it’s a long history.
dramaisreal :
O nível de quietude que Norman atingia, ás vezes assustava Hector. Ele gostava de observar as pessoas, de sentir a correria dos dias. Isso era uma coisa quase impossível ali. Segurava sua garrafa de refrigerante e andava sem rumo, apenas olhando pro nada, pensando em como se desenvolveria dentro da faculdade. Pelo menos faria o que gosta, artes cênicas. Pelo menos no palco poderia ser ele mesmo. Bem, de certa forma. Com o teatro aprendeu muitas coisas. Isso que importava.
Passos apressados chamaram a atenção do garoto. Parecia uma perseguição, passos leves e apressados e um mais pesado, batendo forte no concreto. Não parecia nada com que devesse se preocupar. Provavelmente eram alunos da faculdade aprontando por ali, ou algum adulto apressado. Tomou mais um gole do refrigerante e se sentiu ainda incomodado. Resolveu andar mais rápido na direção dos passos. Quando pareceu chegar perto, foram sumindo até que cessaram e ele ouviu o que parecia um tombo e um grito de socorro logo em seguida.
Uma garota morena passou correndo há muitos metros à frente de Hector, em seguida veio um homem. Ele prendeu a respiração e correu na direção deles, sem pensar duas vezes. O homem se aproximava da menina lentamente com uma risada totalmente debochada e ao mesmo tempo raivosa, enquanto a encurralava. Hector levou o dedo indicador a boca. Silêncio. Pediu à garota, que parecia perceber sua presença, apenas com o movimento dos lábios. Em uma lentidão um pouco mais apressada que a do homem, foi se aproximando. Começou a levantar a garrafa de refrigerante vagarosamente, mas é claro que fora dos palcos algo tem que dar errado. O líquido que ainda sobrara dentro do recipiente caiu no chão e no corpo de Rafe como uma buzina de chegada para se anunciar ao agressor.
Antes mesmo dele terminar o seu giro com os punhos cerrados, Hector levou o vidro com todas as suas forças até a cabeça do homem para evitar a ação. Pôde sentir um leve ardor do vidro rasgando a palma de sua mão. Se jogou junto do outro cara ao chão e fechou seus punhos. Aproveitou da desorientação do mesmo para ter uma vantagem maior sobre a força. Se ele estivesse plenamente consciente, não teria a mínima chance. Um com o punho direito, dois com o punho esquerdo, três com o punho direito novamente. A onda de dor que passou pelas suas juntas e o rasgado em sua palma, quase pôde ser ignorada pela adrenalina. O homem que estava embaixo do garoto não estava totalmente inconsciente e ele não queria ficar ali pra descobrir por quanto tempo sua desorientação iria prolongar. Levantou o rosto e encarou a menina, com a respiração falha, fez a observação. “Eu acho melhor a gente dar o fora daqui.”
Levou alguns instantes para perceber que já não estavam mais sozinhos. Por uma fração de segundos chegou a acreditar que aquele se tratava de um comparsa e que aquilo significava o seu fim, mas logo fora assegurada de que agora tinha um aliado. Percebeu que seu rosto não lhe era estranho, mas aquilo pouco lhe importava naquele momento, era uma questão que deveria ser respondida mais tarde, quando ambos estivessem seguros. Seguiu a indicação do outro, mantendo-se em silêncio e se assegurando que não faria nada que pudesse delatar sua presença ali, seu coração batendo aceleradamente em seu peito. Porém seus esforços foram em vão. Sentiu seu estômago despencar no instante em que o líquido presente dentro da garrafa escorrera até o chão, alertando seu violentador do rapaz que agora se encontrava próximo dele.














