E enquanto eu lia as mensagens antigas no meu celular, encontrei uma sua que dizia âeu te amo, nĂŁo esqueceâ. Ă, e engraçado⊠Acho que quem esqueceu foi vocĂȘ.
Rafaela Marques. (via fingidor)
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E enquanto eu lia as mensagens antigas no meu celular, encontrei uma sua que dizia âeu te amo, nĂŁo esqueceâ. Ă, e engraçado⊠Acho que quem esqueceu foi vocĂȘ.
Rafaela Marques. (via fingidor)
Eu disse que a amava tarde demais. Eu a tinha em minhas mĂŁos, cara, e eu nĂŁo cuidei. Eu nĂŁo tĂŽ aqui pra causar nenhum tipo de confusĂŁo, nĂŁo se deixa levar por esse meu cheiro de ĂĄlcool, confesso que essa madrugada eu passei um pouco dos limites. NĂŁo vim falar de mim e nem do buraco que eu carrego comigo todos os dias. Na verdade, vim te mandar a real. NĂŁo pense que um bĂȘbado com roupa amassada e cabelo bagunçado nĂŁo pode te ajudar, eu sei mais sobre ela do que tu pode imaginar⊠Ela jĂĄ te disse que odeia que força a barra com ela nĂ©? Quando ela repete o nĂŁo pela terceira vez, esquece⊠Ela nĂŁo quer mesmo, nĂŁo insista. Mas, quando ela fala um nĂŁo de primeira, com um sorrisinho escondido por trĂĄs de uma marra, ela sĂł quer ter certeza que vocĂȘ quer mesmo ela por perto. Olha, nĂŁo fica mexendo em celular quando ta com ela dĂĄ toda a sua atenção pra ela, entende? Ela gosta de se sentir mimada, ela gosta quando puxa ela pela cintura num movimento de posse. Ela se amarra totalmente, cara. Eu nem quero entrar nas minhas intimidades com ela aqui, mas puxa o cabelo dela com carinho, devagar, num movimento excitante ao mesmo tempo carinhoso, ela se entrega fĂĄcil. Porra, se eu pudesse voltar no tempo, cara⊠Ela Ă© mulher que qualquer cara aĂ sonha em ter, e agora, ela ta com vocĂȘ. Cara cuida dela ta? Cuida muito, cuida⊠Eu nĂŁo fui capaz de fazer isso. Eu sou isso que vocĂȘ ta vendo aqui, um lixo, um cara largadĂŁo, que acabou largando a Ășnica coisa que era capaz de me fazer Ăștil na vida. Eu me sentia bem ao fazer ela sorrir, sabe? NĂŁo sei se acontece com vocĂȘ, mas quando ela sorri e joga o cabelo de lado, meu coração disparava. Ela ainda costuma ver a sessĂŁo da tarde todos os dias? Eu lembro que ela nĂŁo perdia um dia. Cara, me escuta, luta por ela, vale a pena. Ela vale a pena. Ela Ă© tudo aquilo que eu tive e nunca mais vou ter. Ela Ă© tudo o que eu queria agora e sempre. Ela saiu da minha vida cara, porque eu fui um trouxa, porque eu sou um trouxa⊠Nem se quer atrĂĄs dela eu fui, sabe por quĂȘ? Porque eu sou um orgulhoso de merda. Eu perdia a minha felicidade, cara. NĂŁo a deixe escapar, cuida⊠Cuida dela, por favor.
Ela foi embora, cara.   (via esplandecer)
Acredito em tesão à primeira vista, paixão, admiração, ódio⊠Mas amor não. Amor é algo que se constrói e prédios sem estruturas caem.
Annd Yawk.   (via fingidor)
Acham que enlouqueci, perguntam de vocĂȘ pra mim, eu tento dizer que estĂĄ tudo bem.
As Cores. (via fingidor)
NĂŁo adianta, nĂŁo sei explicar. As palavras traem o que a gente sente.
Caio Fernando Abreu. (via sexhow)
Depois de uma certa idade, vocĂȘ jĂĄ perdeu tantas pessoas que aprende a apreciar as lembranças que tem, e para de se ressentir das que nunca vai ter.
Um homem de sorte.  (via destrugir)
Ela era inteligente⊠Até se apaixonar.
