delalouis:
Aquela havia sido uma ideia terrível, como ele pudera concordar com isso? Não que ele tivesse problemas com voos, longe dele isso, mas como ele pudera concordar com um voo de onze horas para sair de Paris as três horas da tarde e só chegar em Los Angeles as onze horas da manhã? Claro, que ele tinha alguns comprimidos para poder dormir no voo e talvez não estar completamente morto quando chegasse na cidade onde havia morado por tanto tempo, quase não parecia que ele fazia algo parecido com uma frequência absurda quando era criança. Além disso tudo havia aquela ponta de ansiedade o mantendo nas pontas do pé com a apreensão da reação de Orion quando descobrisse a verdade sobre ele, no fundo ele ainda acreditava que talvez Orion só soubesse e não dissesse nada por ser tão estúpido quanto aquilo soava. Como você diria para alguém “Ah eu sou o artista infantil que eu mais odeio” sem parecer completamente estranho? Exatamente, você não diria nada e esperaria essa bomba cair em suas mãos um dia.
Então, todo o tempo de voo em que ele estava acordado ele não percebeu nenhuma câmera apontada nele ou olhares mais longos que o necessário, talvez ajudasse que ele estivesse na primeira classe — ah, as vantagens de ter pais muito bons em economia e investimentos que não o deixaram perder sua pequena fortuna acumulada da infância — com apenas pessoas que provavelmente não conheceriam o Monarch Butterflies, ou não o reconheceriam de forma alguma, afinal, ele tinha quinze anos em sua última aparição e agora, cinco anos depois, mudanças haviam acontecido. Muitas mudanças, meu deus ele quase poderia rir de pensar que as roupas que ele usava seriam muito bem suficientes para enganar o olhar distraído sobre ele que tivesse alguma possibildade de o reconhecer, de acordo com os sites de fofoca e outras que não o encontravam mais, ele com certeza estava fazendo um bom trabalho em sumir da mídia.
Ele se deixou entrar em seu mini momento de pânico enquanto esperava por sua mala, uma apenas naquela viagem, já que já havia separado suas caixas de mudança para serem enviadas conforme o mês passasse para o seu novo apartamento. Ou o apartamento antigo, considerando que era o mesmo que havia morado com sua mãe quando tinha que estar na cidade para filmar. E se Orion não o olhasse na cara assim que descobrisse que ele era quem ele era? E se ele desse meia volta e não voltasse mais? Ou pior, e se ele apenas o desse uma carona para o apartamento dele e os dois nunca mais se falassem? Se isto acontecesse ele já podia sentir a ansiedade desse momento construindo em si, suas mãos estavam esfriando muito rápido e ele quase deixou sua mala dar uma terceira volta quando acordou de suas preocupações, ele percebeu enquanto arrastava-se para a área de desembarque que entre suas maiores preocupações não havia lá espaço para pensar em como seria retornar para aquele mundo que ele havia desistido tantos anos antes. Claramente suas prioridades estavam em ordem.
Ele estava numa onde de sentimentos mistos quando avistou Orion acenando para ele, os medos com a revelação, o nervosismo de estar o encontrando e aquela euforia de finalmente o estar encontrando, havia se passado muito tempo desde que eles começaram a se falar, e as vezes não podia acreditar que era real. Ele deu um sorriso de lado pequeno com a reação de Orion, não sabia o que fazer exatamente, então optou por colocar os óculos de sol no rosto, já que aquilo era exposição demais à suas olheiras do voo infernal. Mesmo que tivesse dormindo boa parte do voo, seu organismo ainda estava no horário de Paris, onde seriam duas horas da manhã e em mais algumas horas ele estaria no seu horário habitual de simplesmente apagar em sua cama, já que ele não conseguia se fazer ter um hábito de realmente se preparar para dormir. — É… eu sou eu. — Ele disse e antes que pudesse colocar a mão no pescoço e tentar dar um pouco de espaço, seus impulsos o mandaram fazer o contrário, fazendo-o colocar a mão que iria para a nuca segurar a blusa de Orion e o puxou para um abraço, porque ele não aguentaria mais um segundo de todo aquele nervosismo sem qualquer reafirmação. — Desculpa, eu nunca te contei… No começo eu não queria contar, porque, é… Negação em níveis perigosos e depois nunca pareceu bom fazer isso. — Tentou se explicar, mesmo que estivesse se atrapalhando cada vez mais e mais, mas resolveu por acrescentar algo em tom mais animado. — E eu não consigo acreditar que você demorou tudo isso para perceber! Eu tinha quase certeza que você já sabia e só estava indo na minha onda de ódio próprio.
