A CAROLINA QUE NÃO É MAIS CAROL
Pra começar eu não sou mais Carol, agora eu sou Carolina.
Antes eu achava Carol mais legal, e Carolina (acho que por ser um nome maior), coisa de looser.
Aqui eu prefiro Carolina, porque a palavra “Carol”, quando pronunciada em Inglês, tem nome de pessoas velhas. Isso é irônico e engraçado, porque meu nome completo é Maria Carolina Castilho. Maria também é nome de gente venha no Brasil, então, quando alguém me chamava de Maria, eu insistia para essa pessoa me chamar de Carol, porque “Carol” era nome de jovem. Agora insisto para as pessoas me chamarem de “Carolina” porque aqui, a palavra “Carol” pronunciada em Inglês, é nome de velho.
Passei a minha vida inteira tentando evitar ser chamada de velha. Que loucura.
Não é atoa que eu não lembro mais de mim: Fazem tres fucking anos que eu me comunico em uma outra língua e eu ainda insisto em me colocar para baixo com pensamentos de que não consigo conquistar nada.
Eu me comunico em uma nova língua. Em uma língua completamente diferente. Com frases que tem novos significados. Com palavras que há três anos atrás eu não sabia o significado.
É besteira a Carolina se comparar com a Carol. Não somos mais a mesma pessoa. Acho que é por isso que ando tão perdida e desconectada de mim. Porque a encarnação da Carolina é coisa nova.
A Carol gostava de socializar, a Carolina prefere alone time.
A Carol tinha medo de mudanças, a Carolina precisa de mudanças.
A Carol queria sair do Brasil, a Carolina quer entrar no Brasil.
A Carol se sentia criativa, a Carolina tem dificuldade em sentir.
Como uma cobra que troca de pele. Ou um geminiano que troca de personalidade.
Ontem eu fui Carol, hoje eu sou Carolina, e amanhã vou ser Maria.

















