˛ * cha sooah, the lost soul.
i'm just a little bit caught in the middle i try to keep going but it's not that simple i think i'm a little bit ( caught ) in the m i d d l e gotta keep going or they'll call me a quitter
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˛ * cha sooah, the lost soul.
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yoengjae:
o programa escolhido pela amiga não captava, nem um pouco, a atenção de yoengjae que havia passado os minutos que antecederam a falha alheia com o olhar preso sobre a tela de seu celular em vez da tela da televisão “hm?” murmurou ao ouvir a voz feminina, prontamente largando o aparelho no sofá e voltando sua atenção para o game show “ah, é, não parece ser tão difícil” respondeu, apenas para concordar com ela, “mas… sério, qual é o ponto disso? eles atravessam por esses negócios, sem tocar no chão, mas… por quê? o que que ganham?” virou-se para sooah, abandonando novamente o programa. um riso baixo escapou por seus lábios ao ouvir a reclamação da cha e ele logo ergueu as mãos no ar como em um gesto de defesa “ei, eu não faria isso” rebateu, quase que de imediato, “e não tenho feito nada, nada de diferente quero dizer. trabalho e último ano de faculdade não me deixam nem ir pra academia direito, quanto mais te trocar” bateu uma das mãos na perna feminina que estava mais perto de si “e você? por favor me diz que sua vida ‘tá mais interessante que a minha.”
semicerrando os olhos castanhos ao encarar o amigo, maneou a cabeça em reprovação. “como você é, viu. não te convido pra assistir mais nada comigo.” resmungou, pegando uma almofada de seu lado do sofá e abraçando sobre o colo. “desde quando que um reality precisa ter mesmo um ponto? vou então ver casamento às cegas e amor fora das grades com minha amiga mesmo, tô te prevendo ser azedo neles também.” o semblante moldou-se em uma careta para o hak. “só para você saber, quem ganha a etapa leva dez mil dólares pra casa. não é nada que se desperdice, né.” sooah o empurrou preguiçosamente com o ombro, uma versão mais discreta de um sorriso marcando seus lábios. “você e a sua academia, vamos acabar por terminar nossa amizade assim. me recuso a andar contigo se virar um daqueles caras que entope o corpo de anabolizante, tá entendendo? primeiro papo de whey e eu te corto.” somente para dar ênfase em sua fala, ergueu a destra até a garganta e a passou para o lado rapidamente. “cortado.” declarou. “e, infelizmente, a minha vida também não tem nada de interessante… sério, te juro que a única mudança na minha vida é que eu tô andando de bicicleta pra não ter que pagar pelo metrô. e já não aguento mais.” suspirou, até decepcionada consigo mesma. “como deixamos nossas vidas ficarem assim?”
heejun:
“pelas histórias que você me conta, já te escalaram como atriz principal umas dez vezes” a vida do rapaz também não era lá essas coisas, especialmente depois de saber que sua própria família armou um plano para que pudessem retirá-lo da herança, mas esse segredo permaneceria enterrado por um bom tempo. “é bom para pessoas baixinhas, mas horrível pra qualquer outra pessoa que estiver olhando.. bom, não tem outro sapato que combine? ou, sei lá, você comprar um idêntico num brechó?” deu sugestões, já que estava sendo claramente prestes a apanhar por não estar sendo útil o suficiente. a cotovelada não foi surpresa, mas teve que segurar um resmungo porque aquela região era bastante sensível. “só estou te preparando mentalmente para desapegar e é assim que você me retribui? péssimo.” foi quando algo brilhou em sua cabeça. talvez hana pudesse ajudar, já que ela trabalhava com esse tipo de coisa. não necessariamente consertando roupas, mas se ela sabia fazer, também deveria saber consertá-las, certo? suspirou, segurando novamente o sapato como uma marionete. “escuta, sooah, meu mestre conhece uma pessoa que trabalha com moda” fez uma pausa dramática, voltando a mexê-lo, olhando para sooah. “ele pode tentar consertar, mas se não der, vai precisar me dar adeus”
“olha, pelo menos poderiam me pagar pra isso. eu me sentiria melhor sendo tão humilhada se ajudasse com o aluguel no fim do mês.” um suspiro dramático escapou dos lábios femininos. não ter dinheiro próprio era uma situação estressante quando detestava ter de recorrer aos pais em necessidade de organizar suas contas mensais, mas a constante mudança de cursos universitários nunca facilitava a encontrar um estágio - as vagas costumeiramente eram reservadas aos alunos de semestres superiores e era sabido que sooah raramente os alcançava. e, embora estivesse indo bem no curso de psicologia, era uma ideia mais fácil a de encontrar um emprego de meio período sem relação aos estudos. “ah, ter até eu tenho, mas perder um sapato é meio deprimente. eu gastei uma puta grana pagando esse, nem era pra ter durado tão pouco… você conhece algum brechó bom?” indagou. “você não está sendo o maior preparador do mundo, beleza? deveria me animar, não ficar falando da minha idade do sucesso.” recostou-se no sofá e cruzou os braços sobre o peito, suspirando outra vez. as palavras que o amigo proferiu em sequência, entretanto, foram o suficiente para elevar seu espírito quase de imediato; os olhos brilharam e, rapidamente, um sorriso tomou sua boca. “tá falando sério?! sinceramente, não quero nem saber da porcentagem de chance de dar merda, já tá perfeito pra mim. quanto ele me cobraria?”
