Olá, futuro residente do Instituto Valentinov!
Está pronto para assinar seu nome no pergaminho selado e cruzar os portões de ferro forjado? Abaixo estão os caminhos marcados para sua iniciação. Siga com atenção, a floresta não perdoa os distraídos.
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🕯️ TIMELINE:
Funus Magistri – funeral de Volkov.
I: Bacchanalia – flashback de 2023.
II: O Julgamento - inicio das investigações.
RP ENCERRADO.
Créditos dos templates de eventos, fichas e promos: kingofwesteros.
17 de março de 2025, três dias após o funeral de Volkov.
O Instituto Valentinov amanheceu sob um céu cinzento, como se até o clima se recusasse a ignorar a gravidade do que estava por vir. A notícia da chegada da polícia se espalhou como pólvora. Em questão de minutos, os alunos foram orientados a permanecerem em seus dormitórios. Os únicos convocados eram dez. Os Dez.
TW: violência
Vox foi o primeiro chamado.
Sentado de frente para dois investigadores, um homem corpulento e careca e uma mulher de expressão dura, manteve o queixo erguido, os olhos frios.
"Volkov era meu mentor. E um ótimo professor, não tem ninguém aqui que não ficou extremamente triste com a morte dele."
Questionaram onde ele esteve na noite da morte. Vox respondeu com firmeza, nomeando corredores, detalhes, datas. Eles anotavam.
Dente-de-Leão foi o próximo. A luz branca da sala de interrogatório refletia nos seus cabelos. Sentou-se, tentando não transparecer o quão inquieto estava.
"Volkov me tratava como tratava todos: com dedicação de um mestre. E eu o tratava como qualquer aluno, com admiração."
Anátema, de cabelos presos num coque baixo e rosto impecável, respondeu tudo com voz calma, porém distante. Disse não saber de desavenças, disse que todos respeitavam Volkov.
Noiva manteve as mãos juntas no colo durante todo o interrogatório. Seu olhar era duro como vidro.
"Volkov era um homem incrível e não merecia o que aconteceu, quem fez isso com um professor tão querido, além de um mostro, tirou tudo que nos mais amávamos."
Sombra falou pouco, com voz baixa, as mãos nos bolsos do sobretudo.
"Não tenho inimigos aqui. Nem Volkov, que eu saiba."
Eremita foi direto ao ponto.
"Volkov sabia demais sobre cada um de nós, ele era um ótimo professor, atento e caridoso."
Oráculo respondeu com perguntas, como de costume, sem testar a paciência dos investigadores.
"Latim, era a aula favorita de Volkov. Foi assim que conheci ele, o professor ensinava como ninguém.''
Thorn encarava tudo como se fosse um jogo de xadrez. Suas respostas eram calculadas, mas não falsas.
Ágata manteve uma postura rígida, quase militar. Negou veementemente qualquer problema com Volkov e garantiu que estavam todos em choque.
Por fim, chamaram Espelho.
O relógio marcava quase três da tarde quando ele atravessou o corredor de piso frio, sentindo cada passo ecoar como uma acusação. Diferente dos outros, que haviam entrado apressados, hesitantes, ou confiantes demais, Espelho adentrou a sala com uma lentidão estudada, o rosto calmo demais para a ocasião. Sentou-se com precisão, ajeitou o colarinho da camisa com gestos meticulosos, cruzou as pernas com elegância e inclinou-se levemente para trás na cadeira. Como se aquilo tudo não fosse digno de sua atenção. Mas, por trás dos óculos finos, seus olhos denunciavam cansaço. Ou algo mais próximo de tédio.
"Você era próximo de Volkov?'' Perguntou o primeiro detetive.
Espelho sorriu com a lateral da boca. "Tão próximo quanto qualquer um podia ser. Volkov não era exatamente o tipo de homem que abria portas com facilidade."
"Mas ele confiava em você?"
"Depende do que você chama de confiança."
"Então havia tensão entre vocês?" Insistiu a investigadora, de olhar desconfiado.
"Claro que havia." Ele respondeu com um dar de ombros preguiçoso. "Como entre qualquer professor e aluno brilhante."
"Brilhante?" O investigador arqueou uma sobrancelha. "Você se considera brilhante?"
''Só estou dizendo que Volkov gostava de provocar, sabe? Pra gente se desenvolver, coisa de professor."
Os dois policiais trocaram um olhar rápido. Começaram a acelerar, fazendo pergunta firmes, constantes e uma atrás da outra. Para Espelho, parecia horas de questionamento.
"Você discutiu com ele recentemente?"
"Várias vezes, politica, latim, filosofia, no clube de debates."
"O que vocês falavam no clube de debates?"
"Projetos, ideias, visão… Nada que interessaria vocês sem um bom conhecimento de História da Arte, Filosofia e talvez um pouco de Teoria Política."
A investigadora mais jovem apoiou os braços na mesa e se inclinou para frente, sem esconder o tom incisivo.
"Olha, garoto, a gente já conversou com todos os outros. Sabemos que vocês eram um grupo unido, que tinham seus próprios segredos. Se souber de algo, é melhor contar agora."
Espelho manteve o rosto impassível por um segundo… depois sorriu. Um sorriso tenso, que não chegou aos olhos.
"Se vocês realmente querem entender Volkov… deviam falar com a Liliya."
Os dois policiais se entreolharam, atentos.
"O que você quer dizer com isso?"
"Quero dizer que se existe alguém que entendia o velho melhor do que ele próprio, era ela. Liliya sempre foi… próxima. Se há respostas, estão com ela."
O silêncio que se seguiu foi pesado.
"Você está sugerindo que ela tenha algo a ver com o que aconteceu?"
Espelho hesitou, e esse detalhe foi imperceptível apenas para quem não o conhecia bem. Seus ombros se retesaram, os dedos se entrelaçaram no colo.
"Não. Só estou dizendo que ela era próxima. Mais do que qualquer um de nós. Eu a admiro. Ela era uma excelente aluna. É uma excelente aluna."
"Você disse era..."
"Um erro de conjugação verbal, senhor."
Os investigadores se entreolharam mais uma vez, silenciosamente analisando se valia a pena pressioná-lo mais. Mas Espelho já havia se fechado de novo, como uma porta que range ao abrir e depois tranca com estalos metálicos. Voltou à postura relaxada, quase debochada. Fingiu desinteresse, mas o leve tremor na perna cruzada denunciava incômodo.
Os policiais avisaram que tinham terminado por hoje e Espelho já estava quase alcançando a maçaneta quando hesitou. Algo em seus olhos se moveu como um mecanismo antigo forçado a funcionar. Virou-se lentamente, e com uma entonação que fingia desinteresse, disse:
"Ah. Quase esqueci. Vi Grigori com o professor naquele dia."
O silêncio foi imediato.
Os policiais se entreolharam, alertas.
"O que exatamente você viu?" Perguntou o homem mais novo, já puxando o bloco de anotações novamente.
"Os dois estavam conversando perto da entrada leste, perto do velho jardim. Nada incomum. Talvez tenham discutido. Ou não. Não fiquei o tempo suficiente pra ouvir. Mas é a única coisa diferente que me lembro daquele dia." Espelho deu de ombros, com falsa casualidade.
Eles pararam, analisando o jovem por alguns segundos a mais, e então devagar, disseram.
"Pode ir."
Espelho saiu antes que pudesse se contradizer mais.
O corredor do Instituto parecia mais silencioso do que de costume. A luz filtrava-se pelas janelas antigas, recortando sombras longas no piso de madeira. Ao virar a curva próxima à escada de mármore, viu Dente-de-Leão, encostado na parede, mexendo no isqueiro antigo que sempre carregava no bolso.
Assim que Espelho se aproximou, Dente-de-Leão ergueu os olhos.
"Demorou."
Espelho parou diante dele, os ombros curvando levemente, como se a atmosfera inteira do prédio estivesse pesando sobre si.
"Falei merda."
Dente-de-Leão estreitou os olhos.
"O quê?"
"Falei da Liliya… Quer dizer, insinuei. Eles estavam me pressionando, eu tentei me livrar, acabei dizendo que ela era próxima demais do Volkov. Depois tentei consertar dizendo que ela era só uma aluna exemplar, mas… eles me olharam daquele jeito. Você sabe."
"Merda, Espelho…"
"Eu sei. E pra piorar, joguei teu nome na roda também. Disse que vi você com o professor no dia."
