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Sade Olutola
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titsay
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@desastresnosastros
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escrever para se sentir viva,
se sentir viva para escrever.
t.
de tanto sentir sobre a vida e de tanto não compreender como tanto sentia, o coração aprende a abraçar o tropeço e a colocar a dor para ninar.
t.
um sonho
o céu se abre quando você me tira para dançar, baby. não me acorde. enquanto giro, planejo rodopiar mais forte para os teus braços voltar. então eu sinto você sorrir quando, sem planejar, algum passo nos embala. não me acorde.
t.
existe algo em teus olhos que eu não canso de ver. deve ser algum infinito que me cabe. a segurança, as estrelas que por vezes me apoio; deve ser as suas constelações sem fim me avisando que de alguma maneira precisamos ser planeta juntos.
existe algo que pulsa na tua pele, pois eu não canso de tocá-la. deve ser algum pra sempre tatuado naquela paz quente que você me envolve, deve ser amor; deve ser somente amor.
t.
(lembrete)
todo sentir é válido. do peso ao descansar. da leveza ao fardo.
t.
foram constantes as vezes que precisei me perder para retornar aos escritos. às sombras de noites sem lua, ao papel em branco, ao documento nunca preenchido por letras digitadas. e quando saberemos a hora certa para escrever outra vez? perguntei. a resposta está dentro de cada um, foi o que me disseram. a palavra brota. e se alguma palavra vez outra brota é sinal de que a poesia sempre esteve aqui. não lá, mas ela está dentro de cada um.
t.
existe um céu que eu não consigo alcançar. fico presa ao chão entre pesos e correntes. não imaginei que ver as estrelas dançarem, sem ao menos poder tocá-las, doeria tanto. ouço o barulho das chaves em meu bolso, mas não as alcanço. libertar-se me parece impossível, mas ouvi Alguém dizer que não. então espero. então navego.
t.
eu-abismo
querido, escuta.
existe um abismo que você preenche em silêncio e sem saber. existe um abismo que a tua mão toca e sente.
Se eu voltar a ter olhos, olharei verdadeiramente os olhos dos outros, como se estivesse a ver-lhe a alma [….] ou o espírito, o nome pouco importa… Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.
José Saramago, “Ensaio Sobre a Cegueira”.
Não soube compreender coisa alguma! Devia tê-la julgado pelos atos, não pelas palavras. Ela me perfumava, me iluminava… Não devia jamais ter fugido. Deveria ter-lhe adivinhado a ternura sob os seus pobres ardis. São tão contraditórias as flores! Mas eu era jovem demais para saber amar.
Antoine de Saint-Exupéry, no livro “O pequeno príncipe”. Rio de Janeiro: Agir, 2000
Eu te esperei todos os séculos sem desespero e sem desgosto, e morri de infinitas mortes guardando sempre o mesmo rosto.
Cecília Meireles em “Canção”.
quase tudo é muito pouco. é esse infinito que separa teu colo raso do teu queixo achatado. teu infinito é um pescoço, um palmo de dedos apertados quebrando a falange pra poder caber.
é muita ingenuidade achar que pisar nas uvas é fazer vinho, essas coisas que liberam adrenalina e espremem nossas entranhas exatidão humana. a gente não é capaz de tanto.
então não fala sobre caber, porque a gente não tem capacidade de suportar mais do que uns poucos litros, descer mais do que uns poucos vinhos. aqui não tem espaço pra essa mania de grandeza.
O mistérios estavam nos olhos. Estes eram opacos, não sempre nem tanto que não fossem também lúcidos e agudos, e neste último estado eram igualmente compridos; tão compridos e tão agudos que entravam pela gente abaixo, revolviam o coração e tornavam cá fora, prontos para nova entrada e outro revolvimento.
Machado de Assis
mí amor no es tan grande comparo-me ao mar: gota por gota te navego
dedilhada
é sublime ser amada ser arrebatada nos lençóis emaranhada ser conquistada pelo próprio toque e não se arrepender