(Havana Rose Liu, 27 anos, ela/dela) Era Uma Vez… Uma pessoa comum, de um lugar sem graça nenhuma! HÁ, sim, estou falando de você CORALIE WONG. Você veio de NOVA YORK, EUA e costumava ser VIOLONCELISTA por lá antes de ser enviado para o Mundo das Histórias. Se eu fosse você, teria vergonha de contar isso por aí, porque enquanto você estava ATUANDO EM UM FILME INDIE, tem gente aqui que estava salvando princesas das garras malignas de uma bruxa má! Tem gente aqui que estava montando em dragões. Tá vendo só? Você pode até ser DISCIPLINADA, mas você não deixa de ser uma baita de uma INFLEXÍVEL… Se, infelizmente, você tiver que ficar por aqui para estragar tudo, e acabar assumindo mesmo o papel de FILHA DA MALÉVOLA na história BELA ADORMECIDA… Bom, eu desejo boa sorte. Porque você VAI precisar!
˖ 𝐬𝐤𝐞𝐥𝐞𝐭𝐨𝐧 ˖ 𝐰𝐚𝐧𝐭𝐞𝐝 ˖ 𝐩𝐢𝐧𝐭𝐞𝐫𝐞𝐬𝐭 ˖ 𝐩𝐥𝐚𝐲𝐥𝐢𝐬𝐭 ˖
𝐁𝐈𝐎𝐆𝐑𝐀𝐏𝐇𝐘:
Oriunda de Nova York, acredita que a cidade contribuiu com o seu amor pela arte, ou quem sabe, apenas o desejo em poder fazê-la a sua maneira. O toque tanto musical quanto teatral, certamente cresceu junto consigo graças a fama presente em cada esquina da cidade, que a moldaram e a transformaram melhor que qualquer membro de sua família ou qualquer influência externa pudesse formar o seu caráter. Independente, sempre soube o que queria desde muito nova, sendo extremamente comprometida com seus objetivos, disposta até mesmo a fazer o que estiver ao seu alcance pelo tão desejado sucesso. O divórcio de seus país a ensinou isso, assim como as infinitas batalhas judicias por dinheiro e, principalmente, a sua tutela. Coralie cresceu sabendo que não pertencia a lugar nenhum e que o drama, é algo que carrega consigo desde o berço.
Ainda na infância soubera que ficar com seu pai não fora uma opção, mas uma necessidade. Não desejava sair da cidade, pois enfim havia encontrado o seu lugar nas cordas de um violoncelo. Deste modo, estar longe da sua mãe, o laço sanguíneo mais forte que um dia já possuiu, não era verdadeiramente uma tormenta para a garota. Tocar era o que a mantinha sã, era o que a acalentava com a ideia de um dia poder fincar raízes firmes em um solo fértil, não apenas dando-lhe uma ideia vaga de sobrevivência como seu pai sempre fizera. Coral sonhava em pertencer a algo, assim como sonhava em um dia entrar para Juilliard, ou quem sabe, em seu sonho mais remoto, tocar em uma das maiores Orquestras Sinfónicas do país.
Embora fosse considerada excêntrica, seus projetos sempre foram desafiadores. Entrar para Juilliard fora a primeira das suas batalhas, que perseverou por uma conquista até que pudesse concretizar a guerra. Coral era obstinada, focada. E por mais fácil que fizesse parecer, tudo para si sempre fora adquirido com muito sacrifício. Por sorte, não se apetecia simplesmente com bons resultados, desejava se superar a todo momento. Estudar fora algo que sempre buscou com afinco, afinal, até poderia ser idealista, mas nunca fora ingênua. E ainda que soubesse que a beleza o carisma poderiam ser atrativos o bastante para auxiliá-la em suas conquistas, queria ser reconhecida por seu currículo invejável e não por sua beleza.
Ainda que talentosa, perseverou por longos anos até apossar-se do seu tão merecido espaço. Contava suas realizações como degraus, sabendo que faltava apenas um para alcançar o ponto mais alto da sua carreira. Se é que poderia pensar daquela maneira. Afinal, Coral nunca se contentou com nada em sua vida. Havia, finalmente, entrado para a Orquestra Sinfônica como uma das violoncelistas quando o maldito livro brilhou. Na maldita exata noite da sua primeira apresentação ao público. Coralie sentia, bem lá no fundo, que seria atormentada eternamente pelo mau agouro de sua mãe graças a sua ingratidão, porém, não pensou que tudo começaria a dar errado justamente da forma como havia acontecido.