heejun:
“quedinha de nada, você diz.. ficar presa no bueiro e ainda levantar a tampa é pouca coisa mesmo” analisou o sapato destruído de uma certa distância, mas não precisava ter muita massa cerebral para saber que provavelmente não havia conserto que salvaria o objeto. “eu acho que você precisa ser criativa e arranjar outro sapato que combine com suas roupas” conhecendo sooah, era questão de tempo até ela estragar o próximo também. “tem tanta coisa na moda hoje em dia, tipo aqueles pares de tênis que não dá pra saber se você vai jogar vôlei ou para um evento de grife” falou com um certo desdém, achava aquele tipo de coisa simplesmente horrenda. mas precisava ao menos fingir suas expressões faciais beirando a indiferença, ninguém precisava saber que ele era esse tipo de pessoa. só ouvia atentamente o desabafo dela, pensando se seria uma boa pessoa, o suficiente para tirar algum dinheiro de sua conta bancária para ajudá-la. pensando melhor… não era uma boa ideia. “você esqueceu do pequeno detalhe que os 30 anos eram a idade do sucesso porque as pessoas morriam aos 60. talvez a sua idade de sucesso já tenha até passado… ou não” provocou, sorrindo de canto. pegou o sapato destruído para brincar um pouco, movendo o salto de forma a imitar uma boa. “sooah, me conserte. eu vou matar você enquanto você dorme”
“larga de ser exagerado, heejun, não levantou porcaria alguma de tampa de bueiro! ele só ficou um pouquinho preso na tampa, me senti num filme de comédia romântica ruim, e do começo dos anos 2000 ainda.” resmungou, não possuindo realmente muito ânimo quando era sempre assim que sua vida parecia funcionar. “ai, mas eu gosto dos meus saltos! tenho meu par de tênis favoritos e os amigos deles, mas esses aí parecem que mergulharam em uma piscina de glitter ou algo assim. são horríveis. alguns tem até salto!” embora apreciasse os sapatos com salto em geral, como scarpins e botas, considerava tênis com plataformas como as mencionadas praticamente o seu demônio da paralisia do sono. cruzes, se arrepiava apenas em sua imaginação fértil lhe colocando com aqueles sapatos horrorosos. “cala boca, heejun. você não é muito bem sendo motivador, sabia?” revirou os olhos, o cutucando com o cotovelo por suas costelas antes de se recostar nas almofadas do sofá. “ei! estamos em algum spin off de toy story, ou você andou vendo os filmes no nível de praia assassina?” questionou, com a boca levemente tomada por um sorriso. não negava adorar ver filmes com esse nível - de falta - de qualidade, e certamente não duvidaria nada caso existisse algum com o tema voltado para o salto alto assassino - se existem até de castores, tudo era possível.
após um final de semana repleto de maratonas de floor is lava, qual seria o melhor plano em que a cha poderia pensar? realmente ir realizar suas atividades acadêmicas? tomar um jeito na vida? muito pelo contrário, a resposta mais certeira se encontrava justamente em obrigar @yoengjae a assistir um dos episódios consigo. não sabia como tinha convencido o amigo a partilhar de seus gostos peculiares durante aquela tarde, mas sooah que não iria apresentar reclamações sobre a conquista. “cara, eles são ruins pra cacete. eu aposto que poderia, sei lá, aguentar o dobro de tempo deles em qualquer um desses lugares. e fazer esses circuitos água com açúcar na metade do tempo.” resmungou, enchendo a mão com uma quantidade razoavelmente grande de pipocas. era até engraçado que falasse algo assim, ou até irônico, considerando como estava ávida na competição de maior sedentária da cidade - até do país - naquele ano, e não duraria um minuto num jogo daqueles. “aliás, o que é que você andou fazendo esses dias? nem teve tempo pra mim direito, assim vou começar a achar que está me trocando.”
joo:
não precisou erguer seu olhar para reconhecer a pessoa que havia chego ao elevador logo após sua entrada e, quase que instantaneamente, encolheu-se em um dos cantos do pequeno espaço, desejando que não fosse notada pela ex-namorada – não sabia dizer se aquele era o termo mais propício para se referir à outra uma vez que o relacionamento prévio que existiu entre as duas nunca chegou a ser definido, no entanto, via-a daquela forma. por mais que sentisse falta da mais velha, chatmanee sabia que não tinha o direito de querer voltar para a vida dela, não depois da forma abrupta como saiu; as coisas entre as duas nunca foram resolvidas e a modelo sabia que a culpa disso era inteiramente sua, fora uma decisão sua não envolver sooah em seus problemas e, em consequência disso, afastá-la de si. nunca quis que suas ações causassem o fim da relação, no entanto, não teria se perdoado caso o envolvimento tivesse prejudicado a outra. não prestava atenção na conversa, porém, era impossível não a ouvir, de modo que não conseguiu conter que um riso baixo escapasse por seus lábios em dado momento, era, de certa forma, satisfatório saber que ela não havia mudado, que permanecia a mesma mulher divertida por quem a jirayungruk havia se encantado em outros tempos; permitiu-se, então, deixar-se levar pelas notas familiares da voz feminina, sorrindo à medida em que o timbre alheio tocava seus tímpanos. assustou-se com a parada repentina do elevador, apoiando-se nas paredes desse no mesmo instante em que essa ocorreu e soltou um riso nervoso ao ouvir a fala da cha “foi em um banco” respondeu, em um tom um tanto acanhado, referindo-se ao episódio da série mencionada “num daqueles caixas 24 horas se não me engano” deu de ombros, finalmente erguendo o olhar para a fitar e lhe oferecendo um pequeno sorriso. respirou fundo ao ver como a expressão dela mudou drasticamente assim que percebeu com quem estava, fora impossível que o ato não a abalasse, por mais que joo já esperasse tal atitude, “hey” murmurou, após alguns instantes em silêncio, “você ‘tá tomando conta de um gato?”
