DEAD — dexter lipton - webster . mais conhecido como debster . nascido e criado em devil’s kettle . filho do diretor do colégio de ensino médio .
trigger warning: agressão física contra mulher, feminicídio, menção a suicídio e drogas.
dexter sempre teve tudo do jeito que quis, do jeito que pediu. dinheiro, carros, notas boas, um futuro brilhante pela frente. sem grandes problemas, sem grandes complicações, seus pais deram um ambiente confortável e seguro para que ele fizesse o que bem entendesse.
ao menos, foi o que sua mãe fez — ou o que ela tentou fazer.
fora dos holofotes da cidade, das reuniões de pais e professores, dos restaurantes e da vida em sociedade, harold webster não era bom marido. in fact, nem um marido ele deveria ser considerado, porque nunca chegou a legalmente casar com marissa lipton, uma cantora em ascensão.
o rosto de marissa era intocável, mas não o resto de seu corpo. para a sociedade, suicídio. para o filho, um trauma. para o companheiro, um desvio de conduta.
harold batia tanto em marissa que seu cóccix foi quebrado em três partes. somente uma vértebra restou intacta.
harold batia tanto em marissa que ela abandonou a carreira musical porque não conseguia ficar em pé em seus shows.
harold batia tanto em marissa que a casa foi reformada para melhorar o isolamento acústico, a fim de abafar os gritos de raiva, de dor e de tristeza. harold com raiva, marissa com dor e debster afundado em tristeza.
"dexter, você era pequeno, magro, fraco... não tinha como lutar contra seu pai” era o que falariam. e realmente era pequeno, magro e fraco, mas poderia ter feito alguma coisa. poderia ter pedido ajuda, mas ele lhe mataria. poderia ter contato para alguém, mas ele lhe mataria. poderia ter ameaçado ele com a arma escondida debaixo do armário do banheiro da suíte de seus pais, mas ele lhe mataria. no fim, dex e sua mãe seriam mortos e harold ainda caminharia livre pelo mundo.
o trauma de perder a mãe nessas condições aos quinze anos transformou dexter. não era luto, era desespero, era medo. morava com alguém que tinha condições e capacidade de matar. isso não era seguro. conseguia ouvir os gritos de sua mãe ecoando pela grande residência da família. sabia exatamente onde a cabeça dela havia batido e onde seu pai havia chutado a mãe. se a polícia quisesse, dexter poderia refazer toda a cena do crime, porque viu e ouviu tudo. afinal, harold fazia questão que dexter visse o que poderia acontecer a ele se desobedecesse.
mas, aos quinze anos, órfão de mãe, dexter tomou uma decisão: transformar seu desespero em uma arma. foi assim que entrou para a academia, começou a comer melhor, adquiriu novos hábitos saudáveis. seu corpo tomou forma com sua dedicação e a puberdade. sentia-se mais forte para combater o pai, se fosse necessário.
a segunda decisão decorrente da primeira foi tornar-se um peso e, ao mesmo tempo, um empecilho. chantageando o pai após coletar e reunir evidências que poderiam derrubá-lo rapidamente, debster poderia fazer tudo o que quisesse.
festas, álcool, drogas, viagens caras, compras absurdas e desnecessárias. dexter tinha o que queria, quando queria, na hora que queria. e se não tivesse, você se pergunta? a verdadeira face de seu pai seria, aos poucos, revelada à polícia.
seu pai podia ser tudo, mas não era burro. sabia que o filho poderia prejudicá-lo tanto quanto ele poderia prejudicar o próprio filho. não podia simplesmente desaparecer com dexter. não quando o suposto suicídio de marissa ainda parecia afetar seus tristes e ainda sentimentais fãs. e dex sabia disso, o que tornou tudo mais fácil.
debster é diferente. ele prefere ser o ponto das atenções fora de casa porque dentro dela é invisível. ele prefere sair, ir pra festas, porque ficar em casa significa reviver. ele prefere ir para a casa da THE FINAL GIRL do que ficar na sua porque lá é silencioso até se todos decidirem gritar ao mesmo tempo. ele prefere ter várias ficantes do que se comprometer porque se comprometer significaria confiar e ele só confia nele mesmo. ele é criativo porque tocar seu violão e criar melodias significa reviver a sua mãe, que era cantora. ele é confiante e confia em si mesmo porque se não confiar nem em si, significa perder e deixar outra pessoa ganhar (no caso, seu pai).


















