I bust the windows out your car // Benjamin & Brian
Os primeiros dias após a estranha troca de mensagens com o astrofísico haviam se passado de forma estranha; Brian não conseguia evitar em perguntar-se o que justificava o sumiço do mesmo após o dito episódio. Não era como, no entanto, se o militar tivesse tentado localizar o outro homem de alguma forma – tampouco mandara uma mensagem ao mesmo, mas o silêncio alheio também era curioso. Talvez tudo aquilo fosse apenas e somente uma obra do álcool que corria pelas veias do mais novo na fatídica noite, e o interesse real vinha apenas por parte do capitão. Ou pelo menos era assim que Grant preferia pensar para não alimentar expectativas que se provariam errôneas cedo ou tarde. Por mais que estivesse longe de fazer-se deveras sonhador com tal tipo de coisa, era inegável que havia sim se sentido atraído por Benjamin e que várias imagens nada castas tinham protagonizado seus pensamentos ao longo de certos momentos nos dias seguintes – mas nada além. Não buscava qualquer outro tipo de envolvimento que não o puramente carnal, e isso agora falando sobre um grande geral e não só do outro homem.
A verdade era que, após algumas semanas, o militar veio a simplesmente se esquecer de grande parte do acontecido. Pegava-se pensando em Benjamin algumas poucas vezes e com um intervalo de dias, mas nada além. Simplesmente decidira deixar para lá, não acreditando que deveria esquentar a própria cabeça com algo que poderia não significar absolutamente nada. Mal sabia Brian que o destino não queria que as coisas se seguissem de tal modo – e muito pelo contrário. A manhã do capitão se discorria quase como qualquer outra; Apenas com o diferencial de que o dia estava fadado a ser tomado por uma tensão da qual pouco gostava. Grant tinha marcado, ainda para antes do almoço, mais uma consulta com o médico que determinaria quanto mais seria necessário antes que voltasse a ativa como membro das forças armadas. A dor em sua perna diminuía gradativamente, e até mesmo o mancar se tornava mais discreto com o passar do tempo, mas o homem ainda tinha para si receios de que teria que esperar mais alguns meses antes de cruzar o oceano como capitão do exército.
Mesmo com todos os problemas trazidos pela profissão com a qual sempre sonhara, Brian simplesmente não conseguia evitar em se postar irritadiço com a probabilidade de ficar em solo americano por mais tempo do que gostaria; A índole normalmente calma se transformava completamente, deixando-o como um homem a ponto de explodir pelo menor dos motivos. Mas nem ao menos se atentava a tal fato enquanto manobrava o carro e seguira rumo a portaria do condomínio, pronto para enfrentar o dia que já prometia ser longo e estressante. Os olhos azuis mantinham-se na rua a frente, mas o pensamento se postava bem longe de onde realmente se encontrava no momento – e talvez esse fora um dentre tantos os detalhes que cooperaram para tudo acontecer. Nem ao menos pode registrar a figura do veículo alheio vindo em sua direção, vindo a entender o que estava a acontecer apenas segundos antes da colisão agora inevitável. O barulho fora relativamente alto, o tranco em seu carro forte e sua irritação apenas fazia tudo parecer mil vezes pior. Nem ao menos pensou duas vezes antes de abrir a porta do motorista no auge de sua ira, deixando que a voz soasse um tanto mais alta do que o pretendido. – Man, what the fuck! – Bradou, batendo com força a porta atrás de si. Sabia que era devidamente grande, e que isso por si só seria capaz de colocar certo receio no infeliz que tivesse acabado de piorar seu dia incontáveis vezes; Tudo isso, no entanto, mudou quanto Brian virou o rosto e pode ver quem era o motorista do carro com o qual havia colidido. A expressão passou rapidamente de raivosa para confusa, a ira se esvaindo de si quase que instantaneamente. – Benjamin?
Benjamin sempre se achou muito calmo: havia ficado relativamente calmo quando entrou no seu primeiro foguete e também segurou as lágrimas no enterro de seu pai. Era conhecido por ser constante em situações que exigissem aquela atitude, porém nas última semanas, ele andava desconfiado, sempre olhando para os lados, fugindo. E como se para ser a cereja no topo do bolo, ele havia tomado um desgosto por acidentes de trânsito. Dirigir nunca seria a mesma coisa depois que o pai morreu dentro de um carro. E aquela era a razão de ele estar tão nervoso. Podia sentir os olhos arregalados, enquanto os dedos longos corriam por seu cabelo loiro. Ele não tinha problema em pagar pelo serviço, dinheiro nunca fora o problema, porém a dor de cabeça que viria junto à aquele deslize seria gigantesca, Benjy tinha certeza disso.
Agora fora do carro, ele observava o dano, e quase suspirou em alívio ao ver que não havia sido assim tão ruim. A porta do carona estava um tanto amassada, mas nada muito feio, e bem, o vidro estava perdido, mas pelo menos a pintura do carro estava intacta, mais ou menos. Tão absorto em seus próprios pensamentos, que a voz grossa bradando em sua direção foi o que fez com que ele voltasse a realidade. Pelo tom irado, Birch julgou que estava em maus lençóis. Os olhos claros do astrofísico miraram rapidamente o homem, não atentando-se realmente ao rosto do mesmo, já que tinha certeza de que era uma máscara de raiva. Ele era forte, bastante forte, foi a primeira coisa que o homem notou. Que os céus o ajudassem se aquele homem partisse para cima dele. O professor nunca fora bom com os punhos, havia sido vítima de inúmeras surras, e a sua única defesa era correr. Pelo menos ele era muito bom naquilo. Respirou fundo, tomando a coragem necessária para olhar nos olhos do coitado que teve seu carro atingido.
Sua primeira reação foi de incredulidade. Não era possível que aquilo fosse verdade. Realmente, o destino não seria irônico a aquele ponto. De olhos arregalados, Benjy viu suas pernas movendo-se na direção do mais velho, apenas por não poder evitar. Como o sol, Benjy estava gravitando ao redor de Brian, como se a ligação entre os dois fosse cósmica. Ao escutar seu nome sendo proferido pelo militar, Benjamin Edson saiu de seu encanto, piscando algumas vezes, antes de se dar conta do que realmente acontecia. Em instinto, sua cabeça moveu-se para os lados, procurando uma saída. Se ele fosse dez anos mais novo, teria saído corrido, sem sequer olhar para trás. Porém ele era um homem de trinta e um anos, não podia correr daquilo, mesmo que quisesse. Respirou fundo, movendo a cabeça em concordância, a deixando pender em derrota. Semanas fugindo dele para o encontrar daquela forma. E o pior não era o encontrar, e sim de lembrar que ele havia protagonizado diversos cenários durante esses dias, e lá estava ele, em toda sua forma e confusão. – É... Eu. Olá Brian. – Disse de início de modo tímido, ainda olhando para a rua. Levantou a cabeça devagar, enquanto seus lábios apressavam-se em preencher o silêncio. – Me desculpe pelo seu carro. Eu pago o conserto, e posso chamar um táxi para você ir onde quer que fosse... Eu estava distraído procurando uma coisa e acabei que... Eu... Eu não vi seu carro, realmente não vi. Se soubesse que era você, eu... – Não completou a frase, pois talvez Brian soubesse o que ele faria. Benjy vinha o evitando, e provavelmente teria feito isso se tivesse o reconhecido.