sooah poderia ser tudo, mas certamente não era o tipo de pessoa que permanecia mais do que cinco segundos sem saber como reagir a algo. por deus, poderia elaborar respostas engraçadas - ou, pelo menos, minimamente únicas - até mesmo nas situações mais constrangedoras que os seus dias na terra poderiam lhe inventar! conseguia até mesmo dar respostas certeiras, rápidas, em discussões com os demais membros de sua família. se recordava até de uma vez, durante a aula de uma professora especialmente desgostosa de como não era parecida com sua irmã - de longe, a com a reputação mais bem trabalhada dentre os irmãos cha -, conseguira lançar para a mulher uma resposta que deveria pensar até hoje. com muita indignação, claro, mas o que valia não era isso. porém, naquele instante, se encontrava o completo oposto de sua tão costumeira - e definidora de sua personalidade - espontaneidade, levando em conta como aparentava ser até mesmo incapaz de formular um pensamento decente. não imaginava como seria rever a outra e ter de conversar de novo justamente com quem cortara tudo daquela forma entre elas, e com as maiores certezas do mundo que não tinha em mente que seria dessa maneira que isto tomaria a sua forma! era algum tipo de demonstração da existência de karma, por acaso? deveria ser bem sua culpa mesmo, por ter passado o final de semana inteiro debochando do vizinho esquisito de yoengjae. “o quê?” murmurou, por um momento esquecendo até mesmo o que estava falando, em referência à famosa série, antes de descobrir que estava vivenciando a provável situação de maior desconforto de seu ano. “ah, tá. o caixa da série, do chandler. não lembrava que era... lá.” deveria estar soando como uma idiota monossilábica, mas, honestamente, joo merecia. cha não se sentia exatamente na responsabilidade de carregar aquela conversa nas costas. “sim, é de um amigo meu que foi viajar. ele me pediu pra ficar de olho enquanto isso, porque não vou sair da cidade e tal.” já sentia que estava dando informação de mais, embora não fosse lá a sua culpa ser inevitavelmente tagarela. poderia se atirar a matracar até se estivesse depondo, pelos céus. se condenaria somente por sua falta de papas na língua. “será que esse negócio, sei lá, vai demorar muito? já é a terceira vez que rola isso na semana, pelo que eu ouvi... de já ter rolado outras duas.”
˛ * sooah & joo.
said i'm fine, but it wasn't true i don't ( wanna keep secrets ) just to keep you and i snuck in through the garden gate every night that summer just to seal my f a t e and i screamed for whatever it's worth ( i love you ) ain't that the worst thing you ever heard?
junho:
( @vaan1121 ) → sempre tem uma lojinha aberta, rlx
( @vaan1121 ) → ele mandou oi e pediu ‘socorro’ pq ele só sabe reclamar
( @vaan1121 ) → ficou rs, pera ai
( @vaan1121 ) → [imagem anexada]
( @vaan1121 ) → comida de smurf
( @vaan1121 ) → até dá pra colocar mas se vc tiver que fazer lavagem estomacal ai n é comigo
( @.chasooah ) → kkkkkkkkkkkkkkkkkk eu gostaria de poder julgar o teu amigo mas eu vivo pra reclamar ( @.chasooah ) → é a minha grande motivação de vida a esse ponto mesmo ( @.chasooah ) → CARA ( @.chasooah ) → MEU DEUS ( @.chasooah ) → ESSE NEGOCIO FICOU MUITO LINDO........................................ ( @.chasooah ) → se eu fizer isso e acabar indo pro hospital a culpa é toda tua viu ( @.chasooah ) → rs
junho:
( @vaan1121 ) → vivo é uma palavra muito forte
( @vaan1121 ) → to na rua com o jin
( @vaan1121 ) → queremos achar um lugar pra aquecer a comida porque acabou a luz lá em casa, e o gás tb
( @vaan1121 ) → foi um dia que eu n tava mt afim de dormir, dai ficou azul o treco
( @vaan1121 ) → meio docinho mas da p comer, vc devia tentar
( @.chasooah ) → ai kkkkkkkkkk é foda msm isso
( @.chasooah ) → tem alguma coisa aberta a essa hora ou nem? diria pra vcs passarem aqui mas é do outro lado da cidade k k k k
( @.chasooah ) → n ia ajudar mt
( @.chasooah ) → e manda oi aí
( @.chasooah ) → FICOU AZUL?????????????????????????????//
( @.chasooah ) → tem foto? pq quero
( @.chasooah ) → mas aí n tem condição de boter tempero né?
