take me to church.
garnettconstelation:
Orion chegou a notar Louis olhando ao redor, mas preferiu não dar muita atenção a isso. Passou por sua mente que podia ser pelo novo membro temporário da congregação não querer ser visto conversando com o neto problemático da senhora Garnett. Mas a ideia não durou. Apesar de mal conhecer o loiro, Orion se permitiu pensar que ele era uma pessoa melhor do que isso. Afinal, era o que ele estava notando da conversa até aquele momento. Louis Delacour parecia ser, surpreendentemente, uma pessoa decente no meio daquele monte de pessoas que o desprezavam unicamente por ser quem era.
E ele ser tão legal não estava ajudando nada a evitar o crush que Orion estava desenvolvendo por ele.
–”Acho que eu ainda ia preferir se eles achassem que eu sou um super demônio, assim pelo menos minha avó ia parar de tentar me curar de algo que não é curável.”– revirou os olhos por um momento, falando sem pensar no quão errado era aquele comentando dentro de um templo e falando com um fiel. –”O que, aliás, te envolve dessa vez. Espero que não se sinta mal de minha avó querer que eu seja seu amigo só para você ser uma boa influência para mim. Como se fosse possível usar minha atração por homens bonitos para me curar da minha atração por homens bonitos.”– contou o que deduzira do plano de sua avó, balançando a cabeça para demonstrar que jamais funcionaria e riu. –”E é por isso que eu amo o pastor Green. Não sei como uma pessoa tão boa pode liderar pessoas tão…”– Orion não terminou a frase, preferiu calar-se por perceber que, mais uma vez, estava falando sem pensar com um desconhecido que também era da igreja a qual ele estava criticando.
Orion o seguiu sem pensar. Queria continuar a conversar com ele e quanto mais longe estivesse de certas pessoas ali, ainda melhor. –”Outch. Realmente não foi uma escolha nada difícil. Você veio apenas a trabalho ou vai ter algum tempo para se divertir também? Porque ir à Santa Monica e não conhecer o Pier ou as praias é um crime.”– comentou em tom divertido, franzindo o cenho discretamente ao ver que eles estavam saindo em direção ao estacionamento. Claro que a mente de Orion não deixou passar a oportunidade e já estava pensando em mil e uma situação nada adequadas à uma igreja que podiam acontecer no estacionamento. –”Quem imaginaria que a igreja teria um lugar tão perfeito para pegação?”– comentou quando finalmente saíram, sorrindo de canto, e se apoiou em na parede, porque, afinal, ainda tinha que esperar sua avó para leva-la para casa. –”Infelizmente, não é uma fase. Eu estudei com ele por um tempo e ele sempre foi igualzinho. Eu não me surpreenderia se realmente em alguns anos ele largue toda a sociedade moderna e comece a atender pelo nome de Ezekiel. Francês?”– trocou o assunto assim que ouviu a resposta do loiro. Era bem mais interessante falar dele do que de Michael, afinal. –”A língua mais sexy do mundo. Oh gosh, você não está me ajudando, Louis.”–
— Não para ser quem vai pensar que pode te dizer o que fazer, mas se eu fosse você reconsideraria a parada de ser um demônio, ouvi dizer que exorcismos da vida real são tão ruins quanto os dos filmes. Mas vendo o lado bom, você teria a melhor noite de sono da sua vida depois, então temos isso para balancear, no fim, é a sua decisão. — Deu de ombros e colocou a mão nos ombros, numa reflexão tardia resolveu acrescentar — Só não posso te ajudar a convencer eles disso, pois, afinal, vai contra o que eu acredito desde que eu me lembro por gente “Há coisas que não são escolhas, fora do seu controle, e por isso não devem ser julgadas”, quero dizer, minha mãe estava tentando me ensinar sobre doenças mentais, mas também serve para sexualidade se você quiser trocar o contexto por completo.
