Um redemoinho de memórias vem enchendo os meus pensamentos e atormentando a minha pérfida paz, as lembranças se penduram no teto e caem sob a minha cabeça, que já perca em mentiras consome a minha salubridade. E eu já não posso mais gritar. Não posso mais bradar a minha condolência, que é olhar pra essas mesmas paredes todos os dias e sentir o mesmo chão por debaixo de meus pés. Essa maldita monotonia me persegue, e eu sou condenada a ela. É como querer arrancar correntes com as próprias mãos. As chaves das minhas algemas nunca existiram. Sempre fui presa a morte, e ela a mim. E o pior de tudo, eu não quero me desamarrar, eu gosto dessa maldita sentença. Porque seguido de monotonia vem a solidão, que se aconchega, e nela eu me enxergo, me encontro. A miséria é meu aresto. E desse báratro, talvez eu possa tirar uma salvação, um regalo, pra que valha a pena residir.
E talvez dessa poesia, eu possa tirar um verso, que valha a pena recitar.












