“você precisaria se esforçar muito para ser pior do que os pestinhas de oito anos que são forçados pelas mães a terem aulas comigo.” era um comentário bem humorado, apesar de não deixar de ser verdade. haejin dava-se bem com crianças, e não poderia ser por menos, considerando que já tinha de carga um tempo considerável como professora particular deles, assim como algumas experiências dos bicos de babá que conseguia para complementar a renda. ainda assim, preferia três noites inteiras tocando no restaurante do que a única hora que compunha algumas de suas aulas, acompanhada de crianças pouco interessadas e que não pareciam realmente lá muito esforçadas para fazer valer o dinheiro investido pelos pais. “é um elogio!” a park confirmou, o que apenas consolidou-se ainda mais depois da rápida explicação alheia sobre as outras circunstâncias daquele evento. “bem, tenho certeza que sua avó ficou orgulhosa, porque a festa estava ótima. e isso vem de alguém que passou toda a metade final dela chorando no banheiro! para eu ainda guardar lembranças boas daquela noite, é porque eu sei do que eu ‘tô falando.” era mais fácil falar com bom humor sobre aquele episódio com alguém que não conhecia completamente os detalhes que permeavam a reação da morena na noite em questão, e depois de anos lidando com aquele sentimento, haejin já havia aprendido a tirar sarro da própria cara às vezes. “eu sei! a comida daqui é bárbara. mas aparentemente os caras tem mais uns cinco restaurantes espalhados por aí, então, comida boa deve ser o que não falta na rotina deles.” dera de ombros. fez um pequeno biquinho com os lábios enquanto pensava no que escolheria para as duas, colocando sobre o balcão dois copos de shot, seguidos de duas taças em seguida. os copos foram enchidos com o primeiro uísque que encontrou pela frente, enquanto as taças foram servidas pelo vinho que já era comum do consumo da pianista. “a dose é para dar uma boa largada, e depois partimos para o vinho para… sabe, não acabarmos morrendo desacordadas no balcão.” riu baixinho, apoiando um braço sobre o balcão enquanto usava a outra mão para pegar um dos copos pequenos para si, virando o uísque com facilidade pela familiaridade que já tinha com o álcool. ainda assim, esboçou uma breve careta, que fora desmanchada com um balançar de cabeça enquanto ela voltava a repousar o copo vazio sobre o balcão. “então, cassie, antes de adentrarmos a história catastrófica sobre como eu acabei bêbada e chorosa na sua festa incrível, preciso saber se você tem alguma experiência no tema se frustrar com próprias expectativas completamente platônicas relacionadas a homens.”
“essa realmente parece ser uma candidata à melhor forma de passar uma tarde.” ironizou, rindo nasalmente. era difícil não se compadecer pela situação de haejin, considerando que nem com toda a paciência do mundo se mostrava uma tarefa simples atender crianças pequenas, na situação de estas não cooperarem com as tarefas propostas. “ei, porque não me dá o número do seu celular? aí podemos conversar ali sobre as aulas.” e também manter contato, cassie completou em sua mente. gostara de conversar com a outra e, a não ser que esta simplesmente se mostrasse uma pessoa da moral mais questionável durante o tempo que passassem juntas e interagindo no restaurante, não via motivo para não tornarem aquela dinâmica mais frequente. a yang certamente nunca desperdiçaria a chance de fazer uma nova amizade. “ah, então eu vou ter que te agradecer por isso.” respondeu, um sorriso doce apresentando-se em sua boca. ao escutar as palavras seguintes da outra, de imediato a fizeram erguer uma das sobrancelhas. ela não era alguém a quem realmente conhecesse, mesmo com o desabafo que ocorrera entre elas durante a festa, portanto, não poderia afirmar com todas as letras que estava surpresa por ela já estar levando a situação como brincadeira - afinal, não sabia como haejin funcionava. mas, para a própria cassie, que chorava sempre as próprias pitangas por um considerável tempo, chegava a chocá-la de certa forma isso. embora, claro, de uma forma boa; talvez fosse um sinal de que a morena estava melhorando quanto aos acontecimentos da festa. “ah, que bom que foi bom de alguma forma pra você! me sinto honrada em saber que ainda teve boas memórias, eu me lembro de como você parecia bem chateada lá. espero que tenha aproveitado os doces, e não me esqueça de te chamar para a próxima.” apoiou a mão destra sobre a alheia, como se estivesse se comprometendo em um ponto com ela - e, para cassie, realmente estava. “ah, que sonho deve ser sempre ter à mão um lugar maravilhoso desses.” murmurou, soltando após um suspiro e removendo sua mão da alheia, para apoiá-la sob a cabeça. “você é um gênio!” a morena já fez questão de exclamar quando viu os diferentes copos apoiados sobre o balcão, de sua boca escapando uma risada baixa. “vou me sentir uma mulher rica que está falando mal do marido para as amigas, tomando vinho assim com você. e, caso eu realmente fica com o meu senso afetado pela bebida, é capaz de eu achar que sou mesmo.” brincou, levando o copo restante até os lábios e tomando um gole. “ah, minha querida haejin... poderia ficar não somente uma noite inteira, mas o dia seguinte, contando as desgraças que rolam na vida-não-amorosa que eu tenho.” teve até de rir de si mesma, porque realmente era uma situação - e ainda achava que era gentil consigo ao falar isso - patética. assim, pegou novamente o copo e tomou um gole para tomar a coragem necessária, antes de tornar a olhar para a mais alta. “não tenho nem mais conta de quantos caras já me iludiram e depois me fizeram de idiota. não sei nem como ainda caio na conversa deles, na verdade. mas acho que um ex-namorado, de alguns anos atrás, é o melhor exemplo que posso te dar. namoramos por algum tempo e, infelizmente, foi tempo suficiente para eu me apaixonar.” contar sobre chaesun nunca era algo que gostava, e sempre lhe deixava um gosto amargo na boca. “eu era nova na época. ter um namoro assim era tudo o que eu queria, na verdade, e... bom, acabou que a gente foi e dormiu junto, era a primeira vez que eu fazia isso com alguém. e aí o bastardinho, sem ter um jeito melhor de explicar, simplesmente sumiu da minha vida, sem nem me mandar ir lá na puta que pariu.” findou a sentença com uma clara expressão irritada, pois era exatamente o que sentia quanto à história do ex-namorado. “e sabe o pior? nos esbarramos pela rua esses dias, e ele simplesmente agiu como se fossemos super amigos e eu devesse adorar rever ele. como se nada nunca tivesse acontecido, sabe? ai, olha, eu não vou nem perguntar se ‘dá pra acreditar’ porque, sim, vindo de homem dá.” revirou os olhos, ao que em seguida em seu rosto surgia uma expressão mais suave. “então... acha que tenho o que é preciso?”