Sem título
Ainda que clichê, é impossível pensar em outro título neste segundo. Queria ter o dom de tornar dor em poesia, tornar as feridas fundas que maculam a face estreita d’alma em flores num belo campo florido. Desta demanda, não desejo, do real se compõe apenas a ânsia de tentar e nunca conseguir. A vontade efeba de rasgar a face opaca da negra sombra que me assombra e dela brotar enfim a luz. Aqui jazido novamente, os sonhos e esperanças de uma vida. De todos os lugares, este é o que mais conheço. De todos os caminhos que já caminhei, este é o que caminhei mais. Aqui sozinho, cantando os ossos do caminho, a canção que cantei mais. E eis que me vejo novamente aqui,no galope surdo de uma vida que não acaba. E de tal fato que a boca humana recusa proferir, há de ejetar em golpes e talagadas venenosas a peçonha que o inconsciente expele em jouissance. Do sintoma em anomia, o desejo. Do sintoma o desejo -- não demanda -- de escolher desflegmar o signo vazio das trevas do homem. Solve et coagula. Enfim, o tão esperado fim...