𝐇𝐄𝐀𝐃𝐂𝐀𝐍𝐎𝐍𝐒:
Seus trabalhos como atriz não são nenhum segredo, porém, embora houvesse tentado arduamente fazer disso além de um hobby, seus projetos nunca deslancharam. Acredita que ninguém assistiu metade dos filmes de horror que protagonizou.
Foi a única violoncelista da Orquestra de Câmara de Nova York por bons anos, ficando no limbo por mais tempo do que acreditou ser merecedora.
Apaixonada por histórias de Terror, acredita ser a maior fã de Junji Ito de todos os tempos. E seguindo nessa mesma vertente, também á uma grande fã de musicais e produções teatrais.
Não acredita em amor a primeira vista ou relações monogâmicas. Enfim, a hipocrisia.
Além de violoncelo, Coralie também sabe tocar harpa.
"Bolas de cristais são comuns por aqui?" Virando-se para a pessoa atrás de si na fila, questionou. Coralie era descrente o bastante para não acreditar que algo do tipo seria possível, mas lá no fundo, ainda tinha esperança de que pudesse estar errada. Era um mundo mágico, afinal! No entanto, sabia que em seu mundo aquele tipo de atividade estava ligada aos charlatões. Quais as chances de algo semelhante existir naquele mundo? Com toda a aura mágica, ao menos, poderia estar diante de uma possibilidade. Ainda que duvidasse da capacidade de obter as respostas desejadas para todas as suas dúvidas que obtinha. "Queria não me sentir uma tola por estar nessa fila. Acho que voltar para casa meio que já virou uma lenda urbana." Estava mesmo em seu inferno pessoal sem qualquer chance de retorno. "Está querendo alguma resposta específica?"
"pode ser os dois?" brincou com uma breve risada. "eu gostei bastante. acho que se dependesse de mim, você vencia esse negócio de fantasias." falou com sinceridade, conseguindo até sustentar o contato visual, ignorando fortemente a segunda cabeça. ainda era coralie ali, com os mesmos olhos de sempre. "ah! não, tá tranquilo. essa segunda cabeça não se mexe? tipo os olhos?" olhou rapidamente, já sentindo uma pequena aflição só de imaginar aqueles olhos se movendo. "a gente devia tentar assustar uns fantasmas." sugeriu com um sorriso quase travesso. "é isso mesmo! você pode, tipo, ter pego algo clichê, mas transformou num negócio muito legal. então, te dou pontos por isso." a cutucou no braço com seu cotovelo. "é mesmo... saudades ver aquele efeito verde tosco." suspirou, como se realmente sentisse muita falta disso. talvez sentisse mesmo, mas não era hora para isso. "é... eu tava sem ideias..." levou uma das mãos até a nuca, esfregando o lugar. "só quis combinar com alguém para não pensar muito. e, sei lá, deu sorte de ser uma boa referência."
"Acho bem difícil." Não era de fazer uso da falsa modéstia, e não começaria justo agora. Coralie sabia que competições estavam muito mais conectadas a popularidade do que realmente qualidade. "Sim, os olhos piscam. Eu gosto de pequenos detalhes." Tirando um pequeno controle dos bolsos da saia do colegial, apertou um dos botões. E em imediato os olhos da segunda cabeça piscaram, deixando um sorriso largo nos lábios avermelhados da chinesa. Por motivos como aquele o halloween era uma das suas festas preferidas do ano. "São fantasmas, Chloe! Não vão se assustar com a cabeça da Tomie." Ao menos era o que ela acreditava. Além do temor em acabar sendo possuída por um deles. Coralie gostava de fantasmas apenas nas páginas dos seus livros e nas telas da sua televisão. "É uma excelente referência. Vocês arrasaram muito na escolha."
a fantasia de coralie certamente era uma das melhores da noite, mas também causava arrepios na padeira. demorou um instante para se acostumar com o que via, processando lentamente suas palavras. aquela não era a fila da comida? oh... "sim! vim, sim. podemos ir juntas." concordou sem pensar, oferecendo um sorriso curto. "quem você quer entrevistar? só para saber... se pensamos o mesmo. hm, desculpe, mas o que é sua fantasia?"
