Uma vez eu aprendi que o medo é o que nos mantém vivos. Do mesmo jeito que aprendi, também, que medo demais paralisa. E eu vivo como uma estátua. Acho que tudo isso me fez cansar de palavras bonitas e frases suntuosas. A verdade é que eu andei presa na ideia de uma felicidade mentirosa. Talvez a maioria também passe por isso, as pessoas nos cobram demais uma satisfação plena e subtendida. O problema é que tudo o que sobra são correntes em forma de amor e contentamento. Mas agora, em outra noite que eu passo acordada, sozinha, eu finalmente consigo enxergar minha cegueira. Irônico. Eu finalmente percebi que a solidão nunca me abandonou, meu infortúnio nunca deu lugar a acomodação. Quem sabe seja mais seguro viver assim, longe, escolhendo a dor no lugar da alegria. Porque todo mundo sabe lidar com a alegria quando plena, no entanto, quando se dá espaço pro sofrimento, ele devasta. Eu já sei como é ser devastada, minha ruína me cativa, me acolhe. E eu me aninho nos seus braços como a vida no abraço da morte. Hoje eu me lembro, amanhã quem sabe?