Dente-de-Leão expirou pelo nariz, rangendo os dentes, mas sua voz saiu mais calma do que esperavam.
"Respira. Cê fez o que achou que precisava pra se proteger. Eu teria feito pior se tivesse entrado lá com a cabeça girando. Vamos resolver isso. Ninguém entregou ninguém…"
Espelho assentiu, visivelmente abalado, disse.
''Não contra pra ninguém sobre isso, eu vou falar com o babaca do Vox e pedir uma reunião.''
Nesse momento, a porta da sala de interrogatório se abriu novamente. Um dos policiais apareceu e disse em voz alta:
"Liliya. Por favor, mais uma vez."
O som do nome percorreu o corredor como uma corrente de vento frio.
Dente-de-Leão e Espelho trocaram um último olhar. Nenhum disse nada.
Liliya surgiu do final do corredor, passos precisos, os cabelos presos com uma fita azul-marinho. Ela não perguntou o motivo do novo chamado. Apenas entrou, e sentou-se novamente diante dos investigadores.
"Mais alguma coisa que lembrou?"
"Não." Respondeu Anátema com firmeza. "Como disse antes: não sei de nada sobre a morte do professor. Tínhamos uma relação respeitosa, acadêmica. Ele exigia muito de nós, e isso causava atrito, mas… eu nunca o odiei. Nem tive razões para desejar-lhe mal."
"Você sabe se alguém aqui tinha?"
"Não."
"Tem certeza?"
"Tenho."
Eles não a liberaram imediatamente dessa vez. Ficaram em silêncio por um tempo, apenas observando. Depois, fizeram mais duas ou três perguntas que já haviam sido feitas anteriormente. Liliya respondeu todas com a mesma clareza, os olhos tão fixos que chegavam a incomodar.
Ao final, foi liberada.
Ela saiu sem olhar para ninguém.
19 de março de 2025.
O Instituto Valentinov parecia manter sua rotina habitual, jantares silenciosos no refeitório, corredores ecoando sapatos polidos, aulas dadas com precisão clínica por professores que evitavam comentar sobre a morte de Volkov. Mas algo pairava. Algo denso. As investigações continuavam, discretamente. Os rumores aumentavam nos bastidores. E os olhares se tornavam mais desconfiados, até entre os dez. Então, numa noite chuvosa de quarta-feira, chegou o aviso.
Vox os chamou.
A mensagem não vinha com muitos detalhes. Apenas a hora, e o lugar.
Estufa abandonada. 22h. Hoje.
Um por um, eles foram surgindo, atravessando o jardim tomado por ervas e mato úmido. A estufa ficava na ala mais antiga do Instituto, atrás do prédio de biologia, onde ninguém ia há anos. Era um lugar esquecido pelo tempo, com vidros quebrados e cipós cobrindo a entrada.
A primeira a chegar foi Noiva, com o guarda-chuva escuro e a postura impecável, observando tudo com olhos que não pareciam ter pressa. Logo depois veio Eremita, a gola alta levantada até o queixo, passos silenciosos, quase parte da chuva. Sombra apareceu como se já estivesse ali antes de todos. Dente-de-Leão chegou encharcado, sem casaco, os cabelos grudados na testa, as mãos no bolso.
Anátema não disse nada quando passou pela porta enferrujada, apenas entrou e se posicionou em um dos bancos velhos. Thorn veio junto com Espelho — o primeiro com o cenho franzido, o segundo com o rosto pálido, os olhos escondidos sob os cabelos. Oráculo se aproximou pela lateral do jardim, encapuzada, os dedos apertando um caderno velho. Ágata chegou quase por último, com a expressão visivelmente preocupada, as mãos trêmulas.
E então, como se a noite o aguardasse, Vox apareceu.
O silêncio na estufa era espesso como névoa. Nenhum deles ousava falar antes de Vox. Havia algo na maneira como ele os observava como se avaliasse os estragos antes mesmo que fossem confessados.
Vox cruzou os braços, recostado na parede de vidro coberta de heras, e então falou.
"Espelho, você pediu essa reunião. Fala logo, não temos tempo."
O rapaz hesitou por um instante. Estava com a gola do casaco meio caída, como se tivesse sido puxada, e os olhos semicerrados pelo cansaço de noites mal dormidas. Encarou cada um deles, como se esperasse encontrar em algum olhar a resposta certa.
“Eu… na sala dos policiais…” Ele pigarreou, engolindo em seco. “Falei que a Liliya era próxima do Volkov. Eles estavam me pressionando. Eu queria sair de lá. E… saiu. Não do jeito certo, eu sei.”
Liliya, a Anátema, o olhou de imediato. Mas não disse nada.
Espelho então virou-se para o Dente-de-Leão, que o encarava com a mandíbula travada.
“Também falei que vi Grigori com o professor no dia em que ele morreu.”
A tensão explodiu no ar como um relâmpago, todos, exceto Thorn pareciam querer matar Espelho.
“O quê?” A voz de Vox cortou o espaço entre eles como uma lâmina. “Você entregou os dois pra polícia?”
“Eu não entreguei ninguém!” Espelho elevou o tom, as palavras afiadas. “Eles iam cavar de qualquer forma. Eu só tentei me proteger.”
“Se proteger?'' Vox se afastou da parede, os olhos flamejando. “A que custo, Espelho? Você colocou dois de nós na linha de fogo. Entregou a Liliya que é como uma irmã para nós e o Grigori, que nunca faria isso com você.”
“Eu me arrependi no mesmo segundo em que falei!” Espelho rebateu, irritado.
“Arrependido ou não, você traiu a gente.” Vox não gritava. A frieza era mais cortante que um berro. “Traiu ela.” Ele apontou para Anátema. “Que sempre foi leal. E traiu o Dente-de-Leão, que… porra, Espelho!”
“Olha quem fala em lealdade.” Disse Thorn, saindo da sombra com um passo à frente. “Sr. Imaculado. Como se você nunca tivesse cometido um erro na vida.”
Vox girou o rosto em sua direção.
“Quer mesmo entrar nessa agora, Thorn?”
“Se for pra ouvir você esculachar o Espelho como se ele fosse um inimigo, sim. Vai ter que passar por cima de mim antes.”
A tensão subiu como vapor fervente.
Vox deu um passo adiante.
Thorn também.
“Ótimo.” Vox disse, com os punhos cerrados. “Talvez seja hora mesmo.”
“Chega.” A voz de Eremita soou firme, grave, entre eles. Ele deu um passo e se posicionou no meio dos dois. “Thorn, se quiser encostar nele, vai ter que passar por mim.”
“Vocês são ridículos.” Sombra murmurou, se afastando um pouco, como se a cena fosse patética demais para aturar.
Thorn olhou para Eremita, os olhos cheios de fúria e mágoa. “Você vai mesmo proteger o grande líderzinho? Acha mesmo que ele nunca errou?”
“Ele já errou sim. Mas ele nunca jogou um dos nossos pros lobos pra salvar a própria pele.” Eremita olhou para Espelho. “Ele nunca fez isso.”
Oráculo se aproximou rapidamente, levantando as mãos. “Chega! Estamos fazendo exatamente o que eles querem. Desunidos, histéricos. Isso não vai levar a nada.”
Mas o dano já estava feito. Todos começaram a falar ao mesmo tempo. Acusações voaram como estilhaços.
“Você sempre protege o Espelho como se ele fosse um bebê—” Disse Eremita.
“Pelo menos ele não manipula todo mundo por trás como o Vox!” Respondeu Thorn.
“Ele devia ser expulso da sociedade por isso.” Sibilou Sombra.
“Fica do lado dele agora, e amanhã é você que ele entrega!” Gritou, Ágata para Thorn.
Espelho ainda estava de pé, com o rosto semi-iluminado pelas lâmpadas velhas da estufa, agora parcialmente cobertas por musgo.
"Então você simplesmente… entregou ela e o Dente-de-Leão." Disse Oráculo, com os braços cruzados e a expressão dura. "Você sabe o que isso pode causar? O que já causou?"
"Você pensou em alguém além de você naquela hora?" Completou Sombra, com o olhar carregado de julgamento.
"Ou você só falou porque se cagou de medo e resolveu empurrar os outros na frente?" Acrescentou Ágata, que raramente falava com tanta frieza como aquela.
Espelho os encarava, sem forças para rebater. Apenas Thorn se aproximou, passos firmes e expressão inflexível.