"Ouvi dizer que o Drácula estaria presente." Comentou com um sorriso largo, tão empolgada quanto alguém que estava prestes a conhecer um astro do rock. Ou, ao menos, o mais próximo disso, tendo em vista que Wong não conhecia quase nenhum artista da atualidade uma vez que a maioria dos seus ídolos estavam mortos há mais tempo do que ela tinha de vida. Coralie se empolgava com poucas coisas na vida, mas naquele momento estava tão empolgada quando se olhou no espelho e viu o reflexo perfeito de Tomie Kawakami. "Quem você quer entrevistar? Eu posso te acompanhar." Com os olhos brilhando, voltou-se para Riley mais uma vez.
parada ao lado de coralie, balançava a cabeça sutilmente no ritmo da música, enquanto observava vivos e mortos se divertindo com histórias e danças. "me pergunto se os fantasmas se assustaram com sua fantasia porque ninguém tentou possuir a gente até agora." comentou em tom de brincadeira, dando uma olhadinha nela, com um sorriso curto. "eu sei que já disse isso, mas ficou muito legal sua fantasia." disse, não demorando para desviar o olhar. "é realista até demais..." riu fraco. "queria ter pensado em algo mais criativo também."
"Você gostou mesmo ou está assustada?" Foi inevitável não questionar ao perceber a forma como Chloe desviava o olhar todas as vezes que fazia contato visual. Tanto que Coralie até mesmo ria em alguns momentos. Seus trajes em si, não tinham qualquer singularidade. No entanto, a segunda cabeça grudada ao lado do seu pescoço estava mesmo dando o que falar. O que deixava Coralie muito feliz em, finalmente, poder realizar aquele sonho. "Posso tirar a cabeça se estiver te incomodando. Digo, a segunda cabeça." Ainda seria Tomie Kawakami sem ela, logo, não queria deixar a outra desconfortável de alguma maneira. "Ah, nem é tão criativo assim. Usar uma fantasia de Tomie é meio que previsível pra qualquer fã de Junji Ito. Apesar de que a Tomie com sua segunda cabeça é mais complicado." Deu de ombros, preferindo não se aprofundar naquela parte. "Eu gostei da sua fantasia. It é um clássico! E você veio combinando, né? Vi sua Pennywise passeando por aí."
"Veio pra entrevistar alguém de um conto clássico também?" Perguntou, ao reconhecer Riley na fila pouco à frente. Coralie estava tão empolgada e tão preocupada em equilibrar sua segunda cabeça que mal havia prestado atenção nas pessoas que compartilhavam o mesmo espaço consigo, parando apenas para conversar com os que se interessavam pela maquiagem artística que estava usando. "Podemos entrar juntas, se quiser. Eu vim sozinha mesmo, e disseram que seria mais legal ir com um amigo." Propôs, dando de ombros. Não imaginava a outra garota naquele tipo de atração, mas não quis dizer algo parecido naquele momento. Talvez ela estivesse na fila errada.
𝐂𝐎𝐑𝐀𝐋𝐈𝐄 vestida de 𝐓𝐎𝐌𝐈𝐄 𝐊𝐀𝐖𝐀𝐊𝐀𝐌𝐈 para o festival de 𝐇𝐚𝐥𝐥𝐨𝐰𝐞𝐞𝐧.
Como uma fã de Junji Ito, era previsível se caracterizar de algum personagem do mangaká. Porém, dentro de uma realidade, jamais se perdoaria se não fosse Tomie em sua versão mais aterrorizante por apenas um dia.
Hansel geralmente era um cara desconfiado. Depois que foi praticamente sequestrado por uma bruxa quando ainda era uma criança, ele passou a ver o mundo de forma mais atenta. E Hansel sabia agora que tinha muita sujeira naquele mundo. Mesmo depois de se tornar um caçador e mandar algumas bruxas e feiticeiros sombrios para Malvatopia, parecia que nunca estaria livre deles. Mesmo ali no reino dos perdidos, quase esperava que alguém pulasse de uma árvore para o encurralar, e não ajudava a ficar menos tenso com os sonhos caóticos que tinha no reino dos perdidos. Hansel, no entanto, continuava seu dia como se fosse um rapaz despreocupado. Como se nada o abalasse.
