﹙ ⎯⎯ ⋆ ℋ𝘈𝘐𝘓 𝘛𝘖 𝘛𝘏𝘌 𝒱ⁱ͟ᶜ͟ᵗ͟ᵒ͟ʳ⠀ ⠀⸺⠀ ⠀aquele é wallace, ganhador da 90ª edição dos jogos vorazes e mentor do tributo masculino do distrito 10. ainda me lembro de quando ganhou os jogos com destemor e, atualmente, aos vinte e oito, sei que vai fazer de tudo para ver seu mentorado vencer. espero que sua impulsividade não ofusque sua tolerância quando precisar conversar com os patrocinadores!
eu me voluntario como tributo ⸺ foram as primeiras palavras que o jovem murmurou ao vento depois de ter levantado a mão em meio a multidão, para muitos do distrito dez, era a primeira vez que ouviam sua voz com tanta clareza, e não sob camadas de sarcasmo ou rosnados.
wallace, isso é tudo ⸺ murmurou então no microfone sob os olhares de dúvida, afinal, sequer tinha afinidade com o tributo que tomou o lugar. foi impulsivo.
a primeira vez que ouviu a palavra vencedor foi naquele dia, porque antes disso tudo que conhecia era a derrota ; fora abandonado pelos pais logo em seus primeiros dias de vida sob os cuidados do caseiro de um dos grandes latifúndios do distrito — sem nome, sem pais, sem perspectiva. cresceu limpando carcaças e separando miúdos dos abates.
se fosse viver ou morrer… faria alguma diferença? sempre soube muito bem da resposta.
enquanto sempre instruído pelos senhores a manter a cabeça baixa e andar na linha, sempre foi… espontâneo demais para o próprio bem, charmoso quando queria algo — perigoso quando necessário. havia rumores pelo distrito sobre o começo de sua adolescência, quando aqueles que cruzavam seu caminho desapareciam do dia para a noite e o porcos selvagens que ele cuidava, bem, estavam sempre bem alimentados.
se sentir tão… deslocado da realidade tornou os jogos fáceis — não tinha a quem proteger, não tinha medo de nada. sua própria demonstração de habilidade havia sido um caos, era como um touro arisco jogado em uma casa de porcelana, o primeiro tributo que encostou em si na apresentação aos patrocinadores terminou o dia com o ombro deslocado — não havia quebrado por pura misericórdia.
como poderia ser diferente na arena? com o frio e fome ele sabia lidar, mas as provocações dos tributos que se achavam… superiores o tiravam de si, aqueles que lhe dirigiram a palavra foram os primeiros que caçou depois do banho de sangue na cornucópia, o qual não se amedrontou e enfrentou, correu pelos suprimentos e se agarrou apenas a um item: a lâmina curta com o guthook. mas sua primeira morte ativa foi a do tributo do distrito oito e, quando lhe cortou a garganta naquela noite e o pendurou de cabeça para baixo para sangrar, tomou as vestes alheias para usar como troféu de caça — ganhou também aprovação na forma de seu primeiro patrocínio.
aquela… aquela era a vida que ele merecia — banquetes, glória! cada distrito que passava, cada entrevista que dava, não se sentia mais como aquele garoto desajustado, fora do lugar; agora pertencia — era um vitorioso e faria o que fosse preciso para que sua vida continuasse naqueles trilhos.
mesmo que isso significasse que, cinco anos após a sua vitória, na 95ª edição, estaria de volta aos entornos da arena — jovem, sim, apenas vinte e três anos quando se tornou mentor pela primeira vez, mas também foi aos vinte e quatro que trouxe outro vitorioso para o distrito 10. e na 100ª, daria o seu melhor para repetir o feito.
pouco da infância problemática resta no homem de riso fácil e lábia que desenrola patrocinadores, mas, se olhar no fundo de seus olhos ainda é visível a velha chama que clama por carnificina.
INTERAÇÃO ABERTA — QUINTO DIA : dia de treinamento.
Ouviu da boca de seu pai a preocupação que tinham, na época de seu avô, com relação à aparência. Arzhel, que nunca ligou para um corte de cabelo, higiene além do básico, unhas limpas e um meio de esconder as cicatrizes pelo corpo, agora se via em meio a pessoas excêntricas que comentavam de que forma seu cabelo deveria estar: com gel ou livre em algum penteado muito simples? Como fariam aquilo, era algo que não passava na mente dele, sendo, portanto, levado a se preocupar mais com sua sobrevivência do que em como iria parecer. Benefícios da Capital seriam muito bem-vindos, mas, acima disso, queria ser no mínimo útil. Fosse para Bexley ou para sua família, trazendo ao menos mais um vitorioso para os Calahan - do contrário ele seria o primeiro a perder. Uma desgraça! Na sala de treinamento, cercado por outros tributos e alguns idealizadores acima, Arzhel testava suas habilidades com facas e lanças, algo a mais caso não conseguisse um machado em mãos. Pensava, todavia, em ajuda para si. Ouviu do irmão que seria bom ter patrocinadores, mas, especialmente, aliados. Olhou para o lado e viu uma pessoa próxima a si. Foi difícil sorrir para outrem, mas o fez, meio sem jeito, até se dar o trabalho de interagir, finalmente: "Não 'tô acostumado a tomar um banho tão relaxante antes de me exercitar, isso me deixa lesado..." Após falar mais do que em dois anos de sua vida, Arzhel respirou fundo antes de pausar o que estava fazendo para dar uns passos para trás, esticar a arma branca para a pessoa e aguardar uma movimentação dela. "Quer fazer junto?" Aliados, busque por aliados.
