Hoje eu acordei com medo do que poderia ser o amanhã, e uma vontade inenarrável de não viver as coisas que estão por vir. Me peguei ouvindo Asleep, dos The Smiths, e percebi que me encaixo perfeitamente com a poética descrita nos versos. Deve ser por isso tamanha empatia com o Charlie. Eu sou o Charlie. Se você não sabe quem é Charlie, trate de conhecer. Ele é um bom sujeito, mas carrega nas costas o peso de ser produto do que se foi obrigado à viver. Nós somos isso, né? Produto do que fomos. E às vezes dói carregar a nossa própria bagagem de ser o que se é. Aos 20 anos descobri que sou um ser humano solitário, que odeia solidão. Cazuza abriu meus olhos sobre isso há algum tempo. Aceitar a solidão é um negócio bem difícil às vezes. Na maior parte do tempo ela só te mostra o quanto que as coisas que você dita e carrega sobre si, é um emaranhado de objetos sem utilidade alguma com peças faltando. Perceber isso tem me feito viver dias tenebrosos dentro de minhas imaginações repletas de sentimentalismo barato. É difícil relutar-se, todos os dias. Só conforta, de vez enquanto, sentir que existe um fio de luz dentro do peito que grita dizendo que ainda há esperança, quem sabe.
