Enquanto andava pela praia da sereia, notou uma pessoa por perto, sentava em uma cadeira do local olhando para o oceano. Ele conhecia Coralie de algumas visitas que fez no Sinister Mirage, e algo nela o chamava a atenção. Era uma mulher bonita, é claro, mas o fato dela se tornar uma vilã no futuro... bem, Hansel queria assistir aquilo de camarote. Se ela um dia se tornasse o que estava destinada a ser... ele precisava ficar atento. Além disso, não podia deixar que ela machucasse Aurora. "Um merlo pelos seus pensamentos?" Puxou conversa com ela. "Por que não vamos numa barraca pegar uma bebida? O dia está lindo demais pra deixar sair fumaça da sua cabeça de tanto pensar." Ele falou brincando, passando a mão no ar acima da cabeça de Coralie, fingindo abanar a fumaça invisível dali.
Apertava a pérola presa no lóbulo de sua orelha enquanto encarava o horizonte e viajava em seus pensamentos. Era como se, daquela maneira, pudesse ser transportada para um outro lugar, ou ao menos o seu intelecto fosse para qualquer outro ponto no espaço que não fosse o que estava presa. Coralie tinha a consciência de muito estava por vir, por mais que muita coisa já estivesse mudando tanto dentro de si quanto em sua volta. Por isso parecia tão apreensiva, tão preocupada com qualquer nova surgindo em sua vida. A aproximação repentina fez seu coração falhar uma batida, levando a mão ao peito quase que de imediato. Soltando assim a respiração ao ver que tratava-se apenas de Hansel. Que por alguma razão esquisita estava puxando assunto consigo aleatoriamente. Como uma mulher naturalmente desconfiada, foi inevitável não se perguntar o que aquilo poderia significar. Mas tentou se manter no âmbito da simpatia. "Acho que meus pensamentos não valem tanto assim." Não queria parecer depreciativa, ou áspera de qualquer maneira. Por isso sorriu, como se o que dizia fosse uma simples brincadeira qualquer. Quando sabia muito bem não ser o caso. Jamais compartilharia qualquer pensamento seu com uma outra pessoa que não fosse de sua confiança. "Mas você tem razão, o dia está mesmo muito bonito." Concordou, embora ainda estivesse bastante incerta daquela aproximação. Estar sempre esperando o pior, às vezes, era bastante cansativo para Coralie, por isso, apenas naquele momento, decidiu deixar suas suspeitas de lado. "Então, por que não, né?" Levantando-se de onde estava sentada, caminhou junto ao rapaz. "O que costuma beber?"
Ainda não estava habituada a perambular pelas dependências do Sinister Mirage. No fundo, sentia-se como uma intrusa, alguém que a qualquer momento seria pega em alguma infração, por mais que Wong tivesse a plena consciência de que nada do que fazia era irregular. Estar daquele lado da história ainda era esquisito, por mais que a todo momento se questionasse o motivo pelo qual estranhava tanto. Malévola, no fim, havia lhe aberto as portas de seu estabelecimento, assim como também havia lhe dado a liberdade para se aproximar. Então, por que ainda existia a sensação de ser uma intrusa? Talvez fosse pela maneira como os outros envolvidos também pareciam vê-la de tal forma. E isso sempre alimentava uma parte de si que por tanto tempo desejou se encaixar em algo. Deixou de lado o instrumento que afinava, assustando-se com a presença de Diaval nas sombras do palco. "Por Deus!" Pôs uma das mãos sobre o peito, controlando a respiração após entender que não havia nenhum perigo iminente. "Diaval, não tinha te visto aí todo esse tempo." O informou, deixando-se aproximar alguns passos do rapaz. "Desculpe, estou te incomodando? Achei que não havia ninguém, estava apenas afinando o instrumento."
