do you see me now ? i've been 𝑤𝑎𝑖𝑡𝑖𝑛𝑔 for you, 𝙘𝙧𝙮𝙞𝙣𝙜 𝙤𝙪𝙩 ! saw your face and mine in a 𝙥𝙞𝙘𝙩𝙪𝙧𝙚 by our bedside. it was cold in the 𝙨𝙪𝙢𝙢𝙚𝙧𝙩𝙞𝙢𝙚 — we were 𝘩𝑎𝑝𝑝𝑦 just to be alive. can i 𝑣𝑎𝑛𝑖𝑠𝘩 into you? ⊰ 𖣂 ⊱ 𝑐𝑜𝑟𝑎𝑙 𝑙𝑎𝑛𝑐𝑎𝑠𝑡𝑒𝑟 — female tribute from 𝗱𝗶𝘀𝘁𝗿𝗶𝗰𝘁 𝟭𝟬 .
𝗂𝖿 𝑠͟𝑐͟𝑎͟𝑟͟𝑠͟ 𝖺𝗋𝖾 𝖿𝗈𝗋 𝗍𝗁𝖾 𝑙͟𝑖͟𝑣͟𝑖͟𝑛͟𝑔͟ 𝗍𝗁𝖾𝗇 𝗂 𝖼𝗈𝗎𝗅𝖽 𝖻𝖾 𝖿𝗈𝗋𝗀𝗂𝗏𝖾𝗇 › —— por favor, aplausos para 𝐂𝐎𝐑𝐀𝐋 𝐋𝐀𝐍𝐂𝐀𝐒𝐓𝐄𝐑 , nosso representante do 𝐃𝐈𝐒𝐓𝐑𝐈𝐓𝐎 𝟏𝟎 ! se não me falha a memória, essa graciosidade tem apenas vinte e cinco anos e vem se destacando desde que foi 𝐒𝐎𝐑𝐓𝐄𝐀𝐃𝐀 na colheita, especialmente por sua habilidade com 𝐕𝐄𝐍𝐄𝐍𝐎 e por ser 𝐀𝐒𝐓𝐔𝐓𝐀 & 𝐈𝐍𝐒𝐄𝐆𝐔𝐑𝐀. a verdade é que toda capital não vê a hora de descobrir o que esse rostinho angelical é capaz de fazer !
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if i lose my way and forget what 𝑖 𝑛𝑒𝑒𝑑, just remind me now of what you give to me. if you 𝗁𝗈𝗅𝖽 𝗆𝗒 𝗁𝖺𝗇𝖽 and take me where you go i'll show you the 𝗌𝗂𝖽𝖾 that no one knows.
habilidade — conhecimento e uso de veneno ,
coral tem um vasto conhecimento sobre venenos — vindo de sua vivência no distrito 10 e o contato que possui com a natureza. sabe identificar frutas e flores venenosas, assim como misturá-las com outros tipos de venenos para ampliar sua eficácia. sendo assim pode utilizar o veneno de diferentes formas: colocando em alimentos, água, em armas e armadilhas. não possui muita força física e em conflitos diretos tem altas chances de falhar, por isso prefere uma abordagem silenciosa e versátil. apesar de conhecer várias espécies, seu conhecimento é finito e pode acabar se atrapalhando por se deparar com algo que nunca viu ou leu sobre.
biografia ,
desde muito jovem seus pais sabiam que coral não se daria bem nas tarefas do distrito 10 e ambos possuíam sentimentos diferentes sobre isso; sua mãe era compreensiva, já seu pai julgava a menina como inútil. coral odiava ter aquele destino selado com a pecuária, odiava ouvir o terror dos animais — os berros das vacas, o desespero dos porcos, as galinhas gritando… era demais. tinha constantes pesadelos e parecia que nunca iria se acostumar com os abates. gostava de participar da vida. de ajudar nos partos e de cuidar dos filhotes, embora odiasse quando chegava a hora deles, pois era muito apegada.