﹙ ㅤ⋆ㅤ ﹚ … É NA AÇÃO QUE JAZ SEU CORAÇÃO, os grunhidos e respirações aceleradas do centro de treinamento trazem à memória o dia de sua apresentação e isso quase o faz rir sozinho em seu canto, a reminiscência de seu desastre pessoal; o touro enraivado em uma casinha de porcelana com uma nota tão baixa que chamou a atenção por ser um coitadinho — perigoso, mas ainda um coitadinho aos olhos da capital —, se o ace de dez anos atrás estivesse ali… pondera se seu destemor seria capaz de levá-lo tão longe como havia feito, teria sido capaz de vencer? teria feito diferente? mas, agora, como mentor, tudo que lhe resta fazer é observar; categorizar, classificar, distinguir presas de predadores. ah, mas como sente falta do movimento! quando lhe aparece a chance… espia os pacificadores que os rodeiam como babás, a dúvida se iriam pará-lo ou não e, quando não o fazem, aceita de bom grado a lâmina oferecida com um sorriso brilhante, ‘ oooooh, essa é a minha especialidade. ’ afiada, leve e causadora de grandes estragos, bastante parecida com aquela que o levou à vitória. ‘ você não parece ruim, ’ apesar da pose descontraída, o olhar analítico busca por falhas na postura de outrem, ‘ seus pés tão muito afastados. ’ avalia enquanto se arma, mesmo que esse estivesse longe de ser seu estilo de luta — afobado, animalesco —, dá o seu melhor para ser… didático. e apenas porque sabe que as adagas não seriam as armas de escolha de seus protegidos. ‘ quer tentar me atacar? ’
Pareceu quase ultrajada, colocando a mão sobre o peito de uma forma excessivamente teatral, enquanto a boca se abria em choque. Na mente de Magenta, tudo era muito mais do que era de fato. "Feio não, afinal você tem um rosto bem bonito." O cabelo dele parecia, no entanto, um pouco desgrenhado, o que fez com que a mão dela fosse imediatamente aos fios negros, tentando arrumá-los para que caíssem de uma forma mais charmosa. Quando se afastou, no entanto, algo ainda parecia fora do lugar. Os olhos analisavam com uma precisão admirável, buscando algo que poderia ser invisível aos olhos de pessoas que não trabalhavam e respiravam a moda. Não lembrava de ter alterado o modelo, mas poderia ter sido Callista que tinha feito isso propositalmente para que não fosse selecionada futuramente para ser uma estilista dos Jogos. O homem parecia um pouco pálido, mas talvez fosse fome, certo? Apertou os lábios, tentando entender o que poderia estar errado e o que poderia estar acontecendo. "Fique tranquilo. Eu sou a melhor que existe." Pegou o blush que geralmente utilizava nas bochechas para aparecerem mais coradas em um tom vivo de, bem, magenta. Utilizava bem pouco, mas era o suficiente para parecer naturalmente corada. "Não se mexa, ok?" Com o pincel, corou as bochechas alheias para que aquela aparência assustada e nada saudável sumisse do rosto dele. "Prontinho, agora você não parece mais um garotinho assustado." Com um sorriso orgulhoso, afastou-se dele, totalmente alheia ao que estava acontecendo há poucos metros. Magenta tinha apenas uma preocupação em mente: fazer a equipe do Distrito 10 parecer imaculada e inatingível.
﹙ ㅤ⋆ㅤ ﹚ … EM UM MOMENTO MENOS SINISTRO, se preocuparia mais com a reação que causará em outrem — apesar de tudo, havia aprendido a ser, no mínimo, vaidoso depois de seus anos visitando a capital —, mas como era, sua preocupação maior era juntar toda a equipe em um lugar só, onde podia vê-los e, na pior das hipóteses, protegê-los se necessário. obviamente um cenário em iguais partes pessimista e otimista demais, porque duvida que seria capaz de reagir à qualquer coisa quando seu corpo parece feito de concreto, até o ato de engolir em seco e colocar seu usual sorriso charmoso no rosto parece mais trabalhoso do que o normal, ‘ percebi que foram gentis com 10 esse ano, temos a melhor das melhores agora? ’ entretém a ideia com mais… leveza, o maior exemplo da forma que estava petrificado fica em sua reação tardia que é controlada apenas graças ao aviso dela para não se mover, restando para que seus olhos narrem o conto da surpresa; comicamente esbugalhados. ‘ você não me deixou parecido como um palhaço, né? ’ não teme uma possível encabulação, não de verdade, a ideia na verdade colocar um sorriso mais suave em suas feições, ‘ achei que tinha me chamado de gatinho e ‘tava pronto 'pra concordar, mas garotinho? ’ estala a língua no céu da boca enquanto nega suavemente com a cabeça, ainda faz questão de denotar a diferença de altura ao tocar o topo da cabeça da jovem e comparar com sua estatura. mas bastou a voz de seneca crane se fazer audível para que qualquer esforço que estava sendo feito para parecer menos aflito até ali caísse por terra e, bem, agora era um rosto pálido com estilosas bochechas coradas. ‘ desculpa, mas você já viu uma pessoa morrer na sua frente? porque… bem. é melhor não se virar. ’ se sente péssimo por destruir o ar de ingenuidade que tanto tentou proteger, mas se sentiria ainda pior se ela fosse pega de surpresa pela cena horrífica.
é inegociável o quão influente o riso de ace é em relação à perturbação . apazigua o grito de desespero que sonda a psiquê com frequência , silencia com certo esmero e candura o sonido que tanto lhe corroí . a frequência horripilante é substituída por uma melodia mais ... suportável . tolerável para quem está à deriva de uma pressão desumana . " não tem o que negar . ' cê me conhece muito bem , ace . " volta a lapidar em marmóre o título de refúgio ! quão à salvo desfruta do bálsamo da calmaria quando está com ele ? é incomparável e , por mais cruel que fosse , agradece por tê-lo ali consigo . do contrário , deus , scylla já teria cometido alguma estupidez . gira sobre o indicador o círculo da aliança — que havia feito especialmente para eles . o alicerce físico que a resgata do pânico em situações em que estão longes . " você seria uma puta bem cara , ace . " revira os olhos diante a audácia de wallace , a ponta da língua que se pressiona contra os dentes superiores para conter um riso ambíguo . " você iria se render tão fácil assim ? cadê teu instinto ? " uma linha de expressão é visível sob a tez da lancaster , morde o lábio quando afrouxa , substancialmente , o aperto que iria restringir o movimento das articulações . não ousaria machucá-lo mesmo que em uma situação hipotética .
