunidade para mudar o mundo pra melhor e sentia que somente eu poderia fazer isso (é isso que nós sentimos, né verdade?!).
Porém, sabia pouco sobre empreender e era apenas um consumidor mediano de tecnologia. Decidi fazer o que fazia de melhor - aprender.
Assiti a um vídeo que mudou minha percepção das coisas "as conexões que movem a vida", do Marcelo Sales (assitam!!!), nunca mais pensei pequeno, nunca mais deixei de interagir com as pessoas e de compartilhar minha ideias, minhas dúvidas e meu desejo de empreender. Depois li e assisti várias coisas (principalmente sobre o mercado) e fiz conexões com algumas pessoas que mudaram a minha vida - como os meus mentores (conquiste um, pelo menos um!!!) - Amure Pinho e João Kepler. Daí, meu amigo, senti na pele o significado de 1% inspiração 99% transpiração - testei e validei MVPs offline, onlines, pivotei e levei muitas broncas, muito chá de cadeira e muitos "não". Pensei em desistir diversas vezes, mas quando olhava para trás não via mais um caminho e quando olhava para frente o mundo era o limite.
Então, em Abril de 2013 conquistei a minha primeira parceria e meu primeiro cliente. A Multi Holding do senhor Carlos Wizard. Eu tinha apenas um PPT, uma boa história pra contar e uma enorme desejo de conseguir aquela parceria. Conseguimos a oportunidade de fazer nosso projeto piloto com um de seus franqueados. Aí achei que tudo daria certo! Hehehe, afinal, agora era "SÓ" formar uma equipe - precisava apenas de um Designer e de um Desenvolvedor RoR (RoR era "ordem do mentor").
Posso garantir que foram 7 meses de sofrimento e de resultados poucos significativos, considerando o que almejávamos, mas de grande aprendizado, até formar o "The Best Team". Nesse período, apenas um designer acreditou até o fim no Saldo Coletivo, meu sócio João Marcelo, Co-founder/Designer UX. Foram ao todo 5 Devs até encontrar o Bruno Azisaka, Co-founder/CTO, o cara que melhor entendeu o sistema e também de maior know how. Incrível, valeu muito a pena todo o sofrimento.
Hoje temos 4 clientes, grandes mentores, investidores e uma vaga no Startup Brasil, fomos a única startup da região norte (uma honra e uma grande responsabilidade). Mas eu posso garantir a você que me considero um empreendedor de sucesso, não pelo hoje, mas por todo o processo, pelas ações, pelo aprendizado e pela superação.
Eu realmente acredito que somente o próprio empreendedor é quem pode definir-se ser de Sucesso ou não, também acredito que o nosso agir é que define esse Sucesso e isso envolve Processo e Resultado. Assim, meu amigo empreendedor, desejo a você sucesso: aja, aprenda e supere. Sinto que estou apenas começando e esse sentimento é incrível!
Estou há dois anos me dedicando ao empreendedorismo. Não sou um especialista em nada, mas já aprendi algumas coisas... Era professor universitário e da educação básica na área da Linguagem.
Juntando essas experiências (a de empreender e de aprender/ensinar a usar a linguagem adequada aos mais diversos contextos) percebo que alguns jovens empreendores como eu comprometem suas imagens, se expondo demais ao defender um ponto de vista. Isso é muito comum em redes sociais como o Facebook, nos GRUPOS de discussão.
É possível e positivo defender seu ponto de vista sem se comprometer tanto. Existem alguns princípios teóricos que não cabem aqui, mas que podem ser de grande ajuda na hora de entrar em uma discussão, por isso irei simplicá-los como se fossem sugestões:
b) Ao fazer uma crítica, também enalteça os acertos. Se supor que não há acertos, sugira como seu interlocutor poderia melhorar. Se algo lhe ofendeu no ponto de vista do outro, deixe claro o quê o ofendeu e o porquê, solicite retratação, mas NÃO O OFENDA TAMBÉM.
c) Se você acredita que um ponto de vista foi intencionalmente ofensivo, evite a discussão. Caso acredite que seja fundamental uma resposta para defender sua imagem, prove com fatos que a ofensa não se justifica, faça isso de forma educada e inteligente.
Sua IMAGEM é importante demais para você comprometê-la numa simples discussão em uma rede social, por exemplo, não é verdade?
Você pode achar que estou fazendo tempestade em copo d'água, mas eu lhe garanto que seus CLIENTES, PARCEIROS, INVESTIDORES e PARES estão sempre avaliando o seu comportamento. Um CEO, por exemplo, poderá ter contratos cancelados ou perdidos se ele demonstrar não ter CONTROLE EMOCIONAL, demonstrar ARROGÂNCIA, IMATURIDADE ou mesmo INCOMPETÊNCIA num determinado diálogo.
Que tal se você praticar as "sugestões" que lhe dei aqui? Certamente suas discussões, suas contribuições como empreendedor, serão muito mais positivas e uteis - é isso que queremos, não é verdade?!
Você já passou por situações difíceis em discussões? Compatilhe com gente! Vamos aprender juntos.
Alguns de nós desistem logo na fase inicial, quando estão com uma boa ideia na cabeça, mas cheios de inseguranças: "Será que sou capaz?" "Será que vai dar certo?" "Eu não sei programar (vender, etc...)" "Eu não tenho dinheiro", "Eu não tenho tempo"...
Outros de nós, mesmo inseguros, mesmo sabendo que existem outros com melhores condições para ter sucesso, acreditam que faz todo sentido tentar. E tentam, falham, sofrem, mas, sobretudo, aprendem. Assim como Bill Porter, um vendedor de porta em porta que trabalhou durante décadas nos EUA e teve um grande sucesso, mesmo tendo paralizia cerebral - o que, desde o nascimento, deixou parte de seu corpo paralizado, porém sem nenhum dano a sua capacidade intelectual.
A vida de Bill Poter (o filme é baseado em fatos reais) sintetiza o milagre da Paciência e da Persistência.
Meu caro, se você ainda tem dúvidas se suas "condições atuais lhe permitem ou não realizar o seu sonho de empreender", acredite, você pode! Vá pra rua e "venda sua ideia de porta em porta". E quando levar um não e fecharem a porta na sua cara, avalie o motivo, aprenda e siga em frente, mas quando estiver mais preparado, não se esqueça de voltar lá e tentar novamente. Seu sucesso ou fracasso dependerá do quanto você está disposto a fazer, a aprender e a lutar e não do que você "tem" ou "sabe" agora.
Vale muito a pena assistir De Porta em Porta!
Depois de vê-lo, compatilhe com a gente o que achou e o que aprendeu.