Venho de um tempo marcado
Quando eu tinha um ano e meio,
De meu pai com bulandeira,
nem sequer por brincadeira
quando votei pra prefeito,
me deu em emprego de guarda,
Passava-se as noite inteira
Nas noites frias de inverno
discussão, briga, lorota,
uns que contava aventura,
Quando um bêbo se zangava,
Até que um dia o prefeito
E nela perguntou aos guarda:
“Querem aumento ou promoção?”
eu gritei com a voz rouca:
“Quero promoção, seu Zé!”
tá aprovado, tá promovido,
pro maior posto que houver!”
Me entregou a farda nova,
disse “De hoje em diante,
Nesse tempo, uma irmã minha
Entreguei o cargo a Raimundo,
e me entupigaitei pelo mundo
Quase que o trem não chegava mais
Tinha hora que eu pensava
que tava andando pra trás
Entre solavanco e berro-berro
Quando eu puxava conversa
Quanto mais bom dia dava,
Perguntei pra mais de mil,
que morou na Ari Parreira,
Depois de tanta pergunta,
depois de ouvir tanto não,
tomei banho tirei o grude
pra ter meu dia de guarda
broche, medalha, alfinete
Comprei mais uns acessório,
Na Praça Gentil Ferreira,
Eu parei pra tomar fôlego,
“Que diabo que ele viu neu?
tenente, coronel, capitão,
dos quartéis da redondeza
Disparou tanque de guerra
que chegou do estrangeiro.”
Não quer falar com ninguém,
não pergunta, nem responde.
ninguém sabe onde se esconde.
Sua farda é cor de ameixa.
A impressão que nos deixa
é que é um grande guerreiro.
da guerra dos estrangeiro.
pro quartel e me entregaram
que quando me viu fardado,
me perguntou meio assustado:
“Que está aí fazendo em Natal?
Donde diabo é essa farda?”
Faça um favor, me informe,
qual é a nação que usa esse uniforme,
Quem lhe deu tanta patente,
E porque vossa excelência
não responde continência?
Dotô, eu sou Zé Carrapeta,
Não sei fazer continência
Esse cacete e esse coturno
Porque eu sou guarda noturno