Aquela era uma pergunta que Phillip se fazia desde o instante que pisou no estabelecimento, mas não só essa, também se questionava sobre continuar pensando nela, mesmo sabendo que não deveria. O que o arrastava até Coralie todas as vezes? Era inquietante não saber responder. "Honestamente? Queria saber como estava. A última vez que nos falamos, você poderia voltar para casa, para sua vida e me parecia feliz com isso, mais leve.", compartilharam até alguns medos durante o passeio na roda-gigante. E por um instante, ele tinha se deixado levar pela sensação confortável do momento, do quanto parecia natural abrir-se com ela, ser honesto com ela, e que um momento que tinha tudo para ser desesperador, virou algo leve. "É, parece mesmo.", limitou-se, o pequeno sorriso acompanhando o dela. "Torço para que consiga o que deseja. Faço isso desde o primeiro dia, quando nos encontramos na loja de antiguidades. Se for voltar, espero que sua vida esteja no mesmo ponto em que chegou aqui, seria o justo não?", por outro lado, também não tinham certezas de nada, e se no outro mundo ela tivesse apenas desaparecido? E a vida das pessoas tivesse seguido sem ela? Não tinha coragem de projetar esses questionamentos em voz alta, não queria vê-la triste. "Acredito que sim. Espero que não seja um problema, ou muito estranho.".
A troca de olhares silenciosa a fez pensar na resposta que ouviu por parte dele. Alguma coisa lá no fundo lhe dizia que aquela estranheza derivava de alguma influência mágica que perambulava pela história dos dois, mas não a incomodou a princípio. Coralie sabia como as coisas acabariam, e não poder ter o controle do que fazer a respeito a deixava um pouco preocupada. Ainda que soubesse que Phillip não estava nem um pouco disposta a levar aquilo a diante, resumindo a relação de ambos em uma boa amizade. "Não sei se as coisas vão estar como eu espero que estejam. Até mesmo aqui... tudo parece estar seguindo um curso inesperado." Pensou em acrescentar a mudança da relação dos dois, mas não quis parecer invasiva. Não sabia até que ponto tinha a liberdade para expressar como se sentia em relação a Phillip, ou quiçá Aurora. "Mas eu torço para que sim. Torço para que a vida de todo mundo continue exatamente como deseja." Deixou um curto sorriso esticar as extremidades da boca, tentando soar simpática ao dizer aquilo. "O quê? Me encontrar?" Franzindo o cenho, demorou a entender o que ele queria dizer. Mas logo sorriu mais uma vez, balançando a cabeça. "Não somos inimigos, Phillip. E também não acho que evitarmos de nos encontrar vai resolver o nosso possível relacionamento. Então... não é exatamente um problema para mim."
"você deixou mais esquisito do que precisava ser." implicou em tom de brincadeira, chegando até a empurrar de leve usando seu ombro. não sabia porque estava prolongando isso, mas algo em si queria saber o que ela achava de... não, não deveria querer saber essas coisas. "não é dos meus favoritos, mas acho legal." colocou as mãos nos bolsos, a olhando com um curto sorriso. "são boas continuações, considerando que poderiam ter estragado tudo... ficou razoável. tem algum desenho que você gosta?" arqueou uma sobrancelha, não lembrando se já haviam mencionado algo assim. "mas... sei lá, malévola poderia ajudar com isso. não sei como ela faria isso, mas... seria legal te ajudar." deu de ombros, checando o caminho e verificando que estavam praticamente na entrada do centro de contenção de crise. agora só faltava chegarem em seus respectivos dormitórios.
"Não, eu nunca fui muito ligada nisso de Disney. Passei muito mais tempo tocando do que vendo TV." Sabia que sua resposta era bastante decepcionante, mas não poderia inventar uma paixão que não existia. Coralie gostava de poucas coisas, assim como também conhecia poucas coisas, logo, não havia muito sobre o que discorrer além dos mesmos assuntos que Chloe já estava cansada de saber sobre. "Talvez eu tente conversar com ela sobre isso, não sei..." Talvez não fosse ter coragem para falar sobre algo tão trivial, no entanto, fez uma pequena anotação mental sobre aquele tópico. Coralie temia que algo ainda pudesse acontecer consigo, então seria bom estar preparada para tudo. "Isso me lembra que ainda preciso ir ao cinema. Você já foi assistir alguma coisa por lá?"