as coisas começaram a ficar realmente traumáticas em sua vida quando sua mãe foi sorteada para os jogos vorazes quando coral e sua irmã mais nova eram apenas crianças. e as coisas sendo como eram para aquela realidade… ela jamais esqueceu da cena de sua mãe morrendo brutalmente ou do sangue e das lágrimas tão reais apesar de ver através de uma tela. ela já odiava os jogos antes, temendo por sua vida e pela vida de sua irmã, mas quando a sua mãe morreu o medo e ódio se intensificaram. principalmente com o que veio como consequência da morte da genitora.
a ganância de seu pai era maior que qualquer luto que pudesse ter e aquele homem miserável viu na morte da esposa uma oportunidade para ganhar dinheiro através da empatia das pessoas e de um marketing doentio de viúvo sofredor, pai de duas meninas que ele amava mais que tudo (se excluísse o dinheiro e muitas outras coisas materiais). a verdade é que o sobrenome lancaster era da mãe de coral e scylla — ela era a herdeira da fazenda antes de morrer e seu marido receber as posses.
os lancaster nunca gostaram do genro e as coisas pioraram quando, anos depois, scylla foi para os jogos. ele vendeu uma possível maldição na família: mãe e filha que foram para os jogos e uma família devastada por isso. enquanto seu pai ria fechando contratos e vendo o dinheiro entrando, coral sofria, lutava e orava para que sua irmã voltasse para casa. parecia muito mais traumático reviver aquilo.
felizmente, scylla voltou com vida, sendo uma vitoriosa e coral pode respirar por um tempo. então, tudo aconteceu rápido demais — as acusações de que seu pai teria armado tudo aquilo, que teria pago para a filha ser a escolhida nos jogos. apesar de tudo que havia se passado até aquele momento coral sempre tentou ver a figura paterna da maneira que lhe era dita, e que talvez o homem tivesse muito sobre seus ombros, mas aquilo… ele oferecer sua filha como sacrifício para ganhar dinheiro? jamais perdoaria.
puderam se livrar da figura paterna ao irem morar na casa que scylla recebeu como parte do prêmio. não se pode dizer que foram anos felizes, pois estavam destruídas demais, mas era bom estar longe do pai. então aconteceu. na centésima edição dos jogos vorazes, enquanto aguardava e rezava, coral viu o sorriso no rosto de seu pai segundos antes de seu nome ser chamado. mais uma vez ele estava disposto a sacrificar uma filha em troca de dinheiro. e ela não sabia se teria a mesma força que a irmã mais nova para sair de lá com vida.
vitoriosos ,
54º — coraline lancaster , distrito 10 ⤻ tataravó de scylla e coral lancaster.
62º — shepard lancaster , distrito 10 ⤻ avó de scylla e coral lancaster.
76º — colby lancaster , distrito 10 ⤻ tio de scylla e coral lancaster.
96º — scylla “lyla” lancaster , distrito 10 ⤻ irmã de coral lancaster
a sensação incômoda é verossímil a um cativeiro insalubre . embora seja visível a existência do luxo inquestionável da capital , o teor tóxico é presumível e até mesmo intragável . um legítimo pesadelo a quem tem uma psiquê inquieta — domada por certo negativismo . não quer preocupar mais do que o necessário ; afinal , a circunstância como um todo já é catastrófica o suficiente . " eu trocaria de lugar com você . " em uma situação utópica onde pudesse ser voluntária para a irmã mais velha . " você precisa voltar ' pra mim , cora . por favor . " a ardência sob o nariz é o primeiro indício do choro que é reprimido na garganta . pressiona com certa fúria as unhas compridas sob a carne macia do antebraço , dissipando parte da frustração incontestável que atormenta o resquício de calmaria que poderia sobreviver em seu âmago . " não posso perder você também . " a mão livre serpenteia sobre os cabelos da irmã mais velha , o arranjo bem elaborado de uma trança sob a textura sedosa dos fios castanhos . " eu tinha me esquecido do rosto dela . " então quando contempla a imagem etéra da irmã , scylla se lembra com certa perfeição do rosto angélico da própria mãe . " promete que vai voltar , por favor . " não planeja ter àquela conversa tão cedo ; tampouco pensou que não hesitaria em implorar e rogar pela existência da irmã . mas , quando se está refém , porra , a lancaster mais jovem sequer consegue controlar cada perturbação .
