Alinhamento, tendências, horóscopo e outras limitações
Faço parte de uma mesa de RPG, mas nunca joguei D&D. Cheguei por último em uma mesa já formada, com pessoas que já jogavam há muito tempo, já tinham experimentado diversos sistemas, e atualmente jogavam com sistema próprio. Nesse sistema próprio, o jogador deve escolher vantagens e desvantagens que irão definir o comportamento do personagem dentro da história. Grande foi a minha surpresa ao descobrir que no D&D era diferente. Que havia alinhamento ético (lei e caos) e tendência moral (bem e mal), e que dava para perceber essas definições em personagens clássicos da literatura e do cinema.
A partir desse momento fiquei viciada em descobrir alinhamento e tendência de todos os personagens de séries que acompanhava e percebi que esse tipo de coisa é extremamente falho em personagens mais complexos. Por exemplo: Dylan Massett é filho de Norma Bates no seriado Bates Motel. Ele é um personagem essencialmente bom, que embora ame e proteja a sua família, não é amado de volta. Ele também é muito dedicado e respeitado em seu trabalho por ser competente, justo e racional. Dylan poderia ter um alinhamento leal e bom, mas ele trabalha para o tráfico de drogas. Pessoas caóticas é que têm empregos à margem da sociedade.
Outro exemplo é Saul Goodman. Ele é advogado, trabalha com leis, logo seu alinhamento deveria ser leal. Mas ele é extremamente caótico e destorce leis em benefício de seus clientes, que são todos bandidos.
Depois de analisar alguns personagens, cheguei à conclusão que tendências e alinhamentos do D&D são como signos do zodíaco. Eles funcionam se ficar apenas no superficial. Qualquer personagem bem construído ou pessoas reais que forem vistas de maneira mais profunda não vão se encaixar em nenhuma dessas fôrmas de personalidade.
E para finalizar meu pensamento, eu recomendo a todos que leiam o conto “A igreja do diabo”, de Machado de Assis, que aborda essa ambiguidade da personalidade humana de um jeito bem humorado.











