that's the thing about pain. it demands to be felt ;; hector&lyn
griffly-n:
Não importava o que diziam, Devlyn nunca deixaria de acreditar que a presença de Timothy agora o acompanhava como um anjo da guarda. Essa era a única resposta plausível considerando quantas vezes havia quase perdido sua vida mas, por um motivo desconhecido, via-se livre, seguro. “Eu acredito.” respondeu teimosamente com facilidade. Sua crença naquilo nunca iria mudar, foi algo que se agarrou desde o começo para não acabar enlouquecendo pois tinha a certeza de que era isso que aconteceria caso contrário.
Mas era difícil ver isso da maneira que o outro rapaz enxergava. A sua realidade foi deveras diferente considerando que Timothy havia falecido no momento em que Devlyn mais precisava dele, mais precisava do amor e da presença do ruivo. Não fazia sentido então anjos da guarda serem criados assim. A missão do ex não era para ter acabado ainda já que Devlyn continuava tão quebrado quanto antes, senão mais. “Algumas exceções devem existir, comigo não acho que encaixa.” respondera então, os ombros sendo encolhidos antes que a mão esquerda caísse para tocar a grama úmida no lado que o seu garoto havia sido enterrado.
E um sorriso tomou conta de seus lábios rosados quando o ouviu. Sim, era exatamente daquela forma como definia a vontade vontade sentia. “Eu estou deitado ao lado de quem eu queria ver todos os dias também.” declarou, engolindo em seco ao sentir os olhos arderem e se encherem com lágrimas. Mas Lyn limpou a garganta, não iria chorar na frente de um desconhecido. “Devlyn Griffin.” apresentou-se, olhando-o um pouco confuso. Era ele o quê? Sua dúvida, porém, não durou muito para ser esclarecida e ele sentou-se, o olhar desviando para a cova do jovem Hayden. “Ele faz companhia ao Tim. Nada mais justo eu retribuir isso de alguma forma, não? Hayden não o deixa sozinho, eles tinham quase a mesma idade… Tim teria feito amizade com ele, então eu apenas… fiz também.” comentou com a voz suave antes de olhar para o, aparentemente, outro rapaz vivo. “O que você era dele?”
Rafe já tivera toda aquela teimosia e luta para permanecer positivo, mas isso estava se esvaindo. Acreditou em muitas coisa e criou muitas desculpas em sua cabeça. Talvez se ele tivesse voado até a América, teria sofrido. Ele sempre permanecerá vivo dentro de mim porque agora somos um só. Ele é bom demais pra esse mundo. Eram afirmações que somente duravam um tempo, até outra pessoa perceber que era inválida e inventar outra coisa. Seu coração de criança era bobo e inocente. Não era completamente dessa forma mais.
Tanto quanto era possível, Hector sentava-se perto dos ossos que já pertenceram ao seu irmão e tentava se agarrar a qualquer esperança, ao sentimento que apenas crescia quando era criança. O sentimento que tiveram quando os contaram que teriam um lar. Funcionava. Apenas enquanto estava naquele local. No mundo real tudo parecia nulo, vazio, uma fantasia. “Bem-vindo ao clube, nunca conheci alguém que realmente sentisse que se encaixava a esse conceito.”
Já que estava no local da fantasia, viveria ela. Um sorriso verdadeiro e nostálgico tomou os lábios de Hector. “Sim. É exatamente isso que ele faria. Hayden nunca deixaria alguém literalmente próximo dele sem alguma conexão ou precisando de ajuda.” Ao ouvir a menção do nome, levantou o olhar para o lugar onde jazia Tim. Não conseguiu evitar pensar em como teria sido levado. Ele parecia ter uma enorme importância para Devlyn, assim como Hayden tinha para Hector. Seu coração ficou um pouco menor ao pensar nas dores de outras pessoas. Ele invejava a forma que Devlyn continuava otimista e fantasioso sobre aquilo tudo. Por mais que tentasse... Era impossível. Um gatilho. Sabia o que aconteceria quando saísse do cemitério renovado e cheio de esperanças. Ele se tornara mais alguém. Uma sociedade e pessoas desconhecidas o moldaram diferente de tudo que ele era.
“Pelo menos eu acho que sim. Fico feliz que ele tenha sido eternizado, sabe?” A imagem física de seu irmão sendo o ‘pai’ de todas as crianças do orfanato, até as más, veio a sua cabeça. Se lembrou da noite em que seu irmão lhe dissera o porque havia defendido alguém que Hector achava não merecer. ‘Todos valem a pena, temos que cultivar a camaradagem Rafe, um dia precisaremos um do outro, e egoísta assim, você pode acabar se perdendo. Não seja essa pessoa.’ “Acho que nem Hayden me reconheceria mais.”
Respirou fundou e livrou das imagens em sua cabeça. Elas sempre vinham de uma vez, já que aquele era o único momento em que as dava abertura. “Ele era meu irmão. E qual sua conexão o... Timothy?”