"Já chega." Disse, se colocando entre Espelho e o restante. "Ele errou, sim, mas vocês agiriam muito diferente? Quando estão cercados, pressionados? Ele é meu amigo. Eu conheço ele. Ele não fez isso porque quis ferrar com ninguém."
Mas ninguém parecia disposto a ouvir mais desculpas. Foi então que Espelho soltou, mais fraco agora.
“Eu realmente vi o Dente-de-Leão com Volkov naquela noite.” Ele podia ter mentido sobre Anatema mas não tinha mentido sobre Grigori. O silêncio que se seguiu foi mais pesado que o anterior. Anátema respirou fundo, os olhos buscando os de Dente-de-Leão.
“É verdade.” Ela disse. “Eu vi também. E… o Volkov falou algo sobre o Vox naquela noite. Você devia contar.” Sibilou, era claro o incomodo da garota, afinal, Dente de Leão, ao contrario dos outros, parecia mais concentrado em se defender.
Todos se viraram para ele. Mas, ao invés de responder, Dente-de-Leão inclinou o queixo, em tom defensivo.
"E o Espelho? Independente de onde eu estava, foi ele quem fez a polícia levantar as orelhas. Se tiver alguém pra culpar aqui, é ele."
"Você tá desviando, Grigori." Vox disse com raiva contida. "Fala logo o que o professor te disse."
"Nada Vox, nada, eu te diria se ele falasse algo sobre você. Voce sabe como Lili é, um pouco maluca as vezes." Ele rebateu. "Eu não entreguei ninguém. Não causei esse caos. Foi ele." Apontou para Espelho.
Foi o estopim.
Espelho deu um passo, o rosto tomado por vergonha e exaustão.
“Vocês acham que eu não sei que errei? Eu sei! Eu nunca devia ter dito o que disse. Mas o estrago já tá feito. E se a gente continuar se devorando desse jeito, não vai sobrar nem cadáver pra enterr—”
O soco veio seco e inesperado.
Eremita.
Silencioso até então, cruzou a distância como um raio e acertou Espelho com força suficiente para derrubá-lo no chão.
“O estrago foi seu.” Disse com os olhos semicerrados. “E você vai ter que carregar isso.”
“Ei! Encosta nele de novo e acabo com voce!” Thorn gritou, empurrando Eremita com as duas mãos.
Antes que a pancadaria explodisse de vez, Sombra se jogou entre os dois, segurando Thorn com firmeza.
“Você não vai levantar a mão pra ele.” Rosnou para Eremita.
“Tá do lado dele agora, Sombra?!” Eremita quase cuspiu, mas Sombra não se intimidou.
“Eu tô do lado de quem ainda sabe pensar com a cabeça!”
A gritaria aumentou. Anátema tentava falar por cima, Oráculo revirava os olhos como se estivesse num pesadelo, Ágata batia palmas pra chamar a atenção.
"Chega! Gente! CHEGA, POR FAVOR—!"
Mas ninguém a ouvia.
Até que um grito cortou tudo.
"CALEM. A. BOCA."
A voz da Noiva não era alta mas algo em sua firmeza gelou os ossos.
O silêncio caiu como um véu.
Ela estava parada com as mãos ao lado do corpo, os olhos arregalados e molhados de frustração.
Era como se todos ali tivessem voltado à infância, e a mãe tivesse dado uma única ordem final.
Ágata abaixou as mãos. O silêncio não fora mérito dela.
A Noiva respirou fundo. Cruzou os braços. Não disse mais nada — e mesmo assim, ninguém mais ousou abrir a boca.
Espelho, do chão, enxugou o sangue que escorria do canto da boca e lentamente se ergueu. Estava cambaleando, mas inteiro.
Ele olhou para todos.
“Eu errei. Eu sei que errei.” A voz saiu rouca. “Mas ninguém sabe de nada ainda. Nem a polícia. Eles não têm provas. Só têm o que eu deixei escapar. A gente ainda pode consertar isso.”
Fez uma pausa. O tom agora era quase suplicante.
“Se ficarmos juntos, como sempre estivemos. Se formos uma parede. Se não nos destruirmos. Eles não têm como nos tocar. Se ficarmos juntos como estivemos contra Volkov.”
O silêncio voltou a reinar.
Os olhares estavam menos furiosos, mas não menos tensos. Espelho respirou com dificuldade. Um olho inchado. Um corte no lábio. Mas em pé.
FLASHBACK: A CAPELA DESCONSAGRADA - 1 de março de 2025, 4 dias antes da morte de Volkov
TW: manipulação, submissão forçada, coerção.
A noite estava fria como se o próprio tempo sussurrasse uma premonição. No subsolo do Instituto Valentinov, a capela desconsagrada permanecia silenciosa, sua abóbada coberta por poeira de séculos, e o altar carcomido por fungos e abandono. Aquela noite, no entanto, estava viva.
A velha porta de madeira rangeu conforme os dez membros da sociedade secreta atravessavam o limiar, um a um, sem trocarem muitas palavras. Não era comum Volkov convocá-los assim, sem aviso, sem objetivo claro. E ainda mais incomum era o fato de não terem passado pelos ritos de purificação antes de descer.
Eremita, o primeiro a chegar, observava o teto alto, seus olhos fixos nos vitrais opacos, como se buscasse um sinal no caos da arquitetura. Vox vinha logo atrás, os ombros rígidos, e o olhar atento aos detalhes — a vela acesa no altar, o círculo de giz já traçado no chão, os símbolos modificados. Thorn e Oráculo caminharam lado a lado, trocando olhares rápidos, desconfortáveis. Sombra e Dente-de-Leão estavam em silêncio, como se sua presença fosse feita de névoa. Espelho, sempre arrogante, evitava o centro da sala. Ágata e Anátema vinham por último, cuidadosas, como se pisassem em vidro.
Volkov já os aguardava no centro do círculo, a luz tremeluzente das velas lançando sombras agudas em seu rosto magro e olhos fundos. Estava inquieto, mais do que já haviam visto. Riscava o chão com os pés, arranhava o antebraço como se quisesse arrancar a própria pele.
“Sentem-se." Ordenou, a voz firme, mas desprovida da solenidade de sempre. “Hoje… não há rito.”
Um breve silêncio caiu como pedra. Vox arqueou uma sobrancelha. Thorn franziu o cenho. Noiva estava pálida, quase translúcida, mas se acomodou entre Anátema e Oráculo.
“Vocês acham que sabem o que é poder.” Começou Volkov, andando em círculos ao redor deles. “Acham que isso essa união, essa irmandade é o que move a roda. Mas o verdadeiro poder não está no círculo. Está no sacrifício. Está no sangue e na continuidade.”
Os olhos dos presentes se cruzaram, inquietos.
“Vocês não entendem. Eu estive à frente de vocês por tempo demais. Treinei seus corpos, suas mentes, moldei suas almas para algo maior. E agora, chegou o momento de pensar no que virá depois. Quem continuará? Quem herdará o que construímos?”
Ele parou de andar. Os olhos fixos em Noiva. “Venha, minha menina.”
Ela hesitou, mas se levantou. O chão doía sob seus pés nus, e cada passo parecia uma queda. Volkov a conduziu ao centro do círculo, e então com um estalar de dedos acendeu a luz central da capela. A lâmpada fluorescente zumbiu por um segundo, até banhar o cômodo com um tom esverdeado e pálido.
E ali, sob o foco de luz, revelava-se uma cama. Uma cama simples, com travesseiros brancos empilhados e lençóis dobrados com perfeição. Não havia ornamentos, apenas brutal funcionalidade.
Volkov tirou a camisa. Os ossos da clavícula saltavam sob a pele. Cicatrizes antigas marcavam seu abdômen como mapa de guerras invisíveis. Ele tomou a mão de Noiva e a guiou até a beirada da cama, deitando-a ali como se a preparasse para um ritual.
“Ela é pura. É devota. É perfeita.'' Volkov fez uma pausa. ''E ela me dará um herdeiro.”
O choque se espalhou como eletricidade. Por um segundo, ninguém falou. Vox e Eremita se entreolharam, como se buscassem um no outro confirmação do que deveriam fazer. Eremita notou a furia nos olhos de Thorn, e como quem da concentimento, balançou a cabeça, dando a Vox, a segurança para se levantar.
Ele deu um passo a frente, era claro, que todos ali estavam enjoados e preocupados.
“Você enlouqueceu professor?” Questionou quase silenciosamente, era dificil para ele, questionar o mais velho.