˓ ꪆ᷼ 𔘓 ۫ ࣭ — havia algo amargo sobre ser a irmã mais velha e ainda assim ser a que normalmente precisava de proteção. mas ao mesmo tempo era doce a forma como a caçula estava disposta a correr o risco de morrer apenas para que ela não fosse. a verdade era que na colheita em que scylla foi chamada coral paralisou; ela não ouvia mais nada e tudo parecia se mover em câmera lenta. era como se areia estivesse escorregando por entre seus dedos. quando as portas se fecharam atrás da irmã naquele dia ela chorou, ela se xingou e se estapeou, pois deveria ter sido ela. scylla jamais deveria passar por isso. e agora, com ambas tendo a chance de viverem os dois lados da mesma moeda, coral desejou nunca ter existido. não queria que ela fosse por si. queria que scylla ficasse bem, vivesse sua vida ao lado de wallace, que ela pudesse aproveitar aquela segunda chance sem sentir culpa. “ eu não iria aceitar. nem que eu precisasse te desmaiar com um soco. ” o pouco humor em sua voz era para tentar diminuir o peso daquela conversa, como se o teto estivesse descendo sobre suas cabeças. e lá estava o que ela nunca quis: causar dor a irmã. de todas as pessoas do mundo, ela era única que coral nunca desejou ser o motivo do choro. os lábios se abriram, mas ela travou. conseguiria mentir para sua melhor amiga? o olhar suavizou, querendo passar alguma tranquilidade para ela.
suavemente tocou as mãos da irmã, num pedido mudo para que ela parasse de se machucar. então fez o caminho para cima, tocando o rosto que ela via: tão delicado quanto o próprio e o de sua mãe. queria tanto que elas nunca tivessem passado por isso. agora era o próprio nariz a assumir um tom avermelhado, a ardência se fazendo presente nos olhos também. por que tinha que ser tão difícil? se lembrava de quando eram crianças, de como vivia pedindo para que scylla prometesse viver com ela pra sempre, numa fazenda mágica onde nenhum animal morreria e as duas comeriam muitas guloseimas gostosas e poderiam correr sem precisarem ver a carranca do patriarca. eram tempos fáceis, onde sua mãe tentava a todo custo impedir que ambas assistissem aos jogos. coral era alheia ao que o mundo real se tratava. era como um soco e um carinho ser comparada com sua mãe. doía, mas ao mesmo tempo lembrava-se que ela parecia uma princesa, tão doce e leve. “ você se parece com ela também. principalmente quando sorri. ” o indicador tocou a ponta do nariz da caçula num gesto carinhoso. voltou a segurar as mãos de scylla, apertando-as como se tivesse medo de uma das duas sumir naquele mesmo momento, como num passe de mágica. era urgente, era doloroso, era sufocante e coral sentiu-se estrangulada ao finalmente proferir o que ela batalhou para decidir se era o certo. “ eu prometo que vou voltar pra você. ” era estranho não saber se estava mentindo ou não, pois aquilo era algo que estava fora de seu alcance. queria estar falando a verdade, para que essa não fosse a última coisa a se pensar antes de morrer: que havia mentido para sua irmã. os olhos tão expressivos entregavam a verdade: que ela não estava pronta para a ideia de ter que matar alguém. que era muito provável que num momento crítico acabasse travando da mesma forma que travou na colheita de scylla. “ mas eu preciso que você me prometa também. caso eu não volte… me prometa que vai ser forte, maninha. que vai viver uma vida longa e feliz. ” que a mamãe nunca pode ter, finalizou mentalmente.
