Cecília Bona.
Jules of Nature
occasionally subtle
Stranger Things
Today's Document

if i look back, i am lost
2025 on Tumblr: Trends That Defined the Year
$LAYYYTER
trying on a metaphor

No title available

No title available

Product Placement

❣ Chile in a Photography ❣
we're not kids anymore.

Janaina Medeiros
Keni
No title available
AnasAbdin
d e v o n
will byers stan first human second
Alisa U Zemlji Chuda
seen from Slovakia

seen from Malaysia
seen from United Kingdom
seen from Austria

seen from South Korea
seen from United States
seen from United Kingdom
seen from United States

seen from United States

seen from United Kingdom
seen from United States
seen from United States

seen from United States
seen from United States
seen from United States
seen from United States

seen from Germany
seen from Japan
seen from Indonesia
seen from United States
@carvao
Cecília Bona.
Maria Laet
em meus olhos brotaram alguma água.
depois de rolar pedras entre baldes.
caiam no chão do banheiro.
pequenas gotas
pequenos quartzos.
avalanche ou
tombo
não pude ver com olhos embaçados
no dia 1º do ano a ponte caiu.
não quis dizer sinto saudades.
09.06.20
Yoko Ono
Sara Ramo
Jiri Kovanda
105.2 105.2 piscava o número no ônibus. 105.2 quebrado e frenético. me fez vacilar o olhar do horizonte.
o carro na faixa do lado. eu dentro do carro me perguntando onde vai o 105.2 passo do pisca-pisca 105.2
há uma vala escavada na beira da pistas e a beira do
buraco, uma fita amarelo-polícia.
início de julho de 2020
A fonte | Cinthia Marcelle
Richard Long
poeira
E havia outro tempo: homens e pedras lá no início, elas comentaram no almoço. Era sobre o trabalho de outro artista na aula do mestrado; pesquisar receita de almôndegas de lentilha: encerramos com um texto do Huberman para o encontro que teriam a noite, segundo me disseram, é lindo. Coisas belas são descobertas entre as 9h e as 12:40 onde estas duas amigas, queridas, co-habitam. E a mim, cabe outro tempo, outras pequenezas e pormenores, aulas as 8h, despreocupações, liberdades, introdução a antropologia as 14h, ainda ou por enquanto ou enquanto durar. caminhamos em silêncio após o almoço: há esse tempo onde a intimidade não precisa de afirmar-se no discurso sempre, sempre. Posso dizer que houve muitos minutos honsoramente gastos com miudezas e risadas, depois que subimos as escadas, e assim aliviamos qualquer peso, qualquer pressa em me formar urgentemente, em ser outra urgentemente, em salvar o mundo prontamente, qualquer ansiedade para ver no que vai dar, em resolver ou solucionar... Há, também, este outro tempo habitado por um amigo que pelas 11:23 me contou um segredo: ele me confidenciou o vislumbre de um pensamento tão sóbrio do hoje, tão cru de qualquer palavra a ser postergada para os ameaçadores silêncios do amanhã onde senti apenas temor e admiração. Eu opero neste momento de uma geração que se encerra precoce na depressão ou na morte. Mas este amigo..., segundos depois entendi que ele já engoliu alguns desgostos e alegrias a mais que eu, provoca e rebate para resistir à miséria das notícias. Coragem! guardei fósforos na caixa de ferramenta azul, houve uma época que eu tinha medo do fogo, houve uma época que a caixa de ferramentas azul tinha outro dono e este dono era um amigo. Hoje co-habitamos o desconhecimento recíproco, pois não houve um tempo suficiente para o perdão, de si, do outro, apaziguamento mútuo, não sei. Há épocas que não temos a posse nem de nós mesmos, somos um arremedo de algumas escolhas, algum destino, alguma política, alguma fé ou descrença. Há épocas que duram toda a sedimentação da crosta terrestre para nalgum dia uma expedição sair para fotografar pedras. Pedregulhos e montanhas capturados em milésimos de segundos. 10.09.19
Cecília Lima.
mãos
Tenho rugas nas mãos para me passar por aí com rosto de menina quando tenho seriedade de mulher anciã, cicatrizes de artesã-artista, queimaduras de cozinhar e um palimpsesto de vias do destino. Minhas mãos vão a massa como quem sabe sovar as dificuldades e desgostos, toca outras mãos e faz ciranda ou se dá a mão próxima para ir junto ou para erguer e ser erguida quando caio.
a pele seca de minhas mãos se abre em pequenas feridas com o frio do deserto assim como o cerrado queima todos os invernos. Estas companheiras de experimento tátil do mundo, não admitem feijões podres enquanto reviram um mar de grãos antes do cozinhamento e não aceitam a rejeição dos caixas eletrônicos, teimosos na incompetência de ler digitais quase apagadas na superfície da pele áspera.
Os veios que cortam entre meus dedos atraem os ciganos, mas eu não desejo ver o futuro pela mão que o constrói todos os dias, prefiro acariciar alguma incerteza e não ser tão ditadora do por vir nos próximos anos. Mãos de escultora escavam o mundo, modo selvagem de talhar existência e brincar cem vezes de montar e desmontar cidades durante a infância, mãos entregues a sinceridade tátil do contato, vício curioso em descobrir superfícies: apreender topografias do mundo e as inscritas já na pele.
Cecília Lima
Ana Mendieta, Image of Yagul, 1973
Sun tunnels, Nancy Holt, Utah’s Great Basin Desert - USA, 1973-1976.
Um dia de trabalho. Ultimo das férias. Contraditórias férias. Mas ainda sim um dia de trabalho. Parei e dei por encerrada as atividades, o tédio e a ansiedade. Sai o som da minha vitrola futurista, smarthphone programado programado para Amy cantarolar Our day will como. Fiz um reza forte ao ouvir a melodia. Fiz uma rez forte para nos manter fortes, ferozes e corajosos para o quê virá depois da aurora. Meu ombro dói, continuo no balanço da velha voz da Amy, um lamento esperançoso. Eu me curvei para corta a cebola da janta e roguei pela risada leve e nossa de cada dia. Acelerei o coração só de pensar que amanhã é pé na estrada do incógnito mais uma vez, amanhã somos nós chacolhados pelo destinho mais uma vez, amanhã serei eu sem a certeza de mim ou de você, amanhã seguimos na ignorância mais uma vez.
Jeff Wall, A Sudden Gust of Wind (after Hokusai), 1993.