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Girlfriends sun bathing, Durlandgen by Collier Schorr, 1995.
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Quer saber? Chega de falar de você. Eu vou falar de mim. Na verdade, eu nunca sei o que dizer, é difícil me descrever. Só sei que eu sou idiota. Do tipo retardada mesmo, que ri atoa. Ri quando não pode, quando tá levando bronca da mãe e quando tenta ficar séria a coisa fica mil vezes pior, o riso escapa. As vezes eu sou meio termo, as vezes sou oito ou oitenta. Sou indecisa também, eu acho. Não sei que roupa escolher, não sei que música ouvir, não sei se vou fundo nas coisas ou desisto logo de uma vez. Eu sou forte e fraca, ao mesmo tempo. Não pergunte como, mas sou. Meu cabelo tá sempre estranho e eu não sou do tipo que passa maquiagem pra ir na padaria. Fico sem graça quando me elogiam, mesmo que seja na internet. Quando me cantam então, a única coisa que eu desejo no momento é um saco de pão pra enfiar minha cabeça. (Mas na verdade, eu adoro um elogio. Quer me fazer feliz, diz que eu sou linda, elogia minha personalidade, meu gosto musical, qualquer coisa!) Não sou o orgulho do papai, nem faço tudo o que a mamãe pede. Mas até que eu sou uma boa filha. Chego na hora que devo chegar, e só bebo socialmente. Eu minto um pouco também, mas só um pouquinho, tipo agora. Eu nunca fui uma aluna exemplar, mas nunca tive o boletim recheado com notas vermelhas. No máximo uma, ou duas. Sempre em física. Onde é que eu vou usar aquilo na minha vida? Não sou do tipo que gosta de estudar. Sou mais do tipo que pega o livro de biologia pra ler e fica comparando os animais com meus amigos. Ou do tipo que pega o livro de história e tem que ler três, quatro vezes pra entender o que tava escrito ali. Eu tenho muito medo do futuro. Medo não ser o suficiente, medo de não conseguir realizar os meus sonhos. Eu não quero simplesmente assumir os negócios do meu pai, trabalhar em um lugar qualquer e fingir que tô feliz. Eu quero mais. Ah, esse é um dos meus defeitos: eu quero sempre mais. De você, de mim, de todo mundo, de tudo. Eu espero demais. ”Expectativa”, acho que essa palavra foi criada especialmente pra mim. Sou do tipo que se ilude com um ‘oi’.. Um ”eu te amo” então, é capaz de foder com toda a minha vida. Nunca acreditei nesse negócio de distância, até alguém aparecer na minha vida e fazer com que eu mudasse de ideia. E não é que tem como nosso coração bater longe da gente? E não é que esses quilômetros são capazes de arrancar uma lágrima aqui, outra ali de vez em quando? Quem diria. Nunca acreditei nessa coisa de amor eterno, até que aparecesse alguém na minha vida e me provasse - e praticamente jogasse na minha cara - que isso realmente não existe. E na verdade, pra mim não importa. Não importa a duração, e sim a intensidade. Por falar nisso, eu sou uma pessoa muito intensa. Quando eu amo, é pra valer. Então se um dia você já ouviu um ”eu te amo” saindo da minha boca, sinta-se lisonjeado, isso não é muito comum. Mas presta atenção: Quando eu odeio, sai de perto. Eu realmente vou fazer da sua vida um inferno, ou farei com que esse ódio todo se transforme em amor, assim como já aconteceram algumas vezes. Aliás, existe uma linha muito tênue entre o ódio e o amor, já senti isso na pele. Já senti muitas coisas. Já senti a dor de perder alguém que eu realmente amava, já senti uma vida inteira escapando das minhas mãos, já senti meu coração batendo mais forte apenas por causa de um maldito olhar, já senti a solidão apertando meu peito, já senti vontade de desistir de tudo. Eu sou muito confusa, mas tenho algumas opiniões estão gravadas em pedra. E eu sempre vou tentar ganhar uma discussão. Não importa se eu esteja errada, eu tiro argumentos do fundo da alma só pra te provar que talvez faça sentido. Outra coisa que você precisa saber: eu sou muito carente, as vezes. Eu preciso de carinho. Eu preciso que você fale ”eu te amo” primeiro. Eu preciso que você precise de mim. Mas se você não faz questão disso, nem pense que eu vou correr atrás. Eu sou a pessoa mais orgulhosa que você já ouviu falar. Então se você contornar seu orgulho pra me fazer feliz, ponto pra você! Porque eu não vou te chamar no msn. Eu não vou rir quando você contar algo engraçado, mesmo que esteja morrendo sem ar por dentro. Até que você peça desculpas, até que você me prove que vale a pena continuar. Eu sou muito ansiosa, nasci prematuramente porque não aguentava mais ficar dentro da barriga da minha mãe. Quero tudo pra ontem, odeio esperar. A ironia já faz parte de mim, tá aqui dentro, não tem mais como tirar. Sou irônica quando tô com raiva. Sou irônica quando tô com ciúmes. Ou do nada mesmo, só pra sacanear. Na verdade, por dentro eu sou quase de vidro. Só me faço de forte, porque parece que assim as pessoas tem medo de se aproximar. Logo, evito mais uma cicatriz nesse meu coração que anda tão cansado. Eu sou como qualquer garota, e ao mesmo tempo, me sinto uma alienígena perto de qualquer grupinho de meninas. Eu já sofri por um canalha, já chorei sentada no chão do banheiro, as vezes no chuveiro, outras agarrada no travesseiro, até dormir. Gosto de gostar do que os outros não gostam. Gosto de brincar com as palavras, e não consigo entender como tem gente capaz de brincar com pessoas. Sou apaixonada por sotaques, do gaúcho até o baiano. Principalmente o baiano, mas isso deixa pra outro texto. Eu tento enfiar na minha cabeça que eu sou normal, mas sempre que me pego cantando na frente do espelho com a escova de cabelo na mão, eu mudo de ideia. Minhas amigas dizem que eu tenho um ‘quê’ de comediante, e que eu deveria ser artista. E além disso, ainda falam que minha voz é maneira. Já pensei até em montar uma banda de rock. Mas não, falta coragem de bater no peito e ignorar meus pais dizendo que eu vou morrer de fome. Já pensei em ser escritora, mas meus notes nos textos do tumblr me dizem que isso é bobagem. Já pensei tanta coisa, e eu penso demais. As vezes, diminuo três horas de sono apenas pensando no futuro, relembrando o passado. Futuro. Já disse que ele me assusta, né? Mas eu juro que um dia eu toco o foda-se e vou morar em Hollywood. Paris, quem sabe. Eu sou muito complicada, eu sou muito estranha. Eu sei, eu admito. Eu sou meio louca, meio chata, meio tudo. E eu não gosto de meios. Eu gosto de gente inteira, de amar por inteiro, de me sentir inteira. Mas na verdade, eu não me lembro mais como é ser assim. Ter um coração batendo compassadinho, sem acelerar ou querer parar do nada. Tá vendo? Eu sou muito... EU. Tem quem goste, mas não julgo quem não gosta. Eu te entendo, colega. E você, me entende? Mas tipo, entende mesmo? Então me explica, por favor? Eu acho que tô meio perdida aqui.. Onde é que eu tava mesmo?