Depois de anos conversando com ele, tentando imaginar como ele pareceria quando se encontrassem face-a-face, agora ele estava encarando @loudlc. Como se apenas a emoção de finalmente encontra-lo não fosse o suficiente, ele ainda tinha que ser o ator mirim do qual Orion nunca gostara da atuação, apesar de ser um dos personagens favoritos de sua amiga Kat. A segunda realização ao finalmente encarar Loud -a primeira foi o choque de descobrir que Loud era o Louis Weasley- foi notar o quão bonito ele era. Se não fosse o choque, Orion estava certo de que acabaria corando. Ou melhor, corando mais porque era certamente visível a pequena mudança de cor no rosto do cantor.
Pensou em como era bobo estar desconfortável na frente de uma pessoa que o conhecia tão bem. Apesar de ser a primeira vez que se encontravam, Orion podia dizer com total segurança que, apesar de ser uma figura pública e sua vida ter uma certa exposição, ninguém o conhecia como Loud. Ele esperava que a relação deles não mudasse agora que saíam do plano virtual para o físico. Se separados por um oceano de distância ele conseguiam ser íntimos, por que isso mudaria agora que estavam próximos fisicamente? A única preocupação de Orion era que ele tivesse ficado chateado com ele por conta de tudo que falara de seu trabalho em Monarch Butterfly.
Ainda um pouco paralisado pelo choque, Orion agradeceu que Louis tenha dado o primeiro passo. Se não fosse ele, Orion provavelmente continuaria congelado pelo choque de descobrir que a pessoa por quem estava a tanto tempo apaixonado era, também, a pessoa da qual passava tanto tempo falando mal com a pessoa com quem estava apaixonada. Se isso soou confuso, é porque era exatamente assim que Orion se sentia naquele momento.
Mas aquele abraço não tinha nada de confuso. Quantas vezes não sonhou em estar assim com Lou? Em abraça-lo, beija-lo, sentir o calor de sua pele contra a sua e poder ouvir sua voz sem ser através de um telefone ou pela internet. Tudo bem que o fato de que, anteriormente, não tinha a mínima ideia de como era a aparência do francês dificultava um pouco suas fantasias… Agora, porém, Orion sabia que jamais esqueceria o rosto dele.
Retribuiu o abraço com a força de quem estava matando uma saudades que não sabia ter. Escondeu o rosto no pescoço de Louis e se fez confortável nos braços do outro. Podia ficar ali para sempre. --”Não se desculpe por isso. Eu entendo… Eu acho. Ok, talvez não muito, mas não importa tanto. Você ainda é você e… Ainda não acredito que você está aqui.”-- respondeu em um tom baixo, mas que sabia que seria ouvido pela proximidade em que estavam.
Só então ele se permitiu se afastar um pouco de Louis, apesar de que fora apenas o suficiente para olhar em seu rosto -tinha medo de que se afastasse demais e Louis sumisse, como um terrível sonho. --”Ei! Em minha defesa, você é muito bom escondendo sua identidade, ok? Fora que quem iria… Não, esquece. Se tem alguém que iria falar mal de si próprio na internet sem filtro nenhum é você. Você tem razão, eu não deveria estar tão surpreso.”-- o americano riu, sem conseguir deixar de encarar o rosto do outro. Droga. Ele era lindo. Queria beija-lo, mas não sabia se seria apropriado. E, ainda que fosse, com certeza teria alguém por perto para tirar fotos do acontecimento e, se Louis se dera o trabalho de ficar longe da mídia por tantos anos, não seria Orion quem iria estragar isso.
--”Vamos sair daqui antes que alguém te reconheça. Essa roupa é maravilhosa, mas não é a definição de discrição de quem está fugindo da mídia a 84 anos.”-- Orion brincou, oferecendo uma mão ao loiro ao finalmente se afastar dele.

