Sex and the City  (via flyedd)
Concurso Cultural Inspiração "Outubro Rosa" - Encanto Cosméticos
Estou participando do Concurso Cultural da Loja Encanto Cosmeticos e Acessorios, com o tema "Outubro Rosa" mĂȘs dedicado a prevenção ao cĂąncer de mama. Se gostarem da make, cliquem na foto e clique em curtir.
Corri atrĂĄs, te procurei e quis saber de vocĂȘ. Agora chega. NĂŁo te procuro mais, nem corro atrĂĄs. Te deixo livre para sentir minha falta, se Ă© que faço falta⊠Tens meu nĂșmero, na verdade, meu coração, entĂŁo se sentir vontade de falar comigo ou me ver, me procura vocĂȘ.
Caio Fernando Abreu. (via catedrais)
[VocĂȘ sĂł tem dezessete anos, mas vocĂȘ jĂĄ sabe certas coisas.] VocĂȘ tem dezessete anos agora e histĂłria Ă© sua matĂ©ria preferida (apesar de vocĂȘ se dar melhor com fĂłrmulas e nĂșmeros porque eles sĂŁo exatos e geralmente constantes e vocĂȘ gosta das suas coisas assim entĂŁo vocĂȘ gosta de matemĂĄtica) e pessoalmente vocĂȘ nĂŁo gosta de Romeu e Julieta e acha que eles poderiam ter se saĂdo melhor nessa coisa de romance. ~ Ăs vezes seu pai volta lĂĄ pelas quatro da manhĂŁ, outras vezes ele nĂŁo volta e vocĂȘ sabe que quando ele dorme em casa, ele dorme no quarto de hospedes e nĂŁo junto com a sua mĂŁe, mas vocĂȘ tem medo demais pra perguntar o motivo. ~ NĂŁo era pra acontecer. Mas essas coisas nunca sĂŁo. Em um dia ele nĂŁo estava lĂĄ, e no outro, estava em todo lugar (cabelo loiro, olhos azuis, clichĂȘ assim, entradinhas na barriga, dedos longos, um sorriso de uma covinha sĂł, pintinhas pelos braços e pescoço), mas vocĂȘ nĂŁo esperava que alguĂ©m como ele fosse aparecer. Na sua cabeça, antes de descobrir o nome dele, vocĂȘ o chama de O Garoto Bonito. VocĂȘ tenta, tenta mesmo nĂŁo prestar atenção nele. Mas o garoto de repente começa a aparecer nos mesmos lugares que vocĂȘ, nos corredores da escola rindo alto demais com os amigos, na biblioteca enquanto vocĂȘ tenta ler The Kite Runner, no refeitĂłrio enquanto vocĂȘ finge que come seu lanche, na lanchonete quando vocĂȘ sai com as suas amigas, na sorveteria da esquina e quando vocĂȘ passa por ele vocĂȘ tem certeza que ele faz um esforço pra esbarrar de leve no seu ombro. O garoto continua aparecendo nos mesmos lugares que vocĂȘ ou foi vocĂȘ que começou a perseguir o garoto? VocĂȘ pode jurar que ele mantĂ©m os olhos em vocĂȘ por mais tempo do que o necessĂĄrio, como se tivesse uma prova importante e vocĂȘ fosse o assunto e ele estivesse estudando vocĂȘ. ~ A primeira vez que ele fala com vocĂȘ Ă© pra te dizer apenas âbelas pernasâ durante uma aula de educação fĂsica e apesar dele te avaliar de cima a baixo vocĂȘ achou que fosse sĂł um comentĂĄrio inocente (depois que vocĂȘ o conhece, vocĂȘ descobre que nĂŁo tem nada de inocente sobre as coisas que ele fala). VocĂȘ fica pensando nisso pelo resto do dia. A primeira vez que vocĂȘs se beijam Ă© em um canto escuro de uma festa de uma amiga sua e Ă© um tanto quanto rĂĄpido e confuso. VocĂȘ estĂĄ saindo do banheiro e ele te puxa pela mĂŁo e te encosta em uma parede e Ă© isso. Nada de especial, romĂąntico ou de fazer seu mundo girar. VocĂȘ consegue sentir o ĂĄlcool da boca dele se misturando com o ĂĄlcool da sua, tequila encontrando vodka, e vocĂȘ registra que a cintura