junho:
( @vaan1121 ) → oi
( @vaan1121 ) → oi
( @vaan1121 ) → oi
( @vaan1121 ) → oi
( @vaan1121 ) → oi
( @vaan1121 ) → oi
( @vaan1121 ) → oi
( @vaan1121 ) → oi
( @vaan1121 ) → oi
( @vaan1121 ) → oi
( @vaan1121 ) → vc já experimentou colocar energético no miojo? deveria
( @.chasooah ) → TÁ VIVA A MARGARIDAAAAAAAAAAAAAAAA ( @.chasooah ) → ai finalmente achei que vc tava dormindo que nem TD MUNDO ( @.chasooah ) → eu tô entediada e esses tóxicos n colaboram comigo ( @.chasooah ) → mAS ENFIM ( @.chasooah ) → kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk junho plmdds quando foi q vc fez isso ( @.chasooah ) → assim só pra saber né ( @.chasooah ) → mas tô curiosa de tentar rsrsrsrs
@sohcee
dakho:
“e você tem certeza disso?” mirou sooah com uma cara que deixava dúvidas pelo ar. ela tinha razão, por enquanto. de certo que dakho já não dependia completamente de seus pais há um tempo, mas não significava que tinha dinheiro para continuar esbanjando. ainda mais agora, quando tinha responsabilidades dobradas. “eu me odiaria mais se fosse você. tô pensando seriamente em recorrer aos meus avós.” soltou um riso breve, indicando que se havia tido o mero pensamento de falar com os pais de seus progenitores, era porque a coisa estava muito pior do que de fato aparentava. “e daí? foda-se se você faz aniversário alguns meses antes de mim. quando você tiver quatro irmãs mais velhas, a gente conversa.” sempre anulava todos as lamúrias alheias com as mesmas justificativas. não porque realmente acreditava que sofria mais que os outros, mas porque ter quatro irmãs lhe parecia um castigo muito pior do que qualquer outro já visto. “eu tenho dúvidas sobre isso.” murmurou, referindo-se ao fato de ainda ter afeto pela garota. não que fosse necessário ter qualquer tipo de sentimento por alguém para que dakho os deixasse fazê-lo de gato e sapato, no fim das contas. “eu te odeio.” disse, ao já se levantar de onde estava sentado, indo em direção à cozinha, no que esperava que ela apenas o seguisse. “você só fala isso porque gosta de mulher tanto quanto eu. acha que eu não percebi a energia lésbica que paira em cima de você?” brincou, dando risada no que pegava alguns ingredientes nos armários. nada do que falavam um para o outro poderia ser levado à sério de fato, logo, não se importava com as ofensas que saíam da boca da outra tanto quanto acreditava que ela fazia o mesmo. “ew, que nojo.” fez uma careta ao ouvir sobre o tópico ‘casamento’, mas logo a expressão suavizou, uma ideia surgindo na cabeça como um estalo. “mas, se quer saber, poderia ser uma boa ideia. se eles forem nos dar dinheiro, acho que a gente pode fingir estar casados por um tempo.” lançou a ideia, rindo logo em seguida. o que o desespero por continuar sendo um inútil não lhe causava. só de pensar em ter que trabalhar, dakho sentia urticárias surgindo por todo o corpo. “ai, sai pra lá.” reclamou, no que fora beijado. ainda que, verdadeiramente, não houvesse desgostado. dakho fazia o tipo de quem amava (secretamente) demonstrações de afeto. “ah… é a hyena.” disse, no que se concentrou na panela que mexia no fogão por indução, agradecido por não precisar encarar sooah com tudo o que tinha pra falar. “lembra da irmã dela, a hyewon? aquela garota com quem eu saia” esperou uma resposta positiva, e logo prosseguiu: “ela teve uma filha…” disse, deixando que sooah juntasse os pontos ao escutar o seu silêncio. este que mesmo que nada fosse dito, demonstrava certa culpa, mesmo que sequer soubesse o motivo. “a hyena me xingou e eu fui acusado de ter deixado uma garota com uma filha minha sozinha por dois anos e meio. sendo que em todo esse tempo, eu nunca havia tido conhecimento algum sobre filha nenhuma.” riu, ainda achando tudo muito absurdo. “acho que eu finalmente tô pagando pelos meus pecados.”
“por enquanto, sim. mais fácil ir pedir pra minha irmã se apertar, mas é capaz da soohyun ir dar uma de fofoqueira pra cima da mãe.” adorava a irmã e se dava muito melhor com ela e o irmão que os pais, contudo, a mais velha poderia ser extremamente inconveniente quando lhe dava na telha. como se já não tivesse toda a afeição dos pais. “com seus avós? tá foda desse jeito?” franziu o cenho, estranhando o ponto em que aquilo estava chegando. adoraria ajudar o amigo com suas finanças, mas seria bem mais fácil acabar atrapalhando que ajudando de forma alguma. “meu filho? o que as suas irmãs tem a ver com o pato? eu continuo sendo meses mais velha que você.” retrucou, cruzando os braços em frente ao peito. “pois eu não tenho. e se você não me amasse, não me deixava ficar choramingando no seu sofá.” mandou no ar um beijo para dakho, abrindo um sorrisinho convencido. conhecia o yi bem demais para saber a genuinidade de sua amizade. “você me ama, isso sim!” falou em alto e bom som, para que ele a ouvisse da cozinha. tomou mais um gole de sua cerveja, se ergueu do sofá e se espreguiçou - da usual forma preguiçosa -, andando até a cozinha e se sentando no primeiro banquinho à sua vista. “e eu gosto mesmo, meu amor. mil vezes mais sofrer por mulher bonita que homem que nem banho toma.” não estava incluindo o amigo no quesito fedorento, obviamente, porém preferia deixar a fala sem este acréscimo e se divertir com sua reação. “meu deus, dakho. sua alma de golpista tá dando as caras à toda velocidade. consegue me imaginar num vestido de noiva, por acaso?” ergueu uma sobrancelha, encarando o mais alto com uma expressão de divertimento estampada em seu rosto. não se imaginava casando em momento algum no futuro, entretanto, era engraçado imaginar aquilo. “para de negar o meu amoooor. você é chato pra um senhor caralho, viu, dakho?” resmungou, fazendo uma careta para o amigo. felizmente, a intimidade de anos fazia com que em segundos já estivesse com sua expressão de sempre e já querendo rir da cara do yi. “hyena?” questionou, confusa. um aceno de cabeça foi utilizado em um primeiro momento como resposta à pergunta seguinte, precisando de alguns segundos para se lembrar da identidade da menina, mas conseguindo. estava prestes a fazer uma piada sobre como precisaria fazer uma planilha para se recordar dos casos alheios, quando as palavras que se seguiram atingiram em cheio seus ouvidos. se a garota teve uma filha... e o assunto envolvia seu amigo... puta merda, dakho era o pai?! “É O QUÊ?” sooah praticamente berrou a pergunta, assimilando aos poucos a informação recebida. “pelo amor de deus, agora o requisito pra ter filho é ser amigo da sooah? vou começar a cuidar todo mundo.” murmurou, lidando com as novas descobertas sobre dakho da forma de sempre: com humor. embora estivesse quase rindo de nervoso. “nossa, dak... como assim essa menina nunca te falou nada sobre a sua filha? e ainda teve a pachorra de mandar a irmã dela ir te atacar? porra, mas você não sabia. eu não entendo isso, de verdade. você... é... você já viu ela? no que deu? me explica direito, por favor.”
