Cabisbaixo
risco o chão da cidade com um olhar imperfeito carregando uma tempestade dentro do peito.
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Cabisbaixo
risco o chão da cidade com um olhar imperfeito carregando uma tempestade dentro do peito.
Sou teu anjo. Mas, por dentro me sinto um demônio.
Tira logo a roupa, beije cada espaço do meu corpo e more dentro de mim.
Você sabe a distância entre o céu e a terra mas, consegue senti-lo?
Apaga-me como um cigarro
É claro que é fácil explodir, gritar, bater, extravasar. Mas, você tem ideia de como é ser a pessoa, do outro lado, que permanece em silêncio?
I'm not special for anyone.
Você não vai admitir mas, você fez uma bagunça. E só você pode limpar o que você fez.
Meu corpo vibra assim que ele escuta tua voz, toma cuidado moreno. Desse jeito, eu me entrego de uma vez, sem pensar
Estás preso à vida como numa jaula. Estamos todos presos.
Ferreira Gullar. (via rastrospoeticos)
Eu não tenho que definir tudo. Eu sou o que sou. E não me importa o que isto significa.
dicaz
O mundo inteiro é o fluxo indivisível deste momento. Ainda somos o big bang acontecendo. Desligo o estímulo dos fones. Amplio o volume da música que emerge de minha consciência-fonte: Imprecisa. Cristalina. Sem margens. O vento me atravessa o peito via respiração, como se eu não fosse matéria. Os sons viajam através do silêncio. O destino entra de dentro pra fora na gente. A pele pode não ser a porta de nada. A superfície é a profundidade e vice-versa. A vida não é de ninguém. Ninguém sabe onde começa e termina a imaginação. Ninguém sabe onde começa e termina o acaso. Ninguém sabe onde começa e termina um instante. Por que não é medível. Por que a impressão de que as coisas possuem limites é um sintoma do cérebro. Por que eu não sou um ator no filme da minha vida. Por que eu sou a tela onde a Natureza acontece e não se repete. A Natureza é este momento, bem maior (e muito menor) do que eu imagino. O que vai além se amalgama ao que vem. Sem eu pedir. O sangue da terra circula através de mim. As árvores são elementos do meu sistema respiratório. As cores são acontecimentos sensoriais. Deus mora no tórax. As montanhas são emanações dos meus ossos. Os seres e os pensamentos são ondas percebidas no oceano de luz da consciência. As formas são fenômenos inseparáveis da fonte. As águas espelham a fluidez da minha mente. A consciência é o campo aberto onde o caos acontece por si só: Em estado de conexão íntima com o espaço eterno. Provenho de mim mesmo. Das causas e condições efêmeras do corpo, e da perfeição absoluta de tudo o que me cerca. O fogo de Prometeu vem parido da barriga. As tensões do espírito são desconfortos musculares. As máscaras sociais contraem o movimento do rosto. Ainda assim, sem dar atenção a isto, existo entregue ao fluir irrestrito do momento. Mas o estímulo dos hábitos constrange minha visão. Parece que o mundo é pequeno, sólido, separado. Pura náusea claustrofóbica. O acaso e o destino são impressões que foram conceptualizadas. O universo não é um monte de coisa disposta no espaço. Isto é uma ilusão de óptica. Uma cegueira coletivo-obsessiva. Uma obsessão se forma quando o sistema de coordendas do cérebro passa a comandar a vida. Quando os limites deixam de ser uma simbologia, para se confudirem ao real. As medições, os nomes e o tempo são símbolos que facilitam a comunicação e a vida prática. Só isso. Mais um efeito produzido pelos sentidos. Mais um sistema vital como qualquer outro. E que precisa estar funcionando direito, em seu devido lugar, para ser aproveitado com lucidez. A mente é a parte de dentro do corpo e o corpo a parte de fora da mente. Os dois são um só: plenitude. Sem parte de dentro ou de fora. Sem transcendência. E assim como no desalinhar do ciclo das águas um rio seca, ou no sistema endócrino um rim falha, é possível se desarmonizar no sistema de coordenadas. Fazendo com que o corpo e mente se confundam. Se percam dentro das cores do mapa, tomando-as com sendo o território inexplorado do real. É preciso ver sem avaliar. Se curar. Religar a atenção ao que está acontecendo agora: No corpo em volta. Sem bordas. Vagar sem caminhos. Observar sem motivos o que está sendo sentido em movimento. Se livrar do nome e dos planos de referência - espaço-temporais - por um instante que seja. Para ser apenas o olhar flutuando aceso no espaço, sem estória pessoal. Harmonizar mentecorpo ao ritmo do todo. Num instante em que tudo se amalgama, e a cintilância do momento se revela: infinita, instantânea. A impressão que dá nos estarrece, o corpo gela. Nada que não seja estranho existe. Parece que a imensidão é ampla demais para nos proteger. Mas só parece. Porque protege sim. Sempre estivemos entregues. O espaço onde a amplidão acontece é o que somos. O medo é a consciência do big bang inascido e sem fim. A beleza não tem nome. Somos muito maiores (e menores) do que o medo, o big bang e a imensidão. Pois o que somos não tem tamanho, palavra, forma e nem cor. É o espírito santo, no sentido cristalino - livre de conceitos - da palavra santo. E no sentido mental - puro olhar - da palavra espírito. Inato por si só. Não sou uma machina. Somos apenas olhar aceso sem avaliação. Sol de consciência incandescente que a tudo une, e que o cérebro simula como sendo apenas uma vela, e ainda a chama de amor.
QUANDO EU ME CALO, PODE TER CERTEZA: tenho um mundo de palavras querendo sair dos meus lábios (ou de minhas mãos) e invadir teus ouvidos. Essas palavras simplesmente não saem. Confesso: Seria mais fácil se conseguisse expressar em palavras sonoras o que se passa neste meu mundo mudo que insiste em berrar engasgado no silêncio. Espero, que pelo menos, minhas palavras escritas consigam te confortar e dizer que quando me calo, no fundo, eu tento apenas confessar que eu te amo. E isso é precioso e perigoso demais para ser gritado ao vento.
Pedro Gabriel, Eu me chamo Antônio
Por mais difícil que seja, nunca deixe de acreditar em dias melhores.
Roma, 1994. (via velejo)
Mais tarde, parecia a coisa mais natural do mundo que se amassem.
Rir junto é melhor que falar a mesma língua. Ou talvez o riso seja uma língua anterior que fomos perdendo à medida que o mundo foi deixando de ser nosso.
Mia Couto (via oxigenio-dapalavra)