﹙ ㅤ⋆ㅤ ﹚ … ABANDONADO E ESQUECIDO, há pouco que entenda sobre o que constituí uma família de verdade, mas tem prática o suficiente para identificar o que não é, todos aqueles anos, quando voltava para casa e era recebido por famílias entristecidas e até mesmo algumas raivosas — havia prometido que tiraria a família da pobreza, afinal, para muitos ali aquela era a verdadeira perda, não o luto pelo tributo caído —, mas o dia que voltou com scylla para casa ele se deparou com a outra face da moeda; o alívio absoluto no rosto das irmãs ao se encontrarem foi tudo que ele conseguiu reter do encontro e, para ele, aquele foi o momento que encontrou uma definição melhor para aquele termo, mas também se deparou com a própria antítese nos olhos vazios do progenitor, marcando seu desgosto imediato pela figura doentia. ‘ provavelmente vai magoar o estômago dele comer tanta coisa ruim, mas aposto que ele aguenta. ’ é fácil demais se perder no devaneio da tarefa realizada, a promessa e uma família liberta de um animal cruel, era apenas justo que a passagem de um ser tão vil fosse digna de sua história em vida. ‘ nah, ‘cê tem o direito de se sentir assim, só ‘tô te dando a garantia de que não precisa. ’ é cuidadoso ao alcançar o ombro dela, o toque gentil e, espera que, reconfortante na afirmação de que não se tratava de uma advertência, ‘ é bom ’pra ir treinando sem todo mundo ficar de olho, pelo menos! a lyla quer te ensinar uns nós e ela é incrível nisso! é uma… oportunidade. ’ não dói ao menos fingir que se trata de algo bom, que não estavam ali presos como animais para o abate.
os sinais de uma mente em movimentos são claros o suficiente até mesmo para alguém tão obtuso quanto wallace, de maneira que seu silêncio prevalece, mas o olhar atento é um incentivo tangível. ‘ eles adoram. ’ é a primeira noção indubitável que aprende sobre aquelas pessoas ali, oras, é até mesmo parte da estratégia que usa com scylla quando ela se fez vitoriosa através de sua ira. há a convicção de que não são a mesma pessoa para usar a mesma tática, mas isso não excluiu o quão bom é chamar atenção dos outros como meio de sobrevivência. ‘ traição. eles sempre vão apoiar histórias de traição e vingança. ’ reverbera atônito por alguns breves instantes. parte de si se preocupa, porque se o homem é capaz de fazer algo assim com as filhas, teme o que pode acontecer quando ele receber a ameaça, ‘ porra, coral. acho que é uma estratégia do caralho. não diz o nome dele no começo, deixe as pessoas pensando e comentando sobre isso. as perguntas que eles sempre fazem… espera. ’ a procura pelo seu bloco surrado de anotações é um tanto frenética, mas sabe que está ali em algum lugar pois desde que aprendera a escrever — à sua maneira —, não desgruda dos papeis. encontrá-lo em seu bolso foi uma surpresa cômica, mas ao menos agilizou o processo de voltar a se sentar no sofá e folhear o caderninho na visão de coral, ‘ se você tem alguém ou algo te esperando em casa, porquê você quer voltar, eles sempre perguntam isso. diz que quer se vingar, mas não diz o nome dele ainda. ’ não que sua letra fosse muito legível, mas aponta nas anotações as perguntas comuns nas entrevistas, ‘ ele pode se sentir ameaçado, mas se não confirmar que fala dele, ele não pode agir, assim como ele também não pode agir dentro da arena e é por isso que eu acho melhor você revelar quem é o alvo da sua vingança só quando estiver prestes a entrar na arena. faz sentido? fiquei até meio… desnorteado pensando nas possibilidades. ’
