sem muita pressa pro sono, sempre a essa hora - a mesma hora enfadonha. vontade carnívora, cheiro de cólera. amores que se esquecem. sabores que enlouquecem, é sábado e a vida é eterna - éter no mundo todo. o momento que só finge ser fulgás, na verdade é efêmero às avessas. o ninho sem pássaros é tomado por fantasmas e eu canto, pois sou um pássaro também, sou grito e sou morte na minha hora de voo. sempre é pouco e quero mais, quero tudo e o silêncio, quero o sol e a escuridão do tédio. sei de tudo o que não sou e passo horas debruçado entre minutos eternos, e me esqueço do tempo, que mesmo sem mim continua. tento sem conseguir - um tanto sem aguentar - tinta em meu coração, que escorre e escorrega, derrete, ele é sórdido, monocórdio, apático. quis me convencer e esperava a cândida fantasia, mas o sonho real me consumiu e não tem mais volta. Marcelo Zorzeto @marcelozorzeto