" você deveria fugir , porra . ' pra sobreviver . " o linguajar chulo contrasta com a doçura que cintila sob as írises de scylla . os ombros outrora rígidos e tensos , suavizam e relaxam , diante a presença das mãos masculinas . a destra buscou aconchego a cintura masculina , comprime o tecido da camiseta entre os dígitos trêmulos pela ansiedade . acaricia onde a derme está exposta devido às mãos para cima , tal qua as unhas compridas se prendem com pouca fineza na carne quando , por fim , ele se solta . " tão fácil assim ? o meu nó deve estar uma merda . " o que lhe preocupa , infinitamente , diante a situação onde deverá ensinar a coral . afastou-se , porém , com certa frustração e preocupação visível . o quadril que se choca contra a superfície gélida da mesa metálica . " vou tentar ensinar outro , sei lá . você quem deveria ser o mentor dela . porra , ace . eu sou uma zona . " é inconsciente quando a destra puxa os fios curtos da nuca , arrancando-os de forma involuntária direto da raiz . a ardência dissipa — com pouca eficiência — a ansiedade que açoita o âmago . " eu só , porra , quero que eles fiquem vivos . vou pensar em uma estratégia melhor . " o coração acelera em uma frequência que tortura os tímpanos , a respiração que segue um ritmo incômodo instável , que sequer enche os pulmões com oxigênio . " ela não vai querer atacar ninguém . "
﹙ ㅤ⋆ㅤ ﹚ … DIZER QUE A CONHECE BEM É EUFEMISMO, de alguma forma, a conhece melhor do que conhece a si mesmo, o bom, o ruim e tudo no meio disso, a bonança da presença um do outro serve de abrigo, mas não é o suficiente para obscurecer o pavor que toma conta a cada passa que dão em direção ao incerto. teme perdê-la caso o pior aconteça, se perderem… deus, sequer é capaz de sustentar tal linha de pensamento onde se o nó se aperto ao redor do pescoço delicado, porque sente a pressão sobre sua carótida da mesma maneira — hipoteticamente falando, mas se fosse… necessário correr o risco real… não está acima de transgredir regras em prol de scylla e sua família. ‘ ‘cê meio que 'tá pagando meu preço, sabe. ’ e talvez, o sofrimento seja seu preço, pondera com pesar — toneladas em seus pulmões tornando sua respiração rasa —, se qualquer mínimo detalhe de tudo que havia os levado até ali fosse diferente, seria o resultado o mesmo? não consegue manter a linha de pensamento quando chega à parte em que não se pertencem e se permite ser egoísta ao escolher todo infortúnio se isso significa que o final garantido é aquele que ficam juntos, apesar de tudo. ‘ sem fugir, amor. não de você. ’ seus olhos são vítreos, vulneráveis; sem espaço para qualquer resquício de dúvida — apenas uma reafirmação dispensável daquilo que mantinham no não dito, no vínculo inegável e atração absurda —, seu polegar pressiona o pulso dela quando nega suavemente com a cabeça e, se o abraço dela não fosse tão… reconfortante, voltaria ao treino dos nós e diria que não importa se doer, desde que a fizesse se sentir segura — em suas habilidade, com ele.
‘ lyla. ’ apesar de dispensar a sua usual marca de candura da alcunha amorosa, não falta esmero em seu tom quando dispensa qualquer regra silenciosa que haviam acordado entre eles para manter o contato controlado quando em meio aos outros — além de um casal, estavam ali como profissionais —, o prender dela contra a bancada e a troca dos dígitos na nuca dela pelo seu tato mais gentil, ‘ eu só te conheço bem demais. ’ recita em calmaria rente à audição, a massagem suave onde o pescoço elegante encontra o ombro tenso e os selares cuidadosos pela maçã do rosto bonito, ‘ quantas vezes nós dois treinamos esse juntos, amor? não é justo comparar a gente com os outros tributos. ’ sabe bem o quão injusto também é colocar dessa maneira, mas no fim do dia eles eram algo que os outros ainda não conseguiram ser; vitoriosos. ‘ para. você é a melhor coisa 'pra ela aqui, fora que vamos fazer isso juntos, eu te disse isso, meu bem. ’ se tivessem tido mais tempo… a aliança bonita estaria na outra mão e seriam oficialmente casados, mas como era, eleva a destra de outrem até seu rosto onde sela seus lábios sobre o metal em adoração e depois descansa a palma fria da noiva em em seu rosto em súplica — pelo carinho que acalma, para que ela pare de se punir. ‘ ela não precisa atacar, você sabe no que ela é boa, amor. ’ não é porque se rendiam à violência como defesa que todos eram capazes da mesma artimanha, e faz questão de lembrá-la disso.
"agradaria o presidente, certamente." murmurou, ainda que não parecesse tão convencido ou confortável com a ideia. no fundo, nunca se envolveu nas questões dos rebeldes ou de uma possível revolução, nem deveria se importar com isso, mas havia algo de errado ali. sentia, ao menos, algo estranho em caçá-los. "oh, desculpe! eu não quis dizer isso." tentou se retratar, passando a mão no próprio cabelo curto, um tanto nervoso. "eu só, hm, não quero parecer intrusivo. mas, se eu puder ajudar, claro, posso ajudá-los no que precisarem." reformulou sua afirmação, esperando que fosse o suficiente para ser aceito de volta no clube dos que pensariam numa estratégia. garen ficou um tanto ansioso com a possibilidade de estarem lidando com outra anomalia nos jogos. a edição anterior já tinha sido bastante marcante, agora os problemas estavam acontecendo antes das notas? das entrevistas? oh, deus... passou a mão no pescoço, tentando acalmar-se. "talvez não seja algo sério... pode ser um novo procedimento. checar... os apartamentos..." tentava convencer mais a si mesmo que não deveria se preocupar do que o outro, sem colocar muita esperança nas próprias palavras.
﹙ ㅤ⋆ㅤ ﹚ … AGRADAR UM MONSTRO REALMENTE VALIA A PENA? se o preço for a sobrevivência, wallace tentaria agradar até mesmo o próprio diabo, algo que, em perspectiva, pareciam ser a mesma entidade. quão doentia precisa ser uma mente para entreter tamanha violência sobre inocentes? ‘ ia te agradar? como… alguém que assiste. ’ a dúvida é genuína e aflita, dificulta seu jogo externo quando todos ali tinham histórias cativantes aos olhos do público — todos descendem daqueles que um dia caíram nas graças dos cidadãos, ‘ relaxa! ’ é o leve nervosismo alheio que lhe tira de seu ciclo infinito de miséria, revelando um sorriso sutil em seu rosto congelado pelo desassossego. ‘ não é in… isso aí que você falou, até porque é sempre bom ter um olhar daqui ‘pra ajudar a gente. mas também não quero te pressionar nem nada! ’ é rápido em adicionar, dando um leve tapa de encorajamento no ombro do rapaz, ‘ venho 'pra cá todo ano há pelo menos dez anos, mas ainda não sei como vocês funcionam, além do gosto pelo banho de sangue. ’ divaga, mas não é em crueldade ou acusação, apenas uma observação geral, uma noção que apenas cresce com a visão aterrorizante do pequeno exército. ‘ bem. seja o que for, talvez a gente tenha um dia bem interessante amanhã. tomara que essa merda não respingue na gente, que porra. ’ era como tentar se convencer que o céu não era azul, realmente, mas vale a tentativa para inibir o pânico, de modo que se afasta finalmente das janelas e busca o controle para fechar as persianas, devolvendo a escuridão ao cômodo frio, ‘ quer um chá? tem umas folhas que a lyla trouxe, deve ajudar com o sono. ’
a primeira vez que viu wallace sentiu um frio na espinha, mas estranhamente não sentiu que um dia teria de ter medo dele ou do que ele poderia fazer consigo. era quase uma sensação de segurança acompanhando aquele arrepio. uma paz quando percebeu que scylla finalmente estava recebendo o tratamento que merecia. em partes, a paz lhe acompanhava ali — se morresse, sabia que a caçula ficaria bem amparada. a confiança de aumentou, ouvindo-o, ela quase conseguia acreditar que iria sair dali. que conseguiria se vingar daquele miserável que um dia chamou de pai. riu a menção ao porco, tendo que concordar que seria um fim perfeito onde jamais saberiam o que poderia ter acontecido. “ pobre inácio, não sabia que passaram a alimentar ele com lixo assim. ” contribuiu para a tentativa de amenizar a situação. pensou, confiava neles. claro que confiava. eram as duas pessoas que mais confiava no mundo. nada mais justo do que demonstrar isso, do que ser grata aos dois e suas tentativas de ajudá-la. “ desculpa. não queria parecer mal agradecida ou que estou jogando a toalha. sei que esse clima merda não ajuda. ” balançava a cabeça lentamente, o olhar correndo pelo cômodo decorado, mas frio e distante.
