stockholm syndrome — pov
Então eu estou solteira. — ela disse enquanto entrava no quarto de Leopold, o garoto estava deitado na cama mexendo no celular "Que?!" ele disse um pouco desesperado, o que lhe fez notar o que fazia parecer, negando com um pouco com a cabeça. — Não esse solteira, céus. Você acha que nosso pais me deixariam continuar respirando? — ela riu um pouquinho, tirando seu sapato para se sentar na cama de perna cruzadas. — Eu terminei com o Vova. — Terminar com o garoto tinha sido muita coisa. Pensou em só não fazer, ela gostava da segurança de ter o outro e gostava de como podia usar ele de um escudo para sentimentos que tinha por Athanasius, mas não era justo com Vova. — Eu perdi pro Athanasius no poker e o que ele pediu foi isso. — antes mesmo dela terminar de falar, Leo estava sentando na cama com um sorriso largo e estupido em seus lábios. Já tinha dito que os dois estavam conversando novamente, por mensagem, mas não tinha entrado em detalhes com seu irmão. "E você obedeceu?" o garoto questinou, deixando o celular de lado. — Se eu disse que tô solteira. — ela chutou a perna do seu irmão, rolando seus olhos, sentindo suas orelhas se esquentarem.
— O At também disse que gosta de mim. Tipo gostar mesmo. — ela acrescentou depois, mordendo o interior da sua bochecha com certa força. "É novidade?" ele perguntou, mas dava pra notar no tom de voz dele o jeito que a noticia havia o deixado animado, acabando por fazendo Caliana rir um pouquinho. — Sim. Pra mim é. — ela negou com a cabeça, a vermelhidão se espalhando para seu rosto. "Boa novidade?" achava que era um jeito discreto dele perguntar se ela gostava dele também, o que acabou fazendo Caliana suspirar meio alto, desviando seu olhar para o anel em seu dedo.
— Eu não sei direito. — Dizer aquilo que ela sentia sempre foi algo que a princesa tinha dificuldade, não porque lhe faltavam palavras, apenas porque odiava não ter barreira nenhuma a protegendo. Tinha sido criada para manter elas erguidas, era dificil se abrir, mesmo para Leopold, mesmo para pessoas que nunca iriam a trair. — Eu gosto dele. Eu gosto de como estar perto dele faz eu me sentir, o que é uma sensação muito estranha, eu nunca senti isso. Eu não penso tanto quanto eu tô com ele, nem fico tão ansiosa. Eu tenho borboletas no estomago. A um tempo inclusive, só... Parece um tanto síndrome de estocolmo. Tipo eu passei a gostar dele porque eu sei que tô presa a ele e assim vai ser mais fácil, sabe? — Ela franziu o cenho, erguendo seu olhar para o irmão mais velho a ponto de ver ele rolando os olhos. "Virou piscologa agora, Cali? Para dIsso, você só tá pensando demais e tentando arrumar desculpa para não dar certo." o garoto respondeu, e para que pudesse parar de olhar pra ele a mais nova se jogou na cama, olhando para o teto. — Falando em motivos para não dar certo: A gente vai casar. E se a gente tentar algo, voltar a brigar feito dois malucos e eu ter que viver o resto da minha vida num inferno? Eu prefiro ter só tipo, ele como amigo. — ela tentou se justificar, brincando com as cordas do moletom que vestia. "Vocês agem como amigos? Porque eu já vocês dois juntos, e não é como" o garoto estava falando ainda quando ela soltou um som meio em um resmungo, que acabou arrancando uma risada dele.
"Cali, você só tá assustada." a voz do irmão mudou um pouquinho, para um tom mais calmo. E nisso ele não estava errado: Ela estava pretrificada de medo. Gostar de Athanasius parecia só.... Sindrome do estocolmo. Sem a parte abusiva direta. E ela se culpava um pouco por isso, tinha sido ela que havia se aproximado dele e escolhido ignorar o fato dele querer se casar sem ela querer também. Tinha sido ela que tinha tentado ficar amiga dele. Será que só estava gostando dele por isso? Porque era mais fácil? Sentiu a mão de Leopold na sua cabeça, o menino erguendo de forma que a cabeça de Cali estivesse no colo dele. "Me diga coisas que você gosta nele." seu irmão disse enquanto começava a brincar com seu cabelo.
Eu gosto do olho dele. E da boca dele. E do jeito com que ele fica quando me olha. Eu gosto da sobrancelha dele. — sabia que seu irmão não tinha pergutado sobre coisas fisicas, mas era mais fácil começar assim e pelo silencio de Leopold ele sabia exatamente disso. — E de como é fácil ler ele só pelo maxilar dele. Eu gosto de como ele me faz rir tão fácil, do quanto ele é competitivo, e do quanto ele é esforçado. Eu gosto de como é sincero comigo. De como a gente tem coisa super parecida. E super diferentes também. — ela riu meio fraco, fechando seus olhos. — Eu gosto de como ele me faz sentir, como se eu possa ser eu mesma e como eu não tenho medo de realmente ser. — continuou, soltando um suspiro depois, seus olhos fechando com mais força. Tem mais?" Leo perguntou depois de alguns instantes, Caliana assentindo com a cabeça. "Eu acho que você só gosta dele e ponto, Cali. Não é sindrome do estolcomo ou sei lá. E eu acho que você devia tentar se deixar. Pode dar tudo errado, sim, mas você prefere viver o resto da sua vida pensando no que poderia acontecer?" Ele disse que só vai me beijar quando eu tiver enloquecendo como ele. — contou, voltando a abrir os olhos para que pudesse ver o menino, rindo um pouquinho. "Ele acha que você não está?" ele perguntou, aquilo lhe fazendo rir um pouquiinho mais. — Ele é lento para entender as coisas assim, pelo que eu aprendi. Precisa basicamente pegar o rosto dele e dizer com todas as letras. E depois explicar de novo de uma outra forma. — ela brincou, mexendo no cordão do moletom que usava. "Tudo bem, eu não vou mandar você fazer isso agora porque você não vai, mas quando você fizer, eu te apoio." sabia que ele lhe apoiava não importava o que, mas mesmo assim um sorriso cresceu em seus lábios enquanto voltava a se sentar na cama. — Eu acho que... Vou ir devagar. É mais fácil voltar atrás se algo der ruim se for devagar. — ela respondeu pro irmão, vendo o mesmo assentir com um sorriso.
“Você vai dizer algo pra ele sobre isso?” ele perguntou, lhe fazendo voltar a franzir o cenho. — Não vamos para coisas tão especificas. Não quer saber do Vova? Como foi? — ela mudou de assunto, descadamente, e de forma ainda mais descadada o seu irmão se interessou pelo novo assunto; e os dois ficaram mais uma hora conversando antes de Cali decidir que já estava na hora de ir pra casa descansar.

















