change your mind. @vincent williams
vincentwills:
Vincent podia jurar que seus ouvidos estavam capturando a música do baile de máscaras mesmo quando confinado nos aposentos de Hufflepuff. Para o bem da verdade, sequer tinha cogitado participar do evento que tinha sido o tópico de diversas conversas em todas as refeições, intervalos e momentos onde seus amigos estiveram reunidos. Suas preocupações eram bem maiores atualmente, e ele nem ao menos pretendia se distrair através de bebidas ou dispositivos semelhantes. Até mesmo porque o seu humor um tantinho deprimido iria desfazer o das pessoas ao seu redor, tinha plena certeza disso. Não porque fosse influente, já que o garoto encontrava-se bem longe de ser presunçoso ou dono de quaisquer adjetivos pejorativos. Mas pelo simples fato de prezar por um ambiente agradável nas festas. Elas eram feitas para descontrair e alegrar alunos que tinham motivos demais para preocupações fora dos muros daquele castelo. Então que a noite dos seus colegas fosse feita sem ele, sem aquele afetado pela infelicidade momentânea.
Por sorte tivera Galahad consigo por algum tempo, e nesse meio termo permaneceram conversando sobre qualquer bobagem que viesse em mente. Era a especialidade dos melhores amigos no final das contas. Porém o moreno teve de abandoná-lo por conta de uma suposta dor de cabeça, seja lá o que fosse. O jovem aspirante a healer permaneceu sozinho no salão comunal dos lufanos, os orbes estupidamente azuis encontrando as labaredas que crepitavam o fogo diante dos seus olhos. Deixou sua mente vagar longe, e quanto mais distante ela foi, percebeu que mais voltava para um mesmo ponto: Maxwell. Queria saber como e onde ele estava, ou com quem. “Com quem” em especial fazia seu peito dar uma pequena pontada sôfrega, a qual não consegui reconhecer em seu vasto acervo de sentimentos. Estava consciente de que nos últimos dias sua postura com o ravino era completamente defensiva, e no fundo temia que o loiro desistisse de si por conta disso. Tentou afastar essa linha pessimista ao pressionar as pálpebras duas ou três vezes, os lábios sendo igualmente apertados provocando um perceptível rubor.
Seus trajes simples fizeram-no reclamar por conta do frio, pois aparentemente uma calça social e camisa branca de abotoadura completamente amassada não eram roupas o suficiente para aquecer seu corpo franzino. Aquelas roupas foram a prova de que tivera alguns segundos cogitando ir para a companhia dos demais, porém essa foi anulada ao ponto de seu colarinho estar dobrado e as mangas na altura do cotovelo. Enquanto sentado ele pensou sobre tomar rumos da escadaria e dormir também, contudo a insônia fez Vincent permanecer quieto, encarando a arquitetura rústica do castelo sem a menor intenção ou ânimo de interagir com quem quer que fosse. A exceção daquilo tudo aparentemente não se importava ao ponto de ter perguntado se iria estar com os outros no baile também.
O baile estava em seu auge, segundo uma quinto-anista conhecida que acabara de passar em frente à mesa que Max se apossara desde quando chegara ao Salão Principal. O Ravenclaw não concordava com a garota. Estava entediado, e sentia frio. A música tocava em um tom animado, assim como todos aqueles que dançavam em meio à pista. Os elfos trabalhavam sem nenhum descanso, enquanto muitos bebiam e se fartavam com os alimentos que lhe eram servidos. Pond daria qualquer coisa para estar aconchegado em sua cama com um livro grosso e interessante nas mãos, preparado para dormir quando quisesse. Seu desânimo não era algo novo. A cada dia que passava, o loiro sentia-se um tanto mais triste sem nem sequer entender a razão. De início, jogou a culpa na proximidade assustadora do fim do seu sétimo e último ano em Hogwarts, porém, estava ciente de que aquela desculpa era substituta de um motivo muito maior e mais importante. Só não conseguira encontrá-lo ainda.
Depois de ingerir um copo de suco de abóbora que possuía um sabor duvidoso, sentiu-se verdadeiramente incomodado. Sua garganta se secou imediatamente e uma pressão surgiu na boca de seu estômago. Talvez o líquido estivesse alterado, o rapaz concluiu diante dos sintomas que nunca sentira após beber tal bebida. Sentia falta de Vincent ali. O futuro healer certamente diagnosticaria o que estava lhe acontecendo e lhe diria o que fazer para que aquilo parasse. Embora desconfiasse dos outros líquidos dispostos sobre a mesa, Max serviu-se de outro copo o qual julgou ser firewhiskey. Sentiu a garganta rasgar devido à secura que antes estava e o teor alcoólico que a bebida forte possuía. Fechou os olhos sentindo sua mente nublar por alguns instantes. Nada de diferente, e as sensações anteriores pareciam ter desaparecido. Deu de ombros imaginando que o que aconteceu antes foi somente algo de sua cabeça ou qualquer reação consequente de algo que comera durante o dia.
A melancolia que o assolara há alguns instantes sumiu, dando lugar a uma animação nada usual. Sorriu para alguns casais, aqueles que lá no fundo, sabia que um dia ficariam juntos. Alguns olhares caíram sobre si - o que não era de se surpreender, já que Max nunca foi uma pessoa de espalhar sorrisos sem algum motivo relevante -, porém o loiro os ignorou decidindo que deveria aproveitar mais daquela noite que poderia ser a última que eleteria a oportunidade de se distrair. Tomou um gole rápido do hidromel que jazia ao lado da garrafa de cerveja amanteigada, a qual considerou beber depois de ingerir mais um pouco daquele suco de abóbora com sabor estranho para confirmar que era realmente coisa criada por sua mente.











