Carta nĂŁo dita, escrita com o corpo
VocĂȘ me viu.
E eu te vi.
Mas dessa vez, nĂŁo era mais sobre vocĂȘ.
Durante anos, eu desejei esse encontro.
Revivi diĂĄlogos na mente, ensaiei olhares, imaginei o momento em que finalmente te encontraria â e talvez dissesse tudo o que ficou preso em mim.
Mas ontem, quando o momento chegou,
eu nĂŁo disse nada.
E foi exatamente isso que eu precisava fazer.
Porque meu silĂȘncio nĂŁo foi vazio.
Ele foi cheio de escolhas.
Foi o corpo que falou por mim.
Ficou ereto, firme, presente.
NĂŁo correu, nĂŁo implorou, nĂŁo buscou.
Simplesmente ficou.
VocĂȘ, talvez esperando que eu fizesse o mesmo de sempre â que te olhasse, que te alcançasse, que te provasse algo.
Mas eu nĂŁo sou mais aquela que precisa ser notada para se sentir viva.
Se eu deixei alguma confusĂŁo no seu olhar,
Ă© porque hoje eu sou o que vocĂȘ nĂŁo esperava:
liberta do roteiro antigo.
Cheia de amor â por mim.
Sim, ainda hĂĄ sentimento.
Mas nĂŁo mais a urgĂȘncia de ser respondida.
Hoje, a minha presença é suficiente.
O meu silĂȘncio Ă© inteiro.
Talvez, agora, quem precise pensar sobre issoâŠ
seja vocĂȘ.