dele estĂĄ sendo pressionada contra vocĂȘ e o mĂĄximo que vocĂȘ consegue fazer Ă© mover sua mĂŁo atĂ© a nuca dele pra confirmar que o cabelo dele Ă© tĂŁo macio quanto parece ser â e Ă©. A sua vontade Ă© levĂĄ-lo atĂ© uma das cadeiras da festa e sentar no colo dele e continuar puxando aquele cabelo e rebolar pra ele e gemer pra ele (esse Ă© o seu lado bĂȘbado falando) mas ele corta o beijo cedo demais, mordendo seu lĂĄbio com força enquanto segura seu queixo e diz de um jeito que parece uma ordem âquero te ver depoisâ. No outro dia vocĂȘ nĂŁo lembra muito bem do beijo e fica brava consigo mesma por ter bebido tanto a ponto de esquecer (blame it on the alcohol), mas vocĂȘ sabe que quer mais. Ele passa por vocĂȘ no corredor como se nĂŁo tivesse acontecido. A primeira vez que ele te manda uma mensagem Ă© com um simples âgostei do seu beijoâ. A primeira vez que ele te liga pra te dar boa noite â a ligação dura trĂȘs horas e vocĂȘs dormem com o telefone ainda ligado, sĂł uma respiração do outro lado da linha e Ă s vezes dĂĄ pra ouvir o barulho de um sorriso â te deixa sorrindo de orelha a orelha. VocĂȘ quase morre de sono no outro dia, mas quem se importa? A primeira vez que ele pula pela janela do seu quarto Ă© numa noite quente Ă s duas da manhĂŁ e ele tropeça e cai e tem que se esconder no seu banheiro porque sua mĂŁe acorda e vem te perguntar o motivo do barulho e depois que ela sai do quarto vocĂȘ tem que falar âshhhh, garotoâ dezenas de vezes pra ele parar de rir. Depois, vocĂȘs sentam de pernas cruzadas no chĂŁo e conversam sobre a escola, sobre quando vocĂȘ era pequena, sobre seus amigos, sobre o time de natação do qual ele faz parte, sobre as bandas que vocĂȘs gostam e vocĂȘs trocam confissĂ”es aos sussurros. VocĂȘ finge que nĂŁo fica nervosa pelo fato de ter seus dedos entrelaçados nos dele. Ele vai embora um pouco depois do sol nascer. Agora ele te dĂĄ olhares rĂĄpidos quando passa por vocĂȘ e vocĂȘ tenta nĂŁo ficar vermelha. A primeira vez que vocĂȘ âvai pra camaâ com ele nĂŁo Ă© realmente numa cama, mas sim no sofĂĄ da sua sala, em um final de semana que os seus pais viajaram e confiaram em vocĂȘ o suficiente pra te deixar sozinha (nĂŁo deveriam, porque a primeira coisa que vocĂȘ faz Ă© mandar uma mensagem pra ele dizendo âei, adivinha quem vai ter a casa livre esse final de semana?â). VocĂȘ sabe que ele vai entender a dica e garantir uma camisinha no bolso de trĂĄs da calça porque ele Ă© esse tipo de cara. Dessa noite vocĂȘ se lembra muito bem porque dessa vez nĂŁo tem ĂĄlcool no seu sistema, entĂŁo vocĂȘ memoriza tudo â suas pernas abertas, jogadas uma pra cada lado do sofĂĄ, como ele rasgou a camisinha com os dentes, o jeito que ele disse âbelas pernasâ pra vocĂȘ antes de desaparecer com a cabeça entre elas, suas unhas afundando na pele das costas dele, seus pedidos de âmais rĂĄpidoâ, os quadris dele se movendo contra vocĂȘ, seus dedos se perdendo naquele cabelo loiro, as bochechas dele ficando vermelhas e suadas, o modo como ele foi delicado na primeira vez e um pouco mais violento na segunda. Cada detalhe. AlĂ©m dos olhares rĂĄpidos, agora ele te lança sorrisos antes de desviar o olhar e vocĂȘ pensa: bom, Ă© um começo. Ou talvez nĂŁo. ~ Durante o jantar, sua mĂŁe pergunta: âo que hĂĄ de errado com vocĂȘ? Por que vocĂȘ anda tĂŁo distraĂda?