Volkov girou o rosto, olhos faiscando, surpreso com a audacia alheia. “Cuidado onde se mete, rapaz.”
''Você definitivamente enlouqueceu, Volkov. Não vai tocar nela, não enquanto estivermos aqui.'' Retrucou Vox.
“Ela é uma garota, não uma coisa. ” Thorn murmurou, com a voz crescendo em fúria contida. “Você sempre disse que éramos uma família. Desde quando isso aqui virou… isso?” Disse ele, apontando para Noiva, deitada e claramente com medo na cama e Volkov semi nu.
“Desde que entendi que nenhum de vocês é digno de continuar meu trabalho…” Retrucou o professor, com escárnio. “Eu não preciso de seguidores. Preciso de descendência.”
Sombra e Anátema trocaram olhares rápidos e se moveram quase invisivelmente até Noiva. Em um gesto sincronizado, as duas puxaram a jovem para fora da cama, envolvendo-a num casaco escuro como se a escondessem do mundo. Noiva tremia. Mas não disse nada.
Volkov deu um passo na direção delas. “Isso é ciúmes? Inveja? Alguém quer o lugar dela?” Gritou para as meninas.
“Não!” Gritou Thorn, a voz finalmente rompendo a tensão. “Isso é imoral, nojento, deturpado! Você quer nos fazer cúmplices disso?!”
O soco veio antes que Volkov pudesse retrucar. Foi seco e preciso, no maxilar. O velho cambaleou para trás, escorado em uma pilastra.
Espelho, com um gesto de solidariedade, posicionou-se ao lado de Thorn. Vox também avançou, entre eles e o professor.
“Não vai acontecer.” Disse Vox, encarando Volkov com olhos de gelo. “Você perdeu o direito de decidir por ela. E por nós.”
Eremita e Dente-de-Leão já estavam do lado das garotas, guiando Noiva para longe da cama, para perto da porta. Ágata fechou a roda ao redor dela, braços cruzados e olhar fulminante.
“Você mentiu pra todos nós.” Sibilou Espelho. “Por que não diz logo? Você tá com medo. Perdeu o controle. E agora quer um herdeiro como se fosse um trono. Isso não é por nós, é por você e o seu ego.”
Volkov cuspiu sangue no chão e riu. “Vocês não sabem o que é carregar a responsabilidade do mundo nas costas. Não sabem o peso de ser farol no meio da escuridão.”
“Mas sabemos o que é proteger os nossos,” Respondeu Thorn. “E se é isso que você se tornou… então vamos proteger Noiva de você.”
O silêncio voltou a cair, mas agora não era mais de tensão — era de decisão. Decapolis, pela primeira vez, havia se unido contra aquele que os criou. E Volkov, sozinho no centro da capela, percebia, pela primeira vez, que seu poder não era mais absoluto. Que havia perdido o controle. Que a herança que tanto desejava deixar já não cabia mais em suas mãos. Eles se foram, um a um, em silêncio. Mas não como discípulos. Como iguais.
E o professor ficou.
Na cama vazia. No altar quebrado. No próprio fim.
Informações:
O evento do Julgamento se inicia hoje (04/08) às 20:00 e finaliza no dia 20/08. As interações do evento anterior podem continuar a ser jogadas em flashback, mas novas interações devem ser abertas no evento atual.
As interações podem acontecer entre os dias 17 e 19, ou seja: no dia do interrogatório, pós, antes da reunião ou depois da reunião.
Ninguém além de Espelho e Dente-de-Leão sabem que Espelho entregou Anátema e Dente-de-Leão antes da reunião descrita acima, apenas Thorn (amigo de Espelho).
Incentivamos que vocês postem POVs, e sugerimos que descrevam o interrogatório com os personagens de vocês.
Lembrando que este evento se passa na linha do tempo atual. Ou seja, em IC estamos em 19 de março de 2025.
Tags para usar:
valen:eventos → Para POVs
valen:starters → Para interações abertas durante o evento
Qualquer dúvida, chama a moderação, nos vemos no jardim do Instituto.
Como parte do evento em andamento, informamos que a partir de hoje, 01/08 às 16h50, a inbox do Professor Volkov estará aberta para perguntas IC (in character) e envio de mini turnos.
Queremos ver seus personagens interagindo diretamente com ele é a chance perfeita de mergulhar mais fundo na mente e nos segredos do velho professor. Que tipo de relação tinham? O que gostariam de entender? Quais marcas ele deixou? Esse é o momento de explorar e desenvolver ainda mais a narrativa dos seus personagens.
Envie o que achar relevante — dúvidas, provocações, lembranças, teorias ou simples confissões. O importante é se conectar com o legado de Volkov, e quem sabe... descobrir o que ainda está escondido por trás dos olhos dele.
Não temos pretensão de abrir mais skeletons. O rp foi todo formulado em volta dos nossos dez membros da Decápolis, com todos os próximos eventos girando em torno de cada um. Para abrir mais vagas, teríamos que reformular o RP inteiro, e não seria viável. Mas temos a possibilidade de um Valentinov 2.0 após o fim do plot atual.
A precisão dos passos e o silêncio cortante no olhar denunciam que KHANIN KITJARUWANNAKUL não está no Instituto Valentinov por acaso. Sendo PERSPICAZ e HOSTIL, foi escolhido — ou amaldiçoado — como um dos observados de Volkov, selado entre sombras e expectativas antigas. Aos VINTE E TRÊS, cursa o PENÚLTIMO ANO DE LINGUÍSTICA COMPARADA movendo-se entre os corredores como parte do cenário. Filho de uma origem HUMILDE, BOLSISTA E ATLETA, sua reputação circula com mais força que seu nome e dizem que sua semelhança com BIBLE WICHAPAS (WICHAPAS SUMETTIKUL) já virou lenda entre os estudantes do dormitório. Seus amigos mais íntimos o chamam de Thorn, você pode encontra-lo em alguma aula de Latim ou no Clube de Natação.
Sobre
Na família de Khanin, sobreviver sempre foi uma prioridade. A vida não fora nada gentil com a mãe de Khanin, a senhora Malai. Oriunda da parte rural de Sakon Nakhon, com quinze anos mudou-se sozinha para Bangkok em busca de uma condição de vida melhor. Os primeiros anos na cidade foram muito difíceis e as opções de empregos bem escassas. Trabalhou por anos na mesma empresa de costura em condições que beiravam a escravidão. Trabalhava muito até a exaustão e recebia, naturalmente, muito pouco por isso. Por muito tempo, viveu numa quitinete bem maltratada pelo tempo numa parte mais esquecida e desfavorecida da cidade. Nunca teve o privilégio de se apaixonar, mas juntou-se a um rapaz da mesma fábrica em que trabalhava e viveu bem com o próprio por algum tempo, até engravidar.
Ao sinal da criança vir ao mundo e a falta de comida na mesa, consequência da carência de dinheiro, foi motivo o suficiente para fazer o rapaz rapidamente sumir do mapa, deixando uma mulher desamparada e desempregada para trás. Prestes a ser despejada do local por conta dos múltiplos alugueis atrasados, viu sua vida melhorar um pouco ao conseguir um emprego de doméstica para um senhor russo que vivia viajando para Bangkok a negócios. Ele lhe ofereceu um teto – um quartinho para empregados nos fundos da casa –, alimento e um salário satisfatório, suficiente para mandar um bocadinho para a família em Sakon Nakhon e ainda ser o bastante para prestar cuidados para seu primogênito. Quando o patrão anunciou que estaria voltando em definitivo para São Petersburgo, a chamou para continuar trabalhando com ele. Mesmo com diversas ressalvas em se mudar para um país estrangeiro, a doméstica assumiu o risco, pois era tudo que possuía.
Com 3 anos, Khanin e sua mãe chegam à Rússia. O patrão era exigente, mas a senhora era trabalhadora e não se deixava cair sobre o perfeccionismo do homem. A realidade era muito dura, mas a vida não era tão insuportável, pelo menos por algum tempo. Khanin cresceu nos fundos da casa do patrão da sua mãe, trancado no pequeno quarto que dividia com a materna. Quando não estava na escola, era mantido fora de vista de todos, como um fantasma, uma presença inconveniente, sem sequer ser permitido a respirar alto demais. Viver daquela começou a beirar o insuportável conforme a pré-adolescência e adolescência foram se aproximando, mas não existiam outras alternativas. Tudo o que conseguia sentir naquele período era raiva, mas a controlava para evitar preocupar sua mãe. Essa raiva existia por muitas razões, mas a mais pungente entre elas vinha de uma infância de privações, vendo a mãe contar centavos enquanto outros esbanjavam.