as engrenagens em sua cabeça giravam. ela queria começar a pensar também, contribuir para os planos e demonstrar o que sua mente gritava há dias: ela não queria morrer. ela não queria ficar ali enquanto sua família verdadeira voltava para o distrito dez. ela queria viver com eles, vê-los sendo felizes e poder fazer parte de tudo que estava por vir. ela queria fazer com que seu pai pagasse e queria vê-lo afundando na lama até pedir por perdão — um perdão que ela não daria. o corpo retesou ao vislumbre de ideia. “ ace… a capital gosta de um espetáculo, não é? ” lembrava-se do que callista, sua estilista, havia dito uma vez. “ o que é mais teatral que um pai vendendo sua filha? e uma filha querendo vingança? ” encarou o rapaz, as mãos se abrindo e fechando em nervosismo. “ as entrevistas… posso falar sobre isso lá. ” certamente renderia uma história para além dos jogos, onde uma investigação poderia surgir e até o maldito pacificador responsável por seu nome ser posto tantas vezes fosse encontrado. “ acha que a capital ficaria interessada em mim para quererem me ajudar um pouco? ” havia um vislumbre de esperança em seus olhos, mas tinha ciência de que poderia ser apenas uma ideia estúpida e sem fundamento.
﹙ ㅤ⋆ㅤ ﹚ … ABANDONADO E ESQUECIDO, há pouco que entenda sobre o que constituí uma família de verdade, mas tem prática o suficiente para identificar o que não é, todos aqueles anos, quando voltava para casa e era recebido por famílias entristecidas e até mesmo algumas raivosas — havia prometido que tiraria a família da pobreza, afinal, para muitos ali aquela era a verdadeira perda, não o luto pelo tributo caído —, mas o dia que voltou com scylla para casa ele se deparou com a outra face da moeda; o alívio absoluto no rosto das irmãs ao se encontrarem foi tudo que ele conseguiu reter do encontro e, para ele, aquele foi o momento que encontrou uma definição melhor para aquele termo, mas também se deparou com a própria antítese nos olhos vazios do progenitor, marcando seu desgosto imediato pela figura doentia. ‘ provavelmente vai magoar o estômago dele comer tanta coisa ruim, mas aposto que ele aguenta. ’ é fácil demais se perder no devaneio da tarefa realizada, a promessa e uma família liberta de um animal cruel, era apenas justo que a passagem de um ser tão vil fosse digna de sua história em vida. ‘ nah, ‘cê tem o direito de se sentir assim, só ‘tô te dando a garantia de que não precisa. ’ é cuidadoso ao alcançar o ombro dela, o toque gentil e, espera que, reconfortante na afirmação de que não se tratava de uma advertência, ‘ é bom ’pra ir treinando sem todo mundo ficar de olho, pelo menos! a lyla quer te ensinar uns nós e ela é incrível nisso! é uma… oportunidade. ’ não dói ao menos fingir que se trata de algo bom, que não estavam ali presos como animais para o abate.
os sinais de uma mente em movimentos são claros o suficiente até mesmo para alguém tão obtuso quanto wallace, de maneira que seu silêncio prevalece, mas o olhar atento é um incentivo tangível. ‘ eles adoram. ’ é a primeira noção indubitável que aprende sobre aquelas pessoas ali, oras, é até mesmo parte da estratégia que usa com scylla quando ela se fez vitoriosa através de sua ira. há a convicção de que não são a mesma pessoa para usar a mesma tática, mas isso não excluiu o quão bom é chamar atenção dos outros como meio de sobrevivência. ‘ traição. eles sempre vão apoiar histórias de traição e vingança. ’ reverbera atônito por alguns breves instantes. parte de si se preocupa, porque se o homem é capaz de fazer algo assim com as filhas, teme o que pode acontecer quando ele receber a ameaça, ‘ porra, coral. acho que é uma estratégia do caralho. não diz o nome dele no começo, deixe as pessoas pensando e comentando sobre isso. as perguntas que eles sempre fazem… espera. ’ a procura pelo seu bloco surrado de anotações é um tanto frenética, mas sabe que está ali em algum lugar pois desde que aprendera a escrever — à sua maneira —, não desgruda dos papeis. encontrá-lo em seu bolso foi uma surpresa cômica, mas ao menos agilizou o processo de voltar a se sentar no sofá e folhear o caderninho na visão de coral, ‘ se você tem alguém ou algo te esperando em casa, porquê você quer voltar, eles sempre perguntam isso. diz que quer se vingar, mas não diz o nome dele ainda. ’ não que sua letra fosse muito legível, mas aponta nas anotações as perguntas comuns nas entrevistas, ‘ ele pode se sentir ameaçado, mas se não confirmar que fala dele, ele não pode agir, assim como ele também não pode agir dentro da arena e é por isso que eu acho melhor você revelar quem é o alvo da sua vingança só quando estiver prestes a entrar na arena. faz sentido? fiquei até meio… desnorteado pensando nas possibilidades. ’
looking off 𝐢𝐧𝐭𝐨 𝐭𝐡𝐞 𝐧𝐢𝐠𝐡𝐭, search the horizon ʷ͟ᵃ͟ᵗ͟ᶜ͟ʰ͟ⁱ͟ⁿ͟ᵍ out for 𝒔𝒎𝒐𝒌𝒆 𝒂𝒏𝒅 𝒇𝒊𝒓𝒆 . you 𝑘𝑛𝑒𝑤 this day would come, you aren't the 𝒐𝒏𝒍𝒚 𝒐𝒏𝒆. and so it 𝐛𝐞𝐠𝐢𝐧𝐬 —— 𝖆𝖓𝖉 𝖘𝖔 𝖎𝖙 𝖇𝖊𝖌𝖆𝖓 .
havia risada, como sempre existia onde wallace se inseria, e o calor de ser acolhido por alguém que queria do fundo da alma que seu distrito prevalecesse na vitória; e era mais do que apenas o orgulho, o qual não nega em momento algum, mas sua questão havia se tornado do coração também — família por proximidade, sua primeira família —, como era suposto que simplesmente deixasse que aquele sangue se juntasse às máculas que se entalharam além de sua derme, marcam a alma, e perturbam a psique?