â. VocĂȘ nĂŁo entende a pergunta muito bem (vocĂȘ estĂĄ pensando na mĂŁo dele entre as suas pernas por baixo da mesa durante um jantar de famĂlia) entĂŁo vocĂȘ responde com um: âo quĂȘ vocĂȘ disse?â e sua mĂŁe resmunga com frustração. Felizmente Ă© uma das noites em que seu pai nĂŁo aparece. ~ Depois da primeira vez no seu sofĂĄ, vocĂȘ pensa: nĂŁo. NĂŁo se deixe levar, porque nĂŁo vai rolar. Nem agora nem nunca. VocĂȘ foi mais uma de muitas e ele provavelmente faz e diz o mesmo pra todas, o que vocĂȘ tem de diferente? âBelas pernasâ deve ser uma piadinha interna dele com os amigos. Seu mundo nĂŁo Ă© o mesmo que o dele. Tira isso da cabeça. NĂŁo fantasie. NĂŁo se iluda. NĂŁo. EntĂŁo a sua mente Ă© invadida pela imagem dele com outras garotas, fazendo as mesmas coisas que fez com vocĂȘ, mexendo a lĂngua da mesma forma, ficando nas mesmas posiçÔes, os mesmos truques, dobrando os dedos da mesma forma, gemendo o nome delas entre respiraçÔes pesadas, sorrindo enquanto faz tudo isso e vocĂȘ tem vontade de vomitar sĂł com o pensamento. VocĂȘ diz pra si mesma: nĂŁo vai acontecer de novo. Mas acontece, e acontece de novo e de novo e de novo. No seu sofĂĄ, no banco de trĂĄs do carro dele, na sua cama. NĂŁo parece uma piada quando seus corpos estĂŁo tĂŁo colados que nĂŁo dĂĄ pra por um fio de cabelo entre eles. ~ A verdade? VocĂȘ nunca foi exatamente legal. Popular. NĂŁo que vocĂȘ seja a garota dos livros de amor adolescente que Ă© chata e sem graça e que mesmo assim consegue o garoto perfeito, mas vocĂȘ Ă©, ao invĂ©s disso, a garota com os fones de ouvido altos demais, sempre tendo que perguntar âo quĂȘ?â quando falam contigo porque vocĂȘ nunca realmente presta atenção no mundo ao seu redor. Em troca, ninguĂ©m presta muita atenção em vocĂȘ. E vocĂȘ estĂĄ totalmente ok com isso, porque ele presta atenção em vocĂȘ. ~ Ele diz que vocĂȘ pode arranhar as costas dele Ă vontade e que ele adora quando vocĂȘ deixa as unhas crescerem, mas que nĂŁo Ă© pra deixar chupĂ”es no pescoço porque os amigos dele vĂŁo implicar e, de verdade, requer seu tempo e concentração nĂŁo deixar marcas roxas nele inteiro, do pescoço a barriga, pra que os amigos dele (e quem sabe as outras meninas) saibam do que vocĂȘs fazem dentro do seu quarto e do efeito que vocĂȘ provoca nele. Mas vocĂȘ nĂŁo faz isso e tambĂ©m nĂŁo se opĂ”e ao que ele diz porque da Ășltima vez em que vocĂȘ o confrontou sobre algo ele começou a gritar e a ficar nervoso e a dizer que nĂŁo te deve explicação alguma. ~ E vocĂȘ Ă© calma com ele, a sua voz nĂŁo se altera quando ele berra com vocĂȘ e nem quando ele dĂĄ socos na parede (a Ășnica vez que sua voz tremeu foi quando ele apareceu no seu quarto com o olho roxo e o lĂĄbio sangrando e colocou o rosto entre as mĂŁos e chorou na sua frente e esse foi o dia mais horrĂvel de todos). A sua voz Ă© exatamente a mesma, baixa e controlada quando vocĂȘ pede se vai ver ele essa noite ou se ele se importaria em se mover um pouco mais rĂĄpido contra os seus quadris porque vocĂȘ estĂĄ quase lĂĄ. E a coisa Ă©: ele gosta. Gosta de ver vocĂȘ implorando e pedindo e se contorcendo e quase se humilhando embaixo dele. EntĂŁo