@motocaveiro
— Não é como se eu estivesse culpando outro, só dividindo a culpa, sabe… O corpo é o mesmo, mas não posso dizer que tenho controle total do que meu companheiro faz quando toma o controle. — deixou que seu sorriso clássico e sarcástico tomasse conta de seus lábios por mais alguns momentos, antes de prosseguir com uma provocação de leve. — E mesmo que eu tivesse controle sobre esse “negócio”, desculpa ai companheiro, não faria muito diferente, continuaria recebendo algumas farofas. — oh, sem dúvidas, Johnny não era assim não diferente daquele espírito que dividia o corpo consigo, em um passado distante, era sim outra pessoa, muito mais amorosa, carinhosa, mole, mas desde o convívio com a vingança, tinha se transformado em outra coisa. Não pôde conter o erguer de uma de suas sobrancelhas, ao ouvir algo que era constante, não só pela aranha dizer, mas por diversos outros… Entretanto, esqueciam que ele ia muito além do que fazer churrasco de seus inimigos. — Claro que cinzas não nos dão respostas… Almas sim. Aliás, você é culpada de algo? — deixou que seus olhos tornassem-se vermelhos como a chama infernal, simulando o Olhar de Penitência, que só tomava a alma daqueles que eram culpados, não dos inocentes, era óbvio que não usaria tal habilidade contra ela, preferia não correr risco de levar a alma de alguém por engano. Encarava a mais nova, sem desviar o olhar, à medida que desviava dos chutes alheios quase que automaticamente, agarrando a perna da morena no último golpe e puxou-a para mais perto, deixando um riso sair abafado, antes de jogá-la contra uma das paredes mais próximas.
❝ — Aquela informação era interessante - Jessica sequer considerou que o que quer que habitasse Johnny pudesse ter alguma autonomia. “Fofo. Não sabia disso… Combina com você, na verdade, dividir o quarto com um demônio. Aposto que se dão muito bem.” O veneno em sua voz era evidente, mas a inglesa estava começando a achar divertida toda a situação - verdade seja dita, nunca realmente trocou mais do que duas palavras com o motoqueiro e, apesar de usar métodos horríveis, seu senso de humor até se parecia com o dele. Em todo caso, é claro que ele desviaria dos chutes com facilidade - bem, ela estava apenas começando. A coloração avermelhada nos olhos masculinos, entretanto, a pegou de surpresa e, por um brevíssimo momento; Jessica desviou o olhar. “Me diz você, Johnny...” A resposta veio juntamente ao último chute e os olhos claros, novamente, encontraram os vermelhos. A mulher estava dolorosamente consciente de todos os pecados que havia cometido durante a vida, mas aquele não era o momento para cultivar sua auto-piedade. “Do que eu sou culpada?” Devolveu a pergunta, voz e expressão desafiadoras mesmo com a repentina aproximação. Seu impacto contra a parede foi gracioso, amortecido pelas mãos que aproveitaram a superfície de contato para impulsionar o corpo para cima. ‘Sentada’ na parede como se sentada no chão, Jessica sorriu com falsa inocência e ajeitou alguns fios de cabelo para trás da orelha. “Você é sempre tão passivo nas suas lutas?” Veio a provocação, e ela saltou de seu lugar na parede para pousar suavemente - embora talvez não tão suavemente quanto se estivesse com seu traje - atrás do mais alto. Sorriu. “C’mon, Blaze, bring it on.”