era paradoxal, porque desejar que vençam significa que deseja sobre eles todas as assombrações que seguem os dias sangrentos gloriosos, mas estariam vivos e não era isso que deveria importar? estariam vivos e as risadas — mesmo que regadas de nervosismo — que preenchiam o corredor até o centro do treinamento prevaleceriam. a equipe, ombro a ombro, voltaria para casa como chegaram ali — ele podia sonhar, certo?
havia risada e, então, havia nada. apenas o filete de sangue escoando pelos espaços entre os ladrilhos, o cheiro inconfundível — a morte estava ali. algo que não deveria ser — não era — estranho para wallace, mas naquele momento há a sensação que o sangue em suas veias se solidifica, o frio... ah, não se compara com o costumeiro ar frio do alojamento, a sensação é glacial. suas mãos se estendem para conter a sua equipe um passo atrás de si, como um escudo, não consegue impedi-los de ver aquilo, mas faz o que pode para não entrarem na zona de caos e impedir de serem compelidos pelos pacificadores — não queria que tocassem neles.
memórias da noite anterior invadem sua mente como se tomassem seus devidos lugares na narrativa, fazia sentido, no fim. os barulhos, o batalhão que se seguiu na escuridão, a tensão, o sangue no olhar de kryos — o mesmo de muitos ali, mas havia algo mais… algo suicida. bem, ultrapassaram aquela barreira quando o deixaram ali para morrer, como exemplo, era homicídio.
não havia vínculo concreto com o homem, mas a partir do momento em que são obrigados, anos após anos, conviverem sob aquelas circunstâncias macabras, é claro que se conheciam — conheciam a dor, o trauma, os pesadelos… aquele sangue nas palmas, prémios que todo vitorioso carrega, quer eles admitam ou não. e wallace… ah. guarda seus traumas com tanto afinco que, por meros instantes, ele consegue se convencer de que não estão, de fato, ali.
finge que a cena não o apavora, que apenas partilha do pânico geral… diz e repete para si mesmo que o suor frio que escorre pela nuca é uma reação normal, que as mãos trêmulas no bolso de dentro de seu casaco — onde manteria sua faca se pudesse — eram apenas um mecanismo de defesa… porque se admitisse para si mesmo que era uma memória muscular, então teria que admitir que sua memória falha e suas lembranças se embaralham; havia matado alguém e pendurado daquela maneira há algum tempo… deixou o sangue escorrer como uma mensagem… era… obra sua? aquele caos.
racionalmente sabe qual a resposta para aquilo, sabe o quão absurdo é sequer considerar alguma parcela de culpa… mas então ele encara a figura distorcida de cassimer kryos e enxerga nas feições torturadas o rosto sem cor do tributo do distrito oito, aquele que ace rasgou a garganta e pendurou… quase daquela maneira, para a sangria — quão cruel… era seu primeiro abate e sequer se recordava do nome, apenas a face petrificada em medo… como se não fosse uma pessoa, mas apenas um sentimento: trauma. —, e então está de volta à arena com a corda ao redor do pescoço e a faca na mão, matar ou morrer.
em algum momento seria capaz de agradecer pela dádiva de ter sido desprovido de cada lâmina que carregava em si como uma armadura, porque falha em responder por si quando os pacificadores avançam na tentativa de conterem e guiarem a plateia amaldiçoada daquele espetáculo barato com texto pobre — que caralho era subversão mesmo?! sequer existia aquela palavra em seu vocabulário limitado, mas uma palavra que ele conhecia se encaixava como uma luva para seneca: pretensioso do caralho —, os gritos da garota ecoam pelas paredes maciças enquanto deixam o centro de treinamento e seu cheiro pungente para trás, mas para ace soa como outra coisa, nunca está realmente para trás, está? gritos de uma presa apavorada em um campo aberto, estado de alerta e o instinto de aniquilar.
a genética não era um fator que o acalmava, até porque ele próprio começava a se sentir um intruso entre os familiares por não estar tão admirado com essa edição. novamente, quando assistia de longe, pelas televisões, era bem mais simples do que ver o que realmente acontecia. e não poderia falar disso com ninguém ou acabaria sendo punido, no mínimo. a distração nos próprios pensamentos fez com que acordasse somente após ouvir a voz de ace novamente, franzindo a testa. "então... está sugerindo deles não se aliarem com os mais... contra a paz?" o acompanhante, infelizmente, não conseguiu acompanhar essa lógica. "vamos pensar em algo. quer dizer, você e scylla. dou apoio moral para vocês." levantou as duas mãos com o polegar levantando, abrindo um sorriso sem exibir os dentes. era o máximo que conseguia fazer, já que não era tão bom estrategista — ou ao menos acreditava que não. "alguma coisa?" parecia vago demais, mas ainda assim, perigoso. garen aproximou rapidamente do outro, tendo a mesma visão que ele. pacificadores? naquele horário? não era bom sinal. engoliu em seco, não ousando colocar para fora qualquer coisa que pensou. "é melhor não atrapalharmos..."
﹙ ㅤ⋆ㅤ ﹚ … BAGAGEM EMOCIONAL OU SIMPLESMENTE TRAUMA, a ideia de formar alianças só para quebrá-las quando no fim era cada um por si o desagrada em níveis extremos — faz deles os bonzinhos, e ele sabe bem como não é isso que a capital gosta ou quer e quem determina quem vive e quem morre no final de tudo, eram eles. ‘ sim. ‘tô falando de… se for preciso, se for algo que agrade os patrocinadores, talvez… caçar eles. ’ bem que dizem que cabeça vazia é a oficina do diabo, porque onde lhe falta ideias concretas e estratégias decentes, há um malditozinho vermelho com chifres que fica gritando e ecoando 'matança' em sua mente. ‘ ah, cara. foi mal. não devia ficar jogando essas coisas em você, né? ’ sua palma se choca contra a própria testa em um tapa audível, onde estava com a cabeça para pensar em delegar as suas obrigações assim? ah, essa edição estava o matando — e isso que os pesadelos sequer haviam começado a aparecer. ou, quiçá, aquele era o começo, uma faísca, algo que ele não precisava adicionar à sua imensa lista de preocupações. ‘ eles não podem ver a gente aqui. acha que… estão indo atrás de alguém? ’ seu sussurro é mais para si mesmo do que para garen, tendo em vista como já havia o assustado o bastante para uma noite só. seus olhos, no entanto, passam por ele e pairam sobre a porta do alojamento; teria mais segurança ou menos pelos corredores?
embora o passado pudesse o condenar , armas brancas não eram as escolhidas diante a adrian — sua preferência ainda era manter - se em nada entre os dígitos ; mesmo assim , em suas obrigações tinha o seu desejo findar tudo com mais rapidez possível , o que lhe fazia ter preferência pelas armas de fogos : rápidas e letais . outrora porém , adagas haviam sido suas boas amigas e chicotes eram velhos conhecidos de seu ser . sinto que cada vez mais , pareço mais perto de acabar morto . sussurra , em sonoridade baixa . não há como negar que certo receito da morte começa a surgir em sua cerne , mas não se amedronta : se fosse seu destino , o aceitaria como antes havia proposto . eu tenho certeza que fiquei mais vermelho do que o usual depois disso tudo . era uma equipe de preparação ou de tortura ? brinca com seu mentor , embora a pele ainda arda devido as investidas quase cruéis em deixa - lo mais aparentemente aceitável . mas pelo menos estou infinitamente mais cheiroso do que quando sai do dez . você que está aqui a mais tempo , o que eles tem nesses perfumes da capital ?
