Michele Poirier-Mozzone (American, based MA, USA) - Sidekicks II, Paintings: Oil on Canvas

izzy's playlists!
Today's Document

JBB: An Artblog!
YOU ARE THE REASON

⁂
taylor price
styofa doing anything
sheepfilms
Claire Keane
Not today Justin

if i look back, i am lost

Kiana Khansmith
Aqua Utopia|海の底で記憶を紡ぐ
Keni
let's talk about Bridgerton tea, my ask is open

#extradirty
NASA
RMH
Sade Olutola

Kaledo Art
seen from Germany
seen from T1
seen from Türkiye
seen from United States

seen from Malaysia
seen from United States
seen from France
seen from Iraq
seen from United States

seen from China
seen from Germany

seen from Belgium
seen from United States
seen from United States
seen from United States

seen from United States

seen from United States

seen from United States
seen from United States
seen from Jordan
@diegolmachado
Michele Poirier-Mozzone (American, based MA, USA) - Sidekicks II, Paintings: Oil on Canvas
O canto do Pássaro- Sebastian Faulks
“Dito às claras e às secas,sou da raça sem méritos nem brilho, que não teria nada a legar aos seus sobreviventes se não fossem os fatos que me proponho a narrar do jeito que conseguir nesta memória do meu grande amor. No dia de meus noventa anos havia recordado, como sempre, às cinco da manhã. Por ser sexta-feira, meu compromisso único era escrever a crônica que é publicada aos domingos no El Diário de La Paz. Os sintomas do amanhecer tinham sido perfeitos para não ser feliz: me doíam os ossos desde a madrugada, meu rabo ardia, e havia trovões de tormenta depois de três meses de seca. Tomei banho enquanto passava o café, bebi uma caneca adoçada com mel de abelhas e acompanhada por duas broas de farinha de mandioca, e vesti o macacão de brim de ficar em casa. O tema da crônica daquele dia, é claro, eram os meus noventa anos. Nunca pensei na idade como se pensa numa goteira no teto que indica a quantidade de vida que vai nos restando. Era muito menino quando ouvi dizer que se uma pessoa morre os piolhos incubados no couro ca-beludo escapam apavorados pelos travesseiros, para vergonha da família. Isso me impressio-nou tanto que tosei o coco para ir à escola, e até hoje lavo os escassos fiapos que me restam com sabão medicinal de cinza e ervas milagrosas. Quer dizer, me digo agora, que desde muito menino tive mais bem formado o sentido do pudor social que o da morte. Fazia meses que tinha previsto que minha crônica de aniversário não seria o mesmo e martelado lamento pelos anos idos, mas o contrário: uma glorificação da velhice. Comecei por me perguntar quando tomei consciência de ser velho, e acho que foi pouco antes daquele dia. Aos quarenta e dois anos havia acudido ao médico por causa de uma dor nas costas que me estorvava para respirar. Ele não deu importância: É uma dor natural na sua idade, falou. — Então — disse eu —, o que não é natural é a minha idade. O médico me deu um sorriso de lástima. Vejo que o senhor é um filósofo, disse ele. Foi a primeira vez que pensei na minha idade em termos de velhice, mas não tardei a esquecer o assunto. E me acostumei a despertar cada dia com uma dor diferente que ia mudando de lugar e forma, à medida que passavam os anos. Às vezes parecia ser uma garrotada da morte e no dia seguinte se esfumava. A verdade é que as primeiras mudanças são tão lentas que mal se notam, e a gente continua se vendo por dentro como sempre foi, mas de fora os outros reparam.”
— Memorias de minhas putas tristes - Gabriel García Márquez
Torres, RS - Brasil. 2025
Torres, RS - Brasil. Sep - 2025
Ensaios - Montaigne.
2025 and 2023
'Convém, pois, apressar-nos não somente porque a cada instante estamos mais perto da morte, mas também porque cessa com antecedência a compreensão das coisas e a capacidade de nos acomodarmos a elas.'
Quando eu não tinha o olhar lacrimoso que hoje eu trago e tenho; Quando adoçava o meu pranto e meu sono no bagaço de cana do engenho. Quando eu ganhava esse mundo de meu Deus fazendo eu mesmo o meu caminho, por entre as fileiras do milho-verde que ondeia, com saudade do verde marinho. Eu era alegre como um rio, um bicho, um bando de pardais; Como um galo, quando havia galos, noites e quintais. Mas veio o tempo negro, e à força fez comigo o mal que à força sempre faz. Não sou feliz, mas não sou mudo Hoje eu canto muito mais
Art by Z Lan
Software Used: Photoshop
Shintaro Kago
Go this way, once I'm kinda embarrassed to post my tiny evolution on IG