Viver à margem traz uma vontade acrescida de pertencer a este mundo. Saber que está restrito a quem o sente, é muito bom! Quem está do outro lado do vidro, vai observando boquiaberto à forma como os vândalos seguem, lutam e defendem um símbolo, movidos pelo álcool em busca de arruaça. Apoiam o seu clube? Não, usam-no como meio para aniquilarem os seus rivais. Esperemos que nenhum jornalista, comentador ou qualquer outro pertencente ao outro lado do vidro leia este texto, pois, possivelmente, terá uns bons títulos para lançar mais uma crítica e, invariavelmente, terminar com a célebre frase: “acabem com as claques”. Acabarem connosco? Lamento, ao contrário de outros maus acomodados, nós, os marginais, estamos acomodados em relação à opinião pública. Se é mau? Não, como referido em cima, restringe este mundo a quem o entende e, obviamente, proporciona-nos umas valentes gargalhadas em cada crónica que lançam contra a marginalidade. Futebol é sinónimo de violência e é necessário impedirmos as famílias de irem à bola às 21h de uma Segunda-Feira, com bilhetes superiores a 10 euros. Esta é a verdadeira violência no futebol. Sim, ainda lhe chamo futebol, mas há quem opte por negócio. Por sermos dos poucos que ainda defendem os alicerces em que nasceu o futebol, querem acabar connosco. O futebol é uma festa do povo, nossa, os marginais. Nós, mais uma vez, os marginais, não vamos acabar e, nem as multas sobre aqueles objetos de extermínio em massa, de nome armas ilegais ou, para os de costume, pirotecnia, nos impedirão de continuar. Nós, de novo, os marginais, orgulha-mo-nos do que somos, do que vivemos e do que defendemos. Se somos violentos? Não, não somos. Se o seríamos para defender aqueles em que acreditamos? Sem dúvida! Daríamos a vida por eles, assim como eles dariam por nós. Se isso nos torna marginais, que seja, orgulha-mo-nos dos valores que defendemos. Não compreendem, não importa, não temos o intuito de agradar a sociedade. No fim, a verdadeira recompensa será uma fila de cerveja em frente de um grupo de rapazes, orgulhosos da sua vitória. Em seguida, 90 minutos de fidelidade. A ganhar, a perder, faça chuva, faça sol, sempre em pé, rosto tapado, tocha na mão, cantando por um ideal, o nosso amor. Se isto é ser normal? Que não seja, é a nossa vida!