˓ ꪆ᷼ 𔘓 ۫ ࣭ — se sua mãe pudesse ouvi-la falando assim de seu pai, provavelmente diria que meninas bonitas e inteligentes não fariam fofoca dessa forma, mas ao mesmo tempo podia ver o sorrisinho cúmplice da genitora tentando escapar. eram momentos assim que ela lhe fazia tanta falta — quando sabia que ela seria também sua amiga, uma confidente mesmo que tentasse lhe corrigir. gostaria de saber o que ela pensaria sobre a família estranha que se formou com aqueles três e estaria pronta para dizer que eles estavam bem ( claro, antes da colheita ). “ acho que ele estaria disposto a fazer esse sacrifício por nós. ” era quase poético dizer aquilo nas condições que se encontravam. qualquer animal da fazenda iria tentar protegê-la, como quando as galinhas correram atrás de um menino perturbado que puxou seu cabelo quando eram crianças. ou quando lily, sua amada vaca de estimação, empurrou seu pai na lama quando ele tentou aplicar uma punição em coral. a questão era que um animal estava disposto a protegê-la, um estranho como wallace estava tentando ajudá-la e consolá-la ao ponto de ambos se considerarem família, mas seu pai… argh. “ obrigada. eu não sei o que seria de mim aqui sem vocês. ” embora doesse vê-los ali e eles acompanhando seu caminhar num metafórico corredor da morte, era reconfortante saber que não estava sozinha. que não eram estranhos no quarto ao lado e que as últimas pessoas que veria antes de entrar na arena eram aqueles que amava. “ ah, ainda bem. estou apanhando um pouco nessa parte dos nós. consigo amarrar uma vaca prenha, mas não sei fazer um nó que um humano não conseguiria desfazer rápido. ” iria procurar a caçula depois.
enquanto aguardava a reação alheia havia uma ansiedade boa crescendo em si, um farfalhar de esperança que surgia a cada palavra de wallace. o sorriso aumentou, agora juntando-se ao alívio de quem estava receosa sobre sua estratégia não ser boa o suficiente — ou pior, capaz de levá-la a morte. mas ele conseguia ver o que ela viu. o espetáculo, a novela, a surpresa que todos sentiriam quando soubessem que foi vendida por aquele que deveria amá-la. e que não era a primeira vez que ele fazia algo assim. a cabeça balançava em concordância rapidamente, as ideias inundando sua mente. “ eles gostam de todo um teatro, não é? só preciso construir essa narrativa, deixar que eles queiram saber como a história termina. só assim vão querer me manter lá! ” acompanhou os movimentos com os olhos, curiosa e animada, pois finalmente sentiu que estava fazendo um progresso ao se preparar para o que vinha. anotou mentalmente as perguntas, imaginando que poderiam os três se juntarem para praticar, criar respostas objetivas que demonstrassem que ela tinha algo para apresentar. jogaria os jogos deles, mas da sua maneira. imaginou se seu pai tinha influência o suficiente para fazer algo consigo estando na capital, mas era uma pergunta idiota. não deveria contar com os ovos na bunda da galinha, como coraline lancaster dizia para toda família. “ certo, eu só preciso então provocá-los. fazer com que queiram mais. deixá-lo com medo é um bônus e é uma pena não podermos ver a cara dele quando acontecer. ” os olhos seguiram as paredes, encarando uma das câmeras no cômodo. se inclinou na direção de wallace, falando mais baixo. “ será que é ruim expor esse esquema de corrupção dos pacificadores? ” todos pareciam saber que aquilo acontecia, mas era diferente expor para a própria capital.