"ah... não seria uma qualidade ruim, mas uma questão de gosto." agora sim estava compreendendo! e o sorriso em seus lábios mostrava que gostou da sensação. "alguém chegou a dizer algo?" perguntou, não ficando surpresa com a informação, mas desapontada com as pessoas do reino. era óbvio para a padeira que ninguém gostaria de estar ali, naquela situação. poderia ser ingenuidade sua, mas acreditava nos relatos dos perdidos. "é tão diferente assim? vou pensar bem em quem chamar."
"Basicamente." Balançando a cabeça, acreditou que estavam em um rumo onde o que dizia parecia fazer sentido para ambos. Finalmente! "Algumas coisas não precisam ser ditas. Entendo que não deve ser nada fácil para vocês conviver com estranhos ocupando espaços na história de vida de cada um, mas não é como se fosse uma escolha nossa também." Não queria começar a se lamentar, ao menos não naquele momento. Coralie estava farta de ser vista como uma espécie de vítima, quando o seu espaço simplesmente não estava sendo respeitado. Oras, também não queria estar naquele lugar sendo a chifruda de ninguém! "Eu não sei, vocês tem filmes aqui? Ouvi alguns canons dizendo que era bem diferente, então acredito que vocês não estejam tão habituados com o horror."
"Parece, tudo parece uma piada horrível. Quando vim parar aqui pela primeira vez, pensei que estava maluca. Sério, meu primeiro pensamento foi: eu não deveria ter misturado alguns remédios antes de dormir." Balançou a cabeça, lembrando que seu segundo pensamento fora como tinha ido parar em uma realidade alternativa no meio de uma palestra. E que seus amigos cientistas ficariam malucos quando retornasse e contasse de sua experiência. No entanto, Vicky sequer tinha esperanças de voltar agora. "É ruim ter chifres e é ruim pegar fogo. Você acredita que conheço alguém que terá um chifre de verdade? Apenas um. Ela vai virar um unicórnio." Um futuro como um animal parecia lamentável também. "Não qualquer unicórnio! Um unicórnio com chapéu." Achava graça de ser especificamente um animal de chapéu, mas entendia como deveria ser terrível também. "Fico feliz que esteja disposta a me ajudar, mas ninguém parece saber o que fazer. Só ouço promessas e algumas pessoas dispostas também, mas sinto que eu preciso fazer alguma coisa, principalmente porque acho que minha existência está ligada a da Menina do Fogo e o destino dela não é muito concreto." Ela desaparecia, era tudo o que sabia. "Não dá para acreditar que fomos jogados aqui para sofrer, entende? Eu acreditaria que é o purgatório se não houvessem algumas coisas boas." Tentou sorrir, uma tentativa de suavizar o clima. "Há alguma coisa daqui que você goste, Cora?" Indagou, logo após deixar escapar um suspiro. "Estou tentando fazer a minha parte para evitar isso, mas por enquanto apenas... Tento também não pegar fogo e incendiar as coisas."
"E eu achei que tivesse morrido." Acabou rindo ao dizer aquilo, considerando bastante absurdo tendo em vista que seu primeiro pensamento havia sido de que fora atropelada por um ônibus. Com a sorte que tinha, não era muito difícil que tudo aquilo não passasse de um delírio e o seu corpo estivesse, de fato, em um leito de hospital em coma. "Unicórnio com chapéu?" Sua expressão de estranheza era muito maior pela dificuldade em engolir as ideias mirabolantes daquele lugar do que realmente considerar a existência de um animal alado usando um chapéu, por exemplo. "Acredito que uma ajuda realmente não vai ser possível, mas talvez pesquisarmos um pouco sobre a sua condição possa te ajudar a entender algumas coisas." Ao menos assim não se sentiria tão incapaz em não poder fazer nada para ajudá-la. "Isso de ter os destinos misturados é o que mais me incomoda." Um suspiro lhe escapou evidenciando sua exaustão. De certo que sua relação com os envolvidos em sua nova história não estava lá das piores, porém, também não poderia dizer que tudo aquilo estava de fato atrapalhando sua vida. "Não sei dizer se existe algo daqui que eu esteja simpatizando. Parece que estou sempre brigando por um pouco de espaço, isso também é bastante cansativo." Deu de ombros. "Mas estou tentando focar em distrações para não enlouquecer."
