PLEASE, JUST GO EASY ON ME, I AM YOUNG AND NAIVE, I DON'T KNOW WHAT I NEED.
nome: casper kenzo ellis idade: 23 anos aniversário: 12.08.02 local de nascimento: bristol, reino unido família: dominic ellis (pai, ator, falecido) e shizuko ellis (mãe, socialite, viva) altura: 1.88m sexualidade: bissexual e birromântico cor dos olhos: castanhos escuros cor do cabelo: preto traços marcantes: sorriso expressivo, sobrancelha grossa, sardas e pintas pelo rosto curso: psicologia ano de graduação: 2º ano, 4º semestre extracurriculares: estudos mortuários e tanatologia, escrita criativa esporte: natação, como capitão.
I CAN LEAD YOU TO BED, BUT I CAN'T MAKE YOU SLEEP.
O carisma de Casper é o tipo de mecanismo de defesa que usa quando sente que é necessário. Sabe ser encantador, memorável e gostável, contudo, é envolto em uma melancolia que pode ser vista se você se desvencilhar das armadilhas de suas palavras calculadas e expressão corporal ensaiada, sendo fruto de uma culpa tão intrínseca que é uma camada imutável de sua personalidade. Marcado pelo trauma, flutua entre o desconforto diante do toque alheio, mas o anseio por contato genuíno e carência de conexões verdadeiras, hipersensibilidade a demonstrações de controle e autoritarismo, desconfiança diante de gentilezas e um estranho senso de empatia que, para ele, é fruto do desejo egoísta de recompensar todas as pessoas que teve medo de ajudar durante toda a sua vida.
Seu charme, inato, é involuntário, mesmo que pense ser algo que consegue ligar e desligar, e antagoniza seu desejo de não ser percebido. Também é controlador, em resposta ao desespero de ter tido sua liberdade tomada de si por toda a sua vida; altamente disciplinado em sala de aula e especialmente na natação. Seu humor, seco e discreto, transparece através de comentários pontuais, que usa para tentar desviar o foco de si mesmo, e tende a deixar os holofotes sempre para outra pessoa, cansou-se de estar sobre eles, afinal. O torpor emocional nunca o deixou e, por isso, não processa suas emoções direito, já que, em grande parte da vida, sentiu-se mais como objeto do que como um ser humano, e precisa lutar contra a sensação constante de deixar seu corpo, que nunca deixou de lhe acometer. Mas, talvez o que realmente lhe assuste, seja sua atração natural à violência. Ressente, odeia, deseja fugir de sua posição como vítima e passa noites em claro refazendo memórias e pintando-se como destemido, no mais íntimo de seus pensamentos, pensa como seria se pudesse inverter os papéis. Pensa, especialmente, se ele também seria capaz de disparar oito vezes contra seus agressores e se essa seria a próxima tragédia noticiada de sua família se não tivesse abandonado a carreira. E, na maior parte das vezes, não sabe se lhe assusta mais pensar que sim, ou que não.
Vale ressaltar que Casper sofre com TEPT (Transtorno de Estresse Pós- Traumático) e, por isso, congela diante de flashes fortes e sente, de forma totalmente psicológica, a pele queimar, por isso odeia câmeras. Consegue sentir o cheiro forte de álcool das bebidas de Shizuko antes de dormir, e acorda sempre desesperado ao som de claquetes, como era em Set, quando finalmente recobrava a consciência sem saber o que aconteceu, e possui uma aversão ao próprio nome, por isso, prefere ser chamado de Cas.
I STILL DREAM OF VIOLENCE, ANGRY AT THE WAITING GAME.
POSSÍVEIS GATILHOS DE LEITURA: violência, insinuações de assassinato, abuso físico e psicológico, maus-tratos infantis, racismo, sexualização precoce e comportamentos obsessivos com menores e idade. Casper é um personagem que foi exposto desde a infância a câmeras, programas de TV e aos bastidores da fama, e possui uma história marcada pela falta de liberdade, exposição exacerbada de sua imagem e fanatismo, especialmente durante a adolescência.