sohee:
“está doida? quer que eu engorde mais rápido?” protestou, vendo-a animada com a ideia de se entupir de sorvete. em dias normais, sohee provavelmente não protestaria, agora, todavia, se preocupava com muitos detalhes. o mal-estar sendo o maior deles aquela altura. “eu ainda não consigo comer tanta glicose sem vomitar, sooah. quer dizer, eu não consigo comer nada sem passar mal. mas espero que apareça com potes de sorvete quando eu estiver na fase de comer até os rebocos da parede.” sorriu, mesmo que não fosse nem um pouco divertido se imaginar dentro daquele cenário. por sorte, ainda tinha algum tempo até aquela fase. seria um problema para outra hora. “você deveria tirar um tempo para pensar.” murmurou, logo se afundando um pouco mais no estofado, encolhendo-se entre a coberta felpuda. “mas tem que ser sério. pensar de verdade, no que é o melhor pra você. parar de ver a vida com esse filtro sempre cômico com que você vê tudo.” dizia, firme. sabia que sooah não levava nada a sério, que tinha um lado irresponsável que acabava sendo problemático até para a sua própria construção. não via ela saindo de sua zona de conforto justamente por isso. e até pouco tempo sohee estaria sendo hipócrita por dar-lhe conselhos semelhantes. mas agora em que a sua vida havia saído inteira do eixo, era a pessoa ideal para dizer ‘comece a levar as coisas mais a sério ou acabará como eu’. “não, não vou ser a primeira pessoa a saber, vou ser a pessoa que vai te ajudar com isso. você precisa de alguém pra te incentivar, ou sabe que só serão promessas vazias do contrário.” fez sua nota mental, sohee tinha os próximos nove meses para dar um rumo na vida de sooah visto que a sua estava completamente perdida. “mas esses sites não aceitam esse tipo de cara. uma amiga da universidade conseguiu um velho rico que mora nos estados unidos. ela nem vê a cara dele, só recebe os presentes, e gasta uma hora ou duas de facetime.” deu de ombros, não lhe parecia um problema tão grande pra que não pudesse lidar. “seria um sonho, queria poder usar esse seu plano.” deu risada, se imaginando em um lugar bem longe, longe dos problemas. “não, não falei nada com ninguém ainda. eu estava evitando todo mundo enquanto esperava o resultado do exame.” deu de ombros, passando as mãos pelas têmporas. “precisava saber de quantos semanas estava, pra fazer os cálculos e finalmente sanar a dúvida. nunca pensei que fosse assinar o meu próprio certificado de piranha, mas parece que sou oficialmente uma.” riu, negando com a cabeça. “mas não importa quem é o verdadeiro pai. junho está agindo feito um, cuidando de mim como um. mesmo que não seja dele, será a partir de agora. só espero não estar prejudicando ainda mais a vida dele.”