﹙ ㅤ⋆ㅤ ﹚ … SE SUA PALMA ESTIVESSE DISPOSTA SOBRE A BANCADA, decerto que a atravessaria com a ponta da adaga quando o sussurro de adrian se fez audível, a mais pura descrença em suas feições quando se volta ao tributo, o estalar alto da língua no céu da boca: reprovação. ‘ pensei que a gente já tinha passado por isso. ’ busca, então, a destra do rapaz para colocar o cabo de uma das lâminas antes dispostas na bancada — mais longa, uma machete, que ele julga apropriada para o rapaz —, sua palma se fechando sobre os dígitos dele ao redor do punho da arma. ‘ o máximo que vai acontecer é o contrário. tem gente aí mais doida do que você ‘pra morrer. ’ sabe que não são as palavras mais encorajadoras que poderia ter proferido, mas o deve a verdade. entre matar e morrer… a resposta era clara, ace precisava contar com aquela coragem que ele havia tido quando se voluntariou. ‘ oh, é tortura, óbvio! tipo… ‘pra desestabilizar, te fazer pensar que ’cê fede! só porque não tem perfume com… caca de baleia, soube que é isso que eles usam. ’
SKANDAR FICOU SEM RESPOSTA. Apenas olhou para o outro por um segundo ou dois, guardando silêncio. Estava refletindo, tentando decidir se era uma boa ideia continuar falando ou não, especialmente com aquele passo para mais perto que o mais velho deu em sua direção. Diziam que o peixe morre pela boca, certo? Chegou a erguer as mãos em um gesto defensivo quando o mentor alcançou suas vestes, mas suspirou exasperado - e aliviado - quando só fechou o zíper. ━━ Não tenho pulgas. Mas tive sarna uma vez. Foi horrível. ━━ A ideia do comentário era chocar mesmo, mas ainda não tinha pensado a fundo na intenção genuína por trás disso. Especialmente quando era mentira, quem teve foi seu melhor amigo e teve que ficar longe de Renner por semanas até sua pele melhorar. ━━ Minha avó me deu o alfinete que ela usou na tour da vitória dela. Acho que é o meu símbolo... Não quero perder.
﹙ ㅤ⋆ㅤ ﹚ … NÃO É SUA INTENÇÃO ASSUSTAR OU INTIMIDAR, a mera ideia de que possa ter visto assim tira de si de forma quase involuntária um riso chistoso, até imita a rendição alheia com certa jocosidade ao recuar o meio passo que havia dado em sua direção, ‘ cacete, sério? ah! acho que é coisa dos distritos mesmo, no dez muita gente já pegou carrapato. ’ há uma imensa probabilidade dele próprio ter sido inserido na estatística quando pequeno, mas não é uma memória que tenha retido com o passar dos anos. ‘ oh. ’ a espiada no broche em questão parte de um lugar de pura curiosidade, mas a menção da família o faz sorris mais brando e desfazer o que havia feito antes, abrindo um pouquinho do zíper do uniforme do rapaz outra vez, ‘ você não devia desapontar ela escondendo, então. se ela te deu é porque é importante, eu sempre dou algo 'pros meus tributos também. ’ é agridoce pensar como distribuiu praticamente tudo que tinha, seus troféus — seis no total, um de cada tributo que abateu em sua edição, cinco tributos mentorados até ali e agora só resta um.
o indicador se aconchegou com esmero ao pulsar rítmico da artéria . uma frequência que acalma e abranda a sensação de amedronta e , por deus , scylla até mesmo ressoa em uma respiração serena . não lhe carece de consciência de onde está e o porquê , mas permite que a calmaria se aposse dos nervos tão reativos a ambiência . é perceptível sobre as digitais a cicatriz que partilham ; tão semelhantes que poderia ser uma marca de almas gêmeas . quão piegas ! scylla até mesmo revira as órbes , em choque e nausejada , por o quão adiante os pensamentos vão . uma estratégia do inconsciente para ignorar — momentamente e de forma frágil — o caos que lhe cerca . " pelo amor de deus , ace . ' cê não se faz , porra ! " não camufla a sonoridade do riso surpreso , embora permita que a pontinha do pé roce no calcanhar de wallace como repreensão dócil . " então faz direito , poxa . até mesmo um coelho escaparia disso . " amedronta e desafia de propósito , a sobrancelha delicada que se arqueia em réplica e genuína diversão . " sorriso bonito , cara . ' cê está certo . estaria cercado de paraquedas . " embora não possa ; se pudesse , scylla iria segurar o maxilar de wallace com força e entretém . os dígitos até mesmo formigam em saudade e , como estratégia , focou-se em elaborar um nó para prender os punhos do mentor . " agora você é um animal abatido . como você escapa ? " uma curiosidade aleatória e um quão pertinente quando firma o nó ao redor das articulações do punho , o sorrisinho que beira ao cínico ao estalar a língua no céu da boca . " eu sei , ' cê me ensinou isso . água primeiro , armadilha e comida vem depois . " a contagem advém com o toque do polegar sobre os próprios dígitos , onde não há menção de soltá-lo por ora . aconchegou , porém , o quadril nele quando sente carência do abraço de antes . " você é prepotente , isso sim . ensina esse teu sorriso para o adrian . " é inegável que o público se interessa e é cativo por figuras mais sedutoras . " muito forte , aliás ? quero mostrar esse nó para a cora . "
﹙ ㅤ⋆ㅤ ﹚ … NADA PASSA DESPERCEBIDO DOS OLHOS ENAMORADOS de ace, percebe quando a expressão dela transmuta para o escárnio e isso tira de si um riso nasalado; a conhece bem o suficiente para ter uma ideia do que transcorre na psique alheia — provavelmente algo carinhoso que o faria suspirar, mas que nela acarreta timidez e, sinceramente, era adorável. é complicado se mostrar arrependido da brincadeira quando a sonoridade da risada dela é como um bálsamo em sua cerne atormentada por todas as possibilidades. como era bom poder rir daquela maneira como se o resto fosse uma mera fantasia, como se não estivessem à poucos passos da morte iminente de crianças. ‘ hmmmmm, 'cê não negou! ’ a vanglória é tão clara quanto a luz do sol em seu sorriso — acima de tudo, completa e abertamente apaixonado —, sua tentativa de melhorar o nó é até esquecida em pro de observá-la com olhos afiados, os pulsos entregues à ela sem pestanejo; zero instinto de sobrevivência. ‘ você me patrocinaria, amor? hmmm, isso meio que me faria… um puto? ’ a ideia lhe faz rir, assim como também pondera como por pouco não havia caído em armadilhas em seus primeiros