know i'm all bite, no bark {bellatrix & theodore}
Apesar de muitas vezes agir por impulso e deixar suas emoções tomarem conta, Bellatrix sabia muito bem quando era a hora de ser cautelosa e elaborar planos. Sendo assim, ela estudou por uma semana o comportamento de seu próximo alvo: um sangue-ruim chamado Theodore Burton, que trabalhava como pianista em um restaurante no Beco Diagonal. Não havia grandes motivos por trás daquela possível tortura, nem um desafio, porém a morena procurava alguém para descontar um pouco da tensão que vinha sentindo nos últimos tempos. Por sorte, logo seria o aniversário do homem, e Lestrange estava planejando algo especial para aquela data, afinal, nada como comemorar o nascimento de um ser tão impuro quanto ele com um pouco de tortura. Conforme o planejado, aguardou em uma rua deserta pela qual ele certamente passaria no caminho até a banca de jornal, vestida à rigor com sua capa preta e máscara, atrás de uma mureta. Assim que o avistou, empunhou a varinha e esperou que ele se aproximasse. — Stupefy! — Lançou o feitiço, que fez ele voar para trás e desmaiar no chão. A mulher imediatamente correu até o homem e o pegou pelo braço, desaparatando com ele.
Assim que aparataram em um prédio abandonado, previamente checado pela mulher, a ex-sonserina o amarrou a um assento, firmando os pulsos do pianista nos braços de metal da cadeira. Antes de qualquer outra coisa, pegou de seus pertences um frasco da poção Volubilis, a fim de alterar sua voz para que ela ficasse irreconhecível; não que o homem em questão soubesse quem Bellatrix fosse, porém todos os cuidados eram importantes, e ela não cometeria nenhum deslize. Empunhou a varinha e ergueu o rosto da vítima, de forma que a varinha apontasse diretamente para sua face. — Aquamenti. — Água jorrou de sua varinha, e a mulher não parou até que o homem estivesse acordado, quase engasgando. — Acordado para a diversão de aniversário? — Perguntou, sorrindo por debaixo da máscara.
Aquela seria uma manhã como outra qualquer, na realidade, não existia muita diferença a não ser pelo fato de que envelhecia mais um ano naquele dia. Contudo, a rotina de Theodore se mantinha normal. Ao acordar, se arrumou e olhou como estava o nível de comida de Scar que estava pela metade e com isso fazia com que o gato se esfregasse nas pernas dele para completar a vasilha. O pianista ignorou o pedido por enquanto, deixando com que o olhar dele desviasse para a porta, como se preocupasse o sinal do gato da vizinha dele. Léon parecia estar dormindo com a dona sem aparecer para a visita matinal dele com Scar. O moreno então decidiu deixar o prédio, para pegar o seu exemplar de jornal, como fazia todos os dias. A pequena caminhada era ótima para esticar as pernas ainda um pouco relutantes para se movimentarem, contudo Burton também aproveitada a saída para tomar um pouco de ar fresco. Logo, quando dobrava a esquina para a rua que antecedia a banca de jornal, sentiu o corpo ser atingido por um feitiço. E antes mesmo que pudesse ter qualquer reação, apagou por completo caindo ao chão.
A dor latente na cabeça de Theodore não era nem de longe o maior dos problemas dele naquele momento, ele mesmo lutava por um pouco de ar. Mas, a quantidade de água que jorrava sobre o rosto dele tornava a tarefa um pouco mais difícil do que imaginava. Os olhos ainda pareciam baqueados com a situação, enquanto ele tentava recolher informações para que se fizesse entender o que estava acontecendo. A voz desconhecida soando aos ouvidos aguçados de Burton, não lhe dera dica alguma. Só quando o olhar foi levantado que pode notar quem se encontrava a frente dele, empunhando uma varinha. O manto negro e a máscara que cobria o rosto de quem atrapalhara a rotina de Burton dispensava apresentações. As tais temidas pessoas, que até então para eles só passavam bem longe da imaginação do homem. Notou então, que estava preso a uma cadeira, os pulsos bem firmes contra os braços da mesma. Se via sem saída até então, e por alguma razão sabia que pedir socorro parecia ser inútil. Então, quando a pergunta fora lhe dirigida a ele, manteve silêncio ao deixar o olhar firme sobre a figura a frente.