Quantas dádivas são apenas maldições disfarçadas de bênção? Para Casper, o dito talento herdado de seu falecido pai não poderia ter sido uma condenação maior. Dominic Ellis, um conceituado ator cujo fim trágico chocou mundialmente pelo caráter violento: um carro de luxo destroçado que, à princípio, poderia ser considerado sua causa de morte, se não fosse pelo estado do corpo quando foi retirado do carro, e as múltiplas marcas de bala. Oito. Naquela época, Casper não tinha idade para entender o porquê, entretanto, se pudesse falar com toda a honestidade de seu coração nos dias atuais, diria que seu pai teve o que mereceu.
Sua primeira lembrança é uma multidão parada em frente à sua residência em Bristol, com a mãe dando passos apressados segurando sua mão pequena e o puxando para seu colo. Dali, se lembra de vê-la engolindo comprimidos com um líquido escuro e de cheiro forte, e depois, de entregá-lo para a governanta, enquanto se apressava a subir as escadas. Shizuko nunca falou uma palavra sobre o marido para o filho, nem mesmo no velório, embora sempre o defendesse de quem quer que fosse, especialmente para a mídia. No noticiário, a foto desse momento de sua vida (o primeiro que lembra) repercutiu ao lado da foto do acidente do pai, até que, meses após esses acontecimentos, o caso foi dado como encerrado abruptamente. Nunca acharam o culpado, entretanto, conforme Casper crescia, os murmúrios sobre seu genitor o fizeram entender que ele era uma pessoa com muitos inimigos, por inúmeras razões.
Com as sessões de terapia cortadas após um período curto demais para o que realmente precisava, sua mãe resolveu investir em um recomeço para ela e seu único filho, um recomeço onde ele, Casper, aos cinco anos de idade, deveria seguir o legado do pai, como um modo de manter viva a sua memória, e, claro, ajudá-la a bancar seus luxos às custas de alguém que não poderia ter autonomia do próprio salário. Enquanto todos ao redor de Cas lhe diziam como Dominic era uma pessoa monstruosa, apenas Shizuko o defendia para o filho, fechando seus olhos e os dele. Dois anos depois, esse assunto era apenas um comentário desconfortável que passava de boca em boca, e, durante toda a primeira infância, a vida de Casper foi marcada por um torpor estranho; Não havia processado ter perdido o pai, e também não conseguia processar os papéis que fazia para manter sua mãe com um sorriso no rosto e longe dos remédios que a deixavam esquisita, e que ela havia prometido largar se ele se esforçasse por ela. Apesar de ser mentira, Casper só descobriu isso muito tempo depois. Ele fazia isso por sua mãe, e ela o convencia todos os dias, uma manipulação de cada vez, que ele gostava de ser ator, que gostava de ser famoso e que, sendo famoso, poderia ter tudo o que quisesse, bastava falar com as pessoas certas, e isso era um privilégio.
Sua primeira série de televisão foi de comédia, um papel coadjuvante de onde conseguiu se destacar o suficiente para, aos oito anos, ter seu próprio show infantil. As menções ao pai foram cessando, e os produtos com seu rosto estampado, se multiplicando, com cada vez mais oportunidades surgindo, especialmente pelo sorriso carismático e a “beleza exótica” suprirem a necessidade da época quanto a um representante viralizado de alguma minoria, logo, era comum que Casper estivesse em muitos papéis recorrentes também, onde existia uma cota silenciosa feita exatamente para ele. As crianças o tratavam como um personagem, as mães nutriam uma obsessão esquisita por ele como se o desejassem como seu filho e fosse um exemplo juvenil, e de pouco em pouco, a atenção se tornou sufocante, mas ele não sentia que podia parar, pois, sempre que falava sobre isso com sua mãe, ela o olhava com o semblante de quem estava a um passo de cometer uma loucura e, se cometesse, a culpa seria dele.
Aos catorze começaram os episódios dissociativos, e também os convites para produções cinematográficas, sem possibilidade de recusa, sua mãe é quem sabia quais ele iria aceitar, e ele apenas balançava a cabeça, tentando se afundar nas “regalias” de ser famoso com gastos desnecessários e amigos postiços. Após inúmeros filmes, comerciais, turnês obrigatórias e menos horas de sono, ser uma pessoa se tornou algo distante, como se não o pertencesse. Casper se sentia uma coisa. Endeusado sem ser conhecido, mas rejeitado por quem deveria lhe acolher. Sempre que a câmera era ligada, ele não se recordava de existir, era como se apagasse e só voltasse para o corpo quando escutava o som da claquete. E, nos bastidores dos filmes e da série, agora já tinha idade o suficiente para entender muita coisa, especialmente o que era errado.