Bem, era válido para ambos, já que ultimamente ele usava o conselho para ambos, assim como sua própria mãe o havia repetido quando ele afirmou dois anos depois de ir a primeira vez para uma igreja que se batizaria e ela estava preocupada com a homofobia que ele sofreria sendo um membro de uma igreja cristã. E então, mais quatro anos depois de seu batismo, ela se preocupou mais uma vez com o preconceito que ele receberia se decidisse contar sobre a bipolaridade e sua quase overdose com os anti-psicóticos que ele havia tomado um gosto especial com.
— Na verdade eu estou um pouco aliviado. — Disse, finalmente decidindo colocar um ponto final na sua dúvida, tinha que dizer isso, primeiro porque ele tinha que recuperar um pouco da segurança do Louis Delacour de onze anos que tão tranquilamente colocava a bandeira do arco íris na janela de casa e tinha que a trocar constantemente porque se recusava a admitir que a deixar exposta para a maresia, sol e outros efeitos climáticos só a estragaria — Outras avós, algumas tias e a rara mãe fazem algo parecido, só que com a as netas/sobrinhas/filhas, onde ao invés de uma boa influência eu seria mais um candidato a futuro marido. O pessoal da igreja é entusiasmado com esse assunto.
— Em tese eu deveria estar aqui todo dia que pastor Green também estivesse, como um ajudante, mas eu não vou ser um pastor como boa parte dos outros intercambistas, e também, se ele me ver vindo para cá a semana toda de novo eu tenho certeza que ele vai ter uma úlcera de preocupação com eu estar esquecendo de viver um pouco mais. — Como se isso fosse possível, não é mesmo? Ele sabia muito bem como viver mais e na primeira chance de soltar um pouco dos princípios religiosos lá estaria ele, quebrando leis menores e cometendo pecados óbvios. Ele tentava seu melhor, era só isso que podia dizer em sua defesa. — Então, sim, diversão está na mesa se você estiver se oferecendo como guia — Isso não era tentar ser um cristão melhor, Louis, se recomponha, dizia-se.
Ele não conseguiu olhar o outro diretamente nos olhos depois disso, então resolveu levar sua atenção para o conteúdo de seus bolsos. Celular, carteira e o isqueiro que roubou da irmã mais velha quando se despediu no aeroporto. Bem, roubar era um termo forte, ele estava mais tentando deixar uma mensagem de que ele sabia o que ela estava fazendo e esperava que ela parasse pela própria saúde. Quando Orion comentou da sua escolha de lugar para a conversa foi aí que ele definitivamente não conseguiu o olhar nos olhos, sentiu seu rosto esquentar violentamente, e ele sabia que ele estava honrando o Weasley em seu nome, ficando com o rosto vermelho e com certeza o pescoço e peito também considerando o tom de pele e a tendência genética. Malditos genes o traindo nesse momento. Agora que aquilo veio em sua mente ele não pode evitar analisar o lugar, estavam num ponto mais escondido, quem saía pela mesma por que ele havia momentos antes para o estacionamento não os veriam diretamente, ele havia escolhido aquele lugar propositalmente para não ser encontrado, mas antes era porque ele sabia que atrapalhariam sua conversa com a primeira pessoa que ele realmente se interessava que ele conhecia desde que veio passar o verão na Califórnia. Nesse momento ele se perguntava se não havia escolhido o lugar justamente por estarem fora da visão e, logo, fora do julgamento alheio caso fizessem algo além de conversar.
Louis Delacour Weasley, sempre um pecador.
Tentou pensar no que estavam falando sobre Ezekiel… Não, Michael, ele ainda se chamava Michael. Mas voltava a pensar no ponto estratégico que estavam, pensar em Orion contra a parede que se apoiava, pensava nele, e seus olhos iam e voltavam de seus olhos para lábios para mão e queria… Merda, Louis, recomponha-se! Ele tentou rir para ver se conseguia colocar um pouco mais de controle em seu tom, mas só conseguiu soar ansioso em sua própria cabeça — Você não está me ajudando, Orion. — retornou as palavras, e desviou o olhar novamente para a parede logo atrás do outro. — É bem difícil ser o bom cristão quando sua cabeça te insiste em pensar em empurrar o cara na sua frente contra a parede e esquecer por completo de religião e respeito a um templo.















