I bust the windows out your car // Benjamin & Brian
Faziam pelo menos três semanas que Benjamin protagonizava o seu próprio Missão Impossível. Desde que relerá aquelas mensagens, o temor que pudesse encontrar Brian no condomínio apenas aumentava. Ao contrário de antes, Benjamin evitava de fazer caminhas pelas ruas, preferindo a academia, que por um acaso também havia mudado. Benjy havia trocado por uma bastante longe dos arredores de Green Esmerald. A verdade era que ele ainda não sabia como iria reagir ao momento que encontrasse com o militar. A certeza de que sucumbiria a vergonha era certa, porém e depois? Iria ficar um clima estranho entre eles? O tópico sobre as insinuações sexuais viria à tona? Benjy simplesmente não sabia como lidar com toda aquela ansiedade. Então se esgueirava pelo condomínio, saindo meia hora mais cedo e chegando meia hora mais tarde, esperando não topar com Brian.
Por não saber exatamente onde o Capitão Grant morava, ficava mais difícil o evitar, porém Birch já havia criado uma estratégia, e a seguia religiosamente, manhã após manhã. O astrofísico, que morava numa área mais afastada das demais casas, pegava a Milstone Drive, que ia por detrás dos blocos, para depois pegar a 105th Street. Era bem mais distante, mas valia à pena, realmente valia. O fato de sair mais cedo não alarmava a mãe, ao contrário, Aurora Birch estava mais do que acostumada com essa atitude do filho, sabia o quão apaixonado pelo trabalho ele era, o que ela não sabia era que ele estava fugindo de um loiro, de quase um metro e oitenta e com uma facilidade em deixar o filho ou encantado, ou excitado. A segunda opção tendo acontecido com maior frequência desde as mensagens.
Aquela era apenas mais uma manhã onde o homem tentava fugir de Brian. Se despedira da mãe e entrava no carro, muito satisfeito pois ele iria passar novamente longe do perigo. Enquanto manobrava o carro para fora da garagem, percebeu dois cavaletes de sinalização no início da rua. Seus olhos arregalaram-se, enquanto ele percebia que teria que pegar outro caminho. Teria que ir pela S. Langley Street, para assim chegar na 105th Street. Resmungou sozinho, guiando o carro pelo lado oposto do seu habitual, olhando para todos os lados, quase se encolhendo no banco do motorista. Prestes a entrar na rua, escutou o celular tocar, rapidamente pegando o aparelho dentro da bolsa, diminuindo a velocidade do carro, mas não parando. – Alô? – Disse, sem se atentar ao número no visor. “Ben? Ben, meu amor! Eu acho que deixei minha gargantilha no seu carro”, a voz da mãe era quase desesperada. – No carro, mamãe? Espera, deixa eu ver. – Mirou bem a rua a sua frente, percebendo que nenhum carro apontava em nenhum lugar, debruçando-se sobre o bando do carona. Começou uma procura apressada, suspirando em alívio ao achar a joia. – Ache… – Sequer pode terminar a frase, pois enquanto endireitava-se no bando do motorista, pisou no acelerador, fazendo com que o carro avançasse, e batesse num veículo que acabava de sair da 106th Street. – Mas que merda! – Xingou. “Achou querido? Aconteceu algo?”, Benjy bufou, esquecendo-se que ainda falava com a mãe ao telefone. – Achei sim, mamãe. Preciso desligar, te ligo depois. – Disse apressado, saindo do carro, ficando levemente desesperado. – Droga, droga, droga. – E já era sua tentativa de sair de fininho do condomínio.
Os primeiros dias após a estranha troca de mensagens com o astrofísico haviam se passado de forma estranha; Brian não conseguia evitar em perguntar-se o que justificava o sumiço do mesmo após o dito episódio. Não era como, no entanto, se o militar tivesse tentado localizar o outro homem de alguma forma – tampouco mandara uma mensagem ao mesmo, mas o silêncio alheio também era curioso. Talvez tudo aquilo fosse apenas e somente uma obra do álcool que corria pelas veias do mais novo na fatídica noite, e o interesse real vinha apenas por parte do capitão. Ou pelo menos era assim que Grant preferia pensar para não alimentar expectativas que se provariam errôneas cedo ou tarde. Por mais que estivesse longe de fazer-se deveras sonhador com tal tipo de coisa, era inegável que havia sim se sentido atraído por Benjamin e que várias imagens nada castas tinham protagonizado seus pensamentos ao longo de certos momentos nos dias seguintes – mas nada além. Não buscava qualquer outro tipo de envolvimento que não o puramente carnal, e isso agora falando sobre um grande geral e não só do outro homem.
A verdade era que, após algumas semanas, o militar veio a simplesmente se esquecer de grande parte do acontecido. Pegava-se pensando em Benjamin algumas poucas vezes e com um intervalo de dias, mas nada além. Simplesmente decidira deixar para lá, não acreditando que deveria esquentar a própria cabeça com algo que poderia não significar absolutamente nada. Mal sabia Brian que o destino não queria que as coisas se seguissem de tal modo – e muito pelo contrário. A manhã do capitão se discorria quase como qualquer outra; Apenas com o diferencial de que o dia estava fadado a ser tomado por uma tensão da qual pouco gostava. Grant tinha marcado, ainda para antes do almoço, mais uma consulta com o médico que determinaria quanto mais seria necessário antes que voltasse a ativa como membro das forças armadas. A dor em sua perna diminuía gradativamente, e até mesmo o mancar se tornava mais discreto com o passar do tempo, mas o homem ainda tinha para si receios de que teria que esperar mais alguns meses antes de cruzar o oceano como capitão do exército.
Mesmo com todos os problemas trazidos pela profissão com a qual sempre sonhara, Brian simplesmente não conseguia evitar em se postar irritadiço com a probabilidade de ficar em solo americano por mais tempo do que gostaria; A índole normalmente calma se transformava completamente, deixando-o como um homem a ponto de explodir pelo menor dos motivos. Mas nem ao menos se atentava a tal fato enquanto manobrava o carro e seguira rumo a portaria do condomínio, pronto para enfrentar o dia que já prometia ser longo e estressante. Os olhos azuis mantinham-se na rua a frente, mas o pensamento se postava bem longe de onde realmente se encontrava no momento – e talvez esse fora um dentre tantos os detalhes que cooperaram para tudo acontecer. Nem ao menos pode registrar a figura do veículo alheio vindo em sua direção, vindo a entender o que estava a acontecer apenas segundos antes da colisão agora inevitável. O barulho fora relativamente alto, o tranco em seu carro forte e sua irritação apenas fazia tudo parecer mil vezes pior. Nem ao menos pensou duas vezes antes de abrir a porta do motorista no auge de sua ira, deixando que a voz soasse um tanto mais alta do que o pretendido. – Man, what the fuck! – Bradou, batendo com força a porta atrás de si. Sabia que era devidamente grande, e que isso por si só seria capaz de colocar certo receio no infeliz que tivesse acabado de piorar seu dia incontáveis vezes; Tudo isso, no entanto, mudou quanto Brian virou o rosto e pode ver quem era o motorista do carro com o qual havia colidido. A expressão passou rapidamente de raivosa para confusa, a ira se esvaindo de si quase que instantaneamente. – Benjamin?











