"A memória suporta o passado por reinventá-lo incansavelmente."
— Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queirós
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@delirios-literarios
"A memória suporta o passado por reinventá-lo incansavelmente."
— Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queirós
"Desanuviou em mim a ideia de que as coisas existiam alheias a meu desejo. Viver exigia legendar o mundo. Cabia-me o trabalho exaustivo de atribuir sentidos a tudo. Dar sentido é tomar posse dos predicados. Trabalho incessante, este de nomear as coisas. Chamar pelo nome o visível e o invisível é respirar consciência. Dar nome ao real que mora escondido na fantasia é clarear o obscuro."
— Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queirós
"A culpa é relativa ao tamanho da memória. Esquecer é desexistir, é não ter havido."
— Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queirós
"Do abandono construí meu cais sempre do outro lado. Em barco sem âncora e bússola, carrego, agarrado ao meu casco, caramujos suportando sobre si o próprio abrigo, solidariamente."
— Vermelho Vermelho, Bartolomeu Campos de Queirós
"E não havia mentira mais verdadeira do que a de supor possível escutar o coração dos pássaros."
— Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queirós
"Eu desconhecia a extensão do mundo. Minhas palavras minguadas não explicavam minha descrença na esperança. Eu possuía, oculto em mim, também o que não sabia dizer. Trazia de cor e decifradas algumas palavras: aturdido, suspeito, profundo, deserto, promessa, solidão e um amor condenado a minguar pelo exílio. Cobiçava conhecer mais palavras para nomear o incômodo perpétuo instalado pela dor."
— Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queirós
"Mas havia as tardes, com essências inodoras de crepúsculos. Neste instante de incertezas – entre cores – a vida com suas dúvidas se torna por demais demorada. (Viver fica entre parênteses)."
— Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queirós
"Não dar palavras ao desejo é ocultá-lo na solidão."
— Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queirós
"Escrever é também pensar."
— Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queirós
"Sempre vi a palavra penumbra como a claridade suficiente para proteger o amor."
— Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queirós
"Sempre suspeitei o nascer como entrar num trem andando. Só que, o mundo, eu não sabia de onde vinha nem para onde ia. E, no meu vagão, não escolhi os companheiros para a viagem. Eram todos estranhos, severos, amargos, impostos. Também entrei sem comparar o bilhete de viagem. Minha bagagem, pequena, cabia debaixo do banco – da segunda classe – sem incomodar. Contrabandeava poucos pertences: uma grande dor que doía o corpo inteiro e a vontade de encontrar um remédio capaz de remediar o incômodo. Até hoje o mundo não atracou. Vou sem escolher o destino. O trem estancava na minha cidade, trocava de carga e reabastecia-se. O mundo só nos permite uma baldeação definitiva."
— Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queirós
"Suspeitar é negar-se à certeza."
— Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queirós
"Continuamente, eu sofria pelo medo de sofrer."
— Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queirós
"Agora – mas desde sempre – não moro bem dentro do meu corpo, daí, acreditar em alma de outro mundo. Não sou o do espelho. Certa estranheza me incomoda. O desconforto solicita-me liquidar o imóvel. Sempre sou um outro morando em mim. Vivo em uma casa geminada. Intruso, pareço inquilino em vias de despejo."
— Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queirós
"Passarinho não canta, passarinho lastima. Diante da demasiada liberdade seu canto vira pranto. Liberdade, quando abusiva, mais amedronta. Ter um céu inteiro por caminho espanta até as asas. [...] O medo interrompe a liberdade, mesmo no coração dos pássaros."
— Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queirós
"Toda palavra é espelho onde o refletido me interroga."
— Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queirós
"Vejo a palavra enquanto ela se nega a me ver. A mesma palavra que me desvela, me esconde."
— Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queirós