A única maneira que encontrou para controlar sua raiva quando estava próximo da mãe foi passando o mínimo possível de tempo na casa dos patrões dela. Ao passá-lo mais tempo na escola que em 'casa', foi aí que teve contato com a natação através do clube extracurricular da escola em que frequentava. Aos 13 anos, já era um nadador bastante competente e participava de competições entre as escolas da região. Com o passar dos anos, foi só melhorando no esporte, competindo nacionalmente também, embora seu comportamento agressivo, competitivo e raivoso frequentemente lhe causava problemas na escola e com os demais competidores.
Na escola, Khanin tornou-se conhecido por seu silêncio e por sua capacidade de se envolver em brigas que, surpreendentemente, não era ele quem iniciava. Embora claramente violento, era preciso muito para tirá-lo do sério. Porém, tal como um animal selvagem e raivoso, uma vez envolvido em uma luta, não parava por vontade própria. Sua calma inicial escondia o quão perigoso ele podia ser. Quando certos gatilhos eram acionados, revelavam uma violência bruta e incontrolável. No entanto, por trás da fachada bruta e de toda a violência, há um contraste inesperado. Khanin tem uma mente afiada, destacando-se nos estudos, especialmente em línguas, mas escondia esse talento por trás de um cinismo agressivo, como se negasse ao mundo seu potencial.
Khanin não esperava que um olheiro fosse recrutá-lo para o Instituto Valentinov com uma bolsa de atleta, inclusive, estava praticamente convicto que deixaria a Rússia, só precisava para isso convencer a mãe a deixar o país com ele. Não aconteceu, e sem qualquer outra melhor perspectiva de futuro, aceitou a bolsa, ingressando no curso de Linguística Comparada. Foi em uma das brigas que o professor Volkov o viu lutar e o notou ali, recém-chegado. Embora tenha esperado a expulsão, não conseguiu esconder a surpresa ao ser recrutado como um dos dez da Decápolis. A promessa de se tornar importante, alguém com controle sobre sua própria vida, foi irresistível para Khanin. Não tinha nada a perder, já que não era nada, e por isso aceitou. A partir dali, sua vida mudou da água para o vinho. Fora da instituição, continuava o zé-ninguém que sempre fora, mas dentro de Valentinov, carregava uma nova função e, acima de tudo, um propósito.
A precisão dos passos e o silêncio cortante no olhar denunciam que VIKTOR BORISOVICH ZHARKOV não está no Instituto Valentinov por acaso. Sendo LEAL e OBSESSIVO, foi escolhido — ou amaldiçoado — como um dos observados de Volkov, selado entre sombras e expectativas antigas. Aos VINTE E TRÊS ANOS, cursa o ÚLTIMO PERÍODO DE FILOSOFIA POLÍTICA, movendo-se entre os corredores como parte do cenário. Filho de uma origem ELITISTA LIGADA À INDÚSTRIA DE MÍDIA E COMUNICAÇÃO, sua reputação circula com mais força que seu nome e dizem que sua semelhança com TIMOTHÉE CHALAMET já virou lenda entre os estudantes do dormitório. Seus amigos mais íntimos o chamam de Espelho, você pode encontra-lo em alguma aula do Clube de Debate.
Sobre
Filho mais novo do fundador de um império de mídia e comunicação, Viktor tem poucas lembranças da época em que seu pai ainda era um idealista na visão que tinha para o seu negócio antes de se tornar obcecado pelo jogo capitalista e precisar se alinhar às vontades do governo. Sua mãe, descendente de uma família de origem aristocrata e divorciada do magnata há catorze anos, é uma autora literária que atualmente sofre retaliações pelo teor sutil de protesto em suas obras.
Viktor morou com o pai pelos seis anos que antecederam seu ingresso no Instituto Valentinov. Na época, o garoto soube apenas que sua mãe precisou passar um tempo fora do país, mas ouvia cochichos entre seus irmãos mais velhos sobre seu pai ter sido responsável por inflamar um discurso político contra ela nos bastidores do governo. Com apenas nove anos na época, o afastamento o destruiu por dentro. Viktor passou os sete anos seguintes sem ver a mulher pessoalmente.
Ao longo dos anos, lidando com a dor da perda de maneiras pouco saudáveis, passou a julgar as ações da mãe como estúpidas e egoístas. Seu ponto de vista, fruto de uma óbvia frustração, escondia o fato de que era um enorme admirador do trabalho da mulher. Eventualmente, ela retornou ao país, mas Viktor criou o hábito inconsciente de evitá-la. Sentia que eram diferentes demais agora. Enquanto ela usava palavras bonitas para tentar mudar o mundo, ele considerava legítimo passar por cima de qualquer um para conseguir o que queria.
No instituto, ficou conhecido por ser quieto, competitivo e dono de uma determinação quase obsessiva. Antes de Volkov, sua maior competição era ele próprio. Seu incômodo em ser pior do que os outros apenas se acentuava se não fosse capaz de superar os próprios limites. O jeito contido talvez tenha sido a única forma que encontrou de controlar as emoções fortes que sempre o dominaram e que, inevitavelmente, enxergava como uma fraqueza.
Oi, anon! Estamos com Thorn e Espelho abertos, mas a vaga do espelho está reservada até amanhã às 18h. Adoraríamos ver os dois por aqui, que tal aplicar pro querido Thorn?
A precisão dos passos e o silêncio cortante no olhar denunciam que NYX HOLLOW não está no Instituto Valentinov por acaso. Sendo PERSPICAZ e DESCONFIADA, foi escolhido — ou amaldiçoado — como um dos observados de Volkov, selado entre sombras e expectativas antigas. Aos 25 ANOS, cursa BOTÂNICA, movendo-se entre os corredores como parte do cenário. Filha de uma origem ELITE, sua reputação circula com mais força que seu nome e dizem que sua semelhança com ADELAIDE KANE já virou lenda entre os estudantes do dormitório. Seus amigos mais íntimos a chamam de Ágata, você pode encontra-la em alguma aula de Esgrima.
Sobre
Vem de uma linhagem discreta, mas poderosa. A família Hollow, é conhecida entre círculos acadêmicos e políticos europeus por sua atuação nos bastidores, seus membros já foram conselheiros, tradutores de textos esquecidos, restauradores de obras perdidas. Sua mãe é uma historiadora especializada em culturas mortuárias e seu pai, um ex-diplomata que desapareceu misteriosamente há sete anos. Desde então, o nome Hollow carrega uma sombra e Nyx um certo peso nos ombros. A ausência do pai moldou significativamente Nyx. Não houve corpo e tampouco explicação, apenas um silêncio abafado pelos corredores frios do Instituto, onde ela já estudava quando tudo aconteceu.
O Instituto é como um tipo de prisão disfarçada de templo. Ela respeita o rigor intelectual, mas despreza o culto ao silêncio e a tradição cega. Para ela, o Valentinov é um tabuleiro e os alunos, peças movidas por forças invisíveis. Ao mesmo tempo, ela reconhece o prestígio de estar ali e joga o jogo com elegância, por trás de sua calma, da postura perfeita e das palavras medidas ela guarda uma fúria antiga.
Gosta de correr pelo bosque e estudar sozinha, preferencialmente próximo à estufa antiga. Frequenta suas aulas em com uma atenção particular a tudo que envolve anatomia, botânica venenosa e fisiologia comportamental. Treina esgrima e costuma assistir às lutas dos colegas mesmo quando não está participando.
Nyx teme perder o controle de sua própria mente. Ela se pergunta se está sendo manipulada, ou se está desenterrando algo que devia permanecer enterrado.
A jovem foi recrutada discretamente para a Sociedade, mas não pela razão tradicional. Ela não quer apenas prestígio ou influência, quer acesso aos arquivos ocultos da ordem, aos nomes por trás dos séculos de poder. Desconfia-se que a Decápolis tenha sido corrompida, ou infiltrada, e pretende usar sua posição para descobrir quem está puxando as cordas.
Na noite anterior ao ritual, a antiga capela desconsagrada estava mergulhada em um silêncio espesso. A madeira rangia sob os pés de Vox enquanto ele avançava pelo corredor principal, as velas acesas por Ágata horas antes lançando sombras oscilantes nas paredes de pedra. No altar, como se esperasse por ele desde sempre, estava a Noiva.