meses como vitorioso, uma memória agridoce que logo se dissipa, porque não importa mais, o que importa está em frente — o futuro, scylla. ‘ escapar? ’ enuncia como se fosse o maior absurdo que já ouviu em sua vida, o jogar emproado de sua cabeça para trás. sequer tenta soltar os pulsos, seu primeiro instinto é passar os braços sobre a cabeça da mulher, os punhos restritos em segurança na nuca dela o artifício que precisava para cessar a distância. ‘ quem disse que eu quero escapar? ’ a retórica é entregue tão perto dos lábios dela que suas respirações se chocam, seu sorriso moldado tal como o dela, o brilho da astúcia iluminando os cantos arcados. em um situação de perigo real, poderia quebrar o nariz do oponente com sua cabeça dura, rendê-lo inconsciente com o pressionar do braço sobre a garganta… mas com aquele rosto angelical em sua frente… ah, até leva uns segundos a mais para desfazer o nó por trás dela com extrema leveza, o riso convencido quando, mantendo a distância mínima de seus rostos, expões as mãos libertas ao envolver o rosto bonito em suas palmas. ‘ mas seria assim que eu faria, hmmm. ’ o orgulho é inevitável — ela era a sua campeã por uma razão. ‘ nós vamos, você sabe, né? ’ ficar bem, cuidar bem deles, sair vivos, ficar bem, ficar bem. eram tantas coisas que precisavam conseguir que o desespero que causava azia em seu estômago começa a comprometer a compressão de ar nos pulmões — mas é muito bom em esconder isso. ‘ vamos conseguir ensinar tudo que sabemos, tudo que eles precisam. ’
@slaughteredox said : “ i don't know. i guess we try to forget. ”
onde : alojamento do distrito 10.
quando : a noite.
“ acho que sim. ” concordou ao encarar um ponto vazio no cômodo. havia tido um pesadelo — o primeiro relacionado a sua mãe desde que saiu do distrito 10. acordar num quarto escuro e claustrofóbico não lhe fez bem e ela pensou em ir até scylla para conversar ou procurar algum tipo de conforto, mas estava tão tarde que decidiu engolir aquilo sozinha. era a irmã mais velha, precisava se comportar como tal. precisava aprender a se virar porque muito em breve não teria a caçula para ajudá-la tão de perto. saiu do quarto e ficou passeando pelo alojamento em busca de algo para se distrair. foi quando wallace apareceu e começaram a conversar um pouco. a dúvida sobre o que fariam caso ela ganhasse e eles pudessem voltar juntos para o distrito 10 surgiu e apesar de concordar com a resposta do mentor, havia algo lhe incomodando. “ não sei se consigo. não sei nem se scylla conseguiria caso eu… cê sabe. quero dizer, a culpa é dele. ele está vivendo a vida boa dele no distrito dez enchendo o bolso de dinheiro em troca das próprias filhas. ” falar o nome de seu pai parecia engolir pregos e cacos de vidro. lembrar que ele era seu pai era como tomar um golpe na cabeça. e o pesadelo com sua mãe intensificou aquele sentimento. “ se eu não voltar, não deixa a scylla se afundar por causa dele. ” o pedido foi sussurrado, os olhos fixos e intensos sobre wallace. confiava que ele cuidaria de sua irmã. “ mas se ela insistir numa ideia de vingança… não solte a mão dela. e faça com que ele sofra muito. ”
﹙ ㅤ⋆ㅤ ﹚ … TUDO PARECIA PIOR DURANTE A NOITE e sequer pensava mais sobre os pesadelos sobre aquilo que aconteceu ou aquilo que se repetiria em alguns dias, era a incerteza. desde aquela… exibição no centro de treinamento mal conseguia fechar os olhos durante a noite, temeroso que outros ruídos pudessem ser ouvidos ou que passos na escuridão pudessem ser avistados da janela — não conseguia deixar de lado a vigília contígua ao vitral —, se mais alguma coisa acontecesse… deus, ele precisava de um plano. mas, por deus, o que poderia fazer quando a tarefa de levá-los para a morte naquele ano estava se mostrando infinitamente pior, mais difícil, do que os outros anos. a escuta com atenção e as unhas curtas fincadas no tecido cicatricial de sua palma, a ardência bem-vinda para distrair a psique dos pensamentos ruins, ‘ você vai voltar. ’ não é apenas seu voz que carrega uma confiança inabalável, tal brilho ímpar também se fazia presente em seus olhos — ele apenas sabia que voltaria, não sabia como, mas iriam conseguir. ‘ isso é algo que… vocês precisam fazer juntas. ’ são incontáveis as vezes que se imaginou ceifando a vida daquele que carrega tanta mácula para a linhagem dos lancaster, mas entende que não é o seu lugar, o faria se sentir bem para um caralho devolver todo o sofrimento que ele um dia ousou causar nas filhas, mas outra vez, aquele prazer não era para ser seu. ‘ e então a gente vai alimentar o inácio, o pobre 'tá passando fome. ’ tentativa fútil de amenizar a aura de despedida ao trazer à tona o porco que cria com lyla com tanto esmero como um animal de estimação — apesar do tom animoso, era um fato que seus animais sempre faziam um trabalho limpo. ‘ eu não vou deixar que nenhuma sofra mais. é uma promessa. a gente vai fazer o que for preciso, cora, só… tenha um pouco de fé, se não nessa droga, na gente. eu sei que não sou sua família, mas a lyla é a minha, então você também é e vou fazer tudo que eu puder 'pra proteger isso. tudo. ’
garen não conseguiu compreender o que ele disse inicialmente, achando algo absurdo não gostar da possibilidade de uma aliança. afinal, com aliados era possível sobreviver aos primeiros dias, enquanto ainda tinham um inimigo em comum. "carreiristas não aceitariam aliança com nossos tributos." poderia soar frio ao dizer isso, mas era verdade. avaliando como costumavam ser meticulosos em suas escolhas, era evidente de que o distrito 10 passaria longe de uma possibilidade para eles. eram sempre distrito 1, 2 e 4 juntos. o quarto distrito a se aliar sempre mudava, mas era muito arriscado se misturar. "sugiro que não use essa palavra." frisou, mais sério do que antes, mas disfarçando ao alisar as próprias vestes, como se tivesse dito algo trivial. se alguma câmera ou alguém escutasse o tal rebelde, teriam problemas. mais problemas, aliás. "foi um bom entretenimento." concordou, deixando um sorriso aparecer. "mas, foi marcante. essa estratégia pode ser uma grande furada se for repetida. pode ser previsível para eles."
