31 de dezembro
Ja acordo triste, ansiosa, vontade de chorar e voltar para Salvador. Precisei vir na farmácia fazer um teste e não consigo me imaginar voltando para casa, pois sei que lá, trancada, os sentimentos serão pior. Primeiro me imagino so andejando sem rumo e adiando a volta, mas não nego que por vezes penso “e se eu não voltar mais?”, “e se algum carro acidentalmente passasse por cima de mim?”. Sei que são sintomas, mas é difícil me segurar nisso quando estou imersa na situação, acreditando fielmente neles. Me assusto apenas com a minha capacidade de me tornar mais irresponsável e descuidada frente a eles. Por exemplo: Só quero sumir e dormir até amanhã? Foda se, vou tomar rivotril até pegar no sono. Não importa o quanto eu estava me saindo bem evitando esse tipo de comportamento, mas num dado momento essas coisas já não me importam. Vou comemorar pra que se não tenho o que comemorar? Não tenho pelo que estar feliz e é isso.
Olho para alguns produtos na farmácia. Será que compra-los me dará uma leve sensação, por mais que falsa e momentânea, de que estou no controle e de que está tudo bem? Sei que não. Olho pros remédios ao redor. Quais misturas me fariam fugir daqui? Será que injetáveis seriam mais potentes? É um tópico a se pesquisar. Focar em remédios pelo menos me fazem esquecer a ideia de comprar e de que estarei muito apertada no próximo mês, algo que me preocupa e que eu não teria que me preocupar caso continue aqui. Qual seria o melhor momento de fazê-lo sem que traumatizasse tanto as pessoas? Talvez quando eu voltar pra salvador, o apartamento seria a melhor opção ja que é o mais “descartável” das casas.










