Eu gosto de pensar na gente, porque consigo reparar como o tempo tem o seu jeitinho particular de agir. Veja bem, vou exemplificar: eu sempre te olhei, mas nunca te vi, entende? Sabia quem você era, mas não te conhecia. Ria das suas piadas, mas não reparava no tom da sua voz. Engraçado, né? Até que, num daqueles encontros com álcool, narguilé e música alta, a gente dançou - mesmo eu tendo tropeçado no seu pé, sem ritmo e nem compasso. E aí, a gente se beijou. Tudo bem, ninguém se apaixonou logo de cara. Seguimos nossas vidas, nos encontramos algumas vezes, mas só alguns meses depois que, de fato, nossos universos se colidiram. E foi uma maratona sem fim. Não sabia o que era gostar de alguém, porque fazia tempo que não sentia aquele borbulhar dentro de mim. Tive medo. Fugi. Brigamos. Não foi um desentendimento, nem mesmo dois. Era ruim discutir contigo. No fundo, eu já sabia: eu tinha um carinho a mais. Acho que um dos momentos que mais me marcaram, entre nós dois, foi quando sentamos lado a lado e eu passei a mão no seu rosto. Te admirei. Você é lindo, sabe? Naquele dia, era só eu e você. E, desde então, somos apenas nós. Eu nunca pensei que iria te escrever, porque quando despejo as palavras em uma folha em branco, meu sentimento já explodiu. E eu fiquei tímida em dizer (e ainda fico), porque admitir esse amor, às vezes, me assusta. Mesmo assim, quero voar contigo. Quero te ver ao meu lado, crescendo, descobrindo o céu e sorrindo com a luz do sol. Te vejo sereno, encantador e majestoso: teu corpo é vida, teu corpo é paz e abrigo. Sou eternamente grata pela demora do tempo em nos unir. Não teria dado tão certo se fosse antes, se fosse com pressa, se fosse de qualquer jeito. A gente caminhou bastante para chegar aqui e, eu tenho certeza, caminharemos muito mais. A diferença é que, agora, nossas mãos seguem juntas. Eu te amo. E eu vou deixar registrado isso aqui, porque é o meu jeitinho de eternizar algo que, para mim, se torna infinito, cada dia mais, no universo que construímos para nós dois.
