“eu só quero te encher de mimos, isso sim.” usou a mão livre para apertar com o indicador e o polegar a bochecha alheia, a sacudindo levemente. “hm, entendi... pode apostar que aí sim eu vou te encher de todos os doces possíveis que você ama. e, hm, tem algo que te ajude a comer direitinho?” questionou, sem saber muito bem nem como colocar em palavras aquela dúvida. havia feito algumas pesquisas após descobrir a condição da amiga, porém, sooah ainda não tinha muita noção sobre como tudo funcionava. e era melhor perguntar para saber como se poderia pôr a postos e ajudar sohee. “você acha?” bom, era lógico que achava, ou não estaria lhe aconselhando sobre aquilo. aguardou a amiga finalizar sua linha de pensamento em silêncio e com certo constrangimento. era complicado realmente saber que não estava agindo da forma como deveria com sua vida, porém, não agir de nenhuma forma para mudar por estar afundada em sua zona de conforto e irresponsabilidade. mesmo que incomodasse um pouco escutar que pensamentos a kim tinha sobre sua situação, era justamente por saber que ela estava correta. e não era exatamente a primeira pessoa a lhe recomendar tais coisas, mas deveria ser a primeira, sem dúvidas, que a opinião tinha tanto peso para sooah. “é... talvez.” murmurou, levando outra colher de sorvete para a boca. “não sei, talvez eu possa usar esse recesso pra pensar mais nas coisas do curso e... não sei, quem sabe tentar conseguir um estágio pra ver se só me enfiei em mais uma furada universitária ou não.” ponderou, não tendo mesmo a melhor ideia de por onde começar. estava só chutando no que surgia em sua mente. “ser adulto é mesmo a maior merda que tem.” resmungou, odiando cada vez mais o fato de já ter vinte e quatro anos. era horrível saber como o tempo não parava e continuava estagnada onde estava na vida. “vou tentar de verdade fazer o que me diz, tá bom? eu sei que você só quer o meu melhor.” era genuíno o que falava, confiando na boa-vontade de sua amiga. era impressionante como sohee ainda tentava ajudá-la. “caralho? mas a sua amiga nasceu com quanto de sorte? pelo amor de deus, isso é basicamente o meu sonho de princesa. como que ela conseguiu entrar no site?” não planejava realmente fazer uma coisa dessas (por enquanto, ao menos), porém a sua curiosidade era grande o suficiente para teimar em perguntar mais. “ué, quem sabe a gente vá usar ele no futuro? nem que seja sumir por duas semanas.” embora não fosse tão radical a ideia de tirar umas férias quanto a de fugir para sempre, seria bom poder viajar com a amiga no futuro e esquecer um pouco de seus problemas. nem que fosse para uma cidade do interior. “é compreensível, amiga. e você tem todo o direito de levar o seu tempo com isso, tem todo estresse do mundo já. o cálculo te ajudou a sanar a dúvida?” indagou. “e você é a piranha que eu mais amo, oras. a própria rainha dos mares.” tentou brincar com a amiga, cutucando-a de leve no ombro. “o junho está sendo ótimo mesmo, huh? ainda não acredito que ele foi e fez tudo isso mesmo... o feijãozinho deu sorte.” sooah permanecia genuinamente surpresa com aquilo tudo, porém, de uma forma boa. gostava bastante de junho. “e, ei, é claro que você não está fazendo isso! foi ele quem se ofereceu, não? e não estaria fazendo algo grande e importante assim sem ter plena certeza.”
duck:
“claro que seria. as pessoas deveriam apreciar nós dois um pouco mais.” riu junto dela, assentindo em seguida. gostava de fazer com que os outros ficassem envergonhados e nervosos em sua presença, apesar de, num geral, ser uma pessoa tranquila; duck não era ameaçador, não tinha estatura ou dinheiro para tal. sua única forma de poder era aquela, e talvez por isso gostasse tanto de fazer tudo aquilo. “eu estou ansioso para acontecer de novo, porque estou louco para fazer os outros passarem vergonha mais uma vez. é quase como se fosse natal para mim.” brincou, com um baixo riso. não, era melhor que natal. a época do ano era um tanto solitária para o tailandês, e por isso qualquer coisa parecia melhor. especialmente se fosse algo que verdadeiramente o fizesse bem. “reencontre ele e pergunte isso. vai ser maravilhoso, e eu vou querer saber tudo depois.” era exatamente por isso que gostava tanto de sua amizade com sooah. ambos eram descarados e sem vergonha, se divertiam da mesma forma com a timidez alheia. não podia pedir nada mais do que aquilo em uma amizade. “podemos ir em algum lugar que tenha comida mesmo. sempre bom, porque não quero ter que segurar seu cabelo para você vomitar depois.” provocou, cutucando as costelas da mulher em seguida. “podemos ir.” concordou, ajeitando as próprias roupas para que pudessem ir para qualquer um que fosse o destino dos dois. “só não quero acordar na calçada de novo.”
“nós providenciamos entretenimento gratuito ainda, deveríamos começar a cobrar.” a cha propôs em brincadeira, embora realmente seria ótimo poder ganhar dinheiro, pagar suas contas, manter a vida, somente por meio de sua personalidade. quem sabe não devesse investir em um futuro como comediante um dia. “você gosta mesmo de bancar o anticristo pros outros, uh. não que eu esteja julgando, claro. depois das festas de final de ano, se ainda estiver todo mundo aqui, talvez inventem alguma coisa. pra compensar a porcaria que o natal vai ser.” pelo menos, não seria necessário passar com sua família, como não tinha o dinheiro para ir na viagem de jeju. só era cansativo inventar desculpas para não afirmar que estava sem o dinheiro necessário, para os pais não pegarem ainda mais em seu pé. “pode considerar nossa missão como oficializada, meu amigo.” piscou para duck, ajeitando a alça da bolsa vermelha em seu ombro e a abrindo para pegar a chave de casa. como sempre acabava perdendo o chaveiro em locais da casa totalmente aleatórios, estava investindo no hábito de deixá-lo dentro de sua bolsa favorita. “ei!” exclamou, apoiando ambas as mãos na cintura. “tá de palhaçada comigo? você vai, sem dúvida nenhuma, segurar meu cabelo se eu acabar vomitando. mas como vou na sohee amanhã de manhã, não pretendo ficar com uma ressaca forte nem nada.” não era lá como se fosse a missão mais difícil de todas, no fim das contas. “por que? não tem nada mais emocionante na vida que acordar com um cachorro lambendo a sua cara.” debochou, suas palavras sendo acompanhadas por um sorrisinho. abriu a porta do apartamento e indicou para o amigo sair primeiro, para poder trancar em seguida. “os lordes primeiro.”
