Há tanto tempo eu não escrevo, tanta coisa aconteceu. Milhões de pessoas morreram, um país voltou para o mapa da fome, uma universidade está prestes a fechar, houveram duas mudanças de casa, meu coração foi quebrado, eu segurei o mundo nas costas dentro de uma casa que morava eu, meu amor e um cachorro. Eu conheci profundamente, como me permitiram e como eu sabia fazer, com certeza mais de 50 pessoas. Eu fui mudada por essas pessoas, eu cresci e sofri junto com elas. Eu segurei o mundo de alguém que não conseguia vê-lo de maneira funcional, que explodia e jogava em mim todos os sentimentos porque não sabia como digeri-los e o que fazer com eles, eu me senti dolorosamente sozinha e questionei se a vida valia a pena. Eu enxerguei o fundo do fundo do poço, eu entendi que eu estava lá e eu senti muita vontade de sair. Eu pedi e tive muita ajuda, eu fui acolhida de longe, eu senti saudades de perto, eu comecei a ser cuidada depois de reconhecer a importância dos remédios. Eu senti muita dor, eu ignorei essa dor, eu vivi com ela, eu entendi o que era, eu fiquei com medo, eu comecei a lidar com ela. Tudo melhorou e então a vida virou de ponta cabeça e eu tive que voltar pra casa por um desconhecido que conhece muito mais meus pais do que eu. Eu abri mão e me senti sendo sugada de todas as maneiras, eu me sinto exausta. Me tiraram a esperança, me amedrontaram e me enlouqueceram e eu pareço ser a única capaz de me tirar desse lugar. Me sinto sozinha de novo e eu não sei qual o meu papel, eu não sei qual o meu limite, eu não sei o que é real, se é real. Eu estou cansada, quero ser deixada em paz, quero ficar tranquila, eu quero apoiar, eu quero sorrir, eu quero cuidar, eu quero que cuidem de mim. Eu quero colocar as coisas no lugar e eu quero dormir. Eu Preciso me cuidar e eu quero querer fazer isso. Eu quero sentir esperança.