A face de Victoria se retorceu em uma expressão de quase desprezo. "Esse mundo tem mesmo uma vibe medieval. Tudo isso o que você disso parece combinar." Tinha conhecido Phillip, parecia um cara legal, mas o fato de ter estado com ela enquanto casado provava que o caráter não era grande coisa. Não que Vicky estivesse distante demais da situação também. "É confuso, não é? Porque tudo parece se encaminhar para que vocês não se gostem. Eu tenho medo de que seja um destino do qual a gente não possa fugir." Mexeu de maneira nervosa em uma pulseira do pulso, suspirando. Apenas uma singela tira de tecido, o termómetro próprio de Victoria, porque ela sabia que se aquilo queimasse, estava perigosamente perto de queimar também. "É realmente ruim, mas ninguém parece ter um destino legal aqui. Conheci pessoas que vão virar animais, consegue acreditar? Sinceramente, não sei o que é pior!" Havia conhecido pessoas cujo destino era se tornar hiena. Victoria pelo menos conservaria sua consciência e não sabia se o mesmo poderia ser dito das hienas. "Parece que a magia só alterou as coisas para o pior. Não tem ninguém que vai virar uma bela princesa com uma pilha de dinheiro ou uma pirata destemida com um navio incrível. Só coisas horrendas." O astral não estava grande coisa, portanto suspirou. "Não precisa esquentar comigo." Brincou, tentando abrir um sorriso. "Quem esquenta aqui sou eu. Tenho pensado em maneiras de converter isso ao meu favor se eu não puder mesmo evitar." Embora quisesse, desesperadamente, evitar.
"Não parece como uma piada de mau gosto pra você?" Nunca havia verbalizado tão sentitmento antes, mas imaginou não ter problema fazê-lo justo com Victoria. Ela era uma das poucas pessoas que confiava naquele lugar, ainda que soubesse que algo assim não poderia ser possível. Talvez mais em breve do que gostaria de acreditar, todos se tornariam completos estranhos um para os outros. Ao menos, alguns perdidos. "Ninguém vai ter o maldito feliz para sempre, só vai existir mais caos e mais desgraça. Como se algumas histórias aqui já não fosse desgraçadas o bastante." Afinal, algumas das histórias da Disney sequer poderiam ser retratadas como histórias infantis tendo em vista o conteúdo obscuro que muitas delas possuíam. "E eu achando que seria ruim ter chifres." Não conseguiu evitar a brincadeira, ainda que se imaginar virando um animal fosse mesmo desesperador. "É claro que preciso! Somos amigas, além do mais se existisse alguma maneira de eu não me enfiar em um triângulo amoroso ou não me preocupar com Phillip e muito menos Aurora, eu ia gostar de saber." Explicou, como se fosse algo óbvio. Porque no fim, era como Coralie se sentia sobre aquilo. Acreditava que para Victoria, aquela altura, estava sendo muito mais caótico, então era evidente que ela gostaria de ajudá-la.
hércules caminhava pelas ruas decoradas da avenida principal , tentando se acostumar com a ideia do halloween . o outono já tinha deixado seu toque nas folhas secas espalhadas pelo chão , e o ar fresco trazia uma sensação nova para ele . halloween … ele não entendia muito bem por que as pessoas gostavam de ser assustadas , mas … parecia divertido . em uma das barracas , hércules viu uma abóbora de plástico , com um rosto esculpido de forma ameaçadora . um sorriso bobo surgiu em seu rosto , e ele decidiu que iria "entrar na onda" . puxou a abóbora da pilha e , sem pensar muito , enfiou a cabeça nela . enquanto ele ajustava a abóbora de modo que seus olhos pudessem espiar pelos buracos irregulares , viu uma perdida caminhando pela rua . ela seria a vítima perfeita ! sem fazer barulho , hércules se esgueirou até perto dela , se preparando para o grande susto . ele encheu os pulmões e , quando estava perto o suficiente , soltou um “BUUUU!” — nenhuma reação . ele ficou paralisado por um momento . ‘ pensei que seria engraçado . ’ depois de uns segundos , tirou a abóbora da cabeça , meio desajeitado , e seus cabelos bagunçados caíram sobre sua testa . o rosto dele estava um pouco vermelho de vergonha , mas ele deu uma risada leve para disfarçar o desconforto . ‘ ah ... bom , acho que não sou muito bom em assustar pessoas . ’
