Eu não pertenço a nada.
Nem ao céu que me ignora,
Nem à terra que me rejeita.
Sou só um corpo cansado,
Um fantasma que insiste em respirar.
As vozes me cercam,
Mas nenhuma fala comigo.
Os risos me atravessam,
Mas todos são contra mim.
E eu sorrio, torto, quebrado,
Enquanto sangro por dentro.
Eu sou a sobra da festa,
A sombra esquecida no canto.
Eu sou o erro repetido,
O silêncio que incomoda,
O peso que ninguém quer carregar.
E eu cansei.
Cansei de disfarçar o desespero,
Cansei de gritar em silêncio
Enquanto o mundo dança sobre minha dor.
Se eu fechasse os olhos agora,
Ninguém notaria.
Se eu partisse em pedaços,
Chamariam de fraqueza.
E se eu sumisse para sempre,
Seria só mais um detalhe apagado
Na memória de quem nunca me viu de verdade.
Eu sou o cansaço.
Eu sou a desistência.
Eu sou a cicatriz que ninguém quis olhar.
E no fim,
Só restará o eco da minha voz rouca
Dizendo, pela última vez
"Estou cansada.”