chaesun:
“eu não acredito que você se prestou a esse papel.” acabou rindo, acompanhando com entusiasmo as memórias que a amiga compartilhava consigo. aquela era seu jeito favorito de passar suas noite ociosas: tinha um filme aleatório rodando na tv que nenhum dos dois preocupava-se em prestar atenção, e há pouco, havia mudado de posição para deitar a cabeça no colo de sooah, para ficar mais perto e facilitar a tarefa de acompanhar a saga das fotos deletadas. “então é inútil. pode deixar isso pra lá. tem tik toks de filhotinhos? isso sim é importante.” pontuou, com um meio sorriso. “ah, aquilo ‘tá lá ainda? é da addy, mas pode comer. eu reponho pra ela depois, a gente tá mesmo preciando mesmo ir no mercado.” levantara-se do colo da amiga, para que ela pudesse ir até a cozinha apanhar o petisco. “aproveita que vai pra lá e traz uma cerveja pra mim, meu amor? tá na parte debaixo da geladeira. obrigado.”
“e eu não acredito como você ousa ainda ficar surpreso com isso. achei que já sabia que eu sou o maior entretenimento da sua vida, sun.” cutucou o amigo com o cotovelo, de forma infantil o mostrando a língua em seguida. na opinião de sooah, esse era exatamente aquele tipo de atividade que se poderia olhar e, na hora, pensar que era uma coisa que ela poderia fazer de olhos fechados e sem necessitar da insistência de ninguém. “é óbvio que eu tenho. não sei se você conhece a trend de colocar vídeos antigos e atuais do cachorrinho, e aquela que diz o “i just wanna be... aprecciated”, mas eu salvo praticamente todos os vídes delas que eu encontro. quem não tem cão, ajeita um jeito de sofrer pelo dos outros.” o suspiro em alto e bom som que deixou os lábios da cha era dramático, para dizer o mínimo. porém, reconhecia ter uma capacidade negativa para ter um animal permanente da forma como sua vida andava. pelo presente, seu único contato constante com um teria que continuar sendo dexter. “hm. sabe que a última coisa que eu faço é desfeita pra comida livre, então vou pegar. mas já aviso: se a sua amiga ficar com raiva de mim, vou botar a culpa toda em você.” deixou claro, ajeitando o rabo de cavalo e se erguendo de onde estava para ir atrás do salgadinho. “credo, como você é folgado, chaesun. por isso que tá encalhdo desse jeito.” resmungou, exagerada para uma coisa pequena, mas poderia culpar a intimidade como motivadora disso. colocou o pacote sob o braço e foi até a geladeira, a abrindo e pegando a cerveja requisitada e uma lata de coca-cola. a pouca-vergonha que tinha era praticamente inexistente nessas horas. “meu malabarismo para trazer tudo deu certo, amém. quer mais alguma coisa? porque eu não vou levantar mais.” avisou, entregando a garrafa para ele ao voltar para onde estavam antes.
chao:
assim que sooah falara que tinha uma emergência, chao se prontificou a ir encontrá-la o mais rápido possível. poderia ser visto como festeiro, irresponsável e diversas outras coisas, mas prezava pelo bem estar dos amigos mais do que qualquer coisa. por isso, encarou a menina por alguns momentos, negando com a cabeça em seguida. “eu sou uma piada para você, né? eu achei que você tinha se machucado!” reclamou, continuando a negar por alguns segundos. mesmo assim, ouviu o que ela tinha a dizer. “você para! eu não sou tão heterotop assim, pelo amor de deus.” revirou os olhos, antes de assentir. já estava ali mesmo e não tinha compromissos durante a tarde. chegava a ser incômodo ter uma rotina tão tranquila, em contraste com a que vivia anos atrás, quando ainda jogava. “eu te ajudo, tudo bem. livraria? se eles gostam de ler, parece uma boa. e o meu presente? o que você vai me dar?” esgueirou os olhos, como se demandasse que fosse algo especial, por mais que não se importasse verdadeiramente com aquilo. “você que manda, eu só vou te acompanhar mesmo. não é como se eu estivesse comprando algo hoje.”
o semblante feminino transformou-se em uma careta, esta acompanhada de um revirar de olhos ao olhar para chao. “bom, foi você quem disse, e não eu. não pode me culpar se quem fala que é uma piada é você.” ergueu as mãos para acima dos ombros, como se retirasse toda sua culpa das próprias costas quanto a aquilo. não deveria mesmo ter falado de forma tã exagerada com o outro, contudo, era parte de sua personalidade extremamente questionável fazê-lo. quem sabe, uma hora chao aprendesse a não levá-la tão a sério. “aham... só tá faltando postar foto na academia dizendo que a de hoje tá paga, meu amor. e por acaso tem algum argumento contra a minha acusação?” arqueou as sobrancelhas, o encarando com a seriedade de quem estava realmente fazendo parte de um interrogatório. “isso! eu quero comprar uns livros que estavam nas listas deles na amazon, que aí já me facilita. porque a única coisa que li... uh, pelos últimos dois anos, foram livros de fantasia. e, por mais que eu ame six of crows, se eu der isso pros meus amigos que amam romance água com açúcar ou de true crime, fica mais fácil de eles tacarem o livro na minha cabeça.” mais uma vez a cha revirava os olhos. a noção de que existiam pessoas que não sabiam apreciar um gênero literário tão singular, fazia a cha quase se revirar de desgosto. “e eu não vou te contar do seu presente! se eu não sei os dos outros pra mim, eles não sabem os meus pra eles, essa é a regra.” possuía um código de honra bem rigoroso com essas coisas, por mais “bobo” que pudesse parecer aos outros. “eu adorei estar no comando da nossa saída de hoje, vou aproveitar direitinho. mas, huh, por acaso já comprou todos os seus? que adiantado.”
