Cadu sabia que cada mulher que passava por sua cama era diferente uma da outra. Não só esteticamente, é claro. Desde os gemidos até a forma de sentir e dar prazer, sua maior diversão era ser capaz de descobrir o que cada uma lhe entregaria entre quatro paredes. Era uma verdadeira caixinha de surpresas. Daí vinha o prazer de sempre inovar, de - quase - nunca repetir o mesmo corpo; o prazer no novo, no inexplorado. Não havia roteiro para a forma como suas mãos se moviam, como a encarava, até mesmo as sensações que percorriam sua mente e corpo eram completamente novas, inusitadas. E o que Manuella estava lhe entregando enquanto submersos naquele quarto era inexplicável. Literalmente. Pois dentre um vocabulário vasto, o qual raramente faltava-lhe palavras (ou motivos para falar), agora se via completamente mudo diante do beijo que parecia lhe sufocar.
E todos os movimentos que sucederam o deixaram desnorteado, tanto que só foi capaz de observar enquanto ela se mostrava dona da situação. Não se poupou quanto aos gemidos que escapavam de sua boca, pois tudo e qualquer coisa que ela fizesse estava certo, como se ele mesmo a conduzisse por cada ponto de prazer. Mas a mão que entrelaçava os fios loiros não se movia, não a guiava. Estava ali apenas para deixar livre o caminho que seus olhos traçavam, atentos aos lábios rosados, sem pudor, sem timidez pela forma que a devorava enquanto ela o satisfazia. E lutava para não se entregar, uma briga interna entre afastá-la e implorar por mais. Mas ela parecia saber exatamente o que fazer quando se afastou e deixou que ele respirasse por alguns segundos enquanto procurava o necessário para continuar. Foi mínimo o tempo que ela esteve longe de seu toque, mas perdido naquele universo acreditou ter sido tempo demais considerando a adrenalina que ainda corria pelo seu corpo. Tempo suficiente para querer mais, não satisfeito, ainda sem atingir o seu limite.
E todo ele respondeu automaticamente quando Manuella voltou a posição de destaque em seu colo. Os olhos, já não mais com a euforia inicial, percorreram lentamente aquele corpo a meia luz. E junto com o leve curvar no canto dos lábios, Carlos Eduardo passava uma imagem de poder, pecaminosa, quase maldosa pela forma como sua face expressava os pensamentos que o ocorriam. Ele era calmo, metódico, planejava cada movimento até em momentos como aquele. Exatamente por isso, mesmo que seu corpo ansiando pela junção final, ele não o fez. Beijou Manuella como se nada mais importasse, enquanto os corpos giravam até que ela encontrasse o colchão. E exatamente como sentiu, ele proporcionou o arrepiar da pele nua, quando seus lábios decifraram o caminho e encontraram seu destino entre as pernas dela.
Seu prazer estava no som que escapava sem que ela fosse capaz de segurar. Nos espasmos involuntários do corpo nu sob as mãos que o tateavam, completamente em seu domínio. A respiração pesada silenciosamente lhe implorando por mais. Mas quando sentiu que ela estava quase chegando lá ele parou, contrariando os sinais de um corpo que estava prestes a se entregar. Porque Cadu sabia, conhecendo o corpo feminino bem o suficiente, sua boca não seria suficiente para entregar o que Manuella verdadeiramente merecia. Por isso, antes que o êxtase diminuísse em ambos, ele alcançou a embalagem jogada entre os lençóis e a vestiu tão rápido quanto voltou a encaixar seu corpo com o dela. E se julgava capaz de ficar assim por horas, observando cada revirar de olhos, escutando e produzindo gemidos, sentindo a troca de calor entre eles. Até tentou, contrariado pela necessidade física do seu corpo de se entregar, que entre uma posição e outra em que as curvas de Manuella se exibiam em perfeito encaixe e ritmo, não mais resistiu. Cadu entregou-se, apreciando o ápice de seu prazer enquanto escutava a respiração pesada de Manuella ao seu lado na cama. Encarou o teto por alguns segundos, recuperando o fôlego até que voltou a procurar as orbes azuis e acariciou a pele nua, admirando-a por mais um tempo. Por fim e antes de se dar por completo, ele a beijou, com a sede de quem o faz pela última vez na vida.


