Uma feira de Halloween dentro de um conto de fadas fora um inesperado acontecimento para Coralie. Visto que não esperava que os moradores daquele lugar pudessem ser adpetos as tradições de seu mundo ou qualquer outra que já não tivesse ciência, que não houvesse sido retratado em um do seus filmes. Não era exatamente uma novidade a paixão que tinha por àquela época do ano, dado que o gênero do horror estava enrraizado na Wong desde suas predileções até o seu trabalho secundário. Enfeitar sua casa, entalhar abóboras ou produzir as melhores fantasias era uma das suas metas a cada novo ano, nunca repetindo uma ideia ou decoração. Ver um pouco daquilo dentro do que considerava ser um pesadelo, fora como um breve afago; ainda que estivesse bastante incerta se tudo aquilo não acontecia por um propósito maior, ou por influência dos seus novos habitantes. Mesmo assim não viu problema em explorar e bisbilhotar cada mínima folha presente no local, guardando até mesmo algumas ideias para que pudesse usar assim que voltasse ao seu mundo, algum dia. Estava tão distraída graças a todos os estímulos ao seu redor que demorou a perceber o murmúrio masculino, girando o pescoço tardiamente ao que deveria ter se assustado com a tentativa falha de lhe causar qualquer sobressalto. "Acho que acabou por ser engraçado, sim." Com um sorriso contido nos lábios, a chinesa balançou a cabeça em concordância. Porém, ao vê-lo se livrar da abóbora que escondia sua identidade, sua expressão mudou prontamente. E com os olhos mais abertos em um pequeno e silencioso assombro, deu um passo para trás, receosa. Sem aquela máscara improvida, ela certamente teria gritado como em uma cena de horror de um dos seus filmes ao dar de cara justamente com Hércules. "Você só escolheu uma pessoa que não se assusta com tanta facilidade."
contratar coralie era um risco grande, mas um risco que malévola não poderia evitar correr. por maior que fosse o medo que ela sentisse de seu possível futuro, os sonhos que estava tendo com uma criança igual à garota que estava na sua frente faziam com que ela desejasse poder conhecê-la. queria saber o mínimo antes que suas memórias reais sumissem e ela começasse a ter apego por coralie por que precisa e não por que queria. talvez isso fosse só piorar a situação, talvez isso fosse terrível e um tiro no próprio pé, mas já estava feito. coralie era a mais nova contratada do sinister mirage e malévola tinha se encarregado de apresentar o local para a garota. após percorrer os três andares e explicar como as coisas funcionariam, malévola voltou com ela até o térreo. “o que achou?” não queria ter seu ego afagado, mas sim queria uma opinião sincera, visto que seu objetivo sempre foi o maior conforto de seus empregados. caminhou até o palco no canto do salão, onde alguns instrumentos tinham ficado da noite anterior. “acha que esses instrumentos são o suficiente?” perguntou, tocando no violoncelo que há muito já deveria ter sido guardado. ela queria que coralie o visse e dissesse se ele é bom o suficiente. os violoncelos do mundo dos perdidos eram diferentes? não sabia dizer.
Não poderia negar que no fundo desejava saber por qual motivo Malévola havia aceitado contratá-la. Tudo bem que se candidatar para a vaga era de extrema ousadia de sua parte, porém, no fundo sabia que se fosse mesmo necessário arranjar um emprego, seria melhor tê-los com os que viriam ser os seus aliados no futuro. Por mais que não houvesse qualquer garantia de que sua figura materna — por mais esquisito que fosse pensar aquilo — iria vê-la, verdadeiramente, como sua semelhante. Porém, para Coralie, aquele terreno lhe parecia muito mais seguro de ser explorado do que se arriscar com qualquer outra pessoa. Lhe parecia até mesmo interessante conhecer um pouco mais sobre a outra mulher e o seu estabelecimento. "Quantos músicos pretende ter por aqui?" Com a quantidade de instrumentos, era previsível que Coralie não fosse a única, ainda que estivesse incerta de que música clássica combinasse com uma casa de shows. Talvez, ela tivesse que acabar tendo que se modernizar e modernizar a música que costumava fazer. "Está perfeito! Não estava esperando que os instrumentos aqui fossem tão semelhantes aos do meu mundo."