O sucesso lhe trouxe dinheiro, reconhecimento e estabilidade tanto quanto olhares desconfortáveis, atitudes desrespeitosas e uma obsessão doentia por sua imagem, por sua rotina, por seus relacionamentos. Foi quando percebeu que não queria mais estar ali, que Casper também percebeu que nunca foi uma escolha. Foi quando entendeu o peso que a exigência da mãe tinha, que o fascínio bizarro por ele e sua namorada da época não era normal, que os adultos extravagantes em festas estavam perto demais e que ninguém pedia permissão antes de tocá-lo, fosse esbarrando em seus ombros, lhe abraçando sem conhecê-lo, tocando em seu rosto, segurando suas mãos, beijando sua bochecha ou, como se fosse um ato inocente, passando perto demais dos seus lábios. Aprendeu muitas coisas sobre muitas pessoas, e nenhuma delas lhe agradou. Os entrevistadores sempre davam risada e falavam como ele era cobiçado. Cobiçado demais. Casper passou a odiar ser visto.
Aos dezessete, teve seu primeiro surto midiático, ao agredir fisicamente paparazzis parados do lado de fora de sua escola. Ele não se lembra, mas consegue sentir o desconforto quando o assunto é mencionado. Fotos do evento se seguiram de notícias em tom maldoso. A mãe gritou uma, duas, três vezes, e quebrou tudo dentro da casa, lhe arrancou sangue, lágrimas e fez acusações cruéis. Aos dezoito, as cartas de amor e o tom de comemoração com sua maioridade lhe fizeram querer chorar. Hollywood foi a pior coisa que lhe aconteceu porque, agora, ele via que isso não acontecia somente consigo e que, para aqueles menos famosos, era ainda pior. Nas entrevistas, seu sorriso era tão brilhante quanto uma estrela, nos bastidores, estava sempre torcendo para que algo horrível lhe impedisse de, fisicamente, estar em mais um estúdio, com mais um diretor autoritário ou exageradamente amigável, todos eles lhe conheciam e, pior, todos eram eram amigos de seu pai. E então, aos dezenove, veio seu segundo surto midiático, com uma aparição completamente embriagado em uma premiação de extrema importância para Hollywood. Nesse, diferente do primeiro, a proporção de sua fama tornou as comparações piores, e foi redescoberto pela mídia o assassinato do pai. Escutou e leu todo tipo de acusação, sobre ele e sobre si mesmo, como se a monstruosidade especulada, em relação ao genitor, com vítimas anônimas se apresentando e relatando comportamentos abusivos e importunações de toda natureza, de algum modo fossem a culpa do seu comportamento rebelde, e como se não fosse tremendamente cruel colocá-lo em qualquer comparativo com um homem tão desumano. Amor vira ódio rápido se você não segue o roteiro. A quebra da imagem de galã foi rápida e, para Casper, de certo modo foi um alívio. Talvez ser odiado fosse melhor. Talvez significasse estar mais perto de ser esquecido.
O retorno para seu país veio com o preço de nunca mais falar com a mãe, a quem desejou a morte antes de entrar no avião que lhe levou para Bristol. Para ele, que ela morresse tão violentamente quanto seu pai, por tudo que o forçou a fazer sua vida inteira, ele não se importava mais. A natação foi o que lhe ajudou a lidar com o diagnóstico de TEPT, mas nunca deixou de ter pesadelos, e fica especialmente nervoso diante de câmeras e com flashes. Aos vinte e um, entrou na faculdade sem avisar a ninguém, e mal deixa o campus, desfrutando do internato e do máximo de discrição que teve desde que se lembra de existir. Para Casper, desaparecer é a única coisa que deseja, além de, claro, conseguir um diploma que valha de algo para quando finalmente for capaz de ajudar crianças e adolescentes a escaparem de seus lares abusivos, para que jamais passem pelo que passou. O objetivo pode ser visto como nobre para alguns, contudo, não é o que ele sente. Não quando viu, soube e se calou diante de tantas coisas. É o trauma ecoando, é claro, mas Casper se sente mais um problema do que uma vítima e lamenta que, até hoje, não sabe o quão humano ainda se considera, ou se sequer foi um dia.














