Eu sempre me enxerguei como alguém difícil de encerrar ciclos. Sempre quis uma explicação para tudo, tudo bem você estar saindo da minha vida, mas por quê? Muitas vezes, uma série de dúvidas e incertezas me fazia manter uma brecha aberta, fosse para uma reconciliação ou apenas para uma lavagem de roupa suja. Eu não gostava de ser assim. Era difícil, porque nem sempre há uma explicação, nem sempre há a oportunidade de perguntar. Mas sinto que estou mudando. Hoje, por mais que eu ainda tenha alguns ressentimentos, dúvidas, mágoas ou raiva, nenhum desses sentimentos me faz querer aproximação. Eu sequer quero saber mais.
Isso não significa que as perguntas sumiram da minha cabeça, ou que o jeito que me senti descartada tenha ido embora. Só quer dizer que, mesmo que eu ainda pense, fale ou sinta, não existe mais a vontade de buscar algo. Eu já me decepcionei tanto que comecei a ter uma certa preguiça disso.
A partir disso, comecei a pensar que as pessoas se merecem muito mais do que parece. E não digo isso de um jeito arrogante ou rancoroso, é só a realidade. As pessoas querem se merecer. Cada um está, onde se sente realmente confortável, no meio que abraça e defende a versão que você quer ser, projetar e expressar de si mesmo. E não há problema algum nisso. Mas talvez haja discordâncias se você estiver no lugar errado.
Por isso, às vezes vale muito mais a pena abandonar qualquer conceito de você estar certo ou errado em si, ou a necessidade de provar para si e para os outros quem você é no fim das contas. Às vezes, só não era mais para você, e talvez nunca nem tenha sido de fato.
Sempre me considerei uma boa pessoa, uma boa amiga. Isso não aponta perfeição ou uma maturidade superior, mas eu genuinamente quero ser o meu melhor. Hoje, eu não fico dizendo isso como “ser o melhor para todo mundo”, porque cada um se merece: tem gente que não me merece, assim como tem gente que eu não mereço.
Quero ser o meu melhor e pronto. Quero continuar evoluindo até morrer.