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Que toda solidão seja apenas uma fase, um tempo de reflexão e cura.
Mr. Darkman
Uma das maiores descobertas que alguém pode fazer na vida adulta (talvez a maior de todas) é perceber que você pode ser quem você quiser. Parece simples, quase óbvio, mas basta olhar ao redor para ver quantas pessoas carregam identidades que não são delas, crenças que nunca questionaram e limitações que aceitaram sem sequer perceber.
Quantas vezes você ouviu algo sobre si e, sem mais nem menos, tomou aquilo como verdade absoluta?
Quantas vezes se definiu como incapaz, inadequado ou “fracasso naquela área” e manteve essa identidade por anos, como se fosse parte inevitável de quem você é?
Eu mesma passei muito tempo acreditando fielmente em coisas que não me representavam. Coisas que, no fundo, eu não queria ser — mas aceitei. Hoje eu enxergo com clareza: se eu não quero, eu não preciso assumir. Identidade não é sentença. É escolha.
Foi por isso que decidi fazer uma lista. Recomendo que você faça também.
Nela, escrevi tudo o que ouvi sobre mim, tudo o que assumi como identidade… e comecei a ressignificar. Transformei cada rótulo em algo que realmente faz sentido para quem eu quero ser.
Exemplos:
❌ “As pessoas não gostam de mim, sempre me excluem.”
✅ “Eu me conecto facilmente. As pessoas gostam da minha presença e sempre sou bem recebida.”
❌ “Tenho dificuldade de falar, sou insegura e não me expresso bem.”
✅ “Eu me comunico com naturalidade. Tenho postura, clareza, segurança e confiança.”
❌ “Aprender é difícil pra mim, esqueço tudo.”
✅ “Sou inteligente, aprendo rápido e retenho o que estudo.”
E assim por diante.
Fazer essa lista me fez ter clareza sobre a visão que eu tinha sobre mim mesma e as crenças que eu carregava. Tudo o que eu via acontecer na minha vida, era exatamente o reflexo de tudo aquilo que eu vinha assumindo e carregando como minha identidade. E então eu entendi que tudo aquilo não me pertencia, não era meu, não era sobre mim. Então decidi soltar.
Daqui pra frente, eu decido quem eu sou.
Eu decido o que posso.
Eu decido o que tenho.
Não é alguém que tem que decidir isso por mim, esse poder é meu.
Sabe qual é a sensação?
É como rasgar um papel que dizia “incapaz” em mil pedacinhos. É como pegar uma folha em branco e escrever sua história do seu jeito — limpa, livre, intencional.
🔖 E é justamente por isso que hoje eu digo, com toda sinceridade: por favor, deixe para trás tudo o que já disseram sobre você.
Descarte qualquer pensamento que tenta te reduzir. Você não precisa continuar carregando traumas, rótulos, erros ou julgamentos como parte de quem é. Isso não te define.
Se existe algo em você que não faz sentido, você não precisa assumir.
Se existe algo que dói, você não precisa manter.
Se existe algo que não combina mais com a sua visão de si, você pode soltar.
Você tem o direito de reescrever sua história.
De escolher sua identidade.
De ser quem você sempre quis ser — com verdade, liberdade e paz.

Dica de hoje: "Não adianta querer quem, não quer está ao seu lado."
-Gabriela
Deus, tudo desmoronou aqui dentro,
não sei mais o que penso,
nem pra onde devo ir.
As coisas ficaram complicadas,
minhas mãos estão atadas,
não vejo como sair.
Hoje sinto minha fé abalada,
mas não te culpo de nada,
sei que a culpa é só minha.
Já nem sei se você ainda existe
ou se tudo era utopia,
uma falsa luz que insistia
em me fazer acreditar.
O mundo é louco,
completamente complicado.
Inocentes são ceifados,
são também abandonados…
E você, onde está?
Dizem que não devemos te culpar,
apontam o tal do livre-arbítrio,
mas agora o meu ser
não quer mais entender.
Dói aqui dentro,
não consigo ver esperança,
cansei de ouvir sobre confiança
dos que dizem ter fé.
Só quero agora,
com você, desabafar,
ou apenas comigo,
caso você não esteja aí…
Mas, se existe,
espero que um dia saibamos
o porquê de tudo isso,
o porquê do seu silêncio…
e, enfim,
encontre a paz.
- Caroline. 💜
Mãe, É Sobre Você
Nunca escrevi isso para você, e talvez seja por isso que as palavras me escapam, como se eu não soubesse como organizar tudo o que se amontoa dentro de mim. Como se eu estivesse perdida nas memórias, nas perguntas que nunca tive coragem de fazer. Como se fosse difícil, mas necessário, escrever para você de uma forma que eu nunca consegui.