vocĂȘ sempre pede permissĂŁo. Posso te chupar, por favor? Posso ficar por cima hoje, sĂł hoje, por favor? VocĂȘ poderia puxar meu cabelo com mais força, por favor? Sempre por favor e em troca ele faz todas as coisas que deixam os seus joelhos fracos e desse jeito simplesmente funciona entre vocĂȘs (funciona?). Geralmente, as Ășnicas coisas que ele fala durante esses momentos, alĂ©m de palavras soltas e gemidos e palavrĂ”es sĂŁo âfica quietinha, nĂŁo tĂŁo alto agora, ninguĂ©m pode ouvir, vocĂȘ consegue ficar quieta pra mim? boa meninaâ e muito raramente âvocĂȘ gosta assim? Disso? Desse jeito?â. VocĂȘ gosta dele te chamando de "boa menina". ~ VocĂȘ sabe que o seu melhor amigo nĂŁo te entende, mas ele te ama apesar disso, ou por causa disso. E vocĂȘ tem consciĂȘncia que vocĂȘs sĂł sĂŁo melhores amigos porque ele tambĂ©m escuta mĂșsica com os fones ouvidos altos demais (agora vocĂȘs aprenderam a dividir os fones e as mĂșsicas, mesmo que vocĂȘ nĂŁo goste de verdade de Radiohead e que ele odeie Arctic Monkeys) e vocĂȘ tem uma noção de que se uma das suas professoras nĂŁo tivesse feito vocĂȘ ajudĂĄ-lo com uma redação, ele jamais teria olhado pra vocĂȘ duas vezes e vocĂȘ odeia quando ele balança a cabeça em reprovação porque vocĂȘ começa a falar do garoto bonito pra ele. âVocĂȘ tem um certo problemaâ, ele te diz enquanto balança a cabeça. âVocĂȘ nĂŁo sabe desapontar as pessoas, vocĂȘ gosta de agradar as pessoas a todo custo e vocĂȘ nĂŁo sabe quando pararâ. SĂŁo nesses dias que vocĂȘ geralmente decide ir sozinha pra casa, com os dois fones no ouvido tocando Radiohead. ~ Tem um concurso de escrita no colĂ©gio e a coisa Ă©: vocĂȘ ganha. VocĂȘ escreve esse livrinho de poesia que tem o nome de eu te conheci aos 17 e o livro todo fala sobre olhos azuis, cabelo loiro bagunçado, pintinhas no pescoço, sorriso de uma covinha sĂł (como ninguĂ©m percebe sobre o que isso se trata?). VocĂȘ estĂĄ no refeitĂłrio, tentando ler Wuthering Heights quando percebe alguĂ©m parado na sua frente. Ele se inclina atĂ© vocĂȘ e vocĂȘ pensa meu deus ele vai me beijar aqui agora na frente de todo mundo meu deus o que eu faço mas ele nĂŁo te beija, ele te dĂĄ um abraço rĂĄpido e indiferente e diz meus parabĂ©ns, vocĂȘ escreve realmente bem, bom trabalho e ele nĂŁo diz isso de um jeito que um namorado ou mesmo um amigo diria, ele nĂŁo diz de um jeito que alguĂ©m que pula a janela do seu quarto durante a noite e te beija com vontade diria, ele nĂŁo diz isso como quem sabe que um livro â mesmo que pequeno â foi escrito sobre ele, ele diz isso de um jeito que um desconhecido simpĂĄtico diria e vocĂȘ simplesmente levanta uma sobrancelha com uma pergunta silenciosa no rosto como vocĂȘ faz isso? e a vontade de aparecer sĂł aumenta quando ele te dĂĄ as costas e anda em direção a outra garota e vocĂȘ quer perguntar pra essa garota se ela sabe que enquanto ela dorme durante a noite (provavelmente sonhando com ele) ele tem que tampar sua boca com a mĂŁo ou com beijos pra vocĂȘ nĂŁo gemer tĂŁo alto. ~ Ele tem um melhor amigo, e Ă© o Ășnico amigo que vocĂȘ sabe que sabe. Esse melhor amigo sempre te cumprimenta e sorri pra vocĂȘ e te chama pelo seu apelido e Ă s vezes te pergunta como vocĂȘ estĂĄ, sempre gentil (por