﹙ ㅤ⋆ㅤ ﹚ … WALLACE É A PROVA VIVA sobre o quão mais fácil é sobreviver quando se está sozinho, sobretudo, quando não se teme. mas isso foi antes, bem antes, agora teme como aquelas mortes evidenciariam sua falha como mentor e, acima de tudo, como afetaria aquela que ele ama. ‘ normalmente, não. mas essa edição não é normal. ’ o desespero sob a superfície era uma cartada cruel, mas era algo que poderiam usar no jogo interno, ‘ você ‘tava no 10, você viu as famílias deles. tem nome, são vencedores. fora que o adrian se voluntariou, acho que... a gente tem que focar nisso. ’ não é uma preocupação no momento ponderar se foi uma atitude pensada ou burra do rapaz, era importante frisar como aquilo que sabia que a capital gosta: além de sacrifício, a confiança que venceria, por isso levantou a mão e se colocou em seu leito de morte por vontade própria. ‘ ah, foi mal. ’ outra nota mental feita com sucesso, mas também uma ideia regada de desespero que o faz cessar os passos apressados e voltar a se sentar próximo do acompanhante para que pudesse ser ouvido sem muito alarde, ‘ mas, se eles fossem atrás desses que… 'não querem a paz' primeiro… pode ser bem visto, né? ’ patriotismo ou qual quer fosse a palavra que pudesse usar, em sua cabeça evocaria um sentimento bom na capital — e isso era o que precisavam. ‘ sim! por isso 'tô aqui quebrando a cabeça. ’ sua frustração transparece na inquietude, pois não demora a se colocar em pé outra vez e caminhar até a janela, o vidro gélido contra sua bochecha trazendo uma sensação de sobriedade ímpar. mas tão rápido a calmaria vem, o assombro paira sobre seus ombros com a visão que tem da horda de pacificadores naquela hora da noite, ‘ garen. acho que aconteceu alguma coisa. corre aqui! ’ seu tom é tão urgente quanto os gestos que faz com a mão chamando o outro para perto, uma tentativa de provar que não estava simplesmente… imaginando coisas.
existe um limite pequeno onde estar onde deveria estar e onde se está atualmente . a verdade é que , arenas de treino não é o seu local — mesmo assim está ali , em imensa curiosidade em frente aos recém chegados . ora , isso com certeza possuí uma parcela de culpa em seu desastre incomum ; após tantos anos , havia se tornado expert em desviar de corpos desatentos , mesmo que o corpo fosse o seu . está pronta para implorar , por mais uma vez , desculpas a tal figura a sua frente . pelo menos até que note a pessoa a sua frente . reconhecer wallace , faz com que um sorriso repasse por seus lábios , feliz . não é todo dia que se torna capaz de ver antigos amigos a sua frente — ou pelo menos , os quais ela considerava amigos . há uma risada quando nota as mãos se movendo , uma forma singela que haviam aprendido se comunicar ; responde apenas com um singelo acenar de cabeça , sua forma de dizer ' estou bem , apesar do acidente ' . em seguida , as mãos se movem em direção alheia , é sua maneira de manter a conversa em dia , um perguntar de ' você está bem ? ' ou ' se machucou ? ' o que surgisse mais conveniente aquela situação .
﹙ ㅤ⋆ㅤ ﹚ … QUANDO A COMUNICAÇÃO ERA PRECÁRIA e seu temperamento arredio, há pouquíssimas memórias sobre pessoas que lhe deram mais do que um instante do dia para entendê-lo — estúpido demais para a capital e suas regras, etiquetas e pompa —, mas ano após ano emme esteve lá, é inegável que nutra apreço pela presença dela; sua sorte? mesmo no silêncio wallace conseguia encontrar uma maneira de ser barulhento, mas num primeiro instante, apenas suas mãos se movem de maneira esquiva, como se questionasse ‘ que acidente? não aconteceu nada! ’, o olhar atento aos arredores — sabe bem das câmeras que armazenam cada passo ou respiro que dá, mas se preocupa mais com a presença tempestuosa dos pacificadores que passavam qualquer imagem, menos a de paz. ‘ eles vão te dar trabalho? ’ o questionamento surge a partir do arquear preocupado das sobrancelhas, o passo mínimo para mais perto para tornar a sua gesticulação um tanto mais privada, pois dizia algo como: ‘ se encherem muito o seu saco você me avisa que eu pego eles, amasso e depois faço picadinho. ’ aquela era a sorte da linguagem inventada por necessidade, há poucas chances de ser entendido o absurdo que dizia! apesar da jocosidade clara, seu coração se aperta com a possibilidade — de punições entendia muito bem e odiaria ser o pivô de algo similar para alguém que considera com tanto esmero.
Quando adentrou no ambiente, estava dentro da própria mente, envolvida com os milhares de pensamentos e ideias que borbulhavam das melhores roupas para o distrito 10. Havia um sorriso quando avistou alguém não muito longe, aproximando-se sem nenhuma hesitação, quase saltitante. "Minha mãe costumava falar que aparência é tudo e você definitivamente não está com as roupas adequadas. É claro que..." Foi quando as palavras pararam de voar dela, percebendo que algo não estava certo. Talvez fosse só a chateação do momento, já que sabia que tributos e mentores tinham a tendência a ser um pouco mal-humorados durante os Jogos, algo que não entendia o porquê. "Que cara é essa?" A brincadeira saiu de maneira risonha dela, um sorriso largo nos lábios.
﹙ ㅤ⋆ㅤ ﹚ … PONDERA SE TORNAM O AMBIENTE MAIS FRIO por puro capricho, para ornar com a situação macabra — é quase glacial e, quando enxerga a poça de sangue, sente tudo em si desmoronar e o frio se instalar em seus ossos. é instintivo na maneira que segura os ombros da colega de equipe, inveja a capacidade de sequer sorrir naquele momento e tudo que consegue fazer é suspirar em alívio quando a para em sua saltitação mlímetros antes que a ponta dos sapatos — provavelmente caros — se encontrem com o traço de sangue que escorre da poça sob o corpo de cassimer kryos. ‘ eu ‘tô feio? ’ apesar da certeza da palidez que se instala nas feições outrora bronzeadas, tenta agir com normalidade e ignorar a maneira que as mãos tremulam quando tenta, sutilmente, afastar-se junto com a estilista da cena horrífica; ela pode ser uma espectadora nata dos jogos e acostumada com o histórico de violência que o segue, mas há em si o instinto de proteger aqueles da sua equipe de presenciar a crueldade em primeira mão. ‘ só acho que não é uma boa hora 'pra avisar isso! agora meio mundo já me viu e vou ficar com fama de feio. ’