yoengjae:
não conseguiu impedir que uma risada alta escapasse por seus lábios ao ouvir o tom de repreensão da amiga e ergueu seu tronco, sentando-se e inclinando o corpo na direção de onde ela estava “ele tá acostumado, mas, precisa de um limite ou ele vai querer mandar em tudo por aqui. mais do que já manda” esticou um de seus braços para fazer carinho no felino e, como não conseguiu o alcançar de onde estava, desceu do sofá, sentando-se no chão “olha pro jeito dele e me diz se ele já não tem uma cara de mimado” completou, brincando com o pelo branco do animal. permaneceu ali por alguns instantes, mas, logo em seguida reclinou suas costas, escorando-as no sofá “eu sei, eu sei, sou uma pessoa horrível” acompanhou-a na dramatização “mas, prometo compensar pagando as comidas da sessão” propôs, já tendo a certeza de que a mais nova aceitaria o acordo, “não posso prometer nada por que não sei se vão me liberar pra fazer qualquer coisa que não seja ficar em volta do pessoal, mas, posso tentar se eu escolher o filme” por mais que gostasse de passar as festas de final do ano junto de sua mãe, yoengjae normalmente se cansava após essas pois acabava se envolvendo em todos os detalhes das comemorações e, por esse motivo, não poderia prometer à amiga que conseguiria fazer uma sessão de filmes à distância “não exagera nesses ruins, por favor” pediu, mesmo imaginando que sua súplica não seria ouvida. “ele é uma peste” insistiu, sorrindo ao ver o mascote se acomodar em seu colo, “uma peste maravilhosa, mas, uma peste” afagou os pelos do felino mais uma vez “valeu, eu deixo uma cópia da chave daqui contigo. normalmente ele fica de boa em lugares novos, mas, de vez em quando pode ficar meio ranzinza por que gosta do espaço dele” por mais dócil que fosse, dexter tinha momentos em que se mostrava extremamente temperamental e, por isso, o hak preferia que ele tivesse como opção ficar em seu território “ele tem uns brinquedos que não consegue ficar sem também, tipo aquele dinossauro azul irritante” apontou para o pequeno brinquedo de borracha que estava a alguns metros de onde estava “boto todas as coisas dele numa mochila pra você.”
na opinião de sooah, dexter estava certíssimo em mandar na casa, isso sim. adorava o gato do amigo como se fosse seu (e, na verdade, gostava de pensar que era metade seu) e não dava a menor bola para os comentários alheios de como não deveria mimá-lo tanto, afinal, ele merecia. merecia muito. “ele tem cara de quem sabe o que merece, isso sim. você não deveria ficar chateando ele tanto, vai dar estresse pro bichinho. deixa ele ser feliz.” resmungou, apenas dando de ombros e indo até o sofá para se atirar ao lado de jae. suas pernas doíam pelo tempo agachada com o bichinho, merecia tirar um descanso. “hm, aí sim estamos conversando. eu estava bem pensando na gente fazer um pequeno banquete de porcarias e pizza pra essa sessão, bom ouvir isso. sua amiga quebrada agradece.” fez um coração com as mãos para yoengjae, sorrindo para ele. gostava de levar bastante comida para suas sessões de cinema, e não via o menor problema nisso. “às vezes você merece direitos, jaezinho.” a afirmação não tardou a ser acompanhada de uma piscadela, conforme tentava não rir mais. “ah, mas aí eu já não posso prometer nada, você merece. é sua penalidade. e alguns são tão ruins que até ficam bons por isso, ok, respeita eles. vai ser uma experiência única.” certamente que cha não iria poupar o amigo, estava até com planos de colocar metade filmes bons, e metade filmes que o fariam querer sair correndo de sua casa e nunca mais falar com ela. o ‘evento’ não teria a mesma graça sem essa parte, era engraçado sentir vergonha alheia. “peste é a sua cara, hak. não me vem de palhaçada não.” resmungou, pronta para defender dexter com unhas e dentes se necessário. até mesmo de seu dono. “hmm, tudo bem. a sua internet anda melhor que lá em casa mesmo, vai ser uma situação de win-win pra gente. prometo que reponho tudo o que eu, talvez, somente talvez, pegar da sua geladeira.” não era nenhum sacrifício ficar pelo apartamento do mais velho com o felino quando necessário, e ainda tinha um ótimo restaurante de comida chinesa na volta da qual poderia pedir uma entrega. só enxergava vantagens. voltou o olhar na direção que o outro indicava e sorriu ao ver o brinquedinho, entendendo o porquê de dexter gostar dele. “qual é, esse brinquedinho é fofo demais. vou ser obrigada a tirar trinta e oito fotos a cada minuto deles dois juntos.” sua galeria certamente seria a responsável por sua falta de memória até o rapaz voltar de viagem. o rosto da cha se iluminou ao ouvir sobre os brinquedos do gato serem colocados em uma mochila, pois, embora seu lado racional (que, de vez em quando, aparecia) lhe dissesse que ele apenas colocaria numa mochila desocupada, o lado emocionado e completamente apaixonado pelo gato só conseguia pensar numa coisa. “ai; meu. deus. O DEXTER TEM UMA MOCHILA?”