Flexibilidade Cognitiva. Você sabe o que é isso?
É comum falarmos ou ouvirmos pessoas falarem para sermos mais “flexíveis” em algumas situações. Mas afinal, o que é ser flexível? E a pergunta ainda mais difícil: “como” ser mais flexível?
Assim que ouvimos esta palavra (flexibilidade), comumente o que nos vem à mente é a imagem de um atleta ou um ginasta, que consegue ter alta mobilidade corporal, e que se dobra ou verga facilmente, sem se quebrar. A flexibilidade cognitiva não é muito diferente, já que também trata de alta mobilidade, mas não corporal, e sim “cerebral”. Ou melhor, de pensamentos.
Ter alta flexibilidade cognitiva significa ter capacidade para conseguir mudar e emitir respostas alternativas diante de uma mesma situação. É conseguir flexibilizar suas respostas usando a sua memória, percepção, pensamentos, e assim enxergar a situação de diversas formas, e elaborar a melhor resposta diante do mesmo estímulo, para conseguir se adaptar às situações de formas diversificadas.
Diante de uma determinada situação, tendemos a percebê-la de acordo com as crenças que já temos, e interpretamos de acordo com as experiências antigas e formas de pensar que fazem parte de nosso cotidiano e de nossos esquemas. Mas o que devemos levar em consideração, na realidade, são as diversas possibilidades de interpretação de um mesmo fato. Devemos tomar os primeiros pensamentos que nos ocorrem apenas como hipóteses.
Vamos a um exemplo prático: supomos que todas as noites seu namorado(a)te liga para dizer boa noite, mas em uma dessas noites ele(a) não te ligou até depois do horário de costume. Como vocês acabaram tendo uma pequena discussão no mesmo dia, você já imagina que ele(a) não quer falar com você, e está evitando te ligar. Então, milhões de pensamentos automáticos surgem na sua cabeça, como por exemplo: “O erro foi dele, então ele tem que me ligar”; “Ele é tão arrogante que nunca assume a culpa”; “Não acredito que ele não vai me ligar por causa de uma simples discussão”; “Ele me odeia, eu não quero ouvir a voz dele”; “Ele está com raiva de mim!”; “Ele deve estar me traindo, só porque discutimos”; “Ele vai terminar o namoro!”, etc.
Então você sente tristeza ou raiva, e decide também não ligar para não “dar o braço a torcer”, mas acaba ficando acordada(o) até a madrugada esperando pela ligação, e inconformada(o) por ser “ignorado”. No dia seguinte acorda com dor de cabeça, olheiras e passa o dia todo com sono por não ter dormido bem durante a noite. Tudo isso porque teve “certeza” que seu namorado(a) não te ligou devido à discussão que tiveram durante o dia, e por isso ele(a) não quis falar com você.
Todo esse transtorno foi causado por falta de flexibilidade cognitiva, ou seja, por incapacidade de levantar outras hipóteses para o fato de seu namorado(a) não ter te ligado naquela noite. Caso houvesse certa flexibilidade, certamente você também pensaria em outras possibilidades para este fato, como por exemplo: “Ele deve ter chegado cansado, e esqueceu de me ligar”; “Talvez tenha acabado a bateria do celular”; “Ele deve ter saído com a mãe para ir em algum lugar”; “Ele deve ter ficado chateado comigo, e não quer discutir mais por hoje”; ou apenas “Que estranho, vou ligar para saber o que aconteceu”.
Percebe a diferença? Nestes casos, você poderia ligar para ele(a) e averiguar o que realmente ocorreu, e não apenas fazer uma suposição diante de um pensamento automático negativo, e tê-la como única hipótese. Neste caso, certamente o final seria muito mais feliz!
Em resumo, flexibilidade cognitiva é a capacidade de buscar interpretações alternativas para uma mesma situação, ao invés de ficar preso somente ao primeiro pensamento que vier à sua mente.
Um dos objetivos do psicólogo cognitivo é reinstalar a flexibilidade no paciente, fazendo com que ele (re)aprenda a enxergar diversas possibilidades de resolução para as adversidades da vida.
E você, tem exercitado sua flexibilidade cognitiva?