“Eu nunca me arrependi de ter sentido isso tudo por você. Nunca. Nem nos dias em que doía. Nem nas noites em que eu ficava revendo cada detalhe Tentando entender onde foi que a gente se perdeu ou se algum dia realmente se encontrou.
Porque pra mim, foi real cada conversa, cada risada, cada plano que talvez só tenha existido na minha cabeça, eu nunca gostei pouco, e talvez esse tenha sido o problema.
Eu gostei de você nos detalhes que você nem percebeu, eu gostei nas versões suas que você nem sustentava. Eu gostei até nos seus silêncios, mesmo quando eles gritavam a ausência.
E ainda assim, eu ficava . Sabe por quê? Porque eu acreditava. Eu acreditava que em algum momento você ia perceber.
Que ia olhar pra mim e entender o que tinha nas mãos. Que ia finalmente escolher ficar de verdade. Mas você nunca escolheu.
E o mais difícil de acreditar é que não foi por falta de sentimento. Foi por falta de prioridade. Você sentia, mas não o suficiente para agir. Você gostava, mas não o suficiente para construir. Você queria, mas nunca o suficiente para permanecer e eu fui ficando no meio disso, no quase, no talvez, no agora vai.
Eu me acostumei com migalha, achando que eram sinais. Eu me acostumei com sua presença inconstante, como se fosse intensidade. E não era.
Era só falta de decisão mesmo. E sabe o que mais dói? Não é nem o que você fez. É o que você não fez.
As vezes que você podia ter tentado e não tentou. As vezes que podia ter ficado e foi embora. As vezes que bastava o mínimo...
E você não deu nem isso e ainda assim nao me culpo porque o que eu senti foi puro, foi inteiro, foi honesto.
Eu fui tudo aquilo que você dizia querer, mas nunca soube lidar quando teve. E hoje, eu entendo. Eu entendo uma coisa que demorou pra entrar.
Eu nunca fui demais. Você que sempre foi de menos. Menos atitude. menos coragem, menos verdade. E não, isso não diminui o que eu senti, só explica porque nunca deu certo.
Porque amor não sobrevive de intenção. Amor precisa de presença, de constância, de alguém que fique mesmo quando é mais fácil.
E você sempre escolheu o mais fácil. E eu? Não. Então não. Eu não me arrependo de ter gostado de você.
Mas me orgulho de finalmente ter aprendido a ir embora.
Porque se tem uma coisa que eu nunca mais aceito é confundir ausência com mistério, indiferença com intensidade e migalha com amor. E se um dia você lembrar de mim, espero que entenda.
Eu não fui a pessoa que passou na sua vida. Eu fui a pessoa que poderia ter mudado tudo. Se você tivesse sido capaz.”