Sempre me pergunto se, em algum momento da sua vida, você foi verdadeiramente feliz. Se existiram brechas, pequenas fendas onde você se sentiu inteira, leve, sem carregar o peso do mundo nas costas. Eu queria saber quem você foi antes de ser mãe, antes de ser esposa, antes de ser a mulher que carregou o sofrimento do outro sem nunca pedir permissão para si mesma. Queria entender as escolhas que você fez, os silêncios que você aceitou, as batalhas que travou sozinha e as que nunca venceu, mesmo quando podia.
Você já teve seus próprios sonhos, mãe? Eu nunca soube. Será que você conseguiu viver alguma coisa que fosse só sua, sem ter que ser a mulher que suportava tudo, sem ser a que estava ali, quieta, esperando pela próxima briga ou o próximo golpe? Porque eu vi você se esvaindo, mãe. Vi você se perder, se entregar a um homem que te machucava, que te fazia tão pequena, que te quebrava e te reconstituía, como se você fosse feita de algo mais forte do que o amor que ele dizia ter por você. Eu nunca entendi isso. Eu nunca entendi como você podia voltar, sempre voltar para ele, mesmo quando o mundo te oferecia outras opções, mesmo quando sua alma clamava por liberdade. Eu vi você escolher a dor dele, e isso me corroía de dentro para fora.
E o pior é que, enquanto isso, eu estava ali, vendo tudo de perto, sem saber como te salvar, sem saber como pedir para que você se amasse um pouco mais. Porque, mãe, eu sentia que você não se amava. Eu via a falta de cuidado com você mesma, o vazio que te tomava depois de cada grito, de cada tapa. E eu não sabia como ajudar. Eu não sabia como te tirar dali. E essa impotência, essa sensação de que eu não poderia salvar você de sua própria escolha, me dilacerava.
Você me dizia que eu precisava vencer, que eu precisava ser mais do que você tinha sido, mais do que você podia ser. E eu acreditava em você. Acreditei que sua dor não fosse em vão. Mas, no fundo, eu sempre soube que você estava me pedindo para fazer por nós duas, como se suas escolhas não tivessem sido feitas de forma definitiva, como se houvesse uma chance de reescrever a história, de mudar o destino. Mas, mãe, o que você não sabia era que eu estava sendo consumida pelo medo de que sua dor fosse a minha também. O medo de que o sofrimento de uma geração se passasse para a próxima.
Eu me pergunto, mãe, se você teve alguma vez o direito de ser feliz antes de mim. Se você foi capaz de ser quem você realmente queria ser, sem as correntes de um relacionamento abusivo que te mantinha presa, sem os gritos e as promessas quebradas que eram a única coisa que você conhecia. Você sentiu prazer em algo que não fosse a satisfação de agradar os outros? Eu sei que você amava me ver sorrir, mas o que fazia seu próprio sorriso surgir? O que te fazia brilhar, mesmo que por um segundo? Eu queria que você tivesse tido algo só seu, algo que fosse seu e de mais ninguém.
E hoje, ao olhar para você, ainda me pergunto por que você nunca desistiu. Por que nunca largou aquele homem, mesmo quando tinha todas as razões para ir embora. Eu me corroí com essa dúvida, mãe. Eu não entendo. E isso me dilacera de maneiras que eu mal consigo explicar.
Eu queria poder ter sido mais para você, mãe. Queria ser a amiga, a filha que te sustentaria quando o mundo desabasse. Queria poder estar ali, com você, nos momentos em que você sentia que não aguentava mais, que já não sabia quem era, que se sentia invisível para o mundo. Eu queria que você tivesse podido ser inteira, sem essa parte quebrada que você não conseguia consertar. Eu queria que você tivesse sido capaz de se olhar no espelho e ver a mulher que você realmente era, sem a culpa de carregar todos os outros.
Hoje, olho para você e vejo a dor acumulada. A saudade daquilo que poderia ter sido, do que você poderia ter se tornado, mas não teve a chance de ser. Eu vejo a mulher que não se permitiu ser amada por si mesma, e eu te amo, mãe, mas o que sinto por você é complexo demais para ser só amor. Tem raiva também, tem uma revolta guardada, porque eu não sei como isso tudo poderia ter sido diferente, mas ao mesmo tempo eu entendo que você fez o melhor que pôde, com as ferramentas que tinha. Eu queria que fosse diferente. Queria que o amor que você deu tivesse sido suficiente para te libertar. Queria que você tivesse saído, que tivesse se reconstruído, que tivesse me mostrado uma outra forma de viver. Queria que você fosse feliz, mãe. Eu queria que você tivesse sido feliz para você, para nós duas. Eu te amo, mas você me deixou com tantas perguntas sem resposta, tantas dores que você não compartilhou, tantas feridas que ainda sangram em mim. E eu não sei o que fazer com tudo isso.
Eu te amo, mãe, mas eu ainda tenho tanto a entender sobre nós.