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25 de abril de 2019.
Meu nome é... Bom, por algumas razões, diremos que é Lisbeth. Eu tenho 24 anos. Estou na pós-graduação e tenho sofrido bloqueio de escrita. Sou diagnosticada com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). Tenho diversas questões não muito bem resolvidas com meus pais. Sempre fui muito boa em analisar e lidar com meus próprios sentimentos, mas ao fim da graduação e ingresso no mestrado, ficou evidente que esse autocuidado descompromissado não é suficiente. Ao fim do primeiro ano do mestrado, poucos meses atrás, crises de ansiedade se tornaram tão frequentes e fortes a ponto de eu não conseguir dormir - e inclusive ter medo de ir pra cama. Foi quando fui diagnosticada. Infelizmente, já é quase impossível financeiramente, enquanto bolsista, manter meu medicamento. Pra se ter ideia, eu ainda não retornei ao psiquiatra desde o diagnóstico, pois a consulta tem um valor bastante alto. O ponto em que eu quero chegar é que... Eu gostaria muito de fazer terapia. Acredito que é algo importante para todas as pessoas e eu, certamente, estou precisando enfrentar algumas questões com apoio profissional. Mas, como você deve ter percebido, não é possível no momento. Empurrar com a barriga também não é.
Então... Eu resolvi criar esse blog/diário.
É uma maneira de desabafar sobre algumas questões, analisar meus sentimentos, pensamentos e atitudes, de uma maneira um pouco mais formal do que simplesmente refletir sobre isso tudo quando der na telha. Espero fazer disso um exercício diário. Basicamente, separar pelo menos alguns minutos para escrever sobre qualquer coisa, sobre nada, sobre tudo. Sobre o que fizer sentido pra mim falar sobre, no dia. Quem sabe, esse registro pode se tornar útil a longo prazo. E penso, bem, que pelo menos estarei escrevendo. Não a minha dissertação - talvez sobre ela -, mas estarei escrevendo. E, segundo tudo o que li, ouvi e assisti sobre bloqueio de escrita (inclusive em manuais de pesquisa), escrever sobre o processo em si é algo que ajuda a vencer o bloqueio, além de enriquecer e melhorar a qualidade da pesquisa em si. Aposto que haja resultado.
Naturalmente, é claro, muito haverá de desabafos pessoais, e pouco sobre a minha pesquisa em si. Talvez sobre a experiência da vida acadêmica e o que isso me faz sentir. Afinal, a pressão psicológica e os danos à saúde mental que a pós-graduação traz, sobretudo a stricto sensu, não são novidade. Lembro inclusive de, antes de ingressar no mestrado, me deparar com algumas reportagens sobre suicídio de pós-graduandos, algo que eu cheguei a comentar com meu orientador.
Essa relação com meu orientador, inclusive, é melhor do que eu esperava, sobretudo pelo peso que o nome tem na área e a fama, como orientador, que ele carrega. Mas, como ele é colaborador e leciona em outra Universidade, em outro Estado, temos encontros pessoalmente em uma frequência ínfima. Isso cria uma distância que me abalou de forma muito ruim, mais do que eu esperava. Embora eu sempre tenha sido uma pessoa que produz bem sozinha, eu também sempre tive o péssimo hábito de deixar as coisas pra em cima da hora, de procrastinar... E ficar totalmente sozinha nessa produção não é algo que auxilia na luta contra isso. É claro, isso é uma luta minha. Escrever é um trabalho essencialmente solitário. Mas não precisa ser completamente. Ver meu orientador a cada dois meses, se não com menos frequência ainda, torna mais fácil ainda que esse tempo seja pouco produtivo. Eu preciso mudar o meu processo de escrita. E o pior de tudo é que eu já não tenho mais dois anos pra fazer isso. Eu tenho 10 meses. Menos de um mês para qualificar. Então essa mudança já não pode mais ser tão gradual e saudável quanto eu gostaria. Será que eu vou dar conta?
Acho que, pela primeira vez, eu já não tenho mais tanta certeza de que darei um jeito. Eu sempre tive certeza de que não dormiria, caso preciso fosse, mas daria conta em poucos dias ou em uma semana. Mas agora é uma dissertação. Não é um relatório de estágio, um artigo, ou um TCC. É uma dissertação. E isso dá medo. Sempre tive muito medo de não produzir trabalhos de boa qualidade (muito boa qualidade), inclusive o que acho que é boa parte da causa dessa dificuldade que tenho, mas nunca antes tive medo de não conseguir produzir at all.
A jornada é, então, encarar esse desafio. Dar conta de qualificar meu projeto de dissertação nos próximos dois meses e, no meio disso, criar hábitos mais saudáveis de escrita e de vida (porque, afinal, não dá pra separar essas coisas... embora por muito tempo eu tenha tentado). Estamos apresentados. Você sabe do que isso se trata. Vai me acompanhar?!
Acredito que isso seja suficiente para um primeiro encontro. Até mais!
More mist and trees - side lighting
communication is so damn sexy
busy for the day, but you hit me with a “i love you, but i need to do some work today, so I wont reply for a while” message? mmmm sext!!
gonna be distant for a while because of something personal, but took the time to send me a “dont worry it’s not about you but i need some personal time rn” text? ill be looking at wedding rings, while you get yourself where you need to be!!
basically, you don’t need grand gestures or to be present and available 24/7 to relay to someone that they are wildly important to you… you just need considerate fractions of moments and communication.
Somewhere in Poland, 1 IX 2017