TW: relações com age gap, conteúdo sexual (não explícito), uso de drogas.
Ela vestia o véu que usara na entrada da sociedade: tecido leve, translúcido, como uma promessa de algo maior. Seus olhos brilharam quando o viram se aproximar, e seu corpo se adiantou sem hesitação, como se o mundo inteiro se curvasse para empurrá-la em direção a ele. Vox não disse nada de imediato. Apenas se aproximou, a estudando com a mesma devoção que se dedica a uma relíquia sagrada. Quando enfim tocou sua mão, fez isso com a reverência de um sacerdote.
“Em uma semana…” Ele começou, voz baixa, quase solene. “Você será mais do que nossa Noiva.” Ela o olhou, sem medo. Curiosa, atenta. “Será o centro da purificação, a chama que arde antes que todos queimem. E o corpo através do qual seremos perdoados, você, Noiva.”
Noiva sorriu com os lábios, mas o olhar era puro fogo. Havia nela algo de divino, mas também de feral como uma deusa antiga, disfarçada em pele jovem.
“É isso que ele quer de mim?”
Ele assentiu, encostando a testa à dela, os dedos deslizando até a cintura dela como se gravassem marcas invisíveis.
“Quero que todos te vejam. Que todos te adorem. Mas antes…” Os olhos dele a prenderam. “…antes de ser deles, você é minha. Minha Noiva, feita para o sucessor, para mim. O seu corpo os purificará… mas quem o consagra sou eu.”
Ela arfou, sem vergonha ou medo, os dedos agarrando o tecido de sua roupa.
“Consegue fazer isso por mim?”
O sim dela veio como um sopro, entre os lábios entreabertos. Mais do que um consentimento, era uma oferenda.
Vox sorriu lento, orgulhoso, faminto.
“Você é uma boa garota.”
E então ele a tomou nos braços.
Ali mesmo, naquele espaço desacralizado e esquecido por Deus, ela se tornou um altar. Seus corpos se entrelaçaram com a lentidão de um rito antigo, e os sussurros que trocavam pareciam orações em uma língua esquecida. Não havia mais tempo, nem medo, nem ego apenas fé. Fogo e fome. E quando tudo silenciou, quando os dois permaneceram ofegantes, deitados entre véus e sombras, uma terceira presença finalmente se revelou. Dos confins escuros da capela, surgiu Volkov. Vox não se moveu, sabia que o professor os observava, sabia que deveria ser assim. Noiva, nua e ainda envolta na névoa do êxtase, tentou se erguer, mas Volkov a deteve com um gesto gentil. Ele caminhou até ela e se ajoelhou diante de seu corpo.
“Você compreende agora o que é sacrifício.” Disse, a voz rouca, cheia de emoção contida. Ele tomou a mão dela entre as suas, como se fosse a coisa mais preciosa do mundo, e as beijou com um fervor que ultrapassava qualquer gesto mundano. “Filha de Dioniso, Senhora do Vinho e da Purificação. Noiva dele, que tua carne nos salve do esquecimento.” E então, sussurrou cantigos antigos, entremeados de grego e latim, de palavras que apenas os escolhidos compreendiam. Noiva fechou os olhos. E quando os abriu, já não era apenas uma garota.
Era um ícone, uma Deusa viva.
18 de outubro de 2023
Naquela quarta-feira gélida, os ecos do cântico órfico ainda vibravam nas paredes antigas do Instituto Valentinov. Por horas, os dez pupilos de Volkov haviam sido obrigados a recitar, em uníssono, os hinos a Dioniso e por horas, reiniciaram cada vez que alguém errava. Volkov observava tudo com a calma dos deuses antigos, os olhos fixos, os dedos entrelaçados como se cada erro fosse uma falha espiritual imperdoável. Quando a última sílaba finalmente foi pronunciada corretamente, o professor levantou-se devagar e falou com solenidade.
''Por nove dias as candidatas a sacerdotisas de Bacchus festejavam e bebiam em excesso. No nono, eram purificadas. Nosso ritual de purificação acontece na próxima semana. Preparem seus corpos… e seus pecados.''
Nenhum dos dez ousou comentar nada enquanto caminhavam pelos corredores frios e escuros de Valentinov. Mesmo aqueles que já sabiam o que significava aquele festival permaneceram em silêncio, contudo, o destino não seguiu o plano de Volkov. Na segunda-feira, 23 de outubro, uma forte nevasca cobriu o instituto. Os alunos foram realocados para um hotel em São Petersburgo. Professores — entre eles, Volkov — permaneceram no Instituto para garantir segurança e manter as estruturas essenciais.
No hotel, o grupo da Decápolis ocupava um andar quase inteiro. Vox, sempre atento e inquieto, convocou-os no fim da tarde de terça-feira para uma reunião a portas fechadas.
''Não podemos esperar. A purificação deve acontecer.'' Disse ele, a voz baixa mas firme. ''Mestre Volkov confiou a nós a execução do ritual, e devemos mostrar que somos capazes mesmo sem sua presença.''
''Mas… os rituais bacantes são um pecado. Foi o que Volkov disse…'' Dente-de-Leão murmurou, hesitante, mexendo nos próprios dedos.
''Você nunca presta atenção em nada?'' Cortou Noiva com irritação. ''Ele disse que era uma purificação através do pecado. Existe uma diferença entre transgressão e entrega.''
''E se formos descobertos?'' Indagou Espelho, recostando-se no sofá com desdém. ''Porque sejamos honestos, Vox, estamos por conta própria. Você não é Volkov.''
''Ainda.'' Corrigiu Vox.''Mas fui escolhido por ele, não esqueça disso.''
''Não me incomodo em ser purificada.'' Comentou Anátema com um sorriso ambíguo. ''Mas espero que seja mais divertido que recitar hinos sem parar, somos uma igreja agora?''
''E será.'' Garantiu Ágata. ''Já encontrei um local. Uma igreja em ruínas, longe da cidade. Antiga, silenciosa, esquecida. Perfeita.''
Espelho arqueou uma sobrancelha. ''Conveniente. Mas você não acha que estamos indo longe demais?''
''Longe demais é ficar sentado esperando permissão'' Rebateu Ágata. ''Ou você está com medo?''
Espelho não respondeu, apenas desviou o olhar.
Foi quando Vox olhou para dois deles com intensidade.
''Sombra. Thorn. Preciso falar com vocês.''
Ambos se aproximaram dele, eles caminharam silenciosamente para longe.
''Preciso que providenciem algo especial para o ritual.'' Disse, retirando do bolso um pequeno frasco vazio. ''Alucinógenos. Fungos ou líquidos. Algo que ajude a atravessar os portais certos… e tornar o vinho sagrado.''
Sombra assentiu sem hesitação. ''Como quiser, Vox.''
Thorn, por outro lado, estreitou os olhos.
''Você tá pedindo pra gente drogar todo mundo? Isso é insano.''
''Eu estou te dando uma ordem.'' Disse Vox com frieza.
''Você não é o mestre de nada, e não pode me dar ordem nenhuma.''
A tensão cortou o ar. Vox deu um passo à frente, olhos presos nos de Thorn como lâminas. ''Eu sou o sucessor. Você é um dos dez, é assim que funciona. É isso que você prometeu seguir quando fez seu juramento no altar. Se não consegue obedecer, talvez esteja na sociedade errada.'' Thorn rangeu os dentes, o rosto corado de raiva.
''Isso não é o que o ele faria.''
''Não.'' Respondeu Vox, ainda imóvel. ''Mas Volkov não está aqui. E eu estou, e você vai fazer o que eu pedi.''
Foi quando Sombra, suavemente, encostou em Thorn.
''Deixa isso pra depois. Vamos conseguir o que ele quer. Depois… se ainda quiser discutir, discute com Volkov. Mas agora, a gente tem uma missão.'' Thorn bufou, mas assentiu. Os dois deixaram a sala em silêncio. Vox soltou um leve suspiro e voltou-se para os demais.
''O ritual acontecerá amanhã à noite. Levem apenas o necessário, Ágata passará as coordenadas à tarde. Até lá, jejuem, bebam apenas água.'' Disse. ''Vão precisar se esvaziar antes de se entregar ao que virá.'' Continuou Vox. ''A purificação exige que o corpo esteja pronto para pecar.''