era normal uma reação mais defensiva, até mesmo agressiva, quando os tributos eram questionados sobre suas habilidades. todavia, não esperava que fosse ficar tão incomodado com a acusação de que não se importava com eles; que eram apenas números. garen lembrava dos rostos dos quatro tributos que acompanhou, de como morreram. de detalhes bobos e que não serviam de nada agora que não existiam mais. será que conseguiria um dia esquecê-los? engoliu em seco, não pensando ao dizer de maneira mais sincera. "eu lembro de cada um deles." murmurou. "não foram muitos... mas, eu me lembro muito bem." concluiu, preferindo não se prolongar. não era uma boa ideia parecer tão triste, não quando precisava ajudá-la a não ser apenas um desses números. nem sabia se os via desse jeito, mas ali estava mais uma semente em sua cabeça para lidar. mais um pensamento que o torturaria por semanas.
respirou fundo, ajeitando sua postura que antes estava bastante curvada, como se o sentimento ruim o tivesse feito murchar como uma flor. antes que pensasse em algo para mudar o clima, a voz dela retornou aos seus ouvidos, fazendo seus olhos brilharem. "veneno?" repetiu, esperando por uma explicação. poderia não ser uma habilidade física, mas já era algo... sobrevivência. uma maneira de se livrar de outros, mas com um pouco mais de trabalho. "isso é um ótimo começo." garen sorriu, a olhando pela primeira vez desde o estouro que ouviu dela. "você vai ser como aquelas plantas bonitas, mas que são super venenosas. dá para enganar os outros assim..." assentiu, mais animado. "mas, talvez seja melhor não mostrar isso. ser um segredo... não sei. pode ser um elemento surpresa..." ficou um tanto pensativo, mas logo voltou a questionar. "você não tem familiaridade com nenhuma arma, né?"
˓ ꪆ᷼ 𔘓 ۫ ࣭ — por que teria empatia com os cidadãos da capital quando eles eram o principal motivo de haver jogos anualmente? eles ansiavam por aquele momento, para verem o sangue, o desespero, a dor e ouvir os gritos de inocentes que caíam naquela maldita arena. não conseguia entender como poderia ter empatia com garen quando ele estava ali, preparando-a para lutar por sua vida sabendo que ele mesmo estaria a salvo no fim do dia, que dormiria no conforto de sua cama todos os dias até o próximo ano. não era um problema pessoal com ele, mas com a capital e seus ideais. eles tiraram sua mãe de si e sua irmã — foi brutal e elas ainda precisaram ver. como ela poderia confiar em alguém que cresceu achando que aquilo era normal? queria dizer para ele que o que ele dizia não desfazia o fato de que morreram, mas não havia fogo dentro de si para queimar aquele cômodo com sua raiva. infelizmente estava apática demais para prolongar a discussão. mas as expressões delicadas diziam muito. no distrito diziam que seus olhos eram bastante expressivos.
o estômago embrulhou e coral percebeu que aquele sentimento estava se tornando comum demais. não se sentia bem enganando os outros, mas também não se sentia bem com a ideia de matar e, pior, morrer. precisava engolir aquele lado quase chorão e assumir que era pura sobrevivência. scylla havia dito algo sobre não demonstrar fraqueza na frente dos outros e a tributo não confiava plenamente em garen para demonstrar pra ele sua relutância. e o problema de confiança nem se dava pelo fato dele ser da capital! numa família como a dela, com um pai como o dela, era bem difícil achar que outros gostariam de vê-la bem. “ algumas pessoas já sabem. não sei como, mas as notícias voam. ” murmurou em um sacudir de ombros. iria colaborar, mas nisso não tinha muito o que fazer. “ sabem que conheço venenos. não acho que saibam a parte de combinar efeitos. ” e a depender do que encontrasse na arena ( se encontrasse algo ), poderia sim trazer um elemento surpresa para os adversários. “ posso me fingir de morta com um deles. ” a depender de quem tentasse matá-la, era uma forma de se livrar de uma situação insistente e tensa. a careta foi sem perceber. odiava armas. “ não. quero dizer, sei como segurar um machado e um cutelo, mas não sei manusear direito pra… cê sabe. ”