cassieyvn:
aproveitando o dia livre para recolher algumas compras que realizara na noite anterior diretamente por mensagens trocadas nas redes sociais de uma loja que conhecera somente aquela semana, sequer tinha preocupações maiores que somente desempacotar tudo em seu apartamento no hotel, colocar seus pés para cima e assistir alguma comédia romântica que estivesse passando na televisão. após diversos dias carregados de estresse pela semana de provas de sua universidade, não desejava nada que a removesse de sua zona de conforto justamente por sentir a necessidade em si de descansar de uma vez por todas e poder realinhar suas energias. assim, dirigia-se direto para o hotel, sem passar em mais nenhum lugar, marcando para outro dia compromissos sugeridos por suas amigas e escolhendo desde já em sua mente o que iria pedir para a cozinha como um lanche; tão distraída que, boba que só ela, deixou cair uma de suas sacolas de compras antes de atingir a porta giratória. suspirando pesadamente e imaginando que o trabalho seria dobrado se parasse para recolhê-la, com todas as chances de deixar as demais caírem em alguma espécie de bola de neve de compras, conferiu que o porteiro estava de olho no que acontecia, e rapidamente adentrou o recinto para deixar as demais juntamente com um dos funcionários. pedindo a ele que as levasse até seu quarto, retornou apressadamente para o lado de fora para pegar a sacola onde a deixara, por pouco não perdendo a visão do rapaz desconhecido a encarando com uma folha de papel com algumas palavras escritas. não tendo o reconhecido em um primeiro momento, não tardou a juntar as peças do que acontecia ao examinar o que estava escrito no papel, uma expressão de pena marcando os traços delicados de seu rosto em sequência. “ai, meu deus…” murmurou, afastando os cabelos que caíam em seu rosto num gesto nervoso e se aproximando dele. “ah!” acabou exclamando, surpresa ao que escutava seu elogio antes mesmo de concluir o que poderia fazer para ajudá-lo, ou se sequer seria coreano uma língua que compreendia. “muito obrigada… também gosta?” questionou, embora sem realmente saber se era a melhor abordagem diretamente questioná-lo daqui. “você é de onde?” e, nem o deixando responder direito, já acrescentou: “pode entrar comigo, eu te ajudo a achar uma comida e… meu deus, você fala coreano? eu… ai, perdão.” pausou a própria fala, imaginando que somente acabaria mais confusa em sua linha de pensamento caso continuasse.
em um primeiro momento, encarou a sacola abandonada pensando se deveria fazer algo em relação a ela, mas cassie pareceu ser mais rápida que seu braço livre, recolhendo-o discretamente e encontrando o olhar com o dela. parecia ser uma garota levemente atrapalhada julgando pelos gestos que ela tentava coordenar, não conseguindo deixar de sorrir um pouco enquanto ela não estava olhando. as expressões de pena pareciam ser genuínas, então dobrou o papel cuidadosamente e o guardou consigo mais uma vez. ela não parecia ser estrangeira, então se perguntava o que fazia em um hotel daqueles. seria de alguma outra cidade? algum daqueles estrangeiros que voltavam para seu país para se reconectar com as origens? só parou suas divagações ao ouvir o questionamento dela, a qual tadashi respondeu com um breve acenar com a cabeça. sempre fora de poucas palavras, e a ideia de ser um estrangeiro de uma etnia não muito bem vinda na coreia fazia com que o silêncio fosse seu principal aliado. a verdade é que apenas pretendia pegar a comida e sentar em algum degrau frio antes de seguir seu caminho, mas não iria negar a oferta alheia. “hokkaido. japão, ilha norte” respondeu, apontando para o alto para que ela entendesse o que ele queria dizer. nem todo mundo saberia onde hokkaido ficava, era mais fácil daquele jeito. soava muito mais confiante com as pronúncias de sua língua materna, e ficava claro naquela frase meio-a-meio. mordeu o lábio tentando não sorrir novamente, pois a garota realmente parecia atrapalhada, mas sabia que ela estava tentando seu melhor. “um pouco. entendo melhor, não falo” dessa vez gesticulou para seu ouvido e para o papel que estava em seu bolso, sinalizando que sua compreensão era muito melhor que a oratória. era só disso que ele precisava, no fim das contas. “obrigado” abaixou a cabeça em um gesto breve, notando que a sacola abandonada havia permanecido lá, retornando alguns passos e levando ela até a sua verdadeira dona. não houve tempo de retornar o objeto para a estranha na rua, e quando ele atravessou a porta giratória, sentiu-se um intruso completo naquele local cheio de coisas caras e brilhantes e modernas. céus, sabia que seu irmão iria adorar aquele lugar na mesma medida que tadashi estava levemente apavorado. e a garota provavelmente deveria saber que ele estava daquele jeito, já que seus olhos passavam por todos os cantos em curiosidade. sacudiu a cabeça levemente, seguindo os passos dela sem saber o destino final, tocando em seu ombro. “não ficar. comida suficiente” provavelmente iria chover naquela noite, então precisava se apressar para arranjar algum lugar para dormir que tivesse um toldo para proteger sua cabeça. com a outra mão, ofereceu a sacola para ela, que ela nem havia dado falta até agora. “cuidado com sacola”