''Poético.'' Comentou Anátema.
Ele lançou um último olhar para Noiva, que o observava em silêncio. Havia algo nos olhos dela, um brilho de antecipação, ou talvez de devoção. E algo dentro dele soube, sem dúvidas, que ela estaria pronta. A peça central estava em seu lugar. E o jogo de Volkov continuava, mesmo sem ele.
O RITUAL – 25 de outubro de 2023, em uma capela abandonada em São Petersburgo.
A antiga igreja em ruínas parecia respirar junto com eles. O vento frio que soprava pelas frestas quebradas das janelas trazia o sussurro dos antigos deuses e os Dez responderam em uníssono com seus passos ritmados sobre o mármore rachado. Todos usavam túnicas negras, de linho rústico e mangas largas, que os deixavam semelhantes a sombras se movendo em círculo. Apenas Noiva, trajava branco, uma túnica quase translúcida, tão leve que parecia ter sido tecida pela névoa. O contraste era nítido: ela era o centro, a oferenda, o elo entre os vivos e o poder oculto que Volkov sempre prometera revelar. No centro do altar improvisado, Vox ergueu os braços, e todos silenciaram.
“O sangue corre nas veias da Noiva.” Sua voz ecoou profunda. “Ela é a deusa entre nós. Sem ela, não enxergaríamos o véu entre o que é visível e o que é eterno. Sem ela, não haveria sentido, não haveria fé. Através dela, tocaremos aquilo que o Mestre nos preparou para encontrar.” O símbolo do Ouroboros, desenhado sobre o peito nu de Vox com tinta negra, parecia pulsar junto com seu coração. Ele se aproximou de Noiva com a reverência de um devoto, seus olhos fixos nela como se a visse pela primeira vez. Com um sussurro apenas para ela, perguntou:
“Está pronta?”
Noiva assentiu ergueu os olhos, e neles havia certeza.
Com cuidado, ele soltou a túnica de seus ombros, revelando sua pele ao frio e aos olhos atentos dos outros membros. Não houve vulgaridade. Apenas o sagrado, ela era a oferenda, e eles estavam ali para adorá-la. Vox então despejou vinho tinto sobre os ombros e braços de Noiva, o líquido escorrendo como sangue sagrado. Ela permaneceu em silêncio, olhos fechados, em profunda conexão. A Oráculo foi chamada e trazida à frente, ajoelhando-se diante da Noiva.
“O que você vê?” Indagou Vox, com solenidade.
Por um momento, apenas o silêncio. Então a voz do Oráculo ecoou fraca, trêmula:
“Vejo-nos como deuses… Caminhando por entre estrelas e tempestades… Somos luz e escuridão. E ela… ela é o coração disso tudo.”
Um sorriso curvou os lábios de Vox, satisfeito. Ele aproximou as duas, e com um gesto gentil, guiou-as a selar a visão com um beijo solene — uma comunhão entre oferenda e vidente. Era o sinal. O ritual havia começado. Oráculo se pôs a servir o vinho, os cálices de barro passavam de mão em mão. Thorn hesitou e Vox virou-se para ele, com um olhar de ferro direcionado a ele. Thorn apertou os lábios, mas antes que pudesse protestar, Sombra se aproximou, tocando levemente seu braço.
“Confie nele.” Sussurrou. “Como confiamos no Mestre.”
Ele cedeu, bebendo junto a todos, mesmo que a contra gosto.
As palavras ensaiadas nos hinos órficos começaram a ser entoadas. Baixas, quase como uma corrente subterrânea de som, as vozes se tornaram um coro crescente. O vinho, agora mesclado aos alucinógenos que Sombra e Thorn haviam trazido, começou a fazer efeito. Os olhos se dilataram. Os sentidos se embaralharam. A igreja tornou-se ouro e vermelho, sombras dançando nas paredes como espectros. Noiva foi envolvida. Tocada com devoção, adorada com reverência. Não havia pressa. Cada gesto era lento, ritualístico. Ela era o centro de tudo. Cada um dos Dez a adorava como se tocasse o divino. Eremita, Dente-de-Leão e Anátema formavam um triângulo próximo ao altar. Seus corpos se moviam juntos, unidos por um entendimento silencioso. Não era desejo, era pertencimento.
Espelho observava a tudo com olhos úmidos. Pela primeira vez, parecia crer. Ou temer. Ágata, de pé, com as mãos estendidas, parecia em transe. As palavras que saíam de sua boca nem eram suas mas sim antigas, enterradas nas raízes da floresta.
O tempo deixou de existir.
E Vox ajoelhou-se diante da Noiva, olhos vidrados, um sorriso quebrado nos lábios. No silêncio que se seguiu ao êxtase, ele sussurrou.
“Você nos uniu. Você é o elo.”
Quando a última vela apagou, os corpos repousavam juntos, esgotados e silenciosos. Não se sabia quem pertencia a quem, onde começava um e terminava outro. Mas todos estavam conectados. Todos haviam sido purificados.
Informações:
O evento de Bacchanalia se inicia hoje (23/07) as 16:00 e vai até 04/08. As interações do evento anterior podem continuar a ser jogadas em flashback, mas novas interações devem ser abertas no evento atual.
Este evento é um flashback do ano de 2023, portanto se atentem a isso durante os jogos.
As interações só podem, obrigatoriamente, acontecer antes do ritual (nos dias 22 e 23), ou após a última vela se apagar, conforme descrito na POV acima. Os dez ainda se encontram sob efeito de alucinógenos, mas o ritual está finalizado. Não permitiremos jogos durante o ritual pois demanda a interação dos 10 personagens.
Além da capela em ruínas, vocês também terão ambientes de São Petersburgo, como: Hotel Astoriya e suas dependências, Catedral de S. Isaac, a Praça de S. Isaac e Restaurante Dolma. Estes são os locais autorizados pela direção do Instituto, mas fiquem a vontade para ambientalizar os turnos em outros locais que preferirem.
Lembrem-se que qualquer interação mais explicita deverá estar abaixo do read more e devidamente taggeada, e não se esqueçam de conversar com seus partners antes de iniciar interações de cunho sexual ou que contenham gatilhos. Apesar do teor do evento e do plot, prezamos pelo conforto dos nossos players.
Também incentivamos que vocês postem POVs. Sugerimos explorar o pós dos seus personagens e seus sentimentos.
E também não esquecam de checar o blog do professor @gavriilyurevichvolkov.
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Qualquer dúvida, chama a moderação, nos vemos no jardim do Instituto.
A precisão dos passos e o silêncio cortante no olhar denunciam que LILIYA BOGDANOVNA ASTROVSKA não está no Instituto Valentinov por acaso. Sendo SERENA e SUBMISSA, foi escolhido — ou amaldiçoado — como um dos observados de Volkov, selado entre sombras e expectativas antigas. Aos VINTE E TRÊS, cursa o PENÚLTIMO ANO DE RETÓRICA E COMUNICAÇÃO ESTRATÉGICA, movendo-se entre os corredores como parte do cenário. Filha de uma origem bolsista e neta de um simples mecânico, sua reputação circula com mais força que seu nome e dizem que sua semelhança com KSENIA TREISTER já virou lenda entre os estudantes do dormitório. Seus amigos mais íntimos a chamam de Anátema, você pode encontra-la em alguma aula de Latim ou nos Clube de Debate.
Sobre
Foi criada pelo avô até os 5 anos de idade. Após o falecimento do avô, nunca conseguiu encontrar um local para chamar de lar ou uma família para chamar de sua.
Nas várias famílias e lugares que passou em sua infância, nunca lhe ofereceram real carinho ou acolhimento como o que recebeu nos seus primeiros anos de vida, mas em sua inocência e em busca de manter sua sanidade em um mundo cruel, projetou afeto e uma realidade aonde não existia diversas vezes e nunca saiu sem ser duramente punida pelo universo por seus devaneios.
Já possui uma graduação prévia em letras com foco em Mandarim, se apegou a chance de ser bolsista na após a indicação de um antigo mentor em sua universidade antiga e um comentário simples de como ficaria orgulhoso dela se conseguisse uma das vagas.
Apesar de tudo, o convite veio como uma surpresa, talvez uma sentença e não um presente alguns diriam. A carta da bolsa, a menção ao prestígio do Instituto, a recomendação formal com uma assinatura de alguém que não soube reconhecer. Tudo rápido demais, arrumado demais. Como sempre, ela disse sim. Porque dizer não nunca foi algo que aprendeu.
