Em sua edição de 3 de março de 1960, o Diário Popular tratou em sua coluna “Síntese” sobre as finais da Taça Brasil de 1959, que estavam por ocorrer naquele mês. Infelizmente, esse exemplar, disponível no Arquivo Público do Estado de São Paulo, foi vandalizado, e a coluna não está inteiramente legível. Assim, vou reproduzir aqui (com algumas correções ortográficas e gramaticais) o que é possível ler. Vale destacar que o texto foi escrito antes daquela final, em que o Bahia derrotaria o Santos.
Pode-se dizer que, terminado o período de Momo, que, dentro do panorama futebolístico, separa os amistosos insossos e inexpressivos das grandes realizações, agora, sim, vai-se iniciar, para os clubes, a luta árdua e intensa. Os joguinhos amistosos, de menor interesse, fazendo com que as principais emissoras de rádio e televisão inclusive focalizassem sua atenção para o interior do Estado em busca de cotejos sem expressão, vão continuar somente até domingo.
Depois, então, teremos uma das maiores realizações do futebol brasileiro: o Rio–São Paulo. Infelizmente, nota-se, em determinados momentos, o descaso dos principais clubes dos dois grandes centros, completamente desinteressados da sua sorte. Esquecem eles que o Torneio Roberto Gomes Pedrosa [o nome oficial do Torneio Rio–São Paulo] segue sendo a maior disputa entre clubes brasileiros. Acreditamos, sem qualquer receio de erro, que, inclusive, o citado certame seja superior à própria disputa [da Taça] Brasil.
Explicamos as razões. A Taça, que possui como finalistas presentemente Santos e Bahia, não chega a reunir as melhores forças do futebol nacional. Tal coisa não ocorre com o Rio–São Paulo, que reúne em torno de si os maiores nomes, as melhores figuras e os esquadrões mais poderosos do futebol brasileiro. Consequentemente, o seu campeão bem que poderia ser considerado como o representante máximo do Brasil, pois todos sabem que a nata dos grêmios nacionais é constituída, na verdade, por Vasco, Flamengo, Fluminense, Botafogo, America, Palmeiras, Santos, São Paulo, Corinthians e Portuguesa de Desportos.
[Ninguém], em sã consciência, poderá [colocar] em dúvida a capacidade [de] qualquer um desses conjuntos [ilegível] confronto direto contra qualquer agremiação de outro estado. [ilegível]mos que o que poderia fa[ilegível] qualquer um destes clubes, [ilegível]amente, viesse a correr [perigo?] e perder uma partida, seria [enfrentando?] em seus domínios [ilegível] qualquer destes estados: Pernambuco, Bahia, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Afora os mencionados recantos, em nenhum [outro?] ponto do País existe força [que?] possa ser comparada ao Rio [e a São] Paulo.
Portanto, iniciando [o tradicional?] certame, estarão os [clubes?] dando o primeiro passo [para?] começar o ano futebolístico [de 1960?], seguindo-se a essa rea[ilegível] os certames regionais de [cada?] estado, que despertam in[ilegível] e extraordinário interesse, [ilegível]do o futebol de exercer [ilegível] fascínio somente ao [encerrar?] essa disputa. Virão, então, [ilegível]rias e amistosos inexpressivos [até?] a época do Carnaval, que, [conforme?] salientamos, é o marco [que estabelece] o ponto de partida [para] as grandes temporadas.