que vocĂȘ nĂŁo pode ser que nem ele?) e vocĂȘ nĂŁo sabe como interpretar aquele olhar de pena no rosto dele. ~ Um dia desses em uma aula vaga de matemĂĄtica vocĂȘ escuta o garoto bonito falando pros amigos dele que ficou com aquela garota e os amigos dele perguntam o por quĂȘ e ele responde por que nĂŁo? e vocĂȘ se pergunta se vocĂȘ tambĂ©m Ă© um caso de por que nĂŁo? pra ele (provavelmente sim). E mais tarde na saĂda vocĂȘ escuta ele falando no telefone com uma voz macia claro que eu quero, eu sempre quero mas vocĂȘ nĂŁo escuta o resto porque vocĂȘ recoloca os fones de ouvido pensa o que eu nĂŁo sei nĂŁo pode me machucar, certo? ~ VocĂȘ deseja poder falar com o seu irmĂŁo sobre isso. Porque ele sabe o que falar nesses momentos, porque ele Ă© mais experiente do que vocĂȘ e porque ele provavelmente se ofereceria pra dar uma surra no garoto bonito. VocĂȘ diria nĂŁo, nĂŁo, ele Ă© muito bonito pra isso, mas ficaria agradecida. Ou sĂł falar com o seu irmĂŁo jĂĄ adiantaria. VocĂȘ sabe que faz meses que ele parou de ligar pra casa e de atender as ligaçÔes da sua mĂŁe (e talvez seja por isso que Ă s vezes vocĂȘ a escuta chorando baixinho antes de dormir e vocĂȘ sabe que a culpa do seu irmĂŁo ter ido embora Ă© do seu pai e talvez seja por isso que os dois pararam de dormir juntos e vocĂȘ pensa que deve ser horrĂvel nĂŁo saber em que lugar do planeta seu filho estĂĄ ou se ele estĂĄ bem) e o seu irmĂŁo tambĂ©m parou de ligar pra vocĂȘ e vocĂȘ se sente irritada, com raiva, vocĂȘ quer bater em algo e naquela noite quando o garoto entra pela sua janela vocĂȘ pede pra ele nĂŁo ser gentil e delicado com vocĂȘ. ~ A sua mĂŁe pergunta sobre os hematomas e vocĂȘ sĂł balança a cabeça. Cai na educação fĂsica. Bati na mesa. Tropecei, eu sou tĂŁo desastrada! Mas sĂ©rio? NinguĂ©m acredita que pequenas marcas roxas e redondas no seu pescoço ou no seu peito ou nas suas coxas sejam resultados de tombos ou batidas. VocĂȘ finge, e ela se deixa enganar. ~ VocĂȘ ama o seu melhor amigo, muito, o garoto que vocĂȘ mais ama no mundo (Ă© mesmo? Mentirosa), vocĂȘ ama o jeito que a barba dele arranha sua bochecha quando ele te abraça e ama mais ainda quando ele faz a barba e fica com aquele cheiro de aftershave misturado com perfume, mas vocĂȘ odeia quando ele insiste que vocĂȘ merece coisa melhor e que nĂŁo deveria deixar o garoto bonito te tratar assim. âMe tratar como? Ele me trata normalâ. âEle te trata como a porra de um capacho, um bichinho de estimaçãoâ. VocĂȘ o deixa falando sozinho. ~ E vocĂȘ começa a entender sĂł agora que o garoto bonito que beija basicamente qualquer outra menina que ele tiver a chance e que nĂŁo conta pros amigos sobre vocĂȘs dois e se recusa a te beijar em pĂșblico nĂŁo te ama e que se ele te ama, ele nĂŁo sabe porra nenhuma sobre como lidar com o amor e que o seu melhor amigo tem razĂŁo. VocĂȘ jura nĂŁo criticar Romeu e Julieta e fica feliz por pelo menos nĂŁo ter nenhuma morte envolvida na sua histĂłria. ~ VocĂȘ encara o seu prato de comida, sem nenhuma vontade de realmente comer. âQuerida, tudo bem?â VocĂȘ nĂŁo responde sua mĂŁe (porque na sua cabeça vocĂȘ estĂĄ fazendo uma lista com possĂveis jeitos de esquecer alguĂ©m) e uma batida na da mesa te tira dos seus pensamentos. âQuando sua mĂŁe fala com vocĂȘ, Ă© melhor vocĂȘ responder direito!