A gente nunca sabe quando vai encontrar o amor de nossa vida. Talvez se soubéssemos nem sairíamos de casa no dia ou talvez, ficaríamos tão eufóricos com o ideia do amor que acabaríamos não sendo nós mesmos.
Se alguém me dissesse que seria hoje eu teria me preparado, não que eu queira disfarçar a minha total incapacidade de parecer simpática a desconhecidos, eu só não acho que seja um atrativo a mais a quem eu - acredito ser - o tão esperado amor da minha vida.
Álgebra linear, a matéria mais exaustiva do computação, apesar da insatisfação com o conteúdo ainda me sobra tempo de observar a sala. Olhos procurando possíveis grupos de amigos. já fazendo a exclusão mental das possíveis pessoas "que não me daria bem" , ao olhar para lado avisto Lucas, ele parecia tímido, inteligente mas meio estranho (observação: eu amo os caras estranhos, fetiche meio incomum) depois de algumas palavras trocadas eu pude perceber que não, não era ele, um possível amigo ou muito menos amor da minha vida (selá da vida de alguém). Meia noite ao descer do ônibus eu encontro o Thiago, um antigo affaire de ensino médio: "Vou passar direto" - pensei, e assim o fiz.
Ao chegar em casa já no final de dia pensando em todas as coisas que fizeram aquele dia parecer tão atípico pra mim apesar de aparentemente ser apenas mais um dia monótono como todos os outros.
Ao abrir o medium eu li um poema sobre "O amor de nossas vidas ou o amor para as nossas vidas". Epifania- Eu gosto de pensar que sou importante o bastante para ter pensamentos brilhantes que me fazem mudar a direção da vida. Eu pude perceber que eu já tive dois grandes amores da minha vida. Dois. Um a mais do que deveria, um a mais do recomendado, um a mais dos contos de fadas ou filmes de romance espalhados por aí dizem. Passei alguns minutos preocupada com a possibilidade de não encontrar o terceiro por ai. Talvez a cota de amores acabou. "Mas já!?" - retruquei a mim mesma quase no mesmo instante.
Depois de refletir por longas duas horas a caminho do trabalho no dia seguinte eu lembrei dos melhores momentos que eu passei até hoje, e eu não consegui lembrar de nenhum momento memorável ao lado desses "dois amores", na verdade todas as memórias realmente valiosas são recordações de mim mesma. O dia em que eu fiquei completamente bêbada em um lugar completamente desconhecido (algumas pessoas podem dizer ("preocupante/perigoso, levando em conta a minha nada movimentada vida social aquele evento foi qualificado no link da mente : memorável), ou o dia em que eu escrevi o mais lindo poema na praia, sozinha, pela primeira vez na vida usando um biquini sem sentir incômodo sobre mim mesma, ou o dia em que eu... (Talvez esse momento não deve-se colocar). Depois de dar algumas risadas no banco do ônibus e parecer completamente doida para os outros passageiros eu notei o que Nietzsche tentou dizer a tantos tempo, em tantos textos mas ninguém acreditou.
Quer dizer, existem tantas pessoas no mundo seria injusto amar somente uma vez, seria injusto sermos predestinados a uma pessoa só, aliás, mais que injusto seria cruel. Eu parei de procurar amores por aí, passei a me preocupar menos com cenas clichê de filmes de romance, não que eu não queira me apaixonar novamente, eu quero. Eu só acredito que o verdadeiro AMOR de nossas vidas somos nós mesmos e que o AMOR aparece como uma borboleta que pousa no ombro de um desconhecido no parque, quando não estamos procurando, quando estamos distraídos.
O amor é assim, ele pousa no seu ombro sem perguntar se pode, se você está pronto ou se tem medo. Ele simplesmente, pousa no seu coração. O amor da minha vida sou eu, e o seu?