Algumas vezes, isso apenas vem e a gente não sabe de onde. O coração acelera, dá vontade de chorar, uma angústia indescritível. Eu sinto o cheiro de longe, como quando esta prestes a cair aquela forte chuva, bem no meio do verão e o cheiro de terra molhada aparece antes das primeiras gotas.
Eu sinto o desespero nas minhas veias, mas dessa vez eu não sei o porque. Não reconheço o gatilho ou o que me levou a isso.
De repente, uma notificação. Não é bizarro que alguém te tire do eixo dessa forma?
Estou sorrindo e perdi meus pensamentos de vista. Hoje, mais do que nunca, eu sinto que o amo. Que ele foi uma sorte na minha vida e que eu precisava abraçá-lo. Parte de mim é racional o bastante para reconhecer que tudo que estou vivendo, intensifica cada sentimento e que eu vou ficar bem. A outra parte, quer sair correndo e fazer o que for preciso para que tudo volte ao "normal". Mas o normal é tão relativo. Hoje, o meu normal é outro. Será que eu ainda me encaixo no "normal" das pessoas que deixei? Será que, no normal de suas vidas, ainda existe um espaço para mim? Será que na vida dele, existe um lugar que é só meu? Será que o normal dele, é sentir minha falta? Ou já não importa mais?
Ele me conheceu no meu melhor momento. Eu nunca soube o que era viver dia após dia e aproveitar cada dia como único, mas quando ele me conheceu, eu estava assim. Eu vivia a vida e eu extraía dela tudo o que ela tinha para mim. Eu estava tão feliz, meu riso era tão natural. Ele me conheceu quando eu não precisava conhecer ninguém, ou pelo menos eu achava. Senti que ele acrescentou algo, mas hoje, sem ele, eu sinto que estou incompleta. O que mudou? E novamente, a minha parte racional me puxa e fala: respira! É uma mistura de sentimentos. Mas sou levada ao dia em que isso aconteceu e eu estava em seus braços. Eu me senti tão envergonhada por estar com a respiração descompassada, chorando sem parar, quando eu só queria ser leve para ele. Mas ali, naquele momento, eu tinha tantos medos. E ele estava me segurando. Eu me senti ridícula, mas ele segurou minha mão e ficou respirando fundo comigo, várias e várias e várias vezes. Ele me levou até o terraço de sua casa, a gente assistiu a uma linda e imensa lua, falamos sobre infância, planos, passado e futuro e em como sempre estivemos perto, então, por que só agora? Falamos sobre tudo. Naquele dia, eu percebi que ele também tinha falhas, embora não fosse o suficiente para eu me importar. Naquele dia, meu coração gritava. Eu queria tanto não perder você de vista, menino. Naquele dia, eu o olhava e meu coração se acalmava. Ele sorria com os seus lindos e alinhados dentes e os olhos acompanhavam. Naquele dia, a gente fez amor de uma forma suja. É porque com ele, dava pra juntar uma boa foda com uma troca de olhares que trazia tanto sentimento a tona. E puta que pariu, eu não vou me esquecer daquilo. Do perigo, do medo de sermos pegos e de ele implorando para que eu desse a ele aquilo que ele queria. Ele me tirou de um extremo e me levou a outro. E esse texto supostamente, deveria ser sobre mim, mas virou algo sobre ele. Porque especialmente hoje, eu queria que ele estivesse aqui.
Eu lembro de ter dito diversas vezes que eu não era sensível. Mas a verdade é que eu sou, sou extremamente sensível e em pouco tempo ele me mostrou que queria me cuidar, com todo o seu carinho. E agora, porra, eu só precisava disso agora. Milhares de pensamentos, situações, pessoas, circunstâncias e escolhas passam pela minha mente. Mal consigo respirar ou enxergar o que escrevo, porque começo a chorar pensando em tudo. Mas ainda assim, no fim, eu queria abraça-lo e isso me assusta.
- This was supposed to be the last one for Charlie.