â. VocĂȘ levanta os olhos atĂ© encontrar os da sua mĂŁe â vermelhos, pequenos, cansados. Ela Ă© bonita, e estĂĄ ficando mais velha, vocĂȘ repara. âVocĂȘ estĂĄ bem, meu anjo?â . VocĂȘ sĂł consegue sentir culpa, e nĂŁo responde de novo. âFala comigoâ sua mĂŁe tenta de novo. VocĂȘ fala que nĂŁo pode. NĂŁo pode conversar com ninguĂ©m sobre isso. NĂŁo, vocĂȘ nĂŁo fala, vocĂȘ grita. E entĂŁo vocĂȘ sai da mesa e pensa que deveria ter escolhido um dia que seu pai nĂŁo estĂĄ em casa pra surtar. ~ Sua mĂŁe bate na porta e encontra vocĂȘ chorando, rosto inchado, nariz escorrendo, cara feia. Ela nĂŁo faz perguntas â nesse ponto ela jĂĄ entendeu que Ă© inĂștil â, mas ela abraça vocĂȘ. E chora com vocĂȘ (e isso te faz chorar ainda mais). VocĂȘ sente vontade de perguntar se ela jĂĄ teve o coração quebrado desse jeito, mas vocĂȘ pensa no carro do seu pai saindo da garagem com algumas caixas no banco de trĂĄs e sabe que ela entende. E vocĂȘ sente vontade de perguntar se ela sabe te explicar por que vocĂȘ estĂĄ chorando por um garoto que agora jĂĄ nĂŁo te olha mais no corredor ou te lança sorrisos rĂĄpidos ou pula a janela do seu quarto durante a madrugada. ~ E vocĂȘ fica cansada. Cansada de ordens. Cansada de a gente nĂŁo pode contar pra ninguĂ©m, meus amigos nĂŁo podem saber, tem essa outra garota, nĂŁo podemos ser vistos na escola, nĂŁo posso me comprometer, nĂŁo quero sentimentos envolvidos, nĂŁo posso fazer isso, vocĂȘ tem que entender, vocĂȘ nĂŁo pode me amar, diz que me ama! ~ VocĂȘ tem dezessete anos, falta um mĂȘs pra vocĂȘ completar dezoito e vocĂȘ sabe que quando o garoto que passou mais de dez meses enganando vocĂȘ bate na sua porta, vocĂȘ nĂŁo deve deixar que ele entre. NĂŁo Ă© correto, nĂŁo Ă© apropriado. VocĂȘ sabe. Mas vocĂȘ deixa. E tudo Ă© tĂŁo diferente agora e Ă© tĂŁo surreal porque, bem, ele estĂĄ entrando pela porta da frente, e sĂŁo quatro da tarde e seu rosto queima lembrando das vezes que ele entrava no seu quarto as duas da manhĂŁ tropeçando pela janela e te cumprimentando com um beijo na boca mas vocĂȘ se obriga a mandar essa lembrança direto pro fundo da sua mente porque vocĂȘ nĂŁo precisa disso. Nem dele. âDesculpaâ Ă© tudo que ele diz. âSai. Agoraâ Ă© o que vocĂȘ diz. Ele parece confuso porque vocĂȘ nĂŁo estĂĄ mais sendo a boa menina dele e ele gagueja um monte de palavras como eu sinto sua falta e eu sinto muito e eu queria tanto poder voltar no tempo e quando ele finalmente diz eu te amo vocĂȘ lembra de ter desejado ouvir essas palavras e essa Ă© a gota dâĂĄgua, Ă© o seu limite (mas vocĂȘ nĂŁo chora como faria um tempo atrĂĄs) e vocĂȘ empurra-o atĂ© que ele saia da sua casa e ele tenta te fazer escutar, ele segura seu braço, ele levanta a voz, ele pede por favor, mas vocĂȘ nĂŁo quer escutar porque por mais que ainda o queira (caramba garota), nĂŁo precisa mais desesperadamente dele ou do corpo dele pressionado ao seu durante a noite pra dormir direito e ele finalmente desiste, dĂĄ as costas e vai embora, como ele jĂĄ fez antes, diversas vezes, sĂł que dessa vez Ă© pela porta da frente. ~ Agora vocĂȘ tem dezoito anos, mas vocĂȘ jĂĄ nĂŁo sabe de mais nada.
VinĂcius Kretek (via icanfixyou)