Liliya não necessariamente sabe mas ela foi notada antes de sua aplicação ao instituto, em uma palestra em Moscou sobre manipulação discursiva onde estava atuando como intérprete voluntária, não apenas a fluência e naturalidade ao traduzir as falas dos professores estrangeiros mas a maneira que não estremeceu mas continuou sorrindo frente as indelicadezas dos convidados na antessala antes da palestra e a maneira que os consagrou aos demais após, sempre com um sorriso delicado.
Antes de tudo, queremos agradecer imensamente a todos vocês pela abertura incrível que tivemos! Cada post, cada interação e cada ideia compartilhada só reforçam o quanto esse projeto é especial. Estamos muito felizes com a movimentação na dash e com o carinho que vocês têm dedicado ao plot!
A pedido de alguns players, o nosso evento atual será estendido até quarta-feira às 9:00 da manhã (horário de Brasília). Após esse horário, qualquer continuação deverá ser feita em formato de flashback.
Outro lembrete importante: no nosso servidor do Discord, foi disponibilizado um formulário anônimo para envio de sugestões e feedbacks sobre o RP. Se você ainda não está no grupo, fale com a Central que enviamos o link por DM!
Na nossa comunidade, é permitido utilizar FCs (face claims) mais velhos que o seu personagem. Por exemplo, mesmo que o seu personagem IC tenha 25 anos, você pode usar como FC um ator/atriz mais velho sem problemas. A única recomendação é ter cuidado com os gifs utilizados procure sempre usar gifs em que o FC esteja em uma faixa etária próxima à idade do seu personagem no jogo, com uma diferença máxima de até 5 anos para mais, para manter a coerência visual.
E por último um reforço do nosso combinado: respondam quem puderem! Não deixem o starter do amiguinho sozinho. Somos um grupo pequeno e fechado, e a participação de todos é fundamental para o desenvolvimento da trama.
Obrigada por fazerem parte da Decápolis. Vocês são a alma desse jogo! 🖤
A gente tem uma vaga mas ela está reservada até amanhã as 22:00 e no sábado faremos activity check e pode ser que surja novas vagas, até lá estamos praticamente fechados para aplicações.
A manhã se abria pálida, banhada por uma névoa espessa que pairava sobre o solo como um véu de algodão sujo. Os sinos da capela ainda não haviam tocado, e os corredores do Instituto Valentinov permaneciam envoltos por um silêncio quase sagrado como se a própria escola, por instinto, soubesse o que estava por vir. Mikhail Andreiev, jardineiro-chefe do Instituto há vinte e sete anos, não costumava sair de sua rotina. Todos os dias, às seis em ponto, ele recolhia as folhas mortas do pátio central, cortava as rosas brancas do jardim da ala leste, e verificava se a estufa estava devidamente trancada. Às quartas-feiras, como naquela manhã, ele arrumava o jardim, cavando e plantando plantas novas. Foi ali, perto da antiga estufa, que Mikhail sentiu o cheiro.
TW: descrição de cadáver, morte, ocultação de cadáver.
Era doce e ferroso, como frutas apodrecidas e sangue seco. Um odor que não pertencia à terra, nem às flores. Um cheiro humano demais.Ele franziu o cenho. Com a enxada em mãos, cavava lentamente eo cheiro piorava conforme aprofundava a cova, como se exalasse da própria terra. Mikhail interrompeu o movimento por um instante e limpou o suor da testa com o dorso da mão. Olhou ao redor, nenhum aluno à vista. Nenhum som. Apenas o farfalhar das árvores e o bater dos seus próprios calos contra o cabo de madeira.
Mais um golpe.
A lâmina da enxada ressoou num som oco, madeira contra madeira, ou madeira contra algo que não devia estar ali. Mikhail arqueou as sobrancelhas. Abaixou-se, agora cavando com as mãos calejadas, puxando punhados de terra escura e grudenta. Os dedos tocaram algo.
Um tecido.
Primeiro pensou que fosse lixo. Um pano velho. Mas então puxou, e o que emergiu da terra não era pano comum: era o punho de uma camisa de linho, branca, suja de terra e algo mais escuro, quase negro, endurecido.
O cheiro ficou insuportável.
O coração de Mikhail começou a bater mais forte, sua respiração tornava-se errática. Ele afastou mais terra às pressas, até que viu a mão e pálida, com os dedos semi-encolhidos como garras congeladas no tempo. A aliança de prata no dedo anelar ainda reluzia. Ele recuou com um soluço. E mesmo assim, como que hipnotizado, afastou mais terra, expondo o braço, o ombro, o pescoço… e então o rosto.
Os olhos estavam abertos.
Fixos no céu acinzentado. Vidrados. A boca semicerrada, como se estivesse prestes a dizer algo. O corpo do professor fora enterrado às pressas, sem zelo. Torto. Rígido. Ainda trajava o paletó escuro que costumava usar nas aulas de teoria crítica agora amarrotado, sujo, deslocado.
Mikhail engoliu em seco.
Deu dois passos trôpegos para trás, deixando cair a enxada, que afundou de lado na terra solta. Ficou alguns segundos parado, como se precisasse que os olhos entendessem o que viam. Depois virou-se e correu.
Não gritou. Só correu.
A notícia correu mais rápido que os sinos da manhã.
A polícia chegou antes do café. Carros sem identificação, homens de casacos longos e olhares silenciosos. A diretora do instituto fechou a ala dos professores “por motivos de manutenção”. E o nome de Volkov não foi dito nos alto-falantes. Nunca oficialmente. Mas ninguém falava de outra coisa, os corredores estavam carregados. Sussurros pairavam como assombrações e para um grupo muito específico de alunos, o ar se tornou irrespirável.
Na noite daquele mesmo dia, dez envelopes foram entregues silenciosamente sob as portas de dez dormitórios.
A Carta
Instituto Valentinov
Gabinete do Reitor Honorário
12 de março.
Prezado(a) Aluno(a),
Em virtude do falecimento do estimado professor Volkov, será realizada uma missa fúnebre solene na Capela Principal do Instituto, nesta sexta-feira, às 19h. Trata-se de uma ocasião de honra, silêncio e memória. A presença de todos os alunos é obrigatória.
Contudo, por decisão unânime do Conselho Acadêmico e com respaldo do Alto Patronato, você foi selecionado(a) para prestar homenagem verbal ao nosso falecido mestre. Espera-se que, durante a cerimônia, dirija-se ao púlpito e compartilhe palavras de reconhecimento, respeito e memória.
Esta escolha não é uma honra, é um dever.
Reforçamos que a ausência ou qualquer forma de resistência será tratada com o rigor de quem desonra a memória dos que serviram esta instituição com dedicação e excelência.
Faça valer o silêncio que ele deixa.
Atenciosamente,
A. Tereschenko
Reitor Honorário do Instituto V.
Informações:
O evento do funeral do Professor Volkov vai começar hoje junto com a abertura as 21:00 e vai até segunda-feira (22/07).
Todos os alunos são obrigados a comparecer. É recomendado que vocês postem uma POV do personagem discursando ou reagindo ao funeral. Pode ser breve, emocional ou contido o que combinar com a personalidade dele.
Tags para usar:
valen:eventos → Para POVs relacionados ao funeral
valen:starters → Para interações abertas durante o evento
Qualquer dúvida, chama a moderação, nos vemos no jardim do Instituto.
Hoje, às 21:00 (horário de Brasília), abrimos oficialmente as portas do Instituto Valentinov!
Como falamos nos chats, rolou uma votação e o formato escolhido para o nosso chat OCC será via Discord! Ninguém é obrigado a participar, mas a presença é altamente recomendada, os moderadores desejam que a convivência entre os membros seja a melhor possível, e o Discord é uma ótima oportunidade para plotar, interagir e se conectar com seus colegas de internato antes dos eventos em on começarem! Teremos nosso primeiro evento hoje e ele vai até terça-feira (22/07).
Recomendamos também que todos sigam a nossa follow list, além do blog do Professor Volkov (@gavriilyurevichvolkov), onde vão acontecer lembranças, flashbacks e momentos importantes da narrativa. Qualquer dúvida, os moderadores estão disponíveis para ajudar. Nos vemos em Valentinov e sejam bem-vindos à escuridão.
obs: os links para o servidor do discord foi enviado a todos, se por acaso